Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Asas à sua interpretação

Construir um clube do zero é uma tarefa árdua pois a maioria do público já possui um time de coração, além de depender de um projeto a longo prazo para obter sucesso

Carlos Pereira

Empresa usa modelo do Borussia para atrair Fla-Flu ao Maracanã




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CEO da Lagardère, Aymeric Magne
Gestor de 58 arenas pelo mundo, o grupo francês Lagardère foi o primeiro a se mostrar interessado na concessão do Maracanã quando a Odebrecht sinalizou que desistiria do estádio. Sua intenção de administrar a arena tem a concorrência do consórcio formado pela Amsterdam Arena, GL Events e CSM, em parceria com o Flamengo. Caberá à construtora e ao governo do Estado decidirem a questão.
Em uma entrevista ao blog, o CEO da Lagardère, Aymeric Magne, disse que pretende atrair o Flamengo para uma parceria, mas que o Maracanã é viável sem o clube. Afirmou que em seu modelo de negócios há um maior número de shows, sinalizou com a manutenção do contrato do Fluminense, e com um aproveitamento de toda a área do complexo para eventos e atividades.
Em relação aos clubes, promete um modelo inspirado no do Borussia Dormunt, cuja arena é administrada pela Lagardère. Segundo ele, o clube tem influência nas decisões sobre o estádio.
Magne não respondeu, nem deu detalhes sobre diversos pontos de seu modelo e proposta financeira, alegando confidencialidade no negócio. Argumenta que isso será conhecido após a negociação. Lembre-se que o Maracanã foi construído com dinheiro público. Mas o executivo francês garantiu que o grupo atenderá todas as condições da concessão, incluindo R$ 1,5 bilhão para manutenção, R$ 200 milhões em investimento e pagamento de outorga. Veja abaixo a entrevista:
Blog: Qual o modelo que o senhores pensam para a gestão do Maracanã?
Aymeric Magne: Temos 58 arenas pelo mundo, sendo 45 de futebol. Nossa visão é clara: o Maracanã é o maior palco, a melhor arena do mundo. Tem quatro times que podem jogar dentro. É um conteúdo muito forte sem igual no mundo. É o palco do futebol carioca. É um monumento internacional. Nossa ideia é ter um dia a dia, revitalizar o bairro com atividades diárias. Pretendemos receber shows e times internacionais. Depois da Olimpíada, temos que aproveitar o legado para o Rio. O motor será o Maracanã.
Blog: Os senhores já tiveram conversas com os clubes sobre como seria a participação deles? 
Aymeric Magne: Tivemos discussões com times de futebol. Já existe um contrato do Fluminense com o operador. Em todas as nossas arenas nosso objetivo é gerir futebol. São 70 times de futebol pelo mundo que temos parceria. Cuidamos do marketing do Borussia Dortmund uma parte da Juventus, uma parte do Manchester City. A Arena é uma forma receita. O clube tem que participar da arena.
Blog: Então os senhores pretendem manter o contrato com o Fluminense como o feito com a Odebrecht?
Aymeric Magne: Tem um contrato vigente. Não posso entrar em mais detalhes.
Blog: O senhores pretendem negociar com o Flamengo alguma parceria? Como o senhores encaram as declarações do presidente do clube de que não jogará no Maracanã com a Lagardère? O estádio é viável sem o Flamengo?
Aymeric Magne: Como eu falei, sempre estamos querendo conteúdo para o estádio. O Flamengo é um dos grandes conteúdos, um dos maiores do Rio, um dos melhores se não o melhor time. Já temos modelos na Europa que podem ser aplicados no Brasil. Se não tiver o Flamengo, entendemos que o estádio é viável.
Blogs: Os senhores têm conversas com o Botafogo e o Vasco?
Aymeric Magne: Não posso falar sobre isso.
Blog: As informações que temos é de que teria de ser pago um valor entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões pela concessão do estádio. Dentro do sigilo da negociação, é possível revelar qual o valor? 
Aymeric Magne: Como você disse, há o sigilo da negociação. Discutimos há um amo com a Odebrecht. Temos condições pré-definidas. É uma negociação de privado com privado. Depois, o governo tem que dar a anuência porque tem todas as condições para assumir o estádio por 30 anos. Quem assume o estádio por 30 anos tem que poder pagar R$ 1,5 bilhão em manutenção, R$ 200 milhões em investimento no Maracanã e no Maracanãzinho, e ainda tem a outorga para pagar. Se não for uma empresa séria, não vai pagar e quem vai ter que pagar é o governo e o povo. O estádio custou R$ 1,2 bilhão então é muito importante pagar a outorga de R$ 5,8 milhões por ano para reembolsar o valor que foi investido.
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Maracanã - Divulgação
Blog: Mas a manutenção do Maracanã custa R$ 30 milhões por ano com as economias feitas pela Odebrecht. Vocês colocam como R$ 50 milhões…
Aymeric Magne: Queremos uma operação no nível do Maracanã. Tem que ser de alto nível. Tem que atender todo o tipo de público. Tudo tem que estar limpo e funcionamento bem.
Blogs: Esse investimento de R$ 200 milhões é o mesmo previsto no edital? Porque inicialmente eram cerca de R$ 500 milhões e depois havia uma renegociação para entre R$ 130 milhões e R$ 140 milhões. Em que será investido?
Aymeric Magne: Com o valor corrigido, está em R$ 200 milhões. Houve uma revisão do primeiro edital. Isso seria investido no Complexo do Maracanã. Ainda não posso dar detalhes.
Blog: A Odebrecht assumiu o estádio em 2013 e não conseguiu torná-lo rentável. Por que seria diferente com a Largadère? O que os senhores fariam de diferente?
Aymeric Magne: Porque temos uma experiência de 20 anos com estádios. Administramos o Castelão e o Independência. Pesquisamos bem o Maracanã. Esse é o nosso core bussiness (negócio principal): é operar estádio e não construção. Temos parceiros globais que podem viabilizar. Teremos mais shows. Queremos que o Maracanã se torne o maior palco internacional. No Castelão, fazemos 12 shows por ano, e 47 jogos de futebol. O Maracanã tem um potencial bem maior. Precisa ter uma operação comercial internacional. Se o Allianz Parque consegue receber oito ou dez shows por ano, não sei o número exato, o Maracanã pode fazer o mesmo. Para isso, temos que flexibilizar a operação. Assim pode ter evento para 70 mil no Maracanã e outros no Maracanãzinho.
Blog: Serão revistas as condições do contrato que impediam a construção de um centro comercial perto do estádio e tombavam o Parque Julio Delamare e o Célio de Barros?
Aymeric Magne: Não posso divulgar. O que posso falar é que o Maracanã é um complexo. Todas as atividades são possíveis no Maracanã, no Maracanãzinho e dentro da área da PPP.
Blog: Vou voltar ao assunto dos clubes. Uma restrição que o Flamengo faz é a exigência de ter maior influência nas decisões do estádio. Qual o modelo que os senhores pretendem oferecer para os clubes em relação à gestão do Maracanã?
Aymeric Magne: Não posso falar em relação aos clubes. Posso dizer que será um contrato bom para eles. Eu te pergunto: quem opera a Arena Dortmund? Somos nós, e você ouve falar da Lagardère? A parceria que temos com os clubes eles têm influência sobre as decisões. Todos os modelos que temos com os clubes são para dar bônus para eles e sem ônus.
Blog: A Lagardère opera dois estádios, Castelão e Independência. O senhor pode dizer se a operação deles é superávitária? Digo se a empresa ganha mais do que investe?
Aymeric Magne: Não posso divulgar números. Posso dizer que é bom para todas as partes. Os clubes estão felizes tanto no Independência quanto no Castelão.
Blog: Um questionamento que se faz em relação à Lagardère é a parceria com a BWA, empresa paulista. A BWA já teve passagem pelo Maracanã cuidando da bilheteria e houve muitos problemas com ingressos e acusações de evasões de renda. A BWA vai participar da parceria do Maracanã? 
Aymeric Magne: Focamos no futuro e não no passado. Queremos fazer do Maracanã a melhor arena do mundo. Não sei o que aconteceu no passado. (A assessoria da Lagardère nega que a BWA faça parte do consórcio que tenta assumir o Maracanã)
Blog: Há uma perspectiva de quando vai se concluir a concorrência e a negociação em relação ao Maracanã? 
Aymeric Magne: A nossa perspectiva era que fosse o mais rápido possível para podermos desenvolver o melhor para o produto. Mas, depois da negociação privada, ainda tem que passar pelo governo. São processos que vão acontecer. Estamos fazendo o trabalho. Os próximos passos estão com a Odebrecht e o governo.
Blog: Isso significa que a proposta dos senhores já foi formalizada?
Aymeric Magne: Não falei isso.
Blogs: O senhor alegou confidencialidade em alguns pontos. Se a Lagardère sair vencedora desse processo, os dados da concessão serão divulgados?
Aymeric Magne: O processo de negociação é sigiloso. Mas, quando concluído, todos os termos da PPP serão transparentes sem frescura. O que posso dizer é que vamos cumprir 100% das condições do edital, 100% da outorga. Essas informações são importantes. Todos os requisitos do governo serão cumpridos.

sábado, dezembro 03, 2016

Estatuto do São Paulo que prevê salário para presidente será votado

Assembleia Geral de sócios aprova a elaboração de um novo Estatuto Social para o São Paulo
Assembleia Geral de sócios aprova a elaboração de um novo Estatuto Social para o São Paulo

EDUARDO RODRIGUES
DE SÃO PAULO

O São Paulo está a um passo de realizar uma de suas maiores modernizações da história. Pelo menos esse é o discurso dos possíveis candidatos à presidência do clube.

Após passar pela aprovação do conselho deliberativo por unanimidade, o novo estatuto, que rege uma nova política interna, passará por votação dos sócios neste sábado (3). A expectativa é que cerca de 3.000 pessoas compareçam entre 9h e 14h na área social do Morumbi.

"A aprovação dará mais forças ao São Paulo para se modernizar e profissionalizar. Isso é o mais importante para o momento", disse o atual presidente, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

O dirigente é um dos principais entusiastas do projeto. O projeto, inclusive, foi iniciado ainda quando ele era presidente do conselho deliberativo.

O texto final contou com 68 propostas de associados e foram feitas 48 emendas. Ele extingue a reeleição para a presidência e determina mandato único de três anos. Também sugere a remuneração para o presidente, que pode chegar até R$ 26 mil.

"Vejo essa remuneração como uma ajuda de custo. Você vai estar cuidando de uma instituição que gira milhões de reais e além da responsabilidade, a proporção do dinheiro dada não é tão grande", afirmou Roberto Natel, ex-vice de Leco e possível concorrente na eleição de abril contra o seu antigo aliado.

Apesar de ver o documento de uma 'forma positiva' e com a certeza de que será aprovado com tranquilidade, Natel faz uma ponderação.

"Eu não acho o texto ideal, até porque tinha coisas que eu queria que entrasse e não entrou. Acho que o sócio deveria votar para presidente, por exemplo", afirmou.

Uma das emendas diz que haverá um "estudo de viabilidade para votação direta". No entanto, conselheiros acreditam que esse tema ainda vai durar anos de discussão. Os rivais paulistas Palmeiras e Corinthians já adotaram a medida, que foi tratada como um avanço na democracia dentro das instituições.

Já Ópice Blum, juiz, desembargador e oposicionista da atual presidência, revelou que o estatuto "parece bem razoável" e que o agradou. Porém, assim como Natel, faz críticas.

"Acho que o texto foi muito dirigido por algumas pessoas. Não houve uma democratização", ponderou Blum, que nega a candidatura, apesar de pessoas influentes da equipe tricolor afirmar que ele é um forte oposicionista na eleição e pode ter apoio de Abílio Diniz.

Caso tenha a maioria dos votos mais um, o estatuto entrará em vigor apenas em abril do próximo ano, quando uma nova eleição para presidente será realizada. Aquele que for empossado, cumprirá seu mandato até o final de 2020 em cumprimento ao novo estatuto.

VEJA PRINCIPAIS PONTOS DO ESTATUTO
REPRESENTAÇÃO DOS ASSOCIADOS

> Estudo de viabilidade para votação direta (Associados e Sócio Torcedor)
> Extingue a reeleição para o Presidente da Diretoria, e determina mandato único de 3 (três) anos
> Determina que o Vice-Presidente também seja eleito, como parte da chapa do Presidente
> Qualquer Associado que cumpra os requisitos pode se candidatar à vaga de Conselheiro Vitalício, não havendo mais necessidade de integrar alguma chapa

ADMINISTRATIVA

> Cria a Diretoria Executiva, formada por 3 (três) a 9 (nove) Diretores Executivos, profissionais, contratados no mercado, que tenham notório conhecimento em suas áreas de atuação, remunerados e com dedicação exclusiva ao clube.
> O Presidente Eleito poderá ser remunerado caso haja dedicação exclusiva ao exercício das suas funções. Sua remuneração deverá ser aprovada pelo Conselho de Administração, mas não será, em qualquer hipótese, superior a 70% (setenta por cento) do teto do funcionalismo público federal.

INSTITUCIONAL

> Proibição de uso dos nomes e símbolos do clube em campanhas pessoais
> Prevê a possibilidade de constituição de uma sociedade empresária para administrar o futebol do SPFC, após estudo de viabilidade e aprovação em Assembleia Geral
> Autoriza a criação de uniformes comemorativos, para uso em até 10 partidas por ano, com modelo previamente aprovado pelo Conselho Deliberativo

FISCALIZAÇÃO E CONTROLE

> Restrição de contratação de empresas de diretores ou parentes

TRANSIÇÃO

> Disposições transitórias: os mandatos atuais permanecem vigentes, sendo que excepcionalmente o presidente e vice eleitos empossados em abril de 2017 cumprirão seu mandato até o final de 2020 
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quinta-feira, dezembro 01, 2016

Para se guardar à posteridade: na íntegra, o vídeo da noite sublime no Atanásio Girardot

Por: Leandro Stein / Trivela

atanasio

As imagens ficam para sempre. Cada momento que se viveu no Atanásio Girardot nesta quarta teve um valor imensurável. Teve seu significado e sua mensagem de consolo à tragédia que aconteceu com o avião da Chapecoense. Foi um evento histórico, que se marca não apenas como um dos mais importantes da história do futebol, mas também como um dos mais importantes da história da humanidade. Solidariedade e compaixão em seus estados mais puros. Gratidão eterna aos torcedores do Atlético Nacional, aos moradores de Medellín e ao povo colombiano.
Logo após a comunhão coletiva, publicamos alguns dos principais momentos. No entanto, o canal colombiano Win Sports disponibilizou na íntegra, através do Youtube, toda a transmissão da noite em Medellín. Vale rever e guardar, para os momentos em que se vacilar na desesperança. São doses de fé no futuro:

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Manaus receberá Seminário de Futebol Feminino


Créditos: Marlon Costa / CBF


A CBF realizará, no próximo dia 8 de dezembro, um Seminário de Futebol Feminino na Universidade Nilton Lins, em Manaus (AM). O evento faz parte da programação da CBF Social na capital amazonense, que acontecerá em meio à disputa do Torneio Internacional de Manaus. O seminário contará com palestras da nova técnica da Seleção Feminina, Emily Lima, e atletas da equipe nacional, entre outros convidados.
As inscrições podem ser feitas aqui. Para mais informações: cbfsocial@cbf.com.br (Diogo Netto).
Confira a programação do Seminário:
9h - Abertura - Walter Feldman (secretário-geral da CBF)
9h45 - Preparação física no futebol feminino - Jairo Porto (preparador físico da Seleção Feminina)
10h15 - Trajetória da primeira técnica da Seleção Brasileira na história - Emily Lima (técnica da Seleção Feminina)
11h15 - Talk-show com as atletas da Seleção Feminina
12h15 - Almoço
14h - O futuro do futebol feminino no Brasil - Marco Aurélio Cunha 
14h30 - Coaching esportivo no futebol feminino - Sandra Santos (Coaching esportiva da Seleção Feminina)
15h - CBF: Projetos para o Futebol Feminino no Brasil - Valesca Araújo (Gerente de Desenvolvimento de Futebol Feminino da CBF)
15h30 - Experiência como atleta e auxiliar técnica em Campeonatos Mundiais Feminino - Daniela Alves (ex-jogadora da Seleção Brasileira)
16h - Governo do Estado do Amazonas: Organização de grandes eventos no futebol - Fabricio Lima (Secretário de Esportes do Estado do Amazonas)
16h30 - Intervalo
17h - Projeto Capital Feminina de Futebol - Camilla Orlando (Gerente do Capital Feminina)
17h30 - CBF Social - Diogo Netto (Gerente de desenvolvimento técnico, responsabilidade social e sustentabilidade - CBF)
18h - FIFA 11+ | Programa de Prevenção de Lesões no Futebol - Marcio Oliveira (Centro Médico FIFA – HOME / DF)
18h30 - Encerramento

* A programação pode sofrer mudanças.


Chape, o melhor do futebol brasileiro recente



A tragédia com o avião que levava a equipe da Chapecoense para Medelín causou uma comoção mundial.  A morte de jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas foi realmente muito dolorosa.
Dedico esse artigo e esse clube maravilhoso, querido por todos e que sofreu esse terrível acidente. 
A ascensão da Chapecoense e a classificação heroica para a final da Copa Sul Americana não deve ser considerada um acaso do futebol.
A trajetória de gestão da Chape a coloca como o que de melhor aconteceu em termos de gestão no futebol brasileiro recente.
É um exemplo para o futebol brasileiro!
O clube seguiu preceitos básicos de gestão, cada vez mais difíceis de serem encontrados nos grandes clubes brasileiros.
Mesmo com baixo orçamento, vem conseguindo se manter cada vez melhor na Série A e agora também chegou a uma final de uma competição internacional.
Em 2015, seu faturamento foi de R$ 46,5 milhões e os custos com futebol de 41,1 milhões. Mesmo assim fechou no azul, com superávit de R$ 2,8 milhões.
Apenas como comparação o campeão brasileiro daquele ano, o Corinthians obteve receitas de R$ 298 milhões, custos com futebol de R$ 250 milhões e fechou com déficits de R$ 97 milhões.
Enquanto a Chape ficou em 14º lugar, o Corinthians ficou com o título.
Nos últimos dois anos o clube catarinense somou superávits de R$ 2,9 milhões enquanto que o clube paulista fechou o mesmo período com perdas de R$ -194 milhões.
Os grandes clubes brasileiros estão operando alavancados, com um excesso de gastos e um absurdo aumento no endividamento.
No ano passado a dívida da Chape foi de R$ 2 milhões, ou 0,05 de sua receita, o menor indicador entre todos os clubes brasileiros.
Corinthians com uma dívida de R$ 453 milhões apresentou índice de 1,52. Outro time que foi campeão nos últimos anos foi o Atlético-MG, com dívidas 2,03 vezes a sua receita.
O pior indicador em 2015 foi do Botafogo, com uma dívida 6,04 vezes superior ao faturamento.
Alguns fatores explicam esse desequilíbrio financeiro. O excesso de gastos dos clubes com futebol os obrigam a contrair empréstimos para operar.
E esses empréstimos consomem milhões de seu orçamento em juros bancários, ajudando a afundar ainda mais as finanças. 
Outro claro motivo é a falta de recolhimento de impostos e contribuições ao longo de décadas, que gerou um passivo fiscal gigantesco.
Essa operação irresponsável fracassa e os clubes perdem ainda valores astronômicos na justiça trabalhista. Enfim um caos administrativo e gerencial que somente contribuiu para nosso subdesenvolvimento na comparação com os gigantes da Europa.
O modelo da Chape é gastar somente o que tem de receitas e fechar o ano no azul.
Atualmente a TV é principal fonte com R$ 25 milhões gerados no ano passado. Seguido de sócios e bilheteria que somados faturaram R$ 10,7 milhões e os patrocínios R$ 7 milhões.
Esses são os recursos que o clube utiliza. Não faz loucuras e encontrou um modelo esportivo sólido, que se mostrou extremamente eficiente. Apenas como exemplo está muito à frente do Internacional que luta para não cair, gastado 5 vezes menos.
Chape é o clube melhor administrado do Brasil.
#forçaChape

Os colombianos proporcionaram no Atanásio Girardot um dos maiores dias da história da humanidade

Por:  / Trivela 

girar


É difícil traduzir em palavras tudo o que aconteceu em Medellín na noite desta quarta-feira. Por mais que estas linhas relatem os fatos carregadas de adjetivos, nunca elas irão conseguir atingir o nível dos sentimentos sobre o que se viveu no Estádio Atanásio Girardot. A atmosfera era de condolências, de respeito, de luto. Mas o afeto demonstrado pelos colombianos foi de uma singeleza singular. Altíssimas doses de empatia, de solidariedade, de compaixão. Sobretudo, de caráter humano. Aquilo que nos enche de esperanças, mesmo poucas horas depois do convívio com a face mais dura e cruel da vida. O Atlético Nacional e sua gente foram capazes disso. De um abraço espiritual enorme, em Chapecó e no Brasil, que dispersou a fraternidade pelo resto do planeta. Depois de um ontem tão amargo, o hoje reservou um dos maiores dias da história da humanidade. E que oferece a fé de amanhãs sempre melhores.
Difícil destacar apenas alguns instantes do que se viu em Medellín. Porque o profundo desejo é detalhar cada fração de segundo em que a nobreza de coração dos paisas prevaleceu. O estádio começou a se encher muito antes do horário marcado pelo Atlético Nacional, referente ao momento em que o pontapé inicial da Copa Sul-Americana seria dado. Aos poucos, as arquibancadas ganhavam o branco das roupas daqueles que resolveram entregar um pouco de seu amor. Faixas se estendiam com palavras fortes de apoio. “Uma nova família nasce”, era uma das mais sintetizadoras daquilo que se passava. Afinal, ao mesmo tempo, Chapecó também vivia seu tributo. Criou-se um portal cósmico entre a Arena Condá e o Atanásio Girardot. Para sempre. Uma só energia que transforma 4,5 mil quilômetros em nada.
Os 45 mil lugares disponíveis nas arquibancadas eram pouco. Do lado de fora, a vontade de estender a mão levou o dobro disso aos arredores do estádio. A estimativa é de que cerca de 100 mil pessoas apoiassem a corrente também do lado de fora. Prova da generosidade da população de Medellín. Sinal indiscutível da paz que se deseja em uma cidade que possui o seu passado de violência, mas que nem por isso deve ser associada a tantos estereótipos negativos que costuma carregar. Medellín, Antioquia e Colômbia escancaram sua mais profunda identidade nesta quarta: a de um povo extremamente bondoso. A melhor definição, aliás, veio do próprio prefeito, o homem que a todo momento ofereceu apoio ao resgate e às vítimas: “O pior que pode acontecer a uma sociedade é ser indiferente à dor. E nós não somos”.
Tudo contribuía para o momento extremamente tocante. Era impossível ficar incólume. Impossível impedir que os olhos se enchessem de água. Os gritos de ‘Vamo vamo Chapê’. As velas e os celulares que iluminavam a vigília. As pombas que ganharam os ares. O silêncio respeitado durante a marcha fúnebre. As crianças com as camisas dos clubes. As flores arremessadas em campo. Os balões que ganharam os céus, representando cada uma das vítimas.
Foi daquelas noites em que os discursos realmente importam. Queremos ouvir as palavras de cada autoridade, mesmo aquelas que não representam tanto para nós. Elas nos ajudam a assimilar a realidade. Elas nos oferecem conforto. Elas nos emprestam óculos, para conseguir enxergar um pouco de doçura em meio a tanta dor. Cada palavra valia muito. Porque preenchem o vazio que insiste no peito.
Entre todos os que falaram, o técnico Reinaldo Rueda tocou de uma maneira especial. O campeão da Libertadores fez uma ode ao futebol brasileiro. Lembrou como os nossos grandes jogadores ajudaram vários cantos do mundo a se apaixonar mais pela bola, inclusive os colombianos. Uma adoração que agora se retribui pelo consolo. Para uma comunhão de toda a comunidade de futebol em busca de alento. A ode, no entanto, se dirigia mesmo aos jogadores da Chape. Um a um, Rueda citou o nome dos atletas falecidos. E reafirmou como cada um deles faz parte de um panteão eterno.
“Neste momento em que o aplauso precisa chegar até o céu”. A frase, das últimas ditas na noite em Medellín, apontava para o desejo geral. Que os falecidos, da forma que fosse, também pudessem receber toda aquela energia. E ela se dispersou muito além das arquibancadas. Fim de jogo no Atanásio Girardot. Ao apito final, venceram o Atlético Nacional e a Chapecoense. Mas também o Brasil e a Colômbia. O futebol e a humanidade.
Se o Atlético Nacional ofereceu a taça da Copa Sul-Americana e tamanho tributo à Chapecoense, eles merecem em retribuição o título do Campeonato Mundial de Seres Humanos. Não são só os dois clubes que se tornam irmãos a partir de agora, mas os laços de fraternidade de brasileiros e colombianos que se fortalecem muito mais. O próprio caráter identitário sul-americano. E o que transborda é a gratidão a um povo que, mesmo lidando com a tragédia e resgatando os corpos, também conseguiu afagar nossos corações desta maneira, em intervalo tão curto. Todos somos verdolagas a partir desta noite de tanta emoção.

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