Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

terça-feira, agosto 26, 2014

Pré-candidatos à presidência do Palmeiras mostram suas propostas

DIEGO IWATA LIMA
DE SÃO PAULO

Os três pré-candidatos da eleição de novembro pela presidência do Palmeiras apresentam suas propostas em quatro áreas para o futuro do clube, que neste ano completa seu centenário.

Paulo Nobre, 46, atual mandatário, Roberto Frizzo, 69, ex-vice de futebol entre 2011 e 2013, e Wlademir Pescarmona, 63, diretor de futebol da equipe de 2010 a 2011, são os prováveis concorrentes.

Confira as respostas:

Como recolocar o time entre os favoritos à conquista de um título de primeira grandeza? Como sanar a crise técnica e institucional?

Nobre - Sabíamos que os objetivos esportivos no primeiro mandato seriam aquém da grandeza do Palmeiras. As receitas estavam comprometidas, o elenco com deficit de jogadores, os salários atrasados e o clube com fama de mau pagador. Já houve um investimento maior em atletas em 2014. Nos próximos 12 meses, será possível um aporte mais próximo do nível que o Palmeiras exige.

Frizzo - Nosso clube passou, algumas vezes, por momentos difíceis no futebol. Tenho certeza que com trabalho, competência e equilíbrio administrativo poderemos levar o Palmeiras ao lugar onde ele sabe transitar com a desenvoltura de um vencedor. Desta forma, qualquer crise técnica, com a qualidade da administração (competentes diretores, planejamento, comissão técnica e jogadores qualificados), será superada.

Pescarmona - Vamos aplicar um modelo profissional de verdade, com a manutenção dos principais jogadores, a contratação de outros para a formação de um elenco que possa disputar em condições de vencer as principais competições, a contratação de um gestor remunerado para o futebol, que seja do ramo. Vamos investir nas categorias de base e estruturas formativas.

Ze Carlos Barretta/Folhapress
O atual presidente do Palmeiras, Paulo Nobre
O atual presidente do Palmeiras, Paulo Nobre

Como ampliar as receitas do clube?

Nobre - O terreno está sendo preparado e os frutos virão. O principal exemplo é o Avanti. Em janeiro de 2013, eram pouco mais de 8 mil sócios. Fizemos reformas profundas e houve a possibilidade de aumentar a receita, que foi ampliada em mais de quatro vezes. Quem quer que esteja à frente do clube na próxima gestão terá muito mais condição de ampliar receitas por conta do trabalho que fizemos.

Frizzo - O Palmeiras precisa de um departamento de marketing com pessoas com formação e atuação na área, possibilitando o desenvolvimento de ações tradicionais e ousadas, para fazer iniciativas inteligentes, associadas a uma política de equilíbrio financeiro, com investimentos dentro da realidade de arrecadação, evitando antecipações exageradas de receitas.

Pescarmona - Com a incorporação do Allianz Parque como centro de geração de receitas e uma nova política de ingressos, que vai aumentar 50% a bilheteria do Palmeiras em dois anos. Vamos viabilizar um patrocínio master em seis meses. E temos ainda a criação de um fundo exclusivo para contratação de jogadores, com a participação de um conjunto de empresas.

Greg Salibian - 16.out.11/Folhapress
Roberto Frizzo, ex-vice de futebol do Palmeiras, em foto de outubro de 2011
Roberto Frizzo, ex-vice de futebol do Palmeiras, em foto de outubro de 2011

Como fazer o Palmeiras revelar mais jogadores, como seus maiores rivais?

Nobre - O Palmeiras terá, nos próximos anos, um índice muito superior de revelação de jogadores. Criamos o centro de formação em Guarulhos, integramos o futebol com o futsal para que produzam talentos em conjunto, qualificamos profissionais e instalações, aproximamos as categorias inferiores do time principal e trouxemos um treinador com um cuidado especial com o departamento.

Frizzo - Deveremos implantar um plano de carreira para treinador e comissão técnica da base, fazer a avaliação em conjunto com a comissão técnica de novos atletas, criar na base um espírito idêntico ao do time profissional, com treinos em conjuntos para as equipes sub-17 e sub-20 e obrigar que o terceiro reserva de cada posição do time profissional seja das categorias de base.

Pescarmona - Vamos aproveitar o que há de melhor não só na base como em outros departamentos, e montarmos um forte departamento de captação. Para isso, precisamos de competência, saber garimpar os melhores atletas. Com isso, tenho certeza que conseguiremos formar e revelar grandes atletas com o perfil "vencedor". É na transição do amador para o profissional que temos que ter atenção.

Eduardo Anizelli - 26.nov.2010/Folhapress
Wlademir Pescarmona, ex-diretor de futebol do Palmeiras
Wlademir Pescarmona, ex-diretor de futebol do Palmeiras

Que papel você reserva aos torcedores caso eleito?

Nobre - Tenho consciência de que tomamos muitas medidas impopulares nesse primeiro mandato, mas o palmeirense pode ter certeza de que eram necessárias. Os frutos começarão a aparecer em breve. O torcedor começará a sentir esses efeitos. Teremos condição de investir em uma equipe que brigará por títulos de forma constante, e não fortuitamente como aconteceu nos últimos anos.

Frizzo - Os torcedores são o grande patrimônio do clube, a eles cabe o apoio e o incentivo que o time precisa para as vitórias, além das críticas construtivas para as reflexões necessárias da direção e elenco. Eles serão sempre o termômetro que irá demonstrar as oscilações ou equilíbrio dos resultados. O diálogo será sempre democrático e bem vindo, não aceitando qualquer tipo de violência.

Pescarmona - Não faremos distinção entre sócio-torcedor, comum e organizado. Representaremos 18 milhões de apaixonados. Não existe divisão entre torcida. Todos são palmeirenses e merecem o nosso respeito. Queremos uma relação sadia e de respeito com todos. Quem assume a presidência do Palmeiras tem obrigação de zelar pela unidade de um de seus maiores patrimônios, a torcida. 

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sexta-feira, agosto 15, 2014

Paulo Ricardo, treinador do Cruzeiro sub-20

"A Educação é o ponto principal para a mudança cultural no futebol brasileiro", aponta

Guilherme Yoshida

Em tempos de debates sobre a evolução do futebol brasileiro após o vexame da seleção brasileira na última Copa do Mundo, o trabalho nas categorias de base passa a ser um dos pontos fundamentais neste processo para a melhora do nosso jogo em todos os sentidos.

Mas uma boa realidade ainda está distante dos profissionais que atuam de forma direta ou indiretamente com a formação e o desenvolvimento de novos talentos pelo país.

As situações econômicas, estruturais, e administrativas de muitos clubes brasileiros, somadas à aproximação de empresários e grupos de investimentos, dificultam ainda mais o trabalho de quem está à beira do campo preocupado com o futuro do garoto promissor na carreira.

“A Educação é o ponto principal para a mudança cultural no futebol brasileiro. O jovem em potencial é bombardeado por diversos fatores que interferem diretamente em seu foco e na sua evolução. Esses fatores estão diretamente ligados à questão econômica e à exposição na mídia. Com uma formação melhor, esses fatores podem interferir menos no processo de formação dos atletas brasileiros”, aponta Paulo Ricardo, técnico da categoria sub-20 do Cruzeiro.

Independentemente do clube em que trabalha atualmente, Paulo Ricardo tem muita experiência no trabalho de base pelo Brasil. Por isso, sabe que, para o futebol brasileiro formar melhor os futuros jogadores, é preciso elaborar um programa de formação que tenha conteúdos adequados para cada categoria, métodos apropriados que favoreçam o desenvolvimento da criatividade e a inteligência de jogo, além de indicadores eficientes que possam contribuir para balizar ou ajustar durante todo o processo de formação.

“Temos que ter clareza do futebol que queremos jogar no futuro, para depois montarmos um planejamento adequado para atingirmos esse objetivo. A primeira medida é a criação de um fórum sobre o nosso futebol”, completa o profissional.

Nesta entrevista exclusiva à Universidade do Futebol, Paulo Ricardo ainda falou como vê o processo de seleção de talentos no Brasil hoje em dia e sobre quais medidas poderiam ser tomadas para que o futebol brasileiro consiga aproveitar mais jogadores. Confira a íntegra:


Universidade do Futebol – Qual a sua formação acadêmica e como ocorreu seu ingresso no ambiente do futebol?

Paulo Ricardo – Sou formado em Educação física pela UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais]. Comecei no futebol atuando como preparador físico na categoria júnior em 1994, depois fui trabalhar em escolas de futebol passando pelas funções de professor, treinador e coordenador. Depois, em 1999, comecei a atuar como treinador na categoria infantil.

A falta de planejamento do futebol brasileiro, junto com a falta de capacitação dos gestores e treinadores são alguns dos nossos problemas sérios. Outro problema presente é o sucateamento da Educação Física nas escolas brasileiras, afirma Paulo Ricardo


Universidade do Futebol – No Brasil, vemos muitos jogadores em potencial que, por problemas pessoais e de gestão de carreira, não conseguem atingir o que deles se esperava. Para você, qual a importância da educação para que um jovem atleta consiga chegar ao alto nível?

Paulo Ricardo – A Educação é o ponto principal para a mudança cultural no futebol brasileiro. O jovem em potencial é bombardeado por diversos fatores que interferem diretamente em seu foco e na sua evolução.

Esses fatores estão diretamente ligados à questão econômica e à exposição na mídia. Com uma formação melhor, esses fatores podem interferir menos no processo de formação dos atletas brasileiros.

Para formarmos melhor, temos que elaborar um programa de formação que tenha conteúdos adequados para cada categoria, métodos apropriados que favoreçam o desenvolvimento da criatividade e a inteligência de jogo, aponta o treinador do sub-20 do Cruzeiro


Universidade do Futebol – E quais iniciativas você acredita que poderiam ser melhor trabalhadas no futebol brasileiro?

Paulo Ricardo – Temos que ter clareza do futebol que queremos jogar no futuro, para depois montarmos um planejamento adequado para atingirmos esse objetivo. A primeira medida é a criação de um fórum sobre o nosso futebol.


Universidade do Futebol – Como você vê o processo de seleção de talentos no Brasil hoje em dia?

Paulo Ricardo – Acho que a seleção de talento no futebol brasileiro ainda é o nosso ponto forte em relação a outros países. Além da qualidade temos quantidade. As crianças brasileiras começam a ter estímulo com a bola de futebol dentro do ambiente familiar, e este fator cultural é fundamental na nossa formação.

A Educação é o ponto principal para a mudança cultural no futebol brasileiro. O jovem em potencial é bombardeado por diversos fatores que interferem diretamente em seu foco e na sua evolução, analisa Paulo Ricardo


Universidade do Futebol – Mas, o que poderíamos fazer para qualificar este processo?

Paulo Ricardo – Acho que nossa iniciação é muito boa, apesar de que nos grandes centros essa cultura de brincar de bola tenha diminuído. Acho importante investirmos em estruturas e incentivarmos o jogo solto e livre para as crianças.


Universidade do Futebol – Quantos jogadores devem compor o plantel de um elenco da categoria sub-20 de um clube de futebol? Como permitir que todos tenham a oportunidade de jogar para se desenvolver?

Paulo Ricardo – O plantel da categoria júnior é formado de atletas sub-18, sub-19 e sub-20, e acho adequado para atender o processo de formação, um número próximo de 33 atletas.

Agora, os treinos devem ser dados para todos os atletas da mesma forma e com o mesmo volume diariamente. Isto facilita muito o rodízio de atletas que fazemos durante toda a temporada.

Temos planilhas que nos informam sobre o tempo treinado e jogado de cada atleta que nos auxiliam durante todo o processo. O objetivo é dar oportunidade a todos sem perder a ambição de vencer jogos e campeonatos.

Acho que a seleção de talento no futebol brasileiro ainda é o nosso ponto forte em relação a outros países. Além da qualidade temos quantidade. As crianças brasileiras começam a ter estímulo com a bola de futebol dentro do ambiente familiar, e este fator cultural é fundamental na nossa formação, explica


Universidade do Futebol – O modelo de jogo das categorias devem ser o mesmo para o sub-15, sub-17 e sub-20? Existe alguma preocupação neste sentido, ou cada treinador determina o modelo que pretende jogar?

Paulo Ricardo – Acho muito importante o clube ter um modelo de jogo próprio, isto facilita muito as transições de uma categoria para outra e o aprendizado durante todo o processo de formação.

Então, existe uma preocupação enorme em padronizar o modelo de jogo de todas as categorias. Normalmente, o modelo de jogo adotado pelo time profissional tem sido seguido pelas outras categorias do clube.


Universidade do Futebol – Durante a copa do mundo o goleiro Neuer da Alemanha se destacou pela sua capacidade de fazer coberturas e jogar com os pés. No Cruzeiro, o goleiro é considerado parte do modelo de jogo da equipe? De que maneira?

Paulo Ricardo – Sim, o goleiro é considerado parte do jogo coletivo da equipe. O modelo de jogo está sempre presente nos treinos das categorias de base e o goleiro participa de grande parte das atividades, exercendo suas funções táticas durante os treinos e os jogos.


Universidade do Futebol – Um dos maiores problemas alegados pelos profissionais das categorias de base é o “gap” entre a equipe sub-20 e a equipe profissional. Como superar este problema?

Paulo Ricardo – Para facilitar está transição, a equipe sub-20 tem que trabalhar o mais perto possível da equipe profissional, convivendo e treinando com a equipe profissional pelo menos uma vez a cada quinze dias durante toda a temporada.

Acho muito importante o clube ter um modelo de jogo próprio, isto facilita muito as transições de uma categoria para outra e o aprendizado durante todo o processo de formação, diz o profissional das categorias de base


Universidade do Futebol – Mas, quais medidas poderiam ser tomadas para que o futebol brasileiro conseguisse aproveitar mais jogadores?

Paulo Ricardo – A melhor medida é o futebol brasileiro investir na criação da categoria sub-23, montando um calendário adequado para toda a temporada e mantendo um elenco enxuto, vinculado à equipe profissional.


Universidade do Futebol – Para você, quais aspectos deveriam compor um plano de desenvolvimento de talentos visando formar jogadores de futebol de alto nível?

Paulo Ricardo – Para formarmos melhor, temos que elaborar um programa de formação que tenha conteúdos adequados para cada categoria, métodos apropriados que favoreçam o desenvolvimento da criatividade e a inteligência de jogo, além de indicadores eficientes que possam contribuir para balizar ou ajustar durante todo o processo de formação.

O nosso dia a dia nos mostra muito sobre os atletas com quem trabalhamos. Os treinos, jogos, decisões, reuniões e, principalmente quando os atletas se fecham para começar uma partida, as lideranças se apresentam perante o plantel. Temos a ajuda de um psicólogo que avalia o perfil do elenco todo o ano, revela o treinador Paulo Ricardo


Universidade do Futebol – Como detectar aspectos de liderança em jovens?

Paulo Ricardo – O nosso dia a dia nos mostra muito sobre os atletas com quem trabalhamos. Os treinos, jogos, decisões, reuniões e, principalmente quando os atletas se fecham para começar uma partida, as lideranças se apresentam perante o plantel. Temos a ajuda de um psicólogo que avalia o perfil do elenco todo o ano.


Universidade do Futebol – Você procura executar exercícios específicos para potencializar essa capacidade em determinados atletas? Como você trabalha essa questão?

Paulo Ricardo – Sim, procuro executar exercícios específicos para potencializar a liderança. Principalmente do goleiro e dos defensores que estão vendo o jogo de frente.

No meu trabalho, passo tarefas para todo o elenco com o objetivo de desenvolver a comunicação, iniciativa e a liderança.

A maior virtude do futebol brasileiro ainda é o estimulo precoce da criança brasileira com a bola. Mas, este estímulo nas grandes cidades já vem reduzindo, uma pela falta de espaço e outra pelas diversas concorrências que se tornaram mais atrativas no mundo moderno, avalia o profissional


Universidade do Futebol – Em sua opinião, qual o maior problema e a maior virtude do futebol brasileiro hoje em dia?

Paulo Ricardo – A falta de planejamento do futebol brasileiro, junto com a falta de capacitação dos gestores e treinadores são alguns dos problemas sérios. Outro problema presente é o sucateamento da Educação Física nas escolas brasileiras.

Já nossa maior virtude ainda é o estimulo precoce da criança brasileira com a bola. Este estímulo nas grandes cidades já vem reduzindo, uma pela falta de espaço e outra pelas diversas concorrências que se tornaram mais atrativas no mundo moderno.

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Que não fique só no choro

Manifesto do futebol feminino: “em crise desde que nasceu”

Cerca de 100 jogadoras de futebol do Brasil, várias delas em nível de seleção, publicaram em suas páginas e perfis nas mídias sociais, um manifesto em que desabafam contra as más condições que encontram para trabalhar e jogar. Saem também em defesa do time do Brasil Sub-20, eliminado do Mundial da categoria ainda na primeira fase, depois de perder para a Alemanha por 5 a 1, em Montreal, no Canadá.

Calou fundo nas meninas ler, ver e ouvir comparações desta derrota com o vexame dado pelo time do Brasil na última Copa do Mundo, quando os comandados de Luiz Felipe Scolari foram goleados pelos alemães por 7 a 1.

Brasil x Alemanha

Marta, Cristiane, Érika, Mayara Bordin, Thaís Picarte e outras atletas de seleção decidiram contar mais uma vez como é duro ser jogadora de futebol no país que se diz “do futebol”.

O texto que segue é o desabafo de atletas que já levaram o Brasil a pódios mundiais e olímpicos. Elas decidiram alinhar as reivindicações delas às do Bom Senso FC. E estão na luta por melhores condições. Afinal, os Jogos Olímpicos do Rio 2016 serão uma ótima oportunidade do futebol brasileiro feminino faturar a medalha de ouro. O Bom Senso divulgou outro documento onde pede a desvinculação do futebol feminino da CBF, criando uma Liga separada, com possibilidade de buscar incentivos fiscais para atrair patrocinadores.

Enquanto isso não acontece, a CBF precisa ler a carta abaixo. E tomar medidas que fortaleçam o futebol feminino.

"NUAS E CRUAS"

Quem nunca sonhou em ser um jogador de futebol?

Em um país machista e preconceituoso que nunca acreditou, aceitou ou investiu de verdade no futebol feminino, é muito difícil para nós sonhar. Que o diga as meninas da Seleção sub-20, derrotadas pela Alemanha por 5 a 1 na última terça-feira, e expostas a uma chuva de criticas e comparações completamente equivocadas, sem nenhum conhecimento sobre a nossa modalidade ou sobre a realidade em que vivemos.

Ficamos chocadas com as manchetes sensacionalistas, as ligações esdrúxulas com a vexatória derrota da Seleção masculina na última Copa do Mundo, e com centenas de baboseiras escritas sobre as jovens atletas que, diga-se de passagem, nem competição sub-20 têm no Brasil para se formarem devidamente como “jogadoras de verdade”.

Esta nota, em comum acordo com mais de 100 atletas do futebol feminino, se faz mais do que necessária e vem em tom de desabafo, não para julgar técnica ou taticamente a partida em questão, nem para competir com o futebol masculino, mas para mostrar que somos de carne e osso, existimos, queremos ser ouvidas, não só nas derrotas e nos vexames, mas nas notícias e no dia-dia. Queremos a exposição dos nossos problemas, assim como dos nossos jogos e campeonatos. Queremos, inclusive, que nos ajudem a cobrar as pessoas e as entidades que têm o papel de zelar pelo nosso esporte e não estão nem aí para ele. Chega!

Não há e nunca houve estrutura que nos permitisse dedicação integral ao futebol. A maioria de nós treina 6 dias por semana, estuda, trabalha e ainda é dona de casa. Somos amadoras e sabemos que não será por meio da “profissão” que, por amor, escolhemos para viver que garantiremos o nosso futuro ou a nossa aposentadoria. Não temos mordomia nem salários astronômicos, no máximo temos acordos verbais e ajudas de custo durante 3 ou 6 meses do ano, período das competições femininas no país.

Vivemos de sonhos.

Aliás, se há alguma coisa em que somos realmente craques é em sonhar. Sonhamos com mais clubes e com mais jogos, sonhamos com o reconhecimento por parte da CBF de que se deve investir no futebol feminino, sonhamos que a nossa luta valerá a pena e que o nosso esforço será capaz de pavimentar a estrada pela qual as nossas crianças e jovens se sentirão bem ao praticarem o futebol feminino nas escolas e nos clubes, sem que recebam um olhar ressabiado ou a falta de incentivo da família.

Se um dia as meninas puderem escolher o futebol como profissão, a nossa dedicação terá valido a pena. Aí sim aceitaremos que nos falem de vergonha, de fracasso, de vexame e de atropelamento. Mas antes disso, enquanto as nossas condições de trabalho forem semelhantes a das peladas que você joga aos finais de semana, respeite-nos e entenda que estamos fazemos milagre ao competir de igual para igual com as principais seleções do mundo, que não param de investir e de se desenvolver.

Não queremos ser isca para nos usarem em meio a atual crise do futebol brasileiro como alguns aproveitadores fizeram com as nossas talentosas meninas da Seleção sub-20. Nós, que vivemos o dia a dia, sabemos que o futebol feminino do Brasil está em crise desde a data do seu nascimento, mas estamos dispostas a mudar essa realidade. Basta nos darem a oportunidade, investirem em nós e acreditarem no nosso talento e no nosso amor pelo esporte. Chega de sonhar, é hora de sentar a mesa com a CBF e fazer acontecer, doa a quem doer.

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terça-feira, agosto 05, 2014

Neymar e Messi enfrentarão linha dura no Barça; veja as novas leis do time

Do UOL, em São Paulo

Neymar nas RSs

Neymar, Messi e companhia terão que se adaptar a regras bem mais rigorosas do que estavam acostumados no Barcelona. Novo técnico da equipe, Luis Enrique é um linha dura que cobra bom comportamento dentro e fora de campo, restringe qualquer atividade que coloque em risco o aspecto físico dos jogadores e faz exigências bem específicas, como a roupa certa para as refeições e o horário para voltar das baladas.

A imprensa espanhola responsável por acompanhar o Barcelona diariamente levantou algumas dessas regras internas e também explorou a postura de Luis Enrique como treinador. Por enquanto, ele geralmente é o primeiro a chegar ao clube, até duas horas antes do início do treino, e geralmente o último a ir embora. 

Andar de moto ou fazer mergulho, por exemplo, são atividades proibidas a partir de agora para os jogadores do Barcelona, segundo o diário Sport. As multas por atraso vão de R$ 3 mil a R$ 18 mil. Piqué, de acordo com o jornal, foi quem inaugurou a "caixinha". Veja as regras do durão Luis Enrique:

As regras de Luis Enrique no Barcelona
  • Horário
    Os jogadores devem chegar ao local do treino uma hora antes do início
     
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    • Bebida alcoólica
    Bebidas de qualquer teor alcoólico estão proibidas nas refeições do time
     
  • Toque de recolher
    Todos devem estar em casa até 0h nos dois dias que antecedem as partidas
     
  • Expulsão
    Um ato grave de indisciplina poderá resultar na rescisão de contrato
     
  • Educação
    As declarações dos jogadores deverão ser sempre respeitosas
     
  • Multas
    Os valores variam de R$ 3 mil a R$ 18 mil, dependendo da gravidade do ato
     
  • Uniforme
    Usar sempre a roupa do clube durante viagens e eventos oficiais do time
     
  • Atividades de risco
    É proibido praticar esportes de risco, como motociclismo e mergulho
     
  • Doações
    O dinheiro da "caixinha" do atraso irá para instituições beneficentes
     
  • Redes sociais
    Todos devem ser responsáveis nas publicações em suas contas particulares