Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

segunda-feira, setembro 01, 2014

Tática] Jogo em circulação x Jogo direto

Questão de conceito no processo de formação
Wladimir Braga

 

Figura 3 - Primeira fase de construção

Uma das grandes discussões nos dias atuais do futebol e um dos dilemas enfrentados pelos treinadores no futebol de base é referente ao defensivismo motivado pela sensação equivocada da necessidade de resultados, pela insegurança na aplicabilidade de se jogar em passes curtos em circulação de bola e pela falsa sensação de segurança ao estimular os "chutões" em situações de pressão no campo defensivo, dando-lhe a equivocada alcunha de jogo direto.

Deixando de lado um pouco as questões referentes à aprendizagem e cognição (como se fosse possível), a segurança percebida pelo treinador de base, ao coibir qualquer tentativa de saída de bola com circulação (pé em pé), no momento em que o adversário pressiona desde a saída de bola, implica em sensação de insegurança, pela possibilidade de erro do jovem atleta. Este por sua vez passa a entender que a alternativa para não ser "cobrado" ou "julgado culpado" por uma possível falha seja o "chutão" com intuito de "passar a responsabilidade" para outrem, seja adversário ou colega de equipe. 

O chutão, neste sentido, não pode ser confundido com o jogo direto. O jogo direto se caracteriza como uma estratégia definida de buscar o campo ofensivo com passes longos direcionados, seja no espaço vazio ou mesmo para o atacante central de costas para os defesas. Sendo assim, jogar em circulação é o jogo em passes curtos ou médios em que se busca encontrar as falhas no sistema defensivo adversário em um jogo predominantemente em amplitude. Vejam bem, não disse obrigatoriamente.

FF - Cearense 2014 053

Jogo entre Caucaia e Juventus pelo campeonato cearense, ao qual presenciamos e pudemos observar que a pressão na marcação e a ausência de maior circulação das jogadoras redundou em poucas oportunidades reais de gols.

A partir deste contexto, como devemos pensar o processo de formação? 

No torneio sub 17 "Future Champions", na edição 2010 em Belo horizonte, duas equipes chamaram a atenção, tanto o poderoso Barcelona, quanto o sul-africano Mamelod Sundowns, mesmo com marcação pressão, não abdicaram do jogo em circulação desde sua meta defensiva, sem mostrando bem confiantes ao saírem das referidas situação-problema. Em momento algum, seus treinadores demonstraram o desespero presente em muitos treinadores de base aqui no Brasil, muito perceptível quando suas equipes são pressionadas e demoram a "passar a responsabilidade". 

Referente a isto, podemos e precisamos entender que o "como ganhar" faz toda diferença no processo de formação. Entender o jogo para poder vencê-lo é fundamental, mas os caminhos que tomamos para executá-lo define qual o perfil de atleta que queremos, qual a "qualidade" do jogo que pretendemos para nosso futebol de base e, com certeza, para o futebol profissional.

Ainda podemos mencionar que no processo de formação o erro precisa ser permitido, aceito, tolerado mas não como motivo de acomodação. Errar um passe no campo defensivo não pode ser motivo de gritos ou "xingamentos", mas oportunidade de aprendizado, de entendimento do jogo, seus conceitos, e para aquisição de princípios pertinentes no desenvolvimento do jogar a que pretende o treinador para a equipe. Claro, não podemos nos confundir, o modelo não pode ser maior que o jogo. O modelo é de jogo, pelo jogo e para o jogo. Assim, e reforçando, o entendimento do jogo é a matriz de todo o processo para entendimento do modelo de jogo, mas é no desenvolvimento deste modelo que colocamos nossas intenções de adaptação aos atletas. 

Sendo assim, estimular a saída curta, os passes curtos mesmo em situação de pressão, pode ser um valioso incremento na autoconfiança desportiva, nas aquisições cognitivas e com certeza na formação de um atleta de alto nível para o futebol.

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sexta-feira, agosto 29, 2014

As 50 empresas mais inovadoras do Brasil

Boticário, NetShoes e Chilli Beans lideram o ranking de inovação segundo a percepção do consumidor

Redação, Administradores.com

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Uma recente pesquisa realizada no Brasil mostra as 50 empresas mais inovadoras presentes no país. Analisadas de um total de 500 companhias em diferentes setores, suas práticas foram avaliadas e, da forma como ela é percebida pelo público, além de suas práticas e modelos de negócio, foram catalogadas. A rede de cosmético Boticário foi a primeira colocada segundo os dados da companhia de consultoria nacional DOM Strategy Partners.

Liderando o ranking de inovação atrás d'O Boticário, estão nomes, NetShoes e Chilli Beans. A qualificação de valor produzido pela inovação das marcas foram analisadas a partir da percepção dos clientes e usuários, baseados nos potenciais de inovar através da adequação, incremento e ruptura.

“Uma boa ideia não é suficiente. Ela precisa criar valor - intangível e tangível - para que possa ser propagandeada e comercializada, e assim, ser considerada uma inovação. Este é o conceito central que distingue a inovação da invenção e investigação científica”, explica Daniel Domeneghetti, CEO da DOM Srategy Partners.

Os setores bens de consumo não duráveis e o varejo são os que mais se destacaram como inovadores. O grupo de empresas mais bem pontuados com notas acima de nove, possui estratégia planejada de inovação a partir da percepção, avaliação e recomendação de seus consumidores.

Segundo Domeneghetti, a constatação do estudo ressalta que não existe inovação sem compreender o mercado em que as companhias atuam. “Cada empresa tem o modelo, a demanda e o tamanho do investimento para ser destinado a inovação, de acordo com o seu segmento ou sua estratégia de negócios. A inovação, assim, não é regra, mas uma equação de sucesso”, conclui o executivo.

O Boticário 9,13
Netshoes 9,12
Chili Beans 9,11
Diletto 9,08
Nespresso 9,06
Albert Einsten 9,04
Wine.com 9,01
Bradesco 8,92
Whirlpool 8,91
Habib’s 8,89
Osklen 8,84
P&G 8,83
Natura 8,82
Bauducco 8,72
Beauty’in 8,71
Brigaderia 8,66
Vigor 8,65
Cacau Show 8,64
Centauro 8,62
Itaú Unibanco 8,52
Banco do Brasil 8,51
Mundo Verde 8,50
Nestlé 8,46
Mercado Livre 8,45
Coca - Cola 8,33
Avianca 8,32
Chama da Amazônia 8,31
Fiat 8,29
Porto Seguro 8,28
JBS - Friboi 8,24
Bradesco Seguros 8,22
Santander 8,20
Urban Remedy 8,18
Kopenhagen 8,16
UOL 8,13
Baggio Café 8,50
Subway 8,46
Azul 8,45
Buscapé 8,33
Ultrafarma 8,32
Casas Bahia 8,31
Certisign 8,29
BRF 7,97
Walmart 7,96
MC Donald’s 7,95
Pague Menos 7,94
Starbucks 7,92
SKY 7,91
Samsung 7,90
AMBEV 7,89

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Futebol começa a ganhar o cotidiano nos Estados Unidos

Presença em bares e lojas fica evidente em Nova York

Por Erich Beting - Nova York (EUA)

 

 

Fila de imigração no aeroporto JFK, em Nova York. O funcionário começa a rir quando eu digo que sou jornalista esportivo. E faz a piada: “deve ter sido difícil na Copa do Mundo, hein?”. Na hora em que lembramos dos 7 a 1, ele faz novo gracejo: “melhor agora é pensar no tênis”.

A brincadeira do funcionário da imigração é um indício de que o futebol parece estar mais presente no cotidiano americano. Depois, nas ruas de Nova York, mais uma vez o soccer dá o ar da graça. Numa loja de esporte, a Puma coloca, bem na entrada, as novas camisas do Arsenal. Numa outra, de brinquedos, é a vez do New York Red Bull, New York City FC e Major League Soccer estamparem artigos infantis logo na entrada dos três andares da loja.

A presença mais sólida do futebol no cotidiano americano tem, aos poucos, mudado a relação das pessoas com o esporte. Na porta dos bares, além do anúncio de transmissão de eventos tipicamente americanos, como beisebol, as partidas da Liga dos Campeões da Europa são destacadas. Da mesma forma, nas lojas de artigos esportivos, há um aumento da oferta de produtos ligados ao futebol.

Nova York será a primeira cidade a abrigar duas equipes na MLS, a liga de futebol. Em 2015, NYCFC, espécie de franquia do Manchester City, passará a disputar a competição. No ano passado, a MLS teve média de 18.600 torcedores por partida, a terceira maior entre as ligas esportivas americanas, atrás apenas do futebol americano e do beisebol.

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quinta-feira, agosto 28, 2014

Tributo da CBF aos nossos heróis campeões do mundo

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O dia 28 de agosto de 2014 ficará marcado na história da nova sede da CBF. Nesta quinta-feira, pela primeira vez, 32 campeões mundiais estiveram presentes na nova casa do futebol brasileiro.

O presidente José Maria Marin e o vice-presidente Marco Polo Del Nero receberam os heróis mundiais que ajudaram a construir a história gloriosa do futebol brasileiro.

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Ado, Aldair, Altair, Amarildo, Brito, Carlos Alberto Torres, Dario, Dunga, Edmilson, Edu, Gérson, Gilmar Rinaldi, Jair da Costa, Jair Marinho, Jairzinho, Leão, Marcio Santos, Marco Antonio, Mauro Silva, Mengálvio, Paulo Cesar Lima, Paulo Sérgio, Pepe, Piazza, Ricardinho, Ricardo Rocha, Roberto Miranda, Ronaldão, Roque Junior, Viola, Zé Maria e Zetti foram os campeões do mundo que estiveram na sede da entidade. Klebérson, Pelé e Zito enviaram representantes.

Antes do início da cerimônia, a resenha rolou solta entre os jogadores. Com representantes de todas as vitórias mundiais da Seleção Brasileira, os campeões do mundo aproveitaram para conversar e alguns se conhecerem.

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A cerimônia começou com um vídeo, que reuniu os melhores momentos dos jogadores em Copas do Mundo. Em seguida, o presidente Marin agradeceu a presença de todos.

- Gostaria de agradecer a presença de vocês - campeões do mundo - na casa de vocês! Esta não é a sede da CBF, mas sim o lugar para vocês virem sempre que quiserem. Obrigado por tudo o que vocês fizeram pelo futebol brasileiro.

O superintendente de Marketing da Unimed Seguros, Henrique João Dias,ressaltou a importância da parceria entre a CBF e sua patrocinadora.

- A entrega das carteiras de plano de saúde mostra o reconhecimento da história do futebol brasileiro. Vocês são merecedores deste benefício.

Após os discursos, todos os campeões mundiais foram chamados ao palco para receberem, das mãos do presidente Marin, do vice-presidente Marco Polo e do representante da Unimed Henrique João Dias a carteirinha do plano, além de carteiras que dão direito a frequentar os estádios.

Os campeões foram aplaudidos pelos presentes, a diretoria da CBF, acompanhantes e imprensa.

O tetracampeão Mauro Silva foi o responsável por falar em nome dos campeões.

- Talvez eu não seja o mais indicado para falar, com tantos campeões mundiais presentes, mas estou muito feliz de estar aqui. Queria agradecer ao presidente Marin e ao vice-presidente Marco Polo por esta homenagem, mas principalmente pelo plano de saúde, algo que irá nos ajudar demais.

O símbolo dos títulos mundiais, Zagalo, telefonou para agradecer o evento e lamentar não ter comparecido, devido a problemas médicos.  

Após o evento, todos os jogadores, acompanhados do presidente Marin, do vice-presidente Marco Polo e da diretoria da CBF almoçaram no restaurante da entidade.

Fonte: CBF

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terça-feira, agosto 26, 2014

Pré-candidatos à presidência do Palmeiras mostram suas propostas

DIEGO IWATA LIMA
DE SÃO PAULO

Os três pré-candidatos da eleição de novembro pela presidência do Palmeiras apresentam suas propostas em quatro áreas para o futuro do clube, que neste ano completa seu centenário.

Paulo Nobre, 46, atual mandatário, Roberto Frizzo, 69, ex-vice de futebol entre 2011 e 2013, e Wlademir Pescarmona, 63, diretor de futebol da equipe de 2010 a 2011, são os prováveis concorrentes.

Confira as respostas:

Como recolocar o time entre os favoritos à conquista de um título de primeira grandeza? Como sanar a crise técnica e institucional?

Nobre - Sabíamos que os objetivos esportivos no primeiro mandato seriam aquém da grandeza do Palmeiras. As receitas estavam comprometidas, o elenco com deficit de jogadores, os salários atrasados e o clube com fama de mau pagador. Já houve um investimento maior em atletas em 2014. Nos próximos 12 meses, será possível um aporte mais próximo do nível que o Palmeiras exige.

Frizzo - Nosso clube passou, algumas vezes, por momentos difíceis no futebol. Tenho certeza que com trabalho, competência e equilíbrio administrativo poderemos levar o Palmeiras ao lugar onde ele sabe transitar com a desenvoltura de um vencedor. Desta forma, qualquer crise técnica, com a qualidade da administração (competentes diretores, planejamento, comissão técnica e jogadores qualificados), será superada.

Pescarmona - Vamos aplicar um modelo profissional de verdade, com a manutenção dos principais jogadores, a contratação de outros para a formação de um elenco que possa disputar em condições de vencer as principais competições, a contratação de um gestor remunerado para o futebol, que seja do ramo. Vamos investir nas categorias de base e estruturas formativas.

Ze Carlos Barretta/Folhapress
O atual presidente do Palmeiras, Paulo Nobre
O atual presidente do Palmeiras, Paulo Nobre

Como ampliar as receitas do clube?

Nobre - O terreno está sendo preparado e os frutos virão. O principal exemplo é o Avanti. Em janeiro de 2013, eram pouco mais de 8 mil sócios. Fizemos reformas profundas e houve a possibilidade de aumentar a receita, que foi ampliada em mais de quatro vezes. Quem quer que esteja à frente do clube na próxima gestão terá muito mais condição de ampliar receitas por conta do trabalho que fizemos.

Frizzo - O Palmeiras precisa de um departamento de marketing com pessoas com formação e atuação na área, possibilitando o desenvolvimento de ações tradicionais e ousadas, para fazer iniciativas inteligentes, associadas a uma política de equilíbrio financeiro, com investimentos dentro da realidade de arrecadação, evitando antecipações exageradas de receitas.

Pescarmona - Com a incorporação do Allianz Parque como centro de geração de receitas e uma nova política de ingressos, que vai aumentar 50% a bilheteria do Palmeiras em dois anos. Vamos viabilizar um patrocínio master em seis meses. E temos ainda a criação de um fundo exclusivo para contratação de jogadores, com a participação de um conjunto de empresas.

Greg Salibian - 16.out.11/Folhapress
Roberto Frizzo, ex-vice de futebol do Palmeiras, em foto de outubro de 2011
Roberto Frizzo, ex-vice de futebol do Palmeiras, em foto de outubro de 2011

Como fazer o Palmeiras revelar mais jogadores, como seus maiores rivais?

Nobre - O Palmeiras terá, nos próximos anos, um índice muito superior de revelação de jogadores. Criamos o centro de formação em Guarulhos, integramos o futebol com o futsal para que produzam talentos em conjunto, qualificamos profissionais e instalações, aproximamos as categorias inferiores do time principal e trouxemos um treinador com um cuidado especial com o departamento.

Frizzo - Deveremos implantar um plano de carreira para treinador e comissão técnica da base, fazer a avaliação em conjunto com a comissão técnica de novos atletas, criar na base um espírito idêntico ao do time profissional, com treinos em conjuntos para as equipes sub-17 e sub-20 e obrigar que o terceiro reserva de cada posição do time profissional seja das categorias de base.

Pescarmona - Vamos aproveitar o que há de melhor não só na base como em outros departamentos, e montarmos um forte departamento de captação. Para isso, precisamos de competência, saber garimpar os melhores atletas. Com isso, tenho certeza que conseguiremos formar e revelar grandes atletas com o perfil "vencedor". É na transição do amador para o profissional que temos que ter atenção.

Eduardo Anizelli - 26.nov.2010/Folhapress
Wlademir Pescarmona, ex-diretor de futebol do Palmeiras
Wlademir Pescarmona, ex-diretor de futebol do Palmeiras

Que papel você reserva aos torcedores caso eleito?

Nobre - Tenho consciência de que tomamos muitas medidas impopulares nesse primeiro mandato, mas o palmeirense pode ter certeza de que eram necessárias. Os frutos começarão a aparecer em breve. O torcedor começará a sentir esses efeitos. Teremos condição de investir em uma equipe que brigará por títulos de forma constante, e não fortuitamente como aconteceu nos últimos anos.

Frizzo - Os torcedores são o grande patrimônio do clube, a eles cabe o apoio e o incentivo que o time precisa para as vitórias, além das críticas construtivas para as reflexões necessárias da direção e elenco. Eles serão sempre o termômetro que irá demonstrar as oscilações ou equilíbrio dos resultados. O diálogo será sempre democrático e bem vindo, não aceitando qualquer tipo de violência.

Pescarmona - Não faremos distinção entre sócio-torcedor, comum e organizado. Representaremos 18 milhões de apaixonados. Não existe divisão entre torcida. Todos são palmeirenses e merecem o nosso respeito. Queremos uma relação sadia e de respeito com todos. Quem assume a presidência do Palmeiras tem obrigação de zelar pela unidade de um de seus maiores patrimônios, a torcida. 

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sexta-feira, agosto 15, 2014

Paulo Ricardo, treinador do Cruzeiro sub-20

"A Educação é o ponto principal para a mudança cultural no futebol brasileiro", aponta

Guilherme Yoshida

Em tempos de debates sobre a evolução do futebol brasileiro após o vexame da seleção brasileira na última Copa do Mundo, o trabalho nas categorias de base passa a ser um dos pontos fundamentais neste processo para a melhora do nosso jogo em todos os sentidos.

Mas uma boa realidade ainda está distante dos profissionais que atuam de forma direta ou indiretamente com a formação e o desenvolvimento de novos talentos pelo país.

As situações econômicas, estruturais, e administrativas de muitos clubes brasileiros, somadas à aproximação de empresários e grupos de investimentos, dificultam ainda mais o trabalho de quem está à beira do campo preocupado com o futuro do garoto promissor na carreira.

“A Educação é o ponto principal para a mudança cultural no futebol brasileiro. O jovem em potencial é bombardeado por diversos fatores que interferem diretamente em seu foco e na sua evolução. Esses fatores estão diretamente ligados à questão econômica e à exposição na mídia. Com uma formação melhor, esses fatores podem interferir menos no processo de formação dos atletas brasileiros”, aponta Paulo Ricardo, técnico da categoria sub-20 do Cruzeiro.

Independentemente do clube em que trabalha atualmente, Paulo Ricardo tem muita experiência no trabalho de base pelo Brasil. Por isso, sabe que, para o futebol brasileiro formar melhor os futuros jogadores, é preciso elaborar um programa de formação que tenha conteúdos adequados para cada categoria, métodos apropriados que favoreçam o desenvolvimento da criatividade e a inteligência de jogo, além de indicadores eficientes que possam contribuir para balizar ou ajustar durante todo o processo de formação.

“Temos que ter clareza do futebol que queremos jogar no futuro, para depois montarmos um planejamento adequado para atingirmos esse objetivo. A primeira medida é a criação de um fórum sobre o nosso futebol”, completa o profissional.

Nesta entrevista exclusiva à Universidade do Futebol, Paulo Ricardo ainda falou como vê o processo de seleção de talentos no Brasil hoje em dia e sobre quais medidas poderiam ser tomadas para que o futebol brasileiro consiga aproveitar mais jogadores. Confira a íntegra:


Universidade do Futebol – Qual a sua formação acadêmica e como ocorreu seu ingresso no ambiente do futebol?

Paulo Ricardo – Sou formado em Educação física pela UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais]. Comecei no futebol atuando como preparador físico na categoria júnior em 1994, depois fui trabalhar em escolas de futebol passando pelas funções de professor, treinador e coordenador. Depois, em 1999, comecei a atuar como treinador na categoria infantil.

A falta de planejamento do futebol brasileiro, junto com a falta de capacitação dos gestores e treinadores são alguns dos nossos problemas sérios. Outro problema presente é o sucateamento da Educação Física nas escolas brasileiras, afirma Paulo Ricardo


Universidade do Futebol – No Brasil, vemos muitos jogadores em potencial que, por problemas pessoais e de gestão de carreira, não conseguem atingir o que deles se esperava. Para você, qual a importância da educação para que um jovem atleta consiga chegar ao alto nível?

Paulo Ricardo – A Educação é o ponto principal para a mudança cultural no futebol brasileiro. O jovem em potencial é bombardeado por diversos fatores que interferem diretamente em seu foco e na sua evolução.

Esses fatores estão diretamente ligados à questão econômica e à exposição na mídia. Com uma formação melhor, esses fatores podem interferir menos no processo de formação dos atletas brasileiros.

Para formarmos melhor, temos que elaborar um programa de formação que tenha conteúdos adequados para cada categoria, métodos apropriados que favoreçam o desenvolvimento da criatividade e a inteligência de jogo, aponta o treinador do sub-20 do Cruzeiro


Universidade do Futebol – E quais iniciativas você acredita que poderiam ser melhor trabalhadas no futebol brasileiro?

Paulo Ricardo – Temos que ter clareza do futebol que queremos jogar no futuro, para depois montarmos um planejamento adequado para atingirmos esse objetivo. A primeira medida é a criação de um fórum sobre o nosso futebol.


Universidade do Futebol – Como você vê o processo de seleção de talentos no Brasil hoje em dia?

Paulo Ricardo – Acho que a seleção de talento no futebol brasileiro ainda é o nosso ponto forte em relação a outros países. Além da qualidade temos quantidade. As crianças brasileiras começam a ter estímulo com a bola de futebol dentro do ambiente familiar, e este fator cultural é fundamental na nossa formação.

A Educação é o ponto principal para a mudança cultural no futebol brasileiro. O jovem em potencial é bombardeado por diversos fatores que interferem diretamente em seu foco e na sua evolução, analisa Paulo Ricardo


Universidade do Futebol – Mas, o que poderíamos fazer para qualificar este processo?

Paulo Ricardo – Acho que nossa iniciação é muito boa, apesar de que nos grandes centros essa cultura de brincar de bola tenha diminuído. Acho importante investirmos em estruturas e incentivarmos o jogo solto e livre para as crianças.


Universidade do Futebol – Quantos jogadores devem compor o plantel de um elenco da categoria sub-20 de um clube de futebol? Como permitir que todos tenham a oportunidade de jogar para se desenvolver?

Paulo Ricardo – O plantel da categoria júnior é formado de atletas sub-18, sub-19 e sub-20, e acho adequado para atender o processo de formação, um número próximo de 33 atletas.

Agora, os treinos devem ser dados para todos os atletas da mesma forma e com o mesmo volume diariamente. Isto facilita muito o rodízio de atletas que fazemos durante toda a temporada.

Temos planilhas que nos informam sobre o tempo treinado e jogado de cada atleta que nos auxiliam durante todo o processo. O objetivo é dar oportunidade a todos sem perder a ambição de vencer jogos e campeonatos.

Acho que a seleção de talento no futebol brasileiro ainda é o nosso ponto forte em relação a outros países. Além da qualidade temos quantidade. As crianças brasileiras começam a ter estímulo com a bola de futebol dentro do ambiente familiar, e este fator cultural é fundamental na nossa formação, explica


Universidade do Futebol – O modelo de jogo das categorias devem ser o mesmo para o sub-15, sub-17 e sub-20? Existe alguma preocupação neste sentido, ou cada treinador determina o modelo que pretende jogar?

Paulo Ricardo – Acho muito importante o clube ter um modelo de jogo próprio, isto facilita muito as transições de uma categoria para outra e o aprendizado durante todo o processo de formação.

Então, existe uma preocupação enorme em padronizar o modelo de jogo de todas as categorias. Normalmente, o modelo de jogo adotado pelo time profissional tem sido seguido pelas outras categorias do clube.


Universidade do Futebol – Durante a copa do mundo o goleiro Neuer da Alemanha se destacou pela sua capacidade de fazer coberturas e jogar com os pés. No Cruzeiro, o goleiro é considerado parte do modelo de jogo da equipe? De que maneira?

Paulo Ricardo – Sim, o goleiro é considerado parte do jogo coletivo da equipe. O modelo de jogo está sempre presente nos treinos das categorias de base e o goleiro participa de grande parte das atividades, exercendo suas funções táticas durante os treinos e os jogos.


Universidade do Futebol – Um dos maiores problemas alegados pelos profissionais das categorias de base é o “gap” entre a equipe sub-20 e a equipe profissional. Como superar este problema?

Paulo Ricardo – Para facilitar está transição, a equipe sub-20 tem que trabalhar o mais perto possível da equipe profissional, convivendo e treinando com a equipe profissional pelo menos uma vez a cada quinze dias durante toda a temporada.

Acho muito importante o clube ter um modelo de jogo próprio, isto facilita muito as transições de uma categoria para outra e o aprendizado durante todo o processo de formação, diz o profissional das categorias de base


Universidade do Futebol – Mas, quais medidas poderiam ser tomadas para que o futebol brasileiro conseguisse aproveitar mais jogadores?

Paulo Ricardo – A melhor medida é o futebol brasileiro investir na criação da categoria sub-23, montando um calendário adequado para toda a temporada e mantendo um elenco enxuto, vinculado à equipe profissional.


Universidade do Futebol – Para você, quais aspectos deveriam compor um plano de desenvolvimento de talentos visando formar jogadores de futebol de alto nível?

Paulo Ricardo – Para formarmos melhor, temos que elaborar um programa de formação que tenha conteúdos adequados para cada categoria, métodos apropriados que favoreçam o desenvolvimento da criatividade e a inteligência de jogo, além de indicadores eficientes que possam contribuir para balizar ou ajustar durante todo o processo de formação.

O nosso dia a dia nos mostra muito sobre os atletas com quem trabalhamos. Os treinos, jogos, decisões, reuniões e, principalmente quando os atletas se fecham para começar uma partida, as lideranças se apresentam perante o plantel. Temos a ajuda de um psicólogo que avalia o perfil do elenco todo o ano, revela o treinador Paulo Ricardo


Universidade do Futebol – Como detectar aspectos de liderança em jovens?

Paulo Ricardo – O nosso dia a dia nos mostra muito sobre os atletas com quem trabalhamos. Os treinos, jogos, decisões, reuniões e, principalmente quando os atletas se fecham para começar uma partida, as lideranças se apresentam perante o plantel. Temos a ajuda de um psicólogo que avalia o perfil do elenco todo o ano.


Universidade do Futebol – Você procura executar exercícios específicos para potencializar essa capacidade em determinados atletas? Como você trabalha essa questão?

Paulo Ricardo – Sim, procuro executar exercícios específicos para potencializar a liderança. Principalmente do goleiro e dos defensores que estão vendo o jogo de frente.

No meu trabalho, passo tarefas para todo o elenco com o objetivo de desenvolver a comunicação, iniciativa e a liderança.

A maior virtude do futebol brasileiro ainda é o estimulo precoce da criança brasileira com a bola. Mas, este estímulo nas grandes cidades já vem reduzindo, uma pela falta de espaço e outra pelas diversas concorrências que se tornaram mais atrativas no mundo moderno, avalia o profissional


Universidade do Futebol – Em sua opinião, qual o maior problema e a maior virtude do futebol brasileiro hoje em dia?

Paulo Ricardo – A falta de planejamento do futebol brasileiro, junto com a falta de capacitação dos gestores e treinadores são alguns dos problemas sérios. Outro problema presente é o sucateamento da Educação Física nas escolas brasileiras.

Já nossa maior virtude ainda é o estimulo precoce da criança brasileira com a bola. Este estímulo nas grandes cidades já vem reduzindo, uma pela falta de espaço e outra pelas diversas concorrências que se tornaram mais atrativas no mundo moderno.

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