Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

segunda-feira, abril 07, 2014

Especialista fala sobre a estagnação do futebol brasileiro

Entrevista: Amir Somoggi

'Nosso futebol está na mesmice. E os clubes são culpados'

Estagnado e arrogante, o marketing dos clubes brasileiros perdeu uma chance de ouro de faturar com Copa do Mundo, avalia especialista em gestão esportiva

Luiz Felipe Castro
Nike divulga camisas de clubes brasileiros em homenagem à seleção brasileira

Nike divulga camisas de clubes brasileiros em homenagem à seleção brasileira: iniciativas diferentes partem sempre das empresas, não dos clubes (Divulgação/Nike)

"Os Estaduais vivem hoje em fase terminal, isso está muito claro. Há um desinteresse muito grande do torcedor, que prefere ver Libertadores e Brasileirão. Além disso, as novas arenas trouxeram um encarecimento dos ingressos"

A pouco mais de dois meses do início da Copa do Mundo,o futebol brasileiro vive um início de ano melancólico: com estádios quase sempre vazios e clubes endividados, o cenário atual tem espantado cada vez mais os patrocinadores, que voltaram suas atenções ao maior evento do esporte mundial e não enxergam bons motivos para investir nas equipes. Apesar de ter aumentado suas receitas, que ultrapassaram a marca de 3 bilhões de reais no ano passado, os clubes brasileiros ainda não aprenderam com os gigantes europeus os caminhos para fidelizar seus torcedores e atrair o interesse de grandes parceiros. De acordo com o consultor Amir Somoggi, um dos principais especialistas em gestão e marketing do esporte no país, os clubes já perderam a chance de usar a Copa como uma grande oportunidade – e pior, têm usado o torneio que trará Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e outros supercraques ao Brasil como desculpa para esconder sua própria incompetência.

Leia também: País do futebol (e da má gestão): a Copa vem, o atraso fica

Autor de dezenas de estudos relacionados ao mercado de futebol no Brasil, Somoggi falou ao site de VEJA sobre o "estado terminal" dos campeonatos estaduais e foi enfático ao assegurar que não vivemos no país do futebol. Para ele, o torcedor brasileiro, em geral, só quer ver sua equipe vencer – e, em caso de má fase, ele costuma abandonar as arquibancadas. "Existe uma cultura do brasileiro de ir pouco ao estádio. Na Europa, há cidades que têm 400.000 habitantes e 80.000 pessoas estão sempre no estádio", lembrou. Somoggi ainda analisou as estratégias de marketing pouco inovadoras das equipes nacionais e afirmou que a contratação de atletas de renome, como Alexandre Pato, Clarence Seedorf e Diego Forlán, deverão ser cada vez menos frequentes. Ao avaliar o Corinthians, clube que mais investiu no setor, o consultor enxerga falhas importantes. "É sempre bom lembrar que o Ronaldo só trouxe receitas do mercado doméstico. O Corinthians não se tornou uma marca global, ao contrário do que eles mesmos dizem", diz Somoggi, que acredita que as equipes precisam de soluções mais criativas. 
 
Muitos clubes avaliam que a chegada da Copa foi prejudicial, pois a verba de patrocinadores voltou-se exclusivamente para o evento, deixando de lado o futebol nacional. Você concorda? Não. Na verdade, essa tese, que se tornou um mantra de qualquer cartola da área de marketing nos últimos tempos, é um grande erro. Todos vão dizer que as verbas estão todas alocadas em ações promocionais para a Copa, mas, na verdade, o evento foi um grande catalisador de investimentos do futebol brasileiro. Sem ele não haveria, por exemplo, nenhum estádio novo, e os clubes não poderiam se beneficiar dos lucros que eles serão capazes de produzir no futuro. A Copa é um torneio de tiro curto e acaba em julho, então os clubes já deveriam estar pensando no que fazer depois. Mas eles acham que parceiro comercial tem que estar só na camisa. Oferecem espaço no peito, manga, costas, calção, omoplata... Mas ninguém consegue sair da mesmice. O mercado está estagnado.
 
Por que as equipes brasileiras sofrem tanto para conseguir bons patrocínios? Os grandes culpados são os próprios clubes, porque as marcas não conseguem ver em nenhum deles uma entidade realmente preparada para projetos mais ambiciosos. Por isso, chegamos ao ponto de ver times grandes sem patrocínio e outros tantos com o mesmo patrocinador, que é um banco estatal, a Caixa. Na Europa, se um clube fica sem patrocínio, no dia seguinte vem a concorrente e leva, pois as empresas não querem perder a oportunidade de estar associada a uma marca com alto valor agregado. Aqui, os clubes não produzem isso e depois reclamam que a culpa é dos outros.
 
Já é tarde demais para pegar carona no sucesso da Copa? Isso poderia ter sido feito já na Copa das Confederações, mas os clubes estão deitados em berço esplêndido. Para você colher benefícios, é preciso traçar uma estratégia, mas os clubes não entendem isso. Eles não incentivam o torcedor a vestir a sua camisa. É normal que a verba vá para a publicidade da Copa, isso sempre foi assim, mas agora que a Copa é aqui, fica mais fácil justificar. Os clubes não souberam enxergar o evento como um aliado, e sim como uma desculpa. Eles só querem saber de patrocínio na camisa e não pensam em criar iniciativas diferentes, como se faz no futebol europeu.
 
E a ideia de adotar camisas amarelas no ano da Copa, como fizeram Palmeiras, Corinthians, Santos, Internacional e outros? Essa história da camisa amarela é um bom exemplo do que venho dizendo. Elas foram criadas pelas marcas de material esportivo que patrocinam as equipes. Não foi algo que partiu dos clubes. Nunca parte deles. É assim que acontece: alguém faz, eles topam. Mas eles não criam nada. 
 
A que fatores você atribui essa incapacidade dos clubes em desenvolver o próprio marketing? A idade avançada de alguns cartolas pode ser relacionada à falta de ideias inovadoras? Eu não gosto de falar em idade. Por exemplo: eu já trabalhei com o Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro (presidente licenciado do Santos), que é um homem na casa dos 70 anos, mas tem grandes ideias. Falar em idade pode parecer preconceituoso. Acho que existem outros fatores que explicam melhor o nosso atraso.
 
Quais seriam? Primeiro, o ambiente político dos clubes, onde o homem de marketing não tem poder nenhum, ao contrário do que acontece nos clubes europeus. O segundo é o baixo conhecimento dos profissionais que comandam a área. E o mais grave, pois creio que conhecimento se adquire com o tempo, é a arrogância. Não conheço um clube brasileiro que seja humilde, que admita que os resultados não são satisfatórios. Sempre a culpa é do governo, dos patrocinadores, da televisão... E pior: quando nossos clubes começam a faturar um pouquinho a mais com uma ou duas fontes de renda, como um patrocinador estatal ou o dinheiro da Globo, eles já se sentem um Real Madrid, um Barcelona ou um Manchester United. Eles vivem num mundo paralelo.
 
Como você explicaria o fracasso dos Estaduais deste ano, sobretudo na questão das médias de público? É uma soma de fatores. Eu poderia afirmar que os Estaduais vivem hoje em fase terminal, isso está muito claro. Há um desinteresse muito grande do torcedor, que prefere ver Libertadores e Brasileirão. Além disso, as novas arenas trouxeram um encarecimento dos ingressos, pois os clubes já não determinam os preços sozinhos – em geral, existe um acordo com a empreiteira que ergueu o estádio ou o consórcio que o administra. Além disso, o futebol e o marketing estão muito ligados ao resultado dentro de campo. Se o jogo é bom, o torcedor vai; se não é, ele não vai. Os clubes ainda não conseguiram criar ações que motivem o torcedor através do entretenimento. E não falo só de infraestrutura do estádio. É segurança, conforto, divertimento, comida de qualidade, estacionamento...
 
Com base nisso tudo, a noção de que o Brasil é o país do futebol é equivocada? Existe uma cultura do brasileiro de ir pouco ao estádio. Mesmo nos áureos tempos em que 150.000 pessoas iam ao Maracanã, a média de público do Campeonato Brasileiro era de 20.000 pagantes, muito abaixo das ligas europeias hoje. Acho que essa ideia de o Brasil ser o país do futebol está ligada à quantidade de pessoas que têm um time do coração. Mas a presença delas nos estádios é muito pequena, o que me faz crer que nós nunca fomos o país do futebol. Quantidade não representa qualidade. O importante é ter um torcedor engajado, leal. Na Europa, há cidades que têm 400.000 pessoas e 80.000 estão sempre no estádio do clube local. Por aqui, o torcedor de um clube como o Flamengo faz as contas e pensa: "Vou até Volta Redonda, ver um jogo sem importância?".
 
Neste ano, os clubes brasileiros não investiram em contratações de peso como Pato, Seedorf, Forlán ou Ronaldinho. Você acha que a estratégia de contratar craques consagrados não interessa mais? Esse modelo foi interessante em um dado momento, mas hoje me parece chover no molhado. Claro que se você traz um Seedorf, a torcida pode se empolgar. Mas precisa de um trabalho de marketing por trás para acompanhar. Vamos tomar o exemplo do Forlán. Ele tem cerca de 4 milhões de seguidores no Twitter, enquanto o Inter tem 500.000. Por que o clube não trabalhou, assim que ele chegou, em uma campanha forte para explorar sua imagem? Eles acham que primeiro o jogador precisa render para só depois começar a lucrar em cima. Acho que um bom caminho hoje em dia seria investir em jogadores que realmente venham para arrebentar, ou ir atrás de novos mercados com alto potencial de consumo, como Ásia ou até Estados Unidos. Por que não trazer um grande jogador americano que tenha apelo comercial e qualidade técnica? O trabalho precisa ser conjunto e eu, até hoje, não vi nenhum clube que tenha trazido um jogador que realmente tenha revolucionado os negócios.
 
Nem mesmo o Ronaldo no Corinthians? É que o caso do Ronaldo foi diferente: partiu do próprio jogador e, por ter sido pioneiro, ele chamou muita atenção. Mas é sempre bom lembrar que o Ronaldo trouxe receitas apenas do mercado doméstico. O Corinthians não se tornou uma marca global, ao contrário do que o próprio clube diz. Para se ter uma ideia, o Corinthians tem 200.000 seguidores de redes sociais fora do Brasil. O Santos tem 500.000. A marca do Corinthians não é nada para um time de 30 milhões de torcedores. Além disso, o Ronaldo ficou com grande parte das receitas que foram viabilizadas por ele. Esse foi o acordo, e deu muito certo para o jogador.
 
Ainda citando o Corinthians, qual foi o balanço da contratação do chinês Zizao? Ele foi o exemplo típico da arrogância e do despreparo do clubes. Isso porque estamos falando do clube tido como o melhor marketing do Brasil. Assim que o Zizao chegou, o Luís Paulo Rosenberg (ex-vice-presidente de marketing) veio a público para dizer, sem o menor pudor, que haviam trazido um chinês ruim de bola. É muito folclore e pouco profissionalismo. Eles poderiam ter trazido um chinês de qualidade, titular da seleção, que fosse realmente agregar algo ao clube.
 
É possível dizer que os grandes clubes argentinos, especificamente Boca Juniors e River Plate, são mais conhecidos mundialmente que os brasileiros? Com certeza, muito mais conhecidos. Claro que a questão da polarização ajuda, como um Real Madrid x Barcelona. Mas, em 1997, o Boca Juniors já tinha uma diretoria de relações internacionais muito ativa. Ou seja, eles já tinham um trabalho de marketing sendo realizado e se aproveitaram dos títulos da Libertadores e do Mundial de Clubes. Eles fizeram tudo antes. Aqui ninguém aproveita isso. São Paulo, Inter e Corinthians foram campeões do mundo e não mudaram de patamar. É inacreditável.
 
E como explicar que um clube do tamanho do Palmeiras, no ano de seu centenário, ainda não tenha conseguido um patrocinador principal na camisa? O Santos também está na mesma. A Copa atrapalhou nesses casos? Pelo contrário. A Copa poderia ter sido um grande auxílio, porque o centenário do Palmeiras é em agosto, logo na sequência. Pelo que eu sei, o clube está desesperadamente buscando um patrocínio, mas está difícil, eles querem muito dinheiro. Um centenário não se faz em seis meses. Nesse caso, o único clube que soube trabalhar seu centenário foi o Corinthians, que aproveitou a ocasião ao extremo. É um absurdo o Palmeiras não ter um patrocinador em 2014, assim como acontece no Santos também. Não importa se o mercado está difícil. Talvez, na verdade, o mercado esteja dando uma resposta.

Os micos do futebol brasileiro em 2014

8 de 8

Vexame dos paulistas

A temporada teve um início melancólico para o futebol paulista, o principal mercado do país. Fora da Libertadores, os quatro grandes viam no Campeonato Paulista a chance de salvar o primeiro semestre, mas apenas o Santos fez a sua parte. O Corinthians foi responsável pelo maior papelão: defensor do título, o time treinado por Mano Menezes ficou atrás de Botafogo e Ituano e nem sequer avançou às quartas. O São Paulo até fez uma primeira fase razoável, mas caiu logo em seguida para o modesto Penapolense, em pleno Morumbi (foto). Já o Palmeiras frustrou a esperança de título estadual no centenário ao ser eliminado pelo Ituano nas semifinais. Além de tudo isso, Ponte Preta e Portuguesa foram rebaixadas à Série B do Brasileirão, no fim do ano passado.

As limitações da gestão à moda brasileira

Clubes do país ainda não exploram todos os meios de ganhar dinheiro com o esporte

4 de 4

Patrocínio

Oscar e David Luiz com a camisa do Chelsea, patrocinado pela Samsung (Foto: Mike Hewitt/Getty Images)

Enquanto os clubes brasileiros sofrem para encontrar grandes empresas dispostas a estampar suas marcas nos uniformes, os grandes clubes europeus desenvolvem projetos longos e muito rentáveis com seus parceiros. No Brasil, os contratos desse tipo são curtos e focados apenas na exposição de mídia. As empresas, que raramente têm algum retorno financeiro adicional com os contratos com brasileiros, costumam ficar no futebol por curtos períodos. Os patrocínios renovados no fim do acordo são uma raridade. Já o inglês Chelsea, por exemplo, está com a Samsung desde 2005 - clube e empresa têm vários projetos conjuntos.

domingo, abril 06, 2014

O processo de evolução do Futebol Feminino no mundo

Por: Benê Lima

 

Japonesas

Jogadoras japonesas ainda com carinha de crianças

 

Diante de uma competição de âmbito mundial, como foi a Copa do Mundo Feminina Sub-17 2014 da FIFA, recentemente realizada na Costa Rica, fica para nós que acompanhamos a modalidade a impressão da evolução deste esporte em nível mundial, especialmente por parte de países que tradicionalmente não estão entre os que mais investem no futebol feminino.

 

Sabemos que há fatores afora o investimento em recursos financeiros que acabam interferindo no desempenho das equipes, tais como o aspecto comportamental ligado à disciplina e também o cultural.

 

Sendo assim, os desafios do futebol feminino no Brasil serão sempre maiores, e tal convicção se reforçará quanto maiores forem as diferenças sociais, educacionais e culturais. Sim, pois tais fatores atuam como elementos complicadores para o bom desempenho das jogadoras, menos pelas carências em infraestrutura e logística, e mais forma como elas encaram suas carreiras, desde os primórdios dos treinamentos.

 

Se olharmos para as semifinais desta Copa, vemos Venezuela, Japão, Itália e Espanha, a despeito das participações de países com maior tradição no meio, como por exemplo, Canadá e Alemanha, para ficarmos apenas em dois  deles.

 

Outro detalhe interessante é lembrarmos que as equipes (seleções) asiáticas saíram do Campeonato Asiático Feminino Sub-16, e não Sub-17. Perceberam? São garotas mais novas, mas que nem por isso deixaram de ter participação brilhante, a ponto de conquistarem o título, como aconteceu com as japonesas.

 

Enquanto o Brasil sequer conseguiu classificação para participar, já que não obteve credenciamento através do Sul-Americano Sub-17, disputado no Paraguai em 2013, a Venezuela foi considerada a revelação do Mundial, tendo duas de suas atletas, Gabriela García e Deyna Castellanos, dividido as Chuteira de Ouro, Prata e Bronze.

 

Venezuelanas

Venezuelanas Gabriela Garcia (E) e Deyna Castellanos (M), tendo à direita a japonesa Hina Sugita, agraciadas com premiações

 

Fica ainda o registro não só das grandes participações da Espanha, vice-campeã, e da campeã Japão, mas da evolução do futebol feminino espanhol, como estando na esteira do atual futebol masculino daquele país, bem como o excepcional exemplo da evolução do futebol feminino asiático, e particularmente o do Japão.

 

Fica a lição para os que fazem e comandam o futebol feminino no Brasil, pois sem esse aprendizado não haverá como estarmos no topo de mais esta modalidade.

.

sábado, abril 05, 2014

Três partidas da Copa do Mundo, incluindo a final, serão gravadas com tecnologia 4K

Fifa e Sony explicaram nesta quinta como a inovação mais recente para TVs vai ser aplicada no Mundial que acontece no Brasil em junho e julho

Equipe Universidade do Futebol

Divulgação/Sony

4k-sony

A Sony Corporation e a Fifa anunciaram a cobertura da Copa do Mundo 2014 com resolução em 4K— definição em Ultra HD (UHD) de 3840 por 2160 pixels.

Sony e Fifa anunciaram que a final da Copa do Mundo, no Maracanã, um jogo das quartas de final e um jogo das oitavas de final serão gravados com a tecnologia 4K, uma resolução quatro vezes maior que a Full HD e, portanto, de qualidade muito superior. A parceira global da entidade quer promover os produtos (os mais caros) que vêm com esta tecnologia.

A dupla vai produzir o filme oficial da Copa em 4K, cuja distribuição online será feita pela Fifa, algo que deverá acontecer após a competição. Neste vídeo, serão incluídas as imagens que serão captadas com as câmeras da Sony. Em estandes da Sony localizados em estádios e fan fests, o público poderá assistir a trailers produzidos em 4K com lances das partidas. Esses trailers também serão exibidos em pontos de venda e showrooms da Sony pelo mundo.

A Fifa promete um espetáculo mais interessante, pois a maior resolução permite que expressões nos rostos dos jogadores e detalhes nas arquibancadas, por exemplo, sejam capturadas com uma nitidez que não tem precedentes.

Em 2010, ano de Copa do Mundo na África do Sul, a Sony, já parceira da Fifa, estava tentando popularizar a tecnologia 3D. Os japoneses se comprometeram a gravar 25 jogos do torneio e exibi-los em telões instalados em sete cidades pelo mundo, incluindo o Rio de Janeiro. A companhia usou o mesmo discurso na época: estava tentando expandir o formato e aumentar as vendas de televisões que vinham com a tecnologia. Acabou que o 3D não pegou como previsto.

Pelo menos no número de jogos que foram gravados nas duas Copas com as tecnologias do momento, o projeto da Sony para a edição brasileira encolheu em relação à sul-africana.

Fonte: Máquina do Esporte

Roberto Chiari, fisiologista do Atlético-MG

"Na fisiologia, os clubes brasileiros estão na frente da Europa", compara
Guilherme Yoshida

 

No final do mês de setembro, uma ruptura no músculo adutor da coxa direita do meia Ronaldinho Gaúcho tornou incerta a presença do camisa 10 do Atlético-MG no Mundial de Clubes, que começou nesta semana, no Marrocos.

No entanto, um trabalho de recuperação comandado por Roberto Chiari acabou com as dúvidas do torcedor atleticano e fez com que o craque do time mineiro ficasse em condições de disputar o torneio que poderá ter o encontro com o alemão Bayern de Munique numa possível decisão.

Para o fisiologista do clube de Belo Horizonte, porém, a recuperação do meio-campista foi apenas mais uma das suas preocupações na preparação do elenco para a última competição da desgastante temporada.

“O que estamos bem atentos é em relação ao nível de cansaço. Por que os alemães estão vindo de férias e de uma boa pré-temporada, enquanto nós chegaremos lá após um longo período competitivo. Então, procuramos otimizar as últimas partidas que disputamos do Campeonato Brasileiro para que os jogadores mantivessem o mesmo nível de rendimento. E priorizamos a qualidade da recuperação neste período. Essa abordagem foi o nosso principal norte antes da viagem”, revelou Chiari, em entrevista exclusiva à Universidade do Futebol.

Graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pós-graduado em fisiologia do exercício, o responsável pelo departamento de fisiologia do clube precisou do apoio do preparador físico Carlinhos Neves para implantar uma nova tecnologia nos treinos realizados na Cidade do Galo: o GPS com acelerômetro.

A ferramenta possibilitou Roberto Chiari controlar mais adequadamente a carga dos treinamentos e, com isso, contribuir com o rendimento dos jogadores no período pré-Mundial.

“Com o tempo, a gente pôde observar que a intensidade obtida nos jogos reduzidos chega a ser maior que a de uma partida formal. Há minijogos que conseguimos fazer com que os jogadores façam sprints de alta intensidade, de até 2,5 m/s², por exemplo, marca que supera um jogo oficial. Até a frequência cardíaca supera a do jogo. Então, essa atividade simula muito bem as exigências para um jogador de futebol. A gente percebeu que é uma boa estratégia para a preparação física”, completou.

Nesta entrevista, concedida antes da viagem do Atlético-MG ao país africano, Roberto Chiari ainda falou sobre como se dá a integração do profissional com as categorias de base e por que a fisiologia nos clubes brasileiros está à frente do que é feito na Europa. Confira a íntegra:

 

Universidade do Futebol – Conte-nos como se dá a integração entre você e o departamento de preparação física. Como é a sua relação com o Carlinhos Neves, que é elogiado por diversos profissionais da área de gestão técnica de campo?

Roberto Chiari – É bastante importante. Ouso dizer que a vinda do Carlinhos Neves para a preparação física do Atlético-MG tem sido um marco no clube. Agora, independentemente do treinador, o clube implantou um departamento de preparação física própria, que tem dado continuidade aos trabalhos. Isso influencia positivamente até para os atletas, que se acostumam com aquelas atividade que são aplicadas e, consequentemente, melhoram o seu rendimento com o decorrer do tempo.

Desde 2011, o Carlinhos está no clube e, desde então, nos falamos sempre. Ele é um profissional extremamente atualizado, está sempre estudando, é muito envolvido também com as questões táticas, com os trabalhos com bola. Então, desde que chegou, ele usa ao máximo a fisiologia, procura interagir bastante. Eu lembro até que, quando ele começou no Atlético-MG, me falou que tudo o que eu achasse interessante para o desenvolvimento da nossa área era para falar para ele, pois buscaria recursos com a diretoria para isso.

Foi daí até que implantamos a tecnologia que utilizamos hoje em dia, a do GPS com acelerômetro. Apesar de já ser usada em times da Europa, o Atlético-MG foi o clube pioneiro no Brasil. É uma tecnologia nova e muito cara, que nos proporciona um maior controle dos treinamentos. Foi um investimento bastante elevado, mas, mesmo assim o Carlinhos fez questão de levar a proposta para o presidente, que concordou com a nossa necessidade.

Conheci este aparelho no Paris Saint-Germain. No entanto, ele não foi projetado e nem é recomendado para esportes com movimentos acíclicos. Ele mede sprints, fornece o valor da aceleração, e é direcionado para ações intermitentes, com muita mudança de direção, frenagens, etc. Medem até os impactos, acelerações e desacelerações significativas, controla a carga mecânica, enfim, informações que são muito importantes mensurar no futebol. Com isso, podemos quantificar as recuperações necessárias entre os treinamentos e entre os jogos.

Inclusive, tivemos uma experiência muito boa com essa ferramenta neste ano, quando chegamos a fazer 26 partidas sem ter sequer uma semana completa de treino. Cinco jogos já seriam um grande número, imagine 26. E isso nos ajudou muito nas nossas avaliações.

Se você for avaliar esses GPS tradicionais, de pulso, que a maioria dos clubes brasileiros usam, não são os melhores para o futebol. Estes são voltados para corredores ou esportes com deslocamento contínuo.

Agora, com este recurso, conseguimos agora controlar mais a carga, mais o desempenho dos jogadores. Utilizamos muito nos jogos reduzidos como estratégia para a preparação física.

Toda a transição de jogador que há da base para o profissional nós já temos todos os dados. Assim, o treinador já recebe o histórico de cada atleta que subiu e a integração dele no elenco é facilitada. Então, a relação entre as duas equipes de profissionais é permanente, afirma Roberto Chiari


Universidade do Futebol – Falando em jogos reduzidos, em alguns estudos científicos foi constatado que os pequenos jogos podem ser usados de uma forma efetiva de treinamento de resistência para jogadores de futebol. Como esse tipo de atividade em campo reduzido é implementada pela comissão técnica do clube sob a sua orientação?

Roberto Chiari – Utilizamos bastante esse formato de treinamento. Isso porque, atualmente, no futebol, o tempo é escasso, a disponibilidade é escassa. E temos uma temporada começando em janeiro e acabando em dezembro.

O Campeonato Mineiro é uma exceção e até nos proporciona uma melhor pré-temporada. Acho até que isso influenciou de alguma forma a boa temporada dos clubes mineiros em 2013. Mas, em geral, você só joga, recupera, e joga de novo.

E, hoje em dia, não há muito tempo para os jogadores ficarem disponíveis exclusivamente para os preparadores físicos. Então, aplicamos esta atividade para otimizar esse tempo. E, desde as dimensões do campo, quantidade de jogadores, intensidade, tudo vai ter interferência na qualidade do treino.

Com o tempo, a gente pôde observar que a intensidade obtida nos jogos reduzidos chega a ser maior que a de uma partida formal. Há minijogos que conseguimos fazer com que os jogadores façam sprints de alta intensidade, de 2,5 m/s², por exemplo, marca que supera um jogo oficial. Até a frequência cardíaca supera o jogo oficial. Então, essa atividade simula muito bem as exigências para um jogador de futebol. A gente percebeu que é uma boa estratégia para a preparação física.

A vinda do Carlinhos Neves para a preparação física do Atlético-MG tem sido um marco no clube. Agora, independentemente do treinador, o clube implantou um departamento de preparação física própria, que tem dado continuidade aos trabalhos. Isso influencia positivamente até para os atletas, que se acostumam com aquelas atividade que são aplicadas e, consequentemente, melhoram o seu rendimento com o decorrer do tempo, aponta o especialista


Universidade do Futebol – E em relação às categorias de base, existe um trabalho integrado com a equipe do profissional no tocante à fisiologia, especificamente?

Roberto Chiari – Sim, diretamente. Eu sou responsável pela fisiologia do clube e eu tenho uma pessoa que cuida somente da base. E a gente se fala muito. Com isso, as avaliações tanto na base quanto no profissional são padronizadas. As instalações também são as mesmas e no mesmo lugar. Tudo isso facilita essa integração.

Além disso, a comissão técnica do profissional usa muito os atletas da base para completar algum time em treinamentos, por exemplo. Até o GPS utilizamos nas categorias iniciantes. Com isso, toda a transição de jogador que há da base para o profissional nós já temos todos os dados. Assim, o treinador já recebe o histórico de cada atleta que subiu e a integração dele no elenco é facilitada. Então, a relação entre as duas equipes de profissionais é permanente.

Os clubes brasileiros já tratam o fisiologista como funcionário do clube e não como consultores. Os nossos profissionais são extremamente atuantes na rotina dos treinamentos, analisa Chiari


Universidade do Futebol – A área de Fisiologia dos clubes brasileiros deve algo em relação ao que é praticado na Europa nos principais centros, seja em infraestrutura ou em metodologia?

Roberto Chiari – Em relação especificamente da fisiologia, posso afirmar que os clubes brasileiros estão na frente em relação ao que é feito na Europa. Lá, os clubes europeus têm à disposição uma grande estrutura, mas não usam em sua totalidade. Além disso, os profissionais não são tão qualificados como os brasileiros.

Além disso, o vínculo entre os fisiologistas e os clubes é diferente do que acontece por aqui. Lá, eles atuam mais como consultores, fazem uma espécie de consultoria nos clubes, não há um departamento fixo de fisiologia como ocorre nos nossos times. Você até encontra em alguns clubes ingleses, no PSG, um departamento científico para controlar o dia a dia dos treinamentos. Mas, não é regra, é exceção.

Então, os clubes brasileiros já tratam o fisiologista como funcionário do clube e não como consultores. Os nossos profissionais são extremamente atuantes na rotina dos treinamentos.

É normal que os nossos atletas estejam fisicamente e mentalmente sob pressão. Devido a essa carga elevada de jogos. No entanto, nós não pudemos desacelerar tanto os jogadores neste período pré-competição para justamente não perderem a intensidade. Em contrapartida, não pudemos apertar demais também nestes últimos meses. É complicado, pondera o fisiologista

 

Universidade do Futebol – Em sua opinião, qual o tempo ideal para uma pré-temporada? Explique, por favor.

Roberto Chiari – Esses 30 dias que popularmente é falado como o ideal para uma pré-temporada é um arredondamento desse tempo necessário para se condicionar os atletas para uma temporada inteira.

No entanto, esse prazo de quatro semanas é o aceitável, é o mínimo necessário para se realizar uma pré-temporada. Porém, o ideal mesmo seria seis semanas, que é o que acontece na Europa. Lá, neste período, além do condicionamento nos treinos, eles disputam até amistosos.

Agora, você submeter o atleta a uma competição com menos de duas semanas de treino é expô-lo a um risco muito elevado. Tanto é que, nas férias, recomendamos até que os atletas não façam nenhum tipo de exercício físico. Não aconselhamos nem aqueles jogos festivos de final de ano.

O objetivo é fazer com que eles comecem um novo ciclo quando retornam das férias. É bom que o jogador destreine para depois a gente treiná-lo. Para que ele possa fazer um novo ciclo é importante que ele tenha descansado muito bem.

Mas, entendo que é difícil. Não tem como exigir que o leigo entenda que jogar nesse período é uma exposição muito grande. Acredito que, no prazo de quatro semanas, a gente consiga treinar um pouco de cada valência, como resistência, força, velocidade, para que o jogador aguente o calendário até o seu fim. Neste período, o importante é saber dosar a intensidade e com mais intervalos de recuperação.

Evitamos neste período de tratamento que o Ronaldinho não perdesse muito a condição física dele. A fisioterapia desenvolveu trabalhos de fortalecimento por meio de atividades como o pilates, musculação e até com aquele aparelho chamado Vertimax. E, por isso, hoje ele já está calçando as chuteiras, revelou


Universidade do Futebol – O pós-jogo ou treino, você utiliza a técnica da crioterapia com os atletas ou crê que a imersão em água gelada possui benefícios apenas subjetivos?

Roberto Chiari – Eu acredito na crioterapia. É um dos métodos que utilizamos para recuperar atletas. Sempre fazemos após as partidas. Mas, não nos vestiários logo depois do jogo, ainda dentro do estádio. Fazemos no dia seguinte.

Também implantamos a recuperação ativa, que atua em baixa intensidade para estimular o fluxo sanguíneo para aquela musculatura fadigada. Então, os jogadores fazem bicicletas, hidroginástica, enfim.

Além disso, fazemos o controle do CK e até um questionário com avaliação subjetiva de recuperação para os atletas. Para nós da fisiologia, isso é muito importante. Vai mostrar o tempo ideal para cada jogador recuperar.

Então, a questão não é só essa, de usá-la ou não. Existem alguns questionamentos em relação à eficácia desse método. Mas, ela faz parte da nossa recuperação. Consideramos que isso é mais uma informação. No futebol, nem sempre o ideal é o mais prático ou o mais conveniente. Com procedimentos padronizados, o atleta aceita melhor e percebe os benefícios da crioterapia.

A análise sobre os marcadores devem ser individualizadas e com um banco de dados de cada jogador, pois eles têm um significado diferente para cada atleta, alerta Chiari


Universidade do Futebol – E qual a real importância dos marcadores sanguíneos na indicação de nível de lesão, estado de hidratação, condição de fadiga e desgaste muscular de um atleta de futebol?

Roberto Chiari – São importantes, sim. A gente faz o uso deles. A ressalva é somente o cuidado com que o resultado não se torne uma verdade absoluta e se sobreponha às outras informações.

Eles ajudam muito a gente a compreender muita coisa. Mas, uma tomada de decisão deve ser sempre de maneira conjunta com outros fatores e nunca de forma isolada. O exame clínico ou a percepção do atleta são aspectos que também devem ser analisados.

Mas, a análise sobre os marcadores devem ser individualizadas e com um banco de dados de cada jogador, pois eles têm um significado diferente para cada atleta.

O Bayern de Munique, inclusive, está vindo de férias e de uma boa pré-temporada antes do Mundial, enquanto nós chegaremos lá após um longo período competitivo, compara


Universidade do Futebol – No Mundial de Clubes do ano passado, a comissão técnica do Corinthians se preocupou até com fatores como o sol para fazer o planejamento para o torneio. E, no Atlético-MG, quais aspectos estão sendo levados em consideração para o período de pré-competição?

Roberto Chiari – Eu acho que foi uma preocupação importante no Corinthians. Os cuidados com a pré-viagem contribuem muito para minimizar o que os atletas podem sentir no local da competição.

A diferença no nosso caso deste ano é que a viagem não vai ser tão longa e o fuso horário também será menor. Então, não haverá nenhuma grande alteração em relação a sono, ao sol, enfim. Vamos chegar ao Marrocos em um período com antecedência suficiente para a adaptação. Acredito que uma semana antes do torneio, os jogadores já possam se adaptar naturalmente.

O que estamos bem atentos é em relação ao nível de cansaço. Existe um primeiro jogo que precisamos passar para fazer a final, que a gente imagina que seja contra o clube europeu, o Bayern de Munique. Eles, inclusive, estão vindo de férias e de uma boa pré-temporada, enquanto nós chegaremos lá após um longo período competitivo.

Então, é normal que os nossos atletas estejam fisicamente e mentalmente sob pressão. Devido a essa carga elevada de jogos. No entanto, nós não pudemos desacelerar tanto os jogadores neste período pré-competição para justamente não perderem a intensidade. Em contrapartida, não pudemos apertar demais também nestes últimos meses. É complicado.

Por isso, procuramos otimizar as últimas partidas que disputamos do Campeonato Brasileiro para que os jogadores mantivessem o mesmo nível de rendimento. Focamos na otimização da recuperação dos atletas, priorizamos a qualidade da recuperação neste período. Essa abordagem foi o nosso principal norte antes da viagem.

Conheci o GPS com acelerômetro no Paris Saint-Germain. No entanto, ele não foi projetado e nem é recomendado para esportes com movimentos acíclicos. Ele mede sprints, fornece o valor da aceleração, e é direcionado para ações intermitentes, com muita mudança de direção e frenagens, explica


Universidade do Futebol – No início do ano, ainda não era possível prever que o Atlético-MG teria a sua temporada estendida até o meio de dezembro por causa do Mundial. Como isso impactou no planejamento da comissão técnica? Quais foram as mudanças necessárias para ter todo o elenco à disposição nesta competição?

Roberto Chiari – Sabíamos que havia a possibilidade do Mundial de Clubes a partir que avançamos na Taça Libertadores. E o torneio sul-americano acontece um tempo bem significativo antes do Mundial. São quatro meses e meio entre uma competição e outra.

E a preparação passa pelas metas que se estabelece em cada campeonato. Durante o Brasileiro, por exemplo, precisamos administrar as metas intermediárias para chegar ao Mundial com um bom desempenho. Mas, chega uma hora que você tem de priorizar.

É importante chegar jogando bem. Acreditamos que é bom que o time que vai disputar o Mundial esteja em atividade. Porém, tivemos cuidados, principalmente, nas últimas rodadas do Brasileiro em relação ao rodízio de jogadores.

Além da recuperação ativa, fazemos o controle do CK e até um questionário com avaliação subjetiva de recuperação para os atletas. Para nós da fisiologia, isso é muito importante. Vai mostrar o tempo ideal para cada jogador recuperar, justifica


Universidade do Futebol – No trabalho de recuperação do meia Ronaldinho, até a acupuntura foi incluída. Conte quais foram as atividades exercidas pelo atleta neste período e como fisiologista, quais os benefícios que este método pode trazer neste cenário?

Roberto Chiari – A acupuntura é uma técnica da medicina que eu acho muito legal e sua aplicação é válida em determinadas situações. Mas, uma observação que faço é que a gente tem o costume de valorizar excessivamente aquilo que não conhecemos a fundo.

No caso do Ronaldo, foi uma coisa que surgiu na imprensa muito forte. Mas, isso foi feito lá no estágio inicial, na fase passiva do tratamento. Era para dar um efeito de analgesia nele.

No entanto, neste prazo todo, não podemos desconsiderar o importante trabalho da fisioterapia. Foram todos os dias, sete dias por semana, duas vezes por dia. E isso não aparece na mídia.

Mas, foi um trabalho de formiguinha mesmo que ajudou o Ronaldo na sua recuperação. Foram várias formas de fortalecimento. Evitamos neste período de tratamento que ele não perdesse muito a condição física dele.

A fisioterapia desenvolveu trabalhos de fortalecimento por meio de atividades como o pilates, musculação e até com aquele aparelho chamado Vertimax. E, por isso, hoje ele já está calçando as chuteiras.

.