Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Posso ser mesmo processado por um ‘simples comentário’ na Internet?

Publicado por Maykell Felipe Moreira - 
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Posso ser mesmo processado por um simples comentrio na Internet
Primeira coisa a ser dita é que não existe essa equivocada ideia do 'simples comentário na internet'. Não existe absolutamente nada na internet que seja tão simples assim. Seria como dizer 'um simples comentário em praça pública'. Experimente bem cedo, logo pela manhã, sair na porta da sua casa, estufar bastante o peito e gritar em alto e bom som a primeira coisa estúpida que vier a sua mente. Não demorará muito para que todos os seus vizinhos estejam à porta, te fitando com aquele olhar sinistro, do tipo que indaga, de pronto, sobre a sua sanidade mental. Em suma, quando expomos nosso pensamento numa web-page muito frequentada, essa mensagem vai ecoar num parâmetro dimensional tão grande que não teremos o menor controle no que concerne até onde essa informação irá reverberar. É um típico tiro no escuro, não dá pra prever onde ou em quem vai pegar.
Feito essas colocações, passo à próxima questão. Tenho observado que algumas pessoas tem comportamentos bem curiosos na internet, dignos de serem estudados pela ciência comportamental e psíquica. No dia a dia, muitas vezes mostram-se simpáticas, cordiais, e algumas até muito recatadas, tímidas, ou enrustidas, todavia, quando o assunto é a rede mundial de computadores, encarnam o verdadeiro monstro da selva, o 'diabo da tasmânia' em pessoa. O abominável urso polar do lago negro da neve de Springfield domina a sua alma, e o indivíduo se acaba todo de tanto desferir farpas nas redes sociais desse mundão digital afora. Passado o efeito da droga, veste o seu pijama, toma o seu copo de leite quente com rosquinhas rivotrílicas, e dorme como um anjo – pelo menos até o dia seguinte.
Vez ou outra, todo aquele que se utiliza muito das redes sociais – como é o meu caso e de muitos outros ‘jusbrasileiros’ – acaba passando por esse tipo de situação.Nessas horas devem prevalecer a calma, a razão e a serenidade. Discutir é uma hipótese totalmente descartada, diga-se de passagem.
Como dito, não é raro nos depararmos com situações assim. Basta começar uma reflexão sobre um tema polêmico, uma ‘crítica’, uma ‘crônica’, um bordado literal que seja, e já é possível sentir os tambores tocarem do outro lado da telinha. É o ritual macabro de preparação daqueles que, muitas vezes nem entenderam a sua proposta textual, e já encorpam o ‘gato guerreiro’.
Pessoas assim não conseguem apenas ler, fazer suas ponderações críticas, e após isso, deixarem o espaço público digital, respeitosamente. Isso não é suficiente para elas, entrar em cena passa a ser uma espécie de compulsão. Algumas pessoas, de fato, vão para a internet extravasar as suas mazelas, fazerem aquilo que, sob o escudo do anonimato, tem a ousadia peculiar que lhes faltam na vida prática diária.
Assim, sempre é bom estar preparado e com o estado de espírito equilibrado, e acima de tudo, encoberto pela graça divina. Antes de tudo, é preciso ter segurança e convicção sobre as suas idéias, confiar naquilo que escreve, e estar pronto para receber as críticas, digeri-las, absorver o que é proveitoso, e descartar o que é inútil. Nada é uníssono, aliás, é bom que a discussão ocorra, pois isso traz crescimento, se feita da maneira saudável e inteligente. Ademais, assim como em tudo na vida, na hora de discutir, criticar ou expor ponderações, deve haver respeito, razoabilidade e flexibilidade para se abrir aos argumentos opostos, ainda que não os endosse ao final.
A internet nos ensina que, mesmo nesse meio há regras a serem observadas e seguidas para o bom e harmonioso convívio. Assim como não há ‘autotutela’ no mundo prático, no mundo virtual também não o é permitido.
O nosso dicionário virtual, nos traz um conceito interessante, conhecido como ‘netiqueta’ – derivado “do inglês "network" e "etiquette" – é uma etiqueta que se recomenda observar na internet. A palavra pode ser considerada como uma gíria, decorrente da fusão de duas palavras: o termo inglês net (que significa "rede") e o termo "etiqueta" (conjunto de normas de conduta sociais). Trata-se de um conjunto de recomendações para evitar mal-entendidos em comunicações via internet, especialmente em e-mails, chats, listas de discussão, etc”.
Certamente que entre essas regras comportamentais do mundo virtual, as mais importantes, ao nosso ver, decorrem diretamente de:
  1. Respeitar para ser respeitado e tratar os outros como gostaria de ser tratado.
  2. Entender que o autor do texto não é o seu inimigo, ele não está ali como um radical xiita, e ainda que fosse, deveria tratá-lo respeitosamente. Punir, só cabe ao judiciário.
  3. Lembrar-se de que dialogar com alguém através do computador não o isenta das regras comuns da sociedade, por exemplo, o respeito ao próximo.
  4. Usar sempre a força das idéias e dos argumentos. Nunca responder com palavrões ou ofensas, como por exemplo, tentar atacar a imagem ou fazer suposições sobre o caráter da pessoa, simplesmente estereotipando-a pelo tipo de linha intelectual que defende.
  5. Apesar de compartilhar apenas virtualmente um ambiente, ninguém é obrigado a suportar ofensas e má-educação.
  6. Evitar ser arrogante ou inconveniente.
  7. Em fóruns e listas de discussão, deixar o papel de moderador para o próprio moderador.
Outro dia desses, passei por uma situação um tanto cômica – se não fosse trágico, por assim dizer –. Após postar um artigo na internet, cujo assunto tenho um certo domínio pois atinente a minha área de trabalho, fui surpreendido com mensagem de uma internauta, que revoltada com o meu ponto de vista, me imputava críticas como se eu fosse quase que um grande vilão do direito ou uma espécie de terrorista jurídico, apenas como dito, por defender uma visão jurídica que ela, opostamente, não compartilhava. E olha que nem se tratava de nenhum tema polêmico de cunho político ou religioso. De modo algum, mencionaria quaisquer outros dados aqui, inclusive para preservar a sua imagem. Todavia, como sempre aconselho aos meus clientes e amigos, fiz os print’s das mensagens e guardei, acaso porventura, me arrependa de não processá-la.
Como advogado, também atuante nessa área indenizatória, o que sempre aconselho às pessoas é que, quando fizerem uma crítica num local público, seja mais respeitosa aos titulares da mensagem atacada - pois, a página de um profissional é também o seu recinto laboral, o seu terreno sagrado, mais ainda, é a ‘extensão digitalizada e virtual do seu escritório físico', por conseguinte, é o um viés extensivo da sua própria vida pessoal e laboral, protegida constitucionalmente como direito e garantia fundamental, haja vista que, ali clientes e admiradores do seu trabalho mantêm trânsito constante e livre – desse modo, o fato de ingressar no 'local profissional ou pessoal' de uma indivíduo (cuja Constituição trata como 'extensão da sua casa') para lhe desferir farpas 'estereotipadas' a respeito da sua índole, do seu caráter, ou qualquer outro tipo de apontamento desrespeitoso que traga ‘sofrimento íntimo à sua honra’, pode trazer consequências jurídicas gravestanto na esfera criminal com o na esfera civil, com efeitos financeiros em favor da vítima.
Caramigo (2014) explica que:
(...) qualquer imputação (opinião) pessoal (insultos [...]) de uma pessoa em relação à outra, caracteriza o crime de Injúria. “(...) Injuriar alguém, significa imputar a este uma condição de inferioridade perante a si mesmo, pois ataca de forma direta seus próprios atributos pessoais. Importante ressaltar que, neste crime, a honra objetiva também pode ser afetada. No crime de Injúria não há a necessidade que terceiros tomem ciência da imputação ofensiva bastando, somente, que o sujeito passivo a tenha, independentemente de sentir-se ou não atingido em sua honra subjetiva. Se o ato estiver revestido de idoneidade ofensiva, o crime estará consumado”.
Sabemos que, em relação à competência territorial para julgar essas lides, o tema ainda é um tanto tormentoso, ademais haja posições em ambos os sentidos, a mais aceita na jurisprudência tem sido a esposada no acórdão oriundo do TJ-PR no qual restou assentado que: “(...) nos crimes cometidos via internet a jurisprudência já se manifestou no sentido de que o local consumativo é onde são recebidas as mensagens eletrônicas.”[1]
Para efeitos práticos no que concerne aos aspectos da competência territorial, deixamos aqui, um breve apanhado feito pelo professor Luiz Antônio Borri, que pode em muito ajudar os interessados.
“a) Crime contra a honra julgado pelo juizado especial criminal tem a competência regulada pelo local onde o querelado praticou a ação delituosa;
b) Crime contra a honra julgado pela justiça comum:
  • Crime de injúria – a competência será do juízo onde a vítima tomou ciência das mensagens publicadas nas redes sociais;
  • Crimes de calúnia e difamação – o foro competente será aquele onde terceiros obtiveram ciência dos termos ofensivos;
  • Em qualquer caso, não sendo possível apurar os locais mencionados anteriormente, abrem-se duas possibilidades:
  • O foro competente será o lugar do domicílio ou residência do réuou,
  • Sendo desconhecido, a competência será regulada pela prevenção”.
Retomando a questão central, é cediço reforçar que, ofensas discriminatórias e estereotipadas que vilipendiem o íntimo do indivíduo ou mesmo que gerem depreciação da sua imagem no seu ambiente social e de trabalho, são atos injuriosos passíveis de condenação pecuniária ressarcitória, quiçá efeitos penais.
Uma imagem profissional custa anos de dedicação e investimento para ser construída, todavia, carece apenas de uma cinza lançada ao vento para virar um braseiral em chamas.
Por concluir, que fique muito claro isso – a internet é um ambiente como qualquer outro, como uma via pública, por exemplo, onde todos têm o direito de ir e vir livremente, freqüentar espaços abertos ao público, entrar e sair sem pedir permissão, inclusive podendo tecer comentários ou críticas sobre aquilo que lhes sobressalta aos olhos, entretanto, nunca abandonando o respeito e a polidez, pois, nem nas ruas tão quanto nas redes sociais, lhe é permitido 'usar de presunções ou subsunções infundadas no que concerne ao profissionalismo ou o caráter das pessoas, principalmente, quando este se encontra em circunstância de exposição pública, onde tais 'injuriações', podem ter um peso e repercussão ainda maior, vez que macula sua imagem frente aos seus clientes e seguidores.

domingo, janeiro 03, 2016

‘Foi um ano atípico esse 2015

Entrevista - José Vanildo

Presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol

A Federação Norte-rio-grandense de Futebol, que comemorava ano após ano o crescimento do futebol potiguar nos rankings da CBF devido o bom desempenho dos clubes como ABC e América em competições nacionais, em 2015 viu os principais representantes locais sofrerem em nível nacional. Apesar disso, o presidente da entidade assegura que houve progresso e acredita que em 2016 o cenário possa ser melhorado. No entanto, o otimismo de José Vanildo esbarra, logo de cara, em um Campeonato Estadual que, programado para 10 clubes teve que se moldar a apenas oito equipes, devido a desistência de Santa Cruz e Coríntians de Caicó. As crises econômica e hídrica foram as justificativas para os abandonos.
Emanuel AmaralJosé Vanildo Presidente da Federação Norte-rio-grandense de FutebolJosé Vanildo Presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol

Qual a avaliação da temporada 2015?
Foi um ano atípico esse 2015, com muitas dificuldades financeiras que o país passa, o futebol potiguar teve destaque no futebol nacional, conquistando a marca da 11a federação do Brasil, no ranking da CBF, a quarta federação do Norte e Nordeste. Nossos clubes estão bem colocados no ranking nacional. Uma temporada que consolidou novos horários, experiências, eventos e projetos que estão sendo consolidados pela FNF, junto com seus filiados. Importante lembrar que o futebol está cada vez mais profissional, sem espaço para o amadorismo de antigamente, principalmente com a nova legislação em vigor, o que exige muito dos dirigentes, principalmente. Evoluímos em muitas frentes e algumas, claro, podem ser ajustadas para 2016.

Com a desistência dos clubes o Estadual 2016 se desvaloriza? Como fica a regra para 2017?
O Campeonato Potiguar é um dos campeonatos mais valorizados do Brasil pela credibilidade de uma gestão que pensa no futuro e com a responsabilidade no presente. Lamentamos demais as saídas de Coríntians de Caicó e Santa Cruz, pela história que representam, pelo povo de suas cidades, região, que são apaixonadas por futebol, mas não foi possível viabilizar a participação em função da crise, o que nos sensibiliza e tudo foi entendido. Apesar disso, teremos um campeonato emocionante, com oito clubes, mais dinâmico, com formato que muitos acreditam ser o melhor para o novo momento. O fato não vai desvalorizar o produto, a marca Campeonato Potiguar, pois teremos um dos campeonatos mais disputados dos últimos anos, não só pelos clubes da capital, como também do interior. Para 2017, o retorno para Primeira Divisão só será mediante ao acesso pela Segunda Divisão. Ficam mantidas as mesmas condições regulamentadas.

As denúncias envolvendo a CBF tem prejudicado o trabalho das federações? Qual o posicionamento da FNF ante os casos?
A CBF passa por um momento de questionamentos, que estão sendo investigados para deixar tudo esclarecido. As federações não podem parar, precisam fomentar as competições, o futebol de cada estado, fazer valer a importância da entidade para fomentar o futebol local. As denúncias existem na CBF, mas não podem prejudicar as federações. A FNF espera que tudo seja esclarecido para que o futebol brasileiro não perca o respeito de muitos torcedores, investidores, da sociedade.

A FNF tem projetos para tentar melhorar a arrecadação e o público em 2016?
A FNF disponibiliza para as empresas o programa Mais Futebol, um produto que garante aos patrocinadores do Campeonato Potiguar benefícios para seus clientes, poder trocar produtos, a venda em seus estabelcimentos, por ingressos, ao ser comercializado por valor subsidiado, portanto, uma alternativa para ter mais público nos jogos. Outra aposta da FNF é ter partidas para um novo público, com conceito mais de família, onde a torcida poderá assistir jogos pela manhã e ainda poder curtir depois sua praia, almoçar em família e oportunizar para os proprietaries dos estádios uma sérias de novos produtos para serem trabalhados com um cliente especial.

A questão dos estádios de futebol no interior já está resolvida?
Essa é um fato que deriva do Estatuto do Torcedor, que compete aos proprietários dos estádio. Com laudo, tem jogo. Sem laudo, não tem jogo.

Quais os projetos da entidade para a próxima temporada?
Iremos promover o Futebol em Tom Maior, levando à cultura, música aos principais jogos, com a participação do artista local se apresentando em pleno gramado antes das partidas. Realizaremos mais uma edição da Musa do Campeonato Potiguar, ondes os clubes irão escolher suas musas para disputa do concorso. Outra projeto é Mascote Cajulino, que estará presente nas escolas públicas e privadas, com presença de jogadores, sorteio de ingressos, brindes dos clubes e muito mais, além da presença do mascote nos jogos. Fica mantido o Prêmio Craque Potiguar, a eleição dos melhores do Campeonato, um atrativo que valoriza os profissionais que fazem seu trablaho com tanta dedicação. Como também, o Mais Futebol disponíveis para as empresas patrocinadores do Campeonato Potiguar para adquirir ingresso por preço diferenciado.

Com o rebaixamento do ABC e o América permanecendo na C a FNF perde espaço também em nível nacional?
Somos a 11a federação do Brasil, ranking divulgado recentemente pela CBF, a quarta do Norte e Nordeste. Todo ano é atualizado. Acredito demais no acesso de ABC e América para Série B este ano para melhoramos ainda mais nosso posicionamento no ranking.

Como a FNF está abordando a questão da atualização da arbitragem para 2016 para evitar reclamações dos clubes?
Estamos investindo em qualificação, cursos e treinamentos constantes, análises que fazem a diferença em campo. Destaque para o trabalho com a escola de arbitragem do Rio Grande do Norte. Esse é uma ação permanente, com treinamento da comissão nacional de arbitragem. É uma prioridade da nossa administração, além de garantir a dignidade do pagamento de seus serviços prestados ao futebol potiguar, inclusive, sendo feito de forma antecipada. Já é uma tradição na nossa administração, apesar das grandes dificuldades.

Como a entidade pensa em atuar junto aos clubes para que eles possam ter mais atenção com as suas categorias de base?
Nosso trabalho é promover as competições, buscar viabilidade para realizar competições viáveis, uma das novidades este ano foi o Campeonato Estadual de Futebol Feminino. Os clubes são decisivos nessa hora para investir em suas categorias de base. A FNF está à disposição para somar forças e chancelar projetos coletivos que possam envolver os seus filiados.

Como espera avançar na questão do JL em 2016?
Utilizar o diálogo, mostrar a importância do estádio Juvenal Lamartine como uma referência história, tombado. Ter uma conversa com o governador Robinson Faria e buscar o melhor para o estádio JL, preservando sua origem, sua tradição, onde tudo começou.

domingo, dezembro 13, 2015

Marcos Vicente, presidente em exercício da CBF com a palavra

Presidente da CBF em exercício, o advogado Marcos Vicente
 (Fonte: Folha de São Paulo)
A derrota para a Alemanha na semifinal da Copa de 2014 expôs ao mundo o perigoso estágio de paralisia, letargia e atraso do futebol brasileiro. Nos impôs a busca urgente de caminhos que devolvam à nossa seleção a primazia da genialidade e a exclusividade da arte ao jogar o mais belo e completo dos esportes. Afinal, futebol é arte, é gênio e é sinônimo de Brasil. 
Não se troca governo, não se exorciza os fantasmas do esporte nem se conserta as mazelas de gestões infelizes atropelando leis e ritos. Agir assim é ilegal e ilegítimo, tanto na política quanto no futebol. Fora das regras, tudo é jogo sujo. 
O futebol brasileiro mudará a partir da base, representada por centenas de ligas amadoras que sustentam competições envolventes, pelos clubes e pelas federações estaduais. Modernizaremos a gestão da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em quatro eixos. 
O primeiro é intensificar a capacitação de treinadores, preparadores físicos, supervisores e dirigentes de clubes e federações, processo que já iniciamos. 
Em segundo lugar, priorizar a capacitação e o treinamento do quadro de árbitros e assistentes, seguindo com rigor as normas da Fifa. 
O terceiro eixo é criar os campeonatos brasileiros sub-15 e sub-17 e o Brasileiro sub-20 de seleções estaduais. Isso assegura as "certidões de nascimento" dos atletas na base e fortalece ligas amadoras, clubes e federações. 
E em quarto lugar, internacionalizar, de fato, o futebol brasileiro. Transformar nossos torneios em produtos atrativos para o mercado internacional dará nova fonte de recursos para os clubes. 
A final da Major League Soccer (MLS), a principal liga de futebol dos EUA, foi transmitida para cem países. Há quatro anos a MLS pagava a quem desejasse transmitir seus jogos. Em 2016 as transmissões da liga americana renderão US$ 1 bilhão –algo em torno de R$ 3,9 bilhões. Já nossos clubes penam para fechar suas contas, honrar contratos, investir na base e rolar dívidas. 
Ter clubes fortes, com melhores elencos, fortalece as federações e atrai público. Vender as competições brasileiras para o exterior gerará novos recursos que terão de ser revertidos integralmente para os clubes que disputam os campeonatos de cada série. 
Bem gerido, o futebol é um grande e lucrativo negócio. Nos EUA, os empreendimentos que orbitam em torno dele representam 3,5% do Produto Interno Bruto. Aqui, o futebol não representa sequer 0,25% do PIB. Ainda assim, temos cerca de 300 mil pessoas envolvidas diretamente com ele. O peso de nossa atividade na geração de riquezas é ínfimo ante seu potencial. 
Profissionalizaremos o espetáculo dentro e fora de campo. Não é possível fazer isso sem restaurar a força e o prestígio dos clubes, sem investir na base e sem fortalecer as nossas federações. 
Sem olhar para os adolescentes que batem nas portas dos clubes aos 13 anos, sem lhes dar a "certidão de nascimento" para o mundo do futebol já ali, sem federá-los aos 16 anos, seguiremos assistindo ao êxodo de talentos para centros em que são tratados com mais profissionalismo e onde os contratos são mais rentáveis.O tripé transparência, gestão e resultados está em implantação na CBF e será a pedra de toque do novo futebol brasileiro. Faremos isso respeitando os limites que a interinidade me impõe. 
Mergulhei de cabeça no planejamento, nos problemas, nas contas e nos contratos do futebol brasileiro. Críticas virão e serão ouvidas, porém não dialogaremos com preconceitos nem com interlocutores que defendam a quebra de princípios legais que regem a vida associativa. 
Iremos à base buscar o sopro de genialidade e de renovação que nos trarão a tão sonhada sexta estrela, mudando de vez o perfil do futebol brasileiro. 
Queremos fazer do Brasil, novamente, uma constelação do esporte no mundo. 
MARCUS VICENTE, 61, é presidente interino da CBF - Confederação Brasileira de Futebol e deputado federal licenciado (PP-ES)

segunda-feira, novembro 30, 2015

Futebol como vetor de desenvolvimento de um país

por Amir Somoggi 
Essa semana o Lance! vai publicar um extenso material especial sobre a gestão da Premier League. Todos os dados e análises vão comprovar que o intenso processo de profissionalização do mercado inglês, somado à globalização da competição, a transformaram em uma potência econômica.
O que mais impressiona na pujança da Premier League é o quanto seus 20 times participantes impactam em toda a cadeia produtiva do futebol do seu país.
Segundo estudo da empresa EY da Inglaterra, a liga graças ao seu forte desenvolvimento, produz um gigantesco impacto para o PIB. A análise aponta que a competição é responsável por 6,2 bilhões de libras para a economia do país.
Pelos meus cálculos representa impressionantes 0,31% do PIB do Reino Unido.
footballstadium4

Para chegar a essa conclusão, como em outros estudos de impacto econômico a empresa utilizou em sua metodologia de cálculo as receitas diretas geradas, receitas indiretas e impactos induzidos.
A Premier League gera 3,3 bilhões de libras diretamente, 2,0 bilhões de libras indiretamente e mais 0,9 bilhão de libras induzidos.
Segundo a EY, a Premier League oferece um grande retorno para o Governo, já que somente em impostos e contribuições sociais são 2,4 bilhões de libras produzidos. Esse valor é gerado pela cadeia produtiva associada à competição. Isso representa 39% do impacto econômico total calculado. Em impostos direitos foram 1,3 bilhão de libras, enquanto que os indiretos e induzidos somaram 1,1 bilhão.
vImpacto
A competição gera mais de 103 mil empregos. Isso demonstra o caráter empregador do futebol, já que grande parte dos empregos não são diretos. Quanto mais a liga se profissionalizou mais a cadeia produtiva se beneficiou. O impacto dos empregos é alto, pois gera renda e consequentemente aumento no consumo.
empregos
Alguns fatores foram determinantes para o sucesso econômico da competição. Um sem dúvida o investimento contínuo em infraestrutura de estádios, com alto grau de utilização. A liga tem 96% de ocupação de seus jogos e gera 616 milhões de libras com suas 380 partidas.
Outro foi a busca intensiva de aquecimento de demanda da competição, tanto no mercado doméstico, quanto internacionalmente. A liga fatura somente com direitos internacionais de transmissão um valor incrível de 722 milhões de libras por ano.
A divisão igualitária dos direitos de TV também foi um fator crítico de sucesso para o êxito, bem como a conversão do interesse e intensa audiência em reais oportunidades comerciais. A Inglaterra hoje colhe frutos de decisões acertadas no passado.
No Brasil não há dados conclusivos sobre quanto os 20 clubes da série A impactam em toda a cadeia produtiva do futebol brasileiro e no PIB. Os 20 maiores clubes somados faturam R$ 3,1 bilhões, 0,06% do PIB do Brasil em 2014. As receitas dos clubes não crescem há 3 anos.
Poderíamos produzir para a economia muito mais que o dobro disso, se seguíssemos o modelo inglês. O que precisamos é sair da estagnação com estratégias de longo prazo e vontade política para mudar.

quarta-feira, setembro 02, 2015

A elitização do futebol: ingresso brasileiro é o mais inacessível do mundo


A elitização do futebol: ingresso brasileiro é o mais inacessível do mundo

Torcedor que ganha salário mínimo precisa trabalhar 11 horas para entrar no estádio, enquanto o alemão leva menos de duas

TEXTO: RODRIGO CAPELO INFOGRÁFICO: GIOVANA TARAKDJIAN
28/08/2015 - 08h01 - Atualizado 28/08/2015 13h20
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Profut, sancionado por Dilma Rousseff no início deste mês, determina que clubes de futebol, aqueles que decidirem renegociar suas dívidas fiscais com o governo, mantenham "oferta de ingressos a preços populares". Não especifica nem quantos bilhetes, nem a que preço. Mas devia. O ingresso brasileiro é o mais inacessível do mundo para a camada socioeconômica mais baixa da população.
Quantas horas uma pessoa que receba um salário mínimo precisa trabalhar para comprar o tíquete mais barato? A conta, aqui, foi feita por Oliver Seitz*, brasileiro que leciona administração esportiva na University College of Football Business em Londres: divide-se o salário mínimo pela carga horária de trabalho de cada país, depois pelo preço do ingresso mais baixo disponível. Vamos nos restringir aos campeões da última temporada, até porque o jogo do último colocado naturalmente tem menos demanda do que o do primeiro.
Um torcedor brasileiro precisa trabalhar dez horas e 18 minutos para comprar um ingresso, o mais barato, do Cruzeiro. Se o sujeito quiser ir ao Mineirão todo domingo, agora que o time não disputa mais a Copa do Brasil, precisa dedicar quase um quarto da carga de trabalho semanal só para comprar a entrada. Sem considerar transporte, talvez estacionamento, alimentação dentro ou fora do estádio. Um alemão, no lado oposto, tem de ficar na labuta uma hora e 48 minutos para assistir a uma partida do Bayern de Munique.
Talvez a Alemanha não seja a comparação mais justa, porque lá existe a filosofia de perder alguma receita no fim da temporada em prol de uma arena plenamente ocupada. Mas o Brasil é menos acessível do que todos os outros principais países do futebol.
Um francês, no país que tem uma das cargas de trabalho mais baixas da Europa, trabalha duas horas e 36 minutos para ver o Paris Saint-Germain. Um inglês, no território onde a camada mais pobre da população vê futebol pela TV a cabo e ingressos são reconhecidamente caros, leva seis horas e 18 minutos por uma partida do Chelsea. Até argentinos e portugueses, em economias bambas, têm de trabalhar menos para assistir a Racing e Benfica.
Esta análise não pode considerar só o valor do tíquete, mas o poder de compra da população. E elitização se mede não com números médios de preço do ingresso e renda do torcedor, mas mínimos. 
Comparação dos preços de ingressos dos campeões das principais ligas do mundo em 2014 (Foto: Infográfico: Giovana Tarakdjian)
Cruzeiro, por acaso, está bem perto da média da primeira divisão brasileira: 11 horas e oito minutos de trabalho por um ingresso. Alguns demandam um pouco menos, outros muito mais. O mais legal é que, a partir da comparação do futebol brasileiro com as principais ligas europeias, é possível determinar um valor acessível para o cidadão menos endinheirado: R$ 20,63, ou quatro horas e 15 minutos de trabalho com um salário mínimo por mês.
Comparação dos preços de ingressos da primeira divisão do futebol brasileiro em 2015 (Foto: Infográfico: Giovana Tarakdjian )
O ideal, para um estádio de futebol, é que o preço do ingresso seja alto suficiente para que o mandante consiga dinheiro para investir em atletas, mas baixo suficiente para que o estádio esteja totalmente ocupado. O futebol inglês pode se dar ao luxo de cobrar mais caro pelo tíquete porque, afinal, lá os campeões têm 100% dos lugares preenchidos. No Brasil, onde a média nacional fica na casa dos 40%, a maior parte das arquibancadas que fica vazia todo jogo poderia ser ocupada pela camada mais pobre da população. Aquela que, antes da modernização dos estádios forçada pela Copa do Mundo, normalmente comparecia toda quarta e domingo para apoiar o time. Maximizaria, inclusive, as receitas. Um bom negócio para todos.
Não quer dizer que todos ingressos devam custar 20 pratas. Nem que, se custassem, estádios seriam preenchidos. Há mais variáveis que atraem ou afastam torcedores: desempenho do time, ídolo(s), acesso à arena, segurança, conforto, dia, horário, clima, fase do campeonato, se são pontos corridos, se é mata-mata. Mas é fato que o preço é um fator determinante. Tanto que o São Paulo, em 2013, quando baixou preços de ingressos de R$ 26 para R$ 11, em média, aumentou a média de público do Morumbi de 8.500 para 29.800 por jogo. O erro são-paulino, o mesmo cometido pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ) no Campeonato Cariocade 2015, foi fixar a quantia em um teto (o valor do bilhete mais caro), e não trabalhar a precificação a partir de um piso (o do mais barato).
Arena lota de baixo para cima. Quando começam as vendas, primeiro esgota o setor que tem entradas mais baratas. Depois, o seguinte. Depois, o seguinte. Se a primeira faixa de preço é cara demais para o torcedor que ganha um salário mínimo, ela é ocupada por outro, e este deixa de pagar pelo setor seguinte. O resultado é que, na hora do jogo, as arquibancadas mais salgadas, geralmente as que ficam visíveis durante a transmissão da partida pela TV, ficam às moscas. O Corinthians passa por isso em Itaquera. Atlético-MG e Cruzeiro, no Mineirão. O Palmeiras, no Allianz Parque. Em resumo: estádio precisa ser setorizado, e as faixas de preço dos ingressos precisam atender a todo tipo de público, do popular à elite, até encher a casa.
O cartola vai argumentar, como já faz, que o preço mínimo precisa ser alto para privilegiar o sócio-torcedor e incentivar a adesão ao programa. Só que para o fulano que ganha R$ 788 por mês gastar R$ 30 só para ter preferência na compra de ingressos, ou desembolsar para lá dos R$ 100 mensais para conseguir 25%, 50% ou 75% de desconto e ainda ter que pagar pelos bilhetes, tampouco é acessível. Também tem a meia-entrada, outro complicador, um problema de toda casa de entretenimento, do cinema e ao concerto musical. Mas nem assim se pode ignorar: futebol está caro demais.
Depois de longas discussões entre CBF, clubes e Bom Senso FC, deputados federais e senadores, esses responsáveis por representar a população brasileira, concordaram com um Profut que agrada a todos, menos ao torcedor. A CPI do Futebol do senador Romário (PSB-RJ) foi para cima dos sigilos bancário e fiscal de Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, mas tampouco deu atenção a um dos poucos legados da Copa, a reconstrução dos estádios brasileiros e a consequente exclusão dos cidadãos mais pobres. A considerar que o salário mínimo deveria ser de R$ 2.088,20 para igualar o poder de compra do brasileiro ao do estrangeiro, e que isso nocautearia de vez a economia, tampouco pode-se esperar por uma "ajuda" de Dilma. É isso, torcedor. Conforme-se em ver teu time pela televisão aberta.
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*Oliver Seitz é PhD em indústria do futebol e professor de administração esportiva da UCFB em Londres (oliver@brain.srv.br).

segunda-feira, agosto 24, 2015

Brasileirão é o mais equilibrado do mundo

POR JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO, GUILHERME DUARTE E RODRIGO BURGARELLI, de “O Estado de S.Paulo”
Que o Campeonato Brasileiro é equilibrado, todo torcedor intui. Afinal, foram seis campeões diferentes em dez anos. Mas que o Brasileirão é o mais equilibrado entre os principais campeonatos de pontos corridos do mundo, só a estatística poderia confirmar. E confirmou.
Em estudo inédito, o Estadão Dados comparou 65 disputas: as últimas cinco edições de 13 torneios nacionais distintos. Nenhum outro campeonato tem uma simetria tão grande no desempenho dos times quanto o do Brasil. O equilíbrio é evidente no gráfico que ilustra esta reportagem. A curva que simboliza as últimas cinco edições do Brasileirão é a mais simétrica. Lembra um morro cujas encostas têm a mesma inclinação em ambos os lados, culminando em um ponto médio bem centralizado.
Significa não só que a distribuição dos times na tabela de classificação é equilibrada, mas que a distância entre os primeiros colocados e a média – assim como entre primeiros e últimos – é menor do que em outros torneios por pontos corridos.
A curva dos campeonatos nos quais poucos times se distanciam dos demais, como o espanhol, têm o lado dos líderes mais longo e com uma inclinação muito mais suave do que o lado dos lanternas. Isso acontece porque Barcelona e Real Madrid vencem muito mais vezes do que os demais, alcançado taxas de aproveitamento (pontos conquistados em relação ao total de pontos possíveis) mais próximas de 100% do que, por exemplo, o campeão brasileiro. Na última década, Barça ou Real levaram a taça nove vezes.
Para além da comparação visual, há uma medida estatística do equilíbrio – ou desequilíbrio – entre os times de cada campeonato: a assimetria (“skewness”, em inglês). Quanto mais próximo de zero é o valor, mais simétrico é o campeonato.
A assimetria média do Brasileirão é 0,15, enquanto em La Liga (Espanha) ela chega a recordes 1,07. Pode-se dizer que o torneio espanhol é sete vezes mais desequilibrado do que o brasileiro. Na prática, um campeonato equilibrado significa que mais equipes têm chance de disputar as primeiras colocações e levarem o título.
A tendência dos torneios mais simétricos é que a definição do campeão e dos primeiros colocados ocorra mais tardiamente na disputa. Do mesmo modo, a briga entre os lanternas para não ser rebaixado vai até as últimas rodadas.

Foto: Infográfico Estadão/ Fonte: Estadão Dados
SEGUNDO LUGAR
Dos 13 campeonatos nacionais por pontos corridos analisados, o Russo ficou em segundo lugar entre os mais equilibrados, com valor 0,24. Mesmo assim, tem um desequilíbrio 58% maior do que o Brasileirão. Em terceiro lugar ficou o Holandês, com 0,33. Os campeonatos Italiano e Francês ficaram em 6º e 7º lugares, respectivamente, com uma assimetria parecida entre si, mas três vezes maior do que a do Brasileirão.
Os campeonatos Inglês (9º) e Alemão (10º) se equivalem em desequilíbrio entre as equipes que os disputam, com medidas de assimetria de 0,62 e 0,63, respectivamente. O da Alemanha é assimétrico por causa do predomínio do Bayern de Munique, que levou o título cinco vezes na última década. Entre os ingleses, porque apenas três times se alternaram como campeões nos últimos dez anos: Chelsea, Manchester United e Manchester City.
FORA DA CURVA
Entre os torneios europeus, só um se compara em desequilíbrio ao Espanhol. O Campeonato Portuguêstem assimetria de 0,92 – só 14% menor que a dos vizinhos. Como na Espanha, dois times monopolizam o campeonato: só Benfica (três vezes) e Futebol Clube do Porto (sete vezes) foram campeões na última década.
Entraram na conta os principais campeonatos por pontos corridos do mundo: Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha, França, Holanda, Portugal, Rússia, Turquia – além de torneios fora da Europa, como os do Japão, África do Sul e China.
Foram excluídos torneios que misturam pontos corridos a outros sistemas de competição, como mata-mata (caso do Campeonato Mexicano), ou que têm dois turnos com campeões distintos (abertura e clausura), como os da Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Colômbia, pois as estratégias de competição mudam.

Foto: Infográfico Estadão/ Fonte: Estadão Dados

Em 2009, o torneio mais acirrado
Desde o início da disputa do Brasileirão por pontos corridos, em 2003, nenhuma edição do campeonato foi tão equilibrada quanto a de 2009. A disputa nesse ano foi tão acirrada que o campeão (o Flamengo, no caso) conseguiu apenas 15 pontos a mais do que a média dos times do campeonato. Esse recorde não é apenas brasileiro, mas também internacional: não houve campeonato nacional mais disputado que esse em nenhuma das 65 edições analisadas pelo Estadão Dados.
Naquele ano, tanto o campeão como os classificados para a Copa Libertadores só foram decididos na última rodada. Três times chegaram ao último jogo com chances de ser campeão, o que foi inédito na história do Brasileirão: Flamengo, Internacional e São Paulo. Todos os três jogaram em casa e ganharam seus respectivos jogos, mas foi o time carioca que se consagrou campeão por já estar dois pontos na frente dos seus adversários.
Outra curiosidade desse campeonato é que ele foi o único na era dos pontos corridos em que o campeão só chegou ao topo da tabela na penúltima rodada. Antes do Flamengo, cinco outros times lideraram a tabela. Quem esteve lá por mais tempo foi o Palmeiras, que liderou por 17 rodadas, mas acabou o campeonato fora até da zona de classificação da Libertadores, com péssimo desempenho na reta final.
DRAMA ATÉ O FIM
O Campeonato Brasileiro de 2009 foi o mais dramático da história dos pontos corridos, mas está longe de ser uma exceção. O equilíbrio entre os times tem sido a regra. Desde 2006, quando o campeonato passou a ter 20 equipes, a diferença de pontos entre o campeão e a média de todos os times do torneio é de apenas 23 pontos. Por comparação, no campeonato espanhol a distância média que separa o ganhador do título da média do campeonato é de 43 pontos. Ou seja, a distância é quase o dobro em comparação ao campeonato brasileiro.
MENOR DIFERENÇA
Quando são analisados os dados dos 13 maiores campeonatos nacionais de pontos corridos do mundo nos últimos cinco anos, o Brasil é o segundo país com a menor diferença média entre o aproveitamento do líder e a média dos outros times.
O campeão brasileiro ganhou apenas 21% mais pontos do que a média do campeonato. A diferença só não é menor do que no Japão, onde é de 20%.
Metodologia contempla taxa de aproveitamento dos clubes
O equilíbrio nos campeonatos nacionais de pontos corridos para cada país foi calculado pelo Estadão Dados a partir de um estudo preliminar do economista do Banco Mundial Branko Milonovic. Para isso, foi utilizado o conceito de “taxa de aproveitamento”, que corresponde ao número de pontos conquistados por um time dividido pelo total de pontos possíveis.
No Campeonato Brasileiro, a pontuação máxima que um time pode atingir é de 114 pontos, caso ganhe e conquiste os três pontos em cada uma das 38 partidas disputadas. Um exemplo é o Cruzeiro na vitoriosa campanha de 2014, que registrou o aproveitamento recorde dos últimos cinco anos de 70% ao marcar 80 pontos no campeonato nacional.
Nos gráficos que ilustram essa página, a taxa de aproveitamento dos clubes está representada no eixo horizontal. Quanto mais à direita, maior o aproveitamento das equipes. Já o eixo vertical se refere à concentração de times naquela faixa de aproveitamento. Assim, o ponto em que a curva é mais alta revela qual é a pontuação mais comum atingida pelos times naquele campeonato.
Os cálculos foram feitos usando os dados dos últimos cinco campeonatos finalizados.

segunda-feira, agosto 03, 2015

As contradições entre a exportação e a manutenção de jogadores no Brasil


            
Saída de jogadores para o exterior é recorde em 2105 
No primeiro semestre de 2015, de 1º de janeiro a 16 de julho, a saída de jogadores do futebol brasileiro para o exterior teve uma movimentação de 355 profissionais, o maior número desde 2011. Já os valores chegam a US$ 98,8 milhões de dólares, cerca de R$ 306 milhões de reais. Os números da Diretoria de Registro e Transferência da CBF mostram o cenário da janela semestral dos últimos cinco anos, com o detalhamento por tipo de negociação, com vários fatores influenciando os rumos desse mercado:
  • Proibição da FIFA quanto à participação de terceiros nos diretos econômicos de jogadores; 
  • Regras para cadastro de intermediários, com exigências de vários documentos para habilitação; 
  • Fair Play Financeiro, incluído no Regulamento Geral do Campeonato Brasileiro, que prevê a possibilidade de punição a quem atrasar o pagamento; 
  • Teto salarial em diversos clubes, que precisam pagar dívidas e reduzir o valor investido no futebol; Alta do dólar. 

Em junho de 2011, um dólar valia  R$ 1,60. Em junho deste ano, estava valendo R$ 3,10. O mercado de saída do primeiro semestre de 2011 movimentou 146,7 milhões de dólares, algo em torno de R$ 234 milhões. Em 2015, o valor registrado foi de US$ 98,8 milhões de dólares. Pode parecer menos, mas, considerando a cotação atual do dólar, são R$ 306 milhões.
A saída de jogadores do Brasil para o exterior (1º de janeiro a 16 de julho) gerou US$ 98,8 milhões de dólares, equivalentes a 355 transferências, sendo 188 jogadores livres – negociados após fim do contrato com clube brasileiro -, 96 por empréstimo. 32 vendidos e 39 com prorrogação de empréstimos. 
Fonte: Tribuna da Bahia

sábado, agosto 01, 2015

Fatores metabólicos na fadiga do jogador

Mark Hargreaves, da Universidade de Melbourne 
A produção aumentada de ATP por meio das vias metabólicas oxidativa e não-oxidativa no músculos esquelético é essencial para manutenção da força e energia durante o exercício
 
INTRODUÇÃO 
A adenosina trifosfato (ATP) é a fonte imediata de energia química para a contração muscular. Como os depósitos intramusculares de ATP são pequenos, a regeneração contínua de ATP é fundamental para a manutenção da produção de força muscular durante o desempenho sustentável no exercício. Em condições de produção de muita energia (como aquelas observadas durante o exercício de sprint de alta intensidade), isso é obtido por meio da produção não oxidativa de ATP (anaeróbica) seguido de uma quebra de creatinafosfato (PCr) ou da degradação do glicogênio muscular em lactato. 
Quando há uma baixa produção de energia para desempenho prolongado de endurance, o metabolismo oxidativo ou aeróbico dos carboidratos (glicogênio muscular e glicose presente no sangue) e de lipídios (ácidos graxos derivados de depósitos de triglicérides, nos músculos ou no tecido adiposo) oferece praticamente todo ATP necessário para processos celulares que dependem de energia dentro do músculo esquelético. Esses processos metabólicos e sua importância durante o exercício já foram bem descritos (Covle, 2000; Sahlin et al., 1998). 
Atenção considerável foi dada aos mecanismos potenciais de fadiga responsáveis pelo declínio da força e/ou da produção de energia pelo músculo esquelético durante o exercício e o papel que os fatores metabólicos desempenham nessas alterações. Esses fatores metabólicos podem ser categorizados de forma abrangente como a depleção de substratos de energia (ATP e outros compostos bioquímicos utilizados na produção de ATP) e acúmulo de derivados metabólicos (Tabela 1).
Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui.
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quinta-feira, julho 30, 2015

Série B vai à Globo por dinheiro da Série A e limite a Flamengo e Corinthians

Camila Mattoso, de São Paulo (SP), do ESPN.com.br

Um grupo de representantes da Série B vai se reunir com a Globo na quinta-feira da próxima semana para pedir mudanças ao futebol brasileiro. Presidentes do América-MG, do Náutico, do Paysandu e do Atlético-GO estarão presentes no encontro. A pauta envolve uma série de assuntos, mas o principal será sobre as cotas de televisão.
ESPN.com.br teve acesso ao estudo feito pelos dirigentes sobre o tema, apresentado nesta terça-feira na CBF, que mostra todo o cenário da divisão do dinheiro da TV no Brasil e no mundo. O documento destaca o abismo que existe entre a primeira e a segunda divisão e propõe alterações: além de pedir uma redistribuição para a Série B, a proposta atinge também a Série A.
De acordo com a pesquisa feita por esses clubes, há três grupos no futebol atualmente: 
- Grupo I: clubes com contrato de longo prazo com a TV, que inclui a maioria dos times da Série A e tem um valor total de R$ 930 milhões, estimado.
- Grupo II: clubes que disputam a Série A em 2015, com contrato de um ano com a TV e tem um valor total estimado em R$ 100 milhões.
- Grupo III: clubes que disputam a Série B em 2015, com valor total de R$ 51 milhões (cada um ganha R$ 3 milhões).
Clubes da Série B fizeram um estudo sobre o tema das cotas de televisão© ESPN.com.br Clubes da Série B fizeram um estudo sobre o tema das cotas de televisãoDiante deste cenário, o grupo propõe algumas sugestões, que vão diretamente contra a situação que hoje tem Flamengo e Corinthians, os que mais recebem da Globo.
A partir de 2016, os dois passarão a ganhar R$ 170 milhões ao ano, cada um. Juntos, portanto, R$ 340 milhões. O valor que a dupla tem direito representa 26% do total que a TV paga aos 18 times que faziam parte do Clube dos 13.
a) Limitar o percentual do time que mais recebe em relação ao total em no máximo 10%;
b) Limitar a razão do time que mais recebe em relação ao time que menos recebe em 4 vezes;
c) Limitar o percentual da soma dos cinco times que mais recebem em no máximo 40%;
d) Limitar o percentual da soma dos dez times que mais recebem em no máximo 65%.
Além desses itens, a proposta dos clubes da Série B é para que a negociação com a TV volte a ser feita em conjunto, após o contrato vigente, e não mais separadamente, como acontece hoje em dia. 
Enquanto os atuais acordos não acabam, o grupo formado pelos times da segunda divisão pedem mudanças imediatas para conseguirem se ajeitar. 
a) Manter o valor de R$ 3 milhões para cada clube;
b) Acrescentar um valor de R$ 100 mil para cada posição no ranking dos 17 clubes, ou seja, o último do ranking recebe R$ 100 mil, o penúltimo R$ 200 mil, assim sucessivamente até o primeiro, que receberá R$ 1,7 milhão, para a temporada 2015.
c) Acrescentar da mesma forma acima um valor de R$ 100 mil de acordo com cada posição do último campeonato da Série B, para a temporada de 2015.
"Nós apresentamos hoje um estudo. O grupo foi criado há um tempo e essa foi a primeira vez que encontramos todos os clubes da B desde então. Foi a formalização da existência desse grupo", afirmou Glauber Vasconcelos, presidente do Náutico, em contato com a reportagem.
"Há muitos assuntos para serem tratados. A questão dos estádios, a questão dos horários de jogos e uma série de outras coisas. Claro que o tema das cotas de TV é muito importante e vamos já chegar com uma sugestão para eles. Fizemos um estudo grande sobre o assunto e estamos bem embasados", acrescentou Mauricio Sampaio, presidente do Atlético-GO.