Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

terça-feira, março 28, 2017

Redução de dívida, déficit... Botafogo vota seu balanço de 2016 nesta quinta

Clube paga mais de R$ 20 milhões em débitos, lucra mais que o orçado com o futebol, mas altos gastos com Arena da Ilha impedem que setor financeiro feche o ano no azul


Por Rio de Janeiro 
O Botafogo vota na noite desta quinta-feira, em reunião do Conselho Deliberativo, a aprovação de seu balanço do exercício de 2016. Cada área do clube fechou os seus respectivos relatórios, que foram enviados a todos os conselheiros na semana passada. O GloboEsporte.com teve acesso aos documentos e apresenta aos torcedores, nos próximos três dias, os principais pontos que serão apreciados pelos poderes internos do Alvinegro. Começando pelas finanças:
DÍVIDA TOTAL
balanço 2016, Botafoo (Foto: Reprodução)Evolução da dívida do Botafogo nos últimos anos: expectativa é de igualar o débito de 2012 até 2020 (Foto: Reprodução)

Pelo segundo ano seguido, o Botafogo conseguiu reduzir sua dívida, que chegou a ser a maior do futebol brasileiro em 2014 com um débito de R$ 806.152.000,00. Em 2015, o montante já havia diminuído em cerca de R$ 100 milhões, graças aos refinanciamento junto ao Profut (Programa de modernização da gestão e de responsabilidade fiscal do futebol brasileiro). No ano passado, nova redução, agora de R$ 20.543.000,00, caindo o débito para R$ 685.486.000,00.
– Os resultados econômicos e financeiros de 2016 demonstram, portanto, uma situação econômica e financeira do Botafogo ainda extremamente grave, porém numa tendência de estabilização ou mesmo de melhoria. (...) Uma análise superficial permite projetar que em aproximadamente quatro anos, mantida a performance financeira alcançada em 2016 e sem considerar os efeitos da inflação, a dívida do Botafogo estará equacionada no mesmo patamar do ano de 2012 – escreveu o vice-presidente de finanças, Luiz Felipe Novis, em seu relatório.
FUTEBOL E DEMAIS ÁREAS
Carro-chefe do clube, o futebol foi bem em 2016 e arrecadou mais do que previa o orçamento com a campanha do vice-campeonato carioca e a trajetória de classificação à Libertadores. Foi a única área – junto com estádio, que é um capítulo à parte – a obter receitas maiores do que o esperado: R$ 18.665.049,00 acima do programado (veja no quadro abaixo). Vale lembrar que teve a venda de Ribamar para o TSV Munique 1860, da Alemanha, por R$ 9 milhões, e a segunda parcela do Olympique de Marseille, da França, por Dória, no valor de R$ 7,3 milhões.
balanço 2016, Botafoo (Foto: Reprodução)Quadro mostra a comparação entre o orçamento em 2016 e o que foi obtido ao final da temporada (Foto: Reprodução)
Maiores receitas, porém, maiores despesas. Foram R$ 12.378.399,00 a mais de custos com o carro-chefe, somando R$ 92.432.624,00. Áreas como remo e esportes gerais também gastaram mais que o previsto, mas em números próximos, longe da diferença do futebol. O departamento teve um aumento de 51% em relação ao gasto com pessoal em 2015. Segundo relatório, o aumento foi pela necessidade de se reforçar a equipe para o Campeonato Brasileiro da Série A.
DÉFICIT X ARENA DA ILHA
Como mencionado antes, o item estádio é um capítulo à parte. Rendeu mais receitas que o esperado, só que ainda mais despesas fora do programado. Tudo isso devido ao projeto da Arena Botafogo no Luso-Brasileiro, que foi orçado em R$ 5 milhões, mas saiu muito mais caro. Com investimento em arquibancadas provisórias, gramado, reforma de vestiários e sala de imprensa, banheiros químicos, cabines de imprensa, pintura, acesso, roletas, instalação de refletores e outras obras emergenciais, a despesa total foi de R$ 12.964.000,00.
Arena Botafogo (Foto: Divulgação / Botafogo)Arena Botafogo custou quase R$ 13 milhões aos cofres do clube e potencializaram o déficit (Foto: Divulgação / Botafogo)
A Arena da Ilha, que recebeu um total de 128 mil pessoas, com uma renda bruta de R$ 3.199.000,00, foi a maior responsável pelo clube não ter fechado o ano no azul. De acordo com o balanço patrimonial, o Botafogo apresentou em 2016 um déficit de R$ 9.243.000,00 causado, principalmente, pelos investimentos nas obras em diversas sedes (Luso-Brasileiro, Ginásio em General Severiano, Sede de Remo e personalização do Estádio Nilton Santos), além das atualizações monetárias dos impostos, dos parcelamentos e dos juros dos contratos de mútuos.
– No caso específico da Arena Botafogo, deve-se ressaltar a contrapartida do enorme ganho técnico do empreendimento, que permitiu ao Clube não apenas evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2016, como também garantir a sua participação na Copa Libertadores em 2017 – ponderou Novis em seu relatório sobre a análise de resultados.
EMPRÉSTIMOS
A maior parte da dívida do Botafogo está concentrada em débitos trabalhistas e fiscais, já equacionados pelo Ato Trabalhista e pelo Profut, respectivamente. Mas o clube ainda precisa lidar com os empréstimos via credores como por exemplo a CBF, a Ferj, o Banco BMG... No processo de renegociação, o total do endividamento teve uma redução de 1,06%.
balanço 2016, Botafoo (Foto: Reprodução)Relação de credores e empréstimos do Botafogo: em 2016, clube assumiu dívida da Cia. Botafogo (Foto: Reprodução)
Porém, o endividamento líquido sofreu um aumento de 11,59% em relação ao valor em 31 de dezembro de 2015. Resultado decorrente, principalmente, pelo fato de o clube em 2016 ter assumido integralmente a dívida e as demais obrigações da Companhia Botafogo.
PREVISÃO PARA 2017
Dos seis tipos de dívidas, o Botafogo em 2016 diminuiu quatro: empréstimos, trabalhista, fiscal / tributária e de negociação de atletas (veja no quadro abaixo). Na contramão, os débitos da área cível e de fornecedores sofreram aumentos. O cenário ainda é considerado preocupante, mas a expectativa do departamento financeiro em 2017 – último ano da gestão de Carlos Eduardo Pereira – é manter o passivo do clube sob controle e melhorar o equacionamento da dívida total através das renegociações e operações de crédito.
balanço 2016, Botafoo (Foto: Reprodução)Gráficos mostram a dívida total do Botafogo dividida por área: maiores quantias hoje são trabalhistas (Foto: Reprodução)
– Apesar de riscos visíveis e invisíveis, que surgem na gestão diária do clube, alguns fatores positivos, como a revitalização e o potencial de negócios do Estádio Olímpico Nilton Santos, os novos patrocínios, as novas receitas de premiação da Taça Libertadores, e a grande capacidade do futebol da base em gerar novos recursos pela venda de direitos federativos, permitem trazer o necessário otimismo e motivação em relação ao futuro do Botafogo em 2017 e adiante – analisou Novis no fim de seu relatório.
O orçamento, aprovado no último mês de dezembro, para 2017 tem previsão de receitas na ordem de R$ 191 milhões, quase R$ 40 milhões a mais do que ano passado. Carro-chefe, o futebol vai gerar cerca de R$ 166 milhões. A previsão de despesas do Botafogo para 2017 é de R$ 134 milhões. No orçamento, o futebol alvinegro vai gastar R$ 99 milhões, incluindo salários e encargos de jogadores e comissão técnica do elenco profissional e da base.
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sábado, março 25, 2017

INFOGRÁFICO: O NEGÓCIO ESPORTE



O Esporte é um setor de negócios em expansão e crescimento. O Negócio Esporte é baseado em diversos pilares, interdependentes e essenciais.
Neste novo infográfico, esquematizamos como funciona o negócio esportivo de um clube de futebol. O trabalho começa no Centro de Treinamento, ou CT, e vai para o campo com vários fatores de sustentação. 
Aprenda mais sobre o Negócio Esporte e sobre Gestão Esportiva com este material exclusivo da JH Areias Academia de Gestão e Marketing Esportivo. Favorite a página para consultar quando necessário. 
Tendências de Gestão e Marketing Esportivo
João Henrique Areias possui um Webinar exclusivo sobre as mais recentes tendências de Gestão e Marketing Esportivo. Para conferir o vídeo e expandir seu conhecimento sobre a área, clique aqui. Além disso, no blog você encontra uma categoria com textos dedicados a discutir a Gestão Esportiva. O blog tem conteúdo novo regularmente discutindo a Indústria Esportiva brasileira e mundial.
Curso de Gestão e Marketing Esportivo
João Henrique Areias é pioneiro no Marketing Esportivo no Brasil, tendo realizado o primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol (Copa União 1987) 100% financiado pela inciativa privada e com transmissão ao vivo pela TV Globo. Possui 30 anos de experiência no mercado esportivo nacional, com trabalhos realizados no futebol, basquete, gestão de arenas, gestão de carreiras, licenciamento etc. Diante de sua experiência, ele desenvolveu o Curso Gestão e Marketing Esportivo, curso online de 8 horas, 5 módulos e mais módulos extras para aprimoramento. Clique aqui para conhecer melhor o curso.
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Fundação F.C Barcelona, liderança e o brilhante legado de Johann Cruyff

por Universidade do Futebol
A história de respeito e valorização dos direitos humanos da Fundação F.C. Barcelona remete a uma viagem no tempo, rumo ao ano de 1899. Naquela época, o Fútbol Club Barcelona iniciava suas atividades através do trabalho e da motivação de um grupo de jovens estrangeiros que viviam na cidade de Barcelona (Espanha), que proporcionariam o aumento da popularidade do futebol e de outros esportes britânicos no contexto da Europa. Ao longo do tempo, a prática do futebol do F.C Barcelona ia cada vez mais fortalecendo a sua identidade intercultural, com o foco multiesportivo, além do amor e da lealdade à Barcelona e à Catalunha.
Entretanto, a gênese da Fundação do F.C. Barcelona veio a coincidir com uma época onde as pessoas estavam começando a demonstrar interesse a prática desportiva na Região da Catalunha. Mediante este novo contexto social e cultural espanhol, foi possível a criação de um novo modelo de lazer moderno, sobretudo o futebol. Sob a perspectiva de Hans Gamper, o fundador do clube, sendo a sua ideologia e inspiração, as forças necessárias nos primeiros vinte e cinco anos do F.C. Barcelona, assim pautadas no compromisso de mudar a vida de muitos jovens através do esporte. Por sua vez, Hans Gamper no comando do F.C. Barcelona foi muito além do seu papel como jogador, diretor e presidente, mas desempenhou o papel de um verdadeiro líder no âmbito da responsabilidade social.
Portanto, a palavra liderança vem cada vez mais recebendo destaque no universo do futebol. Especialmente, com referência ao best seller “O Monge e o Executivo” de James C. Hunter. Este livro vem expressar diversos ensinamentos, principalmente a importância da liderança e do bom relacionamento entre o líder e sua respectiva equipe. O autor James C. Hunter é consultor-chefe de uma empresa de relações de trabalho e treinamento com mais 20 anos de experiência. Nas últimas décadas é considerado um ícone no que se refere às atividades de instrutor e palestrante, sobretudo nas áreas de liderança funcional e na organização de grupos comunitários.
Todavia, através da história de personagens fascinantes, James C. Hunter apresenta os conceitos fundamentais para melhorar a capacidade de liderança e a melhoria das relações interpessoais, ajudando assim a nos tornarmos pessoas melhores e a abrir o caminho para o sucesso duradouro. No primeiro capítulo deste livro, o personagem John Daily, um bem-sucedido homem de negócios está em um mosteiro beneditino participando de um retiro espiritual com demais participantes. Todos estão se adaptando a este novo ambiente, então considerado pacífico e livre conflitos. Na primeira reunião, Daily e o irmão Simeão, demonstram postura de homens capazes de partilhar suas experiências, seus conhecimentos e também estão prontos para ouvir a opinião dos outros participantes. Ao assimilar suas ideias e intervenções sobre a vida e o conceito de liderança, naquele momento, é falado essencialmente das qualidades de um bom líder, o respeito entre o chefe e os funcionários, além da virtude da confiança, como o destaque para a seguinte máxima: “É importante você tratar os outros seres humanos exatamente como você gostaria que o tratassem."
Nesta jornada de crescimento espiritual e aperfeiçoamento do conceito de liderança, um dos maiores ensinamentos é justamente o ato de deixar o orgulho de lado e pedir ajuda quando necessário. A união da equipe que ajuda a resolver os problemas e a trazer sabedoria em todas as situações. A primazia de ouvir o que as pessoas dizem, como um sinal de atenção, como uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver e para opinar acercar de um determinado assunto, assim como o fortalecimento dos valores humanos como a honestidade, o bom exemplo, o altruísmo, a conquista da confiança das pessoas para tratá-las com respeito, além de encorajar as pessoas a agir com atitudes positivas e entusiásticas.
O conceito contemporâneo de liderança vem da habilidade de influenciar as pessoas para o trabalho socialmente engajado, visando atingir os objetivos e as metas voltadas para o bem comum. No Brasil e no mundo, liderar corresponde à chance de participar com suas próprias ideias para a construção de algo que possa valer a pena e propiciar uma vida melhor para milhares de pessoas.  O livro "O Monge e o Executivo" vem expressar o modelo ideal de liderança baseado na vontade e no amor, que faz com que aconteçam os serviços e os sacrifícios capazes de proporcionar o bem-estar e a justiça social.
Um dos maiores líderes de todos os tempos no contexto do futebol mundial é Johan Cruyff, também conhecido como o maior craque da história do futebol holandês e ícone do futebol espanhol. Este renomado cidadão do mundo e ex-jogador inaugurou a primeira sede do seu projeto social, a Fundação Cruyff Court, com o objetivo de mudar a vida de milhares de crianças e jovens através do esporte. No Brasil não poderia ser diferente, exatamente no Bairro de Ermelino Matarazzo, localizado em São Paulo/SP, este projeto consiste na prática do futebol em comunidades carentes. Hoje em dia, a Fundação Cruyff Court estimula a reflexão sobre os valores humanos e a cidadania, ao atuar no gerenciamento das atividades educativas e recreativas, assim baseadas na cooperação e no respeito para uma plena participação socialmente responsável.
No curso de sua incrível trajetória pessoal e profissional, Johan Cruyff descobriu por meio do futebol a melhor maneira de transformar a vida de crianças e adolescentes que vivem em áreas de vulnerabilidade social em vários países. Há quase vinte anos, precisamente no ano de 1997, a Fundação Cruyff Court passa a existir e a desenvolver projetos sociais, que hoje atua em mais de 180 países. No ato de beneficiar milhares de famílias carentes, a liderança existe através de duas palavras-chaves, a habilidade e a influência. Neste caso, a habilidade como uma capacidade adquirida, que pode ser aprendida e desenvolvida se usada às ações adequadas e para influenciar as pessoas é necessário que haja confiança, como a principal característica que dá suporte à liderança, essencialmente no mundo do futebol.
Posteriormente, aqui no Brasil, foi fundada uma importante Escolinha de Futebol na Zona Leste de São Paulo. No ano de 2012, a Escolinha de Ermelino Matarazzo recebeu das mãos do próprio Johan Cruyff, na Holanda, o Prêmio de Melhor Cruyff Court do ano. Levando em consideração, de que entre vários aspectos a escola foi vencedora e líder pelo fato de que a meta principal desta instituição sempre foi o ato de proporcionar o maior número de atividades para todas estas crianças de todas as idades. No período de 2014 a 2015, a Cruyff Court promoveu um intercâmbio e levou cerca de vinte crianças e adolescentes para participarem de uma Copa Mundial de várias Cruyff Courts de diversos países. Como também na essencial troca de experiências com alunos de diferentes nacionalidades, a exemplo da Espanha, Portugal, Inglaterra e Israel. Nos últimos dez anos, muitas crianças e jovens tiveram a oportunidade de conhecer pessoalmente o próprio Johan Cruyff. Para eles, com certeza, foi uma grande experiência, uma vez que Cruyff abraçava a vitória de cada meta alcançada pela sua Fundação. Hoje, cada vez mais, a presença inspiradora de Johan Cruyff representa um brilhante legado, ao proporcionar um futuro saudável aos seus alunos, com o foco de mantê-los longe das drogas, da violência e da criminalidade, assim presente nas mais diversas comunidades carentes do Brasil e nos maiores centros urbanos mundiais, os quais também possuem uma representação da Fundação Cruyff Court.
Para tanto, a missão desta relevante fundação consiste na liderança, que possa  inspirar credibilidade e confiança, uma vez que, qualquer que seja a posição de um líder, seja no mundo corporativo, empresarial ou das fundações e dos clubes de futebol , é preciso haver a autoridade e a habilidade de levar as pessoas a praticarem a boa vontade de algo que possa ser positivo na vida de milhares de crianças e jovens. No contexto da educação pelo esporte, o líder pode conquistar a sua  autoridade através da experiência e do poder de persuasão, como uma faculdade de buscar um excelente relacionamento com as pessoas e a plena concentração nas atividades desportivas, onde a chave é executar as tarefas enquanto se constroem os relacionamentos sólidos e duradouros.
Nos dias atuais, assim como a Fundação Cruyff Court, a Fundação F.C. Barcelona colabora no fomento de valores positivos entre as crianças e jovens, como por exemplo o BarçaKids, o FutbolNet,  iniciativas humanitárias e campanhas como o Make-A-Wish,  além da parceria com outras entidades solidárias em diversos países da Europa, Ásia, África e América Latina, os quais as pessoas estão mais preocupadas em obter o bem-estar social e condições dignas de sobrevivência, graças às iniciativas do F.C.Barcelona que são divulgadas em todo o mundo.
Finalmente, a liderança não é aplicada de forma restrita a apenas numa organização, fundação ou clube de futebol. Mas essencialmente na vida pessoal em relação a família, aos amigos e as pessoas que se convive. Um verdadeiro líder deve ser alguém com autoridade baseada no amor e na confiança. Como um exemplo inesquecível e atemporal sobre liderança, a respeito da relevância da Fundação Cruyff Court, as palavras dedicadas por Johan Cruyff  a este belíssimo trabalho humanitário é de que certa forma ele provavelmente seria imortal. Absolutamente os maiores líderes da história mundial do esporte possuem intrinsecamente esta capacidade de construir laços de solidariedade. A trajetória de vida e as obras sociais de Johan Cruyff  já passam por diversas gerações, através do seu sonho de acreditar na capacidade humana de fazer o bem e a diferença na vida dos semelhantes, através do tratamento digno, respeitoso e também na contribuição para o sucesso de milhares de crianças e jovens de diversas nacionalidades, ideais e projetos para uma vida saudável e feliz através do esporte.

(*)Administradora e Jornalista Profissional (Official Member of Rotary International Brazil) com experiência internacional e multicultural em vários países do Continente Europeu: Portugal, França, Suíça, Itália e Espanha.Pesquisadora de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais e Culturais vinculada à Escola Superior da Magistratura do Estado da Paraíba/Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba/ Universidade Federal da Paraíba. Graduada em Administração, Comunicação Social (Jornalismo) e em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e pelo CESED/Facisa. Autora de diversos artigos e pesquisas inéditas com destaque nacional e internacional nas áreas de Direitos Humanos, Direito Internacional Público, Infância e Juventude, Educação, Ministério Público do Trabalho (MPT) e UN Peacekeeping (Missões de Paz das Organizações das Nações Unidas/ONU).

quinta-feira, março 23, 2017

Futebol brasileiro parou no tempo

POR  


O futebol brasileiro vive uma profunda crise, tanto financeira como mercadológica e não é de hoje. Os motivos não são novos, mas vem se intensificando de forma rápida.
Basta uma comparação com a realidade da Europa para perceber que estamos cavando um abismo, resultado de décadas de ostracismo e falta de inovação na gestão dos clubes.
Enquanto os times europeus aproveitaram as mudanças no ambiente político e legal na década de 1990, com efeitos extremamente positivos para seus negócios, nosso mercado parou no tempo.
Os clubes brasileiros, deitados em berço esplêndido, como diz a letra do nosso hino, simplesmente não fizeram nada para mudar esse cenário. A gestão dos clubes permanece similar ao que faziam na década de 1970.
Dirigentes amadores, modelo de negócio antiquado, administrações arcaicas, marketing de terceira categoria e falta de modernização de suas estruturas administrativas são alguns fatores.
No Brasil, gestão de futebol é sinônimo de investimento em salários, contratações e em centros de treinamento.
Traçando um paralelo com o mundo das empresas, é como se as indústrias se preocupassem apenas em investimento em plantas industriais, sem uma visão moderna de gestão de marcas, plataformas eficientes de comercialização de produtos e dedicação constante na busca da lealdade do consumidor.
O mundo empresarial evoluiu, pois sabia que sem investimentos maciços na gestão do seu negócio, de nada adiantaria produzir produtos.
Essa mudança foi vital para crescerem.
No futebol brasileiro quanto mais os clubes investem na área técnica, menos desenvolvem seu negócio. É um paradoxo, mas é nossa realidade.
Os maiores clubes brasileiros em 2007, por exemplo, gastaram R$ 934 milhões com seus departamentos de futebol. Em 2015, os valores atingiram R$ 2,7 bilhões. E quanto mais gastaram, menos qualidade apresentaram.
Custos com futebol
Os investimentos no futebol, bem diferente da Europa não impulsionaram novas receitas. Não há uma visão de retorno sobre investimento.
Isso gerou em aumento substancial dos déficits e crescimento das dívidas, muitas delas resultado dessa irresponsabilidade no aumento dos gastos. Para financiar suas atividades, sem grandes receitas, sempre contraem empréstimos, sonegam impostos e empurram com a barriga suas dívidas para futuras gestões.
Temos vários exemplos de clubes que gastam mais em juros bancários do que em investimento na categoria de base, por exemplo. E essas despesas financeiras estrangularam sua gestão, criando um ciclo vicioso sem fim.
Que resulta no baixo desenvolvimento de toda a cadeia produtiva do futebol nacional.
Os clubes não investem fora do âmbito das quatro linhas, pois consideram ser esse seu principal foco. E esse é o maior erro. Enquanto acharem que isso está correto, não sairemos desse buraco que nos encontramos.
Somado a isso, temos uma deterioração do produto futebol no Brasil, mesmo depois de uma Copa do Mundo e quase R$ 9 bilhões de investimentos em novas arenas.
Isso demonstra que embora tenhamos um mercado gigantesco, somente mudanças radicais nesses conceitos desgastados e antiquados é que sairemos dessa crise, que parece sem fim.
Gestão corporativa, a saída para a crise
Se o mercado brasileiro de futebol quiser evoluir terá que mudar muita coisa e o mais rápido possível.
Atualmente, o modelo político empregado por praticamente 100% dos clubes é o maior obstáculo ao nosso crescimento.
A gestão dos clubes precisa estar alinhada com modernas práticas de governança e gestão corporativa.
E para que as receitas cresçam, teremos que mudar muita coisa no departamento de marketing dos clubes, com a implantação de um marketing esportivo muito mais eficiente, criativo e comercialmente atrativo.

sexta-feira, março 17, 2017

Greve de árbitros no México tem êxito, e atletas são suspensos por um ano

POR LUÍS CURRO
No México, esta semana marcou uma vitória para a arbitragem. E para a civilidade nos gramados.
Uma decisão da Federação Mexicana de Futebol, depois de a categoria ter decretado uma greve que paralisou o campeonato da primeira divisão do país, dará, ao menos isso é esperado, mais segurança aos juízes durante as partidas.
Os árbitros mexicanos suspenderam as atividades na sexta-feira passada, dia 10, devido a acontecimentos dias antes na Copa do México.
O motivo: dois juízes sofreram agressões físicas, em partidas diferentes, ambas em momentos de reclamação dos atletas.
O zagueiro Pablo Aguilar, do América, deu uma cabeçada (de leve) no árbitro Fernando Torres e recebeu o cartão vermelho. O atacante Enrique Triverio, do Toluca, empurrou (de leve) o árbitro Miguel Flores e foi expulso.
Sendo “de leve” ou não, foram agressões, claramente.
E o regulamento da federação do país para a temporada 2017/2018 estabelece, para casos de agressão, que o jogador seja suspenso por um ano.
Não foi o que aconteceu inicialmente. A pena para Triverio foi de oito jogos; a para Aguilar, de dez.
Pablo Aguilar, do América, mostra seu vigor ao marcar Cauteruccio, do Cruz Azul, em partida do Campeonato Mexicano no estádio Azteca (Alfredo Estrella – 25.fev.2017/AFP)
Os juízes não aceitaram, consideraram brandas as punições. E não entraram em campo na rodada do fim de semana passado.
O protesto surtiu efeito. As penas foram revistas, e os atletas, suspensos por 360 dias. Até onde eu sei, as mais severas sanções no futebol por casos de agressão.
Considero o ocorrido um marco no futebol. A atitude dos árbitros mexicanos mostra que aquele velho ditado, “a união faz a força”, funciona, e tem de servir de exemplo para os seus colegas de outros países, especialmente na América do Sul.
Não é nada incomum haver nas partidas reclamações exacerbadas contra marcações da arbitragem.
Jogo sim, jogo sim, jogadores “partem para cima” do juiz, a fim de intimidá-lo. Formam aquele “bolinho”. E existe o contato: com as mãos, com os ombros, com o peito… Intimidado, geralmente o árbitro recua, enquanto, instintivamente, tenta se proteger de avanços brutais.

quarta-feira, março 15, 2017

Profissão de risco: 112 técnicos deixam seus cargos no Brasil e NE lidera a lista

Levantamento mostra grau de instabilidade que os técnicos de futebol sofrem no país; 58,92% das mudanças são de clubes nordestinos e a Paraíba está no topo do ranking


Por 

Vida de técnico de futebol não é nada fácil. Isto nem é mais novidade. Mas, ao que parece, a situação destes profissionais no Nordeste é ainda mais complicada. Levantamento do  GloboEsporte.com mostra que nada menos do que 112 treinadores já deixaram seus cargos entre a pré-temporada e estes primeiros meses de temporada de 2017. A maioria foi por demissão mesmo, ainda que haja casos de acordos entre as partes e pedidos de demissão. O número que realmente chama a atenção, no entanto, é que de todos estes, nada menos do que 66 foram demitidos de clubes nordestinos.
Dado Cavalcanti Santa Cruz x Náutico Copa Nordeste (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)Em regra, os clubes menores demitem mais, mas até o Náutico já demitiu Dado Cavalcanti neste início de 2017
(Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)
O índice é alto. Extremamente alto, na verdade. Nada menos do que 58,92% dos técnicos que perderam seus empregos comandavam clubes da Região Nordeste. E, no topo do ranking dos estados onde a profissão de técnico sofre com maior instabilidade, está a Paraíba, onde 12 profissionais já foram substituídos (numa média de um técnico substituído a cada rodada do Campeonato Paraibano de 2017).
Em nenhum outro lugar do país tantos foram demitidos em tão pouco tempo. No estado, apenas o líder Botafogo-PB mantém desde o início da pré-temporada o seu técnico Itamar Schülle (que, inclusive, é um dos raros treinadores de clube do país que permanece no cargo desde o início do ano passado). 
Itamar Schülle, Botafogo-PB (Foto: Cadu Vieira / GloboEsporte.com)Itamar Schülle é o único sobrevivente dentre os técnicos da Paraíba, o estado que é o campeão das trocas de treinadores
(Foto: Cadu Vieira / GloboEsporte.com)

Na verdade, o lanterna do Paraibano, o CSP, também está sendo comandado desde o início da temporada por um mesmo nome, mas o caso do Tigre é atípico porque o técnico é também o presidente do Conselho Deliberativo, Josivaldo Alves, que a rigor é quem manda na agremiação. Neste caso, portanto, o empregador e o empregado são a mesma pessoa. E acaba que "não pode" ser demitido. Os outros oito clubes da primeira divisão paraibana já mudou de técnico ao menos uma vez, incluindo nesta lista o atual bicampeão paraibano, o Campinense.
Neto Maradona, treinador e taxista  (Foto: Reprodução / TV Paraíba)Neto Maradona é o quarto técnico do Paraíba no ano e, nas épocas de entressafra, se vira como taxista (Foto: Reprodução / TV Paraíba)
No lado oposto, o Paraíba de Cajazeiras já acumula três mudanças. Começou a temporada sendo treinado por Jorge Luís, colocou no seu lugar Paulo Sales, depois mudou para Alexandre Duarte e por fim chegou a Neto Maradona. Este último, inclusive, é talvez o melhor exemplo para debater a instabilidade dos técnicos de futebol em seus clubes. Nos últimos tempos ele vem trabalhando também como taxista, justamente para minimizar os efeitos das incertezas inerentes ao cargo.
- Não mudei de profissão. Continuo sendo técnico. O táxi é apenas uma alternativa, uma opção que a gente precisa ter. Porque na nossa região, o campeonato é curto e as vezes você inicia um estadual, mas não termina. Aqui não tem como eu cair, aqui vou ser permanentemente o treinador da viatura – explicou o técnico/taxista logo quando começou na nova profissão, já preocupado com a “dança das cadeiras” da vida de treinador. 
Aqui não tem como cair, aqui vou ser permanentemente o treinador da viatura" 
Neto Maradona, técnico e taxista
A propósito, um dado curioso: as sete primeiras colocações do ranking de demitidos dos estados são compostos por unidades federativas nordestinas. Além da liderança paraibana, Sergipe e Bahia dividem a segunda colocação (10 mudanças de técnicos cada), Ceará aparece na quarta colocação (com nove mudanças), Rio Grande do Norte em quinto (sete mudanças) e Alagoas e Pernambuco dividem a sexta colocação (seis mudanças).
Dos nordestinos, aliás, apenas o Piauí (com quatro) e o Maranhão (com dois) não estão no topo da tabela entre os piores destinos para treinadores irem trabalhar.
Com relação aos clubes individualmente, dois chamam a atenção. Apenas o sergipano Amadense modificou quatro vezes os seus técnicos. Logo depois aparece o tal Paraíba, com três. São os dois únicos clubes do Brasil que realizaram mais do que duas mudanças ao longo do ano. No Amadense, inclusive, duas das mudanças aconteceram ainda na pré-temporada, antes mesmo da bola rolar.
Clériston usa muleta para se apoiar em campo (Foto: Osmar Rios / GloboEsporte.com)As trocas foram tantas no Amadense que, além das quatro mudanças de técnicos efetivos contabilizadas, até o zagueiro Clériston chegou a ser improvisado na função por um jogo (Foto: Osmar Rios / GloboEsporte.com)

O resto do Brasil
O levantamento toma como parâmetro os técnicos de clubes que estão jogando a 1ª divisão dos diferentes campeonatos estaduais Brasil afora. E, talvez por isso, a Região Norte possua tão poucas mudanças. Isto porque, dos sete estados, em apenas três o campeonato começou: Acre (quatro mudanças), Pará (três) e Rondônia (uma mudança).
MÉDIA DE TÉCNICOS QUE DEIXARAM SEUS CARGOS POR REGIÃO DO BRASIL:

NORDESTE - 
7,33 por estado
CENTRO-OESTE - 4 por estado
SUDESTE - 3,25 por estado
SUL - 2,66 por estado
NORTE - 1,14 por estado
As outras mudanças aconteceram nas três regiões restantes. No Centro-Oeste aconteceram 16 mudanças; no Sudeste, 13; e no Sul, 8. 
Contando apenas os estados de fora do Nordeste, Rio de Janeiro e São Paulo aparecem com cinco mudanças cada, mas nenhum dos oito clubes grandes destes estados (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, São Paulo, Santos, Corinthians e Palmeiras) passaram por mudanças.
Com relação às regiões, inclusive, é bem verdade que elas têm diferentes números de estados, mas mesmo na média o Nordeste lidera com folga. Pois a média nordestina é de 7,33 mudanças por estado, enquanto que o Centro-Oeste, que aparece em segundo lugar de média, tem quatro mudanças por estado. Quase a metade. E como a média nacional fica em 4,14 mudanças de treinador por estado, o Nordeste é a única região que está acima dela. 
* Colaboraram Cisco Nobre, Geovanna Teixeira, Cadu Vieira, Duaine Rodrigues, Vilma Oliveira, Zeca Soares, Gustavo Pêna, André Roca, Diego Madruga, Thiago Barbosa, Fernando Vasconcelos, Bruno Alves, Daniele Lira, Sidney Novo, Elias Roma Neto, Fernando Araújo, Robson Boamorte, Roberto Leite, Jocaff Souza, Ruan Melo, Natacha Albuquerque e Denison Roma.
tabela, ranking de técnicos por estado (Foto: GloboEsporte.com)Os campeonatos de Tocantins, Amapá, Amazonas e Roraima ainda não começaram e nenhum técnico foi demitido nestes estados até o momento (Foto: GloboEsporte.com)