Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

domingo, setembro 14, 2014

6 mitos sobre liderança nos quais você precisa parar de acreditar

Não importa se você tem uma grande ou pequena empresa, o essencial é saber identificar as lideranças para que o trabalho delas possa beneficiar seu negócio

Diego Contezini, Administradores.com

O líder é uma figura essencial dentro de qualquer negócio. Constantemente inquieto e naturalmente ávido por resultados, ele é responsável por conduzir a empresa para um processo de desenvolvimento contínuo. É a liderança quem age para criar na equipe o clima de confiança e satisfação necessário para que todos busquem objetivos comuns.

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Tão grande quanto sua importância é a polêmica instalada em torno da figura do líder. Não importa se você tem uma grande ou pequena empresa, o essencial é saber identificar as lideranças para que o trabalho delas possa beneficiar seu negócio. E isso não é fácil. Há muitos mitos envolvendo essa habilidade, fazendo com que muitas vezes a identificação do talento seja comprometida. Desmistifique o assunto para que a tarefa de encontrar bons líderes na sua empresa se torne mais fácil.

Liderança é um dom

Líderes não nascem prontos, como se fossem possuidores de um dom. Por mais que uma pessoa possa ter predisposição à esta característica, terá de aprender as habilidades essenciais de um líder. Se quiser liderar com sucesso, o profissional terá de desenvolver qualidades como autoconhecimento e disciplina, além de dominar técnicas de relacionamento, comunicação e gestão empresarial, aplicando-as sistematicamente no trabalho de condução da equipe.

Todo gestor é um líder

O gestor de uma empresa deve necessariamente saber administrar e monitorar, direcionando o trabalho dos funcionários. Mas liderar vai além disso. Um líder deve conseguir encorajar a equipe na busca de resultados cada vez melhores. Liderança envolve transformação. Muitas vezes, o líder da empresa não é o dono ou o gerente, mas um funcionário de menor porte. Cabe ao dono identificá-lo e reconhecê-lo.

Líderes sabem mandar

O perfil do chefe autoritário e centralizador ficou no passado. Os poucos profissionais que ainda sobrevivem no mercado com essas características são como dinossauros, com os dias contados. O líder de verdade compreende que seu trabalho deve ser realizado em conjunto com a equipe. Ele confia nos funcionários, sabe delegar tarefas e monitora os resultados com inteligência para que consiga alcançar os melhores índices de desempenho.

Líderes sempre possuem as respostas certas

O líder sabe que não é o senhor da verdade, que não terá as melhores soluções sempre. Ele entende que processos evoluem e que não há conceitos absolutos. O que era bom há um ano pode estar obsoleto hoje. Portanto, valorize a busca por novas informações e o aperfeiçoamento técnico. Em vez de respostas, o líder deve buscar sempre novas perguntas, instigando a curiosidade e a inovação entre a equipe.

Líderes são cercados de servidores e mordomias

A essência da liderança é o serviço. O líder deve servir à sua equipe e à empresa. Profissionais cercados de mordomias e funcionários bajuladores deixam de ser líderes para render-se à ambição e ao deslumbramento do cargo que ocupam e das conquistas do passado. Esses profissionais estão fadados à estagnação. O líder de verdade jamais deixará de trabalhar com presteza.

Líderes são formados a partir de fórmulas preestabelecidas

Líderes são formados a partir de um longo processo de aprendizado e aprimoramento pessoal. Não existem fórmulas mágicas! Muitas pessoas são seduzidas a participar de cursos rápidos de liderança, que prometem mudar a forma como se relacionam com o trabalho e o restante do mundo. Infelizmente, esse tipo de milagre não existe. Se você quer se tornar um líder, tenha em mente que vai desenvolver um trabalho a longo prazo. Saiba que não há escola para isso, você estará sozinho nesse processo. E, sim, será difícil, mas muito compensador.

Diego Contezini é COO do Assas.com, ferramenta que permite que autônomos e pequenos empreendedores emitam cobranças com boletos sem que precisem falar com seus bancos, gerentes ou quaisquer outros fornecedores.


   Refunda seus conceitos sobre liderança.

Ela pode ser em parte inata, em parte adquirida.

O mais que disserem é coisa do passado.” Benê Lima


sexta-feira, setembro 12, 2014

Paulo Ghiraldelli escreve “Compreender Pelé”

Paulo Ghiraldelli*

Edson Arantes do Nascimento, o Pelé

Pelé disse que se ele fosse ligar para as vezes que o chamaram disso ou daquilo em campo, ele não jogava futebol, e que a reação do jogador Aranha diante da gremista, que o chamou de macaco lá do alto da torcida, pode ter sido exagerada. Falando isso, Pelé despertou mais uma vez a ira do movimento negro.

Mais recentemente a casa da gremista foi incendiada. Tudo leva a crer que algum bobo de uma KKK invertida ou então algum idiota de uma KKK autêntica, querendo ver as coisas piorar, fez isso. Não descarta nenhuma hipótese em um país onde o ódio é enrustido. Em qualquer dos casos, o fato autoriza Pelé a pensar “tá vendo, não falei que era exagero, olha aí o resultado: violência”. Alguns diriam: violência verbal gerou agora violência material, quase que no mesmo sentido do que poderia dizer Pelé.

Mas não é por essa via que os problemas de minoria podem andar. Não é Pelé, nessa sua frase, que está realmente em jogo, ainda que seja sim o caso. O problema é o homem da geração de Pelé.

Pelé ama o futebol mais que tudo. Tudo é secundário diante do futebol. Não é para menos. Muitos atletas, músicos, atores, escritores são assim. Amam o que os fizeram gente mais que pai, mãe, classe, nação, justiça, filhos etc. Parar um jogo, para Pelé, é como parar um missa para um padre.  Mais que muita gente, Pelé sabe o que ele seria ou, melhor, o que ele não seria, sem o futebol. Isso não é pouca coisa.

Pelé não vai entender nunca o movimento negro. Mas é uma pena que o movimento negro não possa compreender Pelé. Ora, por que o segundo tem de entender o primeiro sem a recíproca? Por uma razão simples: um movimento social nem sempre é só um movimento reivindicativo, ele é também uma espécie de consciência de grupo. Uma consciência de grupo deve necessariamente ser superior a uma psicologia individual.

Assim, a “consciência negra” tem de saber como Pelé, negro, nunca se sentiu ultrajado – mesmo que tenha sido. Mas Pelé, negro, mesmo tendo sido ministro, não precisa entender que enquanto ele não se sentia ultrajado, outros se sentiam e outros que não sentiam eram objetivamente ultrajados. Seria ótimo que entendesse. Mas Pelé não se torna moralmente reprovável por não entender. Agora, o movimento negro, ao condená-lo publicamente, sem cuidados, mostra ficar aquém de uma “consciência negra”.

Em outras palavras: a “consciência negra” como qualquer “consciência de grupo” é sempre uma consciência filosófica, digamos assim, e por isso mesmo deve possuir um grau de amplitude de pensamento maior e mais sofisticado que a consciência individual psicológica. Se o movimento negro não entende Pelé como quem não foi capaz de perceber o preconceito racial contra ele mesmo e outros (ele não nega que outros tenham sofrido), acaba por condenar muitos avós e pais negros, que, não raro, desconfiavam que houvesse mesmo algo de errado na relação branco-negro no Brasil, mas não achavam que isso era alguma coisa muito ruim.

Goleiro Aranha, vítima de racismo

A passividade dos negros do passado era sem dúvida maior que a de hoje diante de preconceito racial. Não foi da noite para o dia que a libertação dos escravos aconteceu. Aliás, vendo o quanto ainda há negros que são contra a política de cotas, dá para notar como que a libertação, em um nível psicossocial, ainda está longe de ocorrer. O liberalismo simples que nega a necessidade da política de cotas não serve ao negro, o movimento negro diz corretamente isso, mas há negros individuais, hoje, que não conseguem entender que esse tipo de liberalismo é carcomido para eles mesmos. Ora, se é assim, faz-se necessário entender Pelé. Ele não tem 30 anos. Ele é de 1940. Eu sou de 1957. Eu tive uma irmã de criação negra. Eu sei muito bem em que mundo Pelé viveu e obteve sucesso. Eu aprendi a não julgar os negros que não reagiam, principalmente quando era visível que o que hoje é ofensivo não era ofensivo de modo algum para eles. Era para nós, os brancos com vergonha de não terem podido fazer mais justiça do que se tinha!

Pessoas como eu aprenderam a ter vergonha alheia quando algum branco da família falava uma frase racista. E mais vergonha ainda quando via que um negro escutava a ofensa e não a tomava como ofensa. Uma pessoa como eu tinha abertura para conversar isso com negros, e saber subjetivamente que a ofensa nem sempre é reconhecida como ofensa em uma situação onde o status quo vigente parece vir posto pelos deuses, como algo eterno, imutável.

Não estou pedindo que integrantes do movimento negro perdoem Pelé. Estou ponderando sobre o quando o movimento negro, o coletivo, o que fala como “consciência negra”, ganharia se soubesse compreender o mundo de Pelé. Caso essa compreensão não venha, o próprio movimento negro vai estar aquém do “conhece-te a ti mesmo” socrático, e não poderá funcionar filosoficamente da maneira que todos esperamos que um movimento desse tipo, de minorias, possa funcionar. Para termos uma democracia liberal avançada, capaz de proteger e promover minorias, só reivindicações não é o bastante. É preciso saber pensar a história. Principalmente a própria história.

Muitas vezes um movimento de minoria se preocupa demais em policiar membros que ele acredita que deveriam estar ao seu serviço. No entanto, não se empenham muito em ajudar alguém que, estando ao seu serviço, foi caluniado. Já vi negros do movimento negro abandonarem brancos amigos que sempre estiveram do lado do movimento negro, exatamente para não ficarem mal com suas bases. E já vi isso ocorrer também com negros caluniados. Já presenciei muitos negros (e brancos ditos democratas) tirarem o corpo fora na hora de proteger um amigo caluniado como racista, seja este amigo de qualquer etnia.

Já vi muita coisa!

Em termos de democracia e política de minorias já passei por muita coisa a ponto de saber que os mocinhos não são tão mocinhos quanto dizem que são, ao se diferenciar do que dizem ser os bandidos.

*Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo.

O que Pelé disse: “O Aranha se precipitou em querer brigar com a torcida. Se eu fosse querer parar o jogo cada vez que me chamassem de macaco ou crioulo, todos os jogos iriam parar. O torcedor grita mesmo. Temos que coibir o racismo. Mas não é num lugar publico que você vai coibir. O Santos tinha Dorval, Coutinho, Pelé… todos negros. Éramos xingados de tudo quanto é nome. Não houve brigas porque não dávamos atenção. Quanto mais se falar, mais vai ter racismo.” 10/09/2014.

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quinta-feira, setembro 11, 2014

Portal globoesporte.com detona organização local do Brasileiro feminino

Por BENÊLIMA

 

Há um ‘caolhismo’ canhestro em parte da imprensa cearense, rendendo-se à crítica fácil como forma de autoafirmação

 

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Novo uniforme nº 1 do Caucaia

 

Enquanto passamos para as pessoas as melhores imagens do futebol feminino, alguns profissionais de imprensa preferem delirar com pequenos senões de uma categoria que no fundo é amadora e não profissional, embora nem os regulamentos que inter cooperam e são complementares, como são os casos do Regulamento Geral das Competições (RGC) e do Regulamento Específico da Competição (REC), em suas versões válidas para o ano em curso,  admitam que o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino é mais uma competição que possui essa espécie de hibridismo entre o amadorismo e o profissionalismo. Contudo, não vemos nenhum demérito nisto.

 

O olhar que lançamos sobre os eventos, coisas e pessoas tem muito a ver com nossa educação familiar, com nosso treinamento e conhecimento escolar, com nossa capacidade cognitiva,  com nossa cultura, com nossa formação de caráter e com a singularidade e firmeza  da nossa personalidade. Reconhecermos a dualidade dessas coisas e dela abstrairmos a visão meramente maniqueísta constitui um bem inestimável prestado por quem faz comunicação a quem dela se serve através dos seus veículos.

 

O repórter Roberto Leite, do globoesporte.com, achou por bem detonar a organização da partida entre as equipes do Caucaia e do Náutico pernambucano, relatando alguns fatos  que, por sua ótica, mereceram maior destaque que tudo o mais que aconteceu nas dependências do CT Uniclinic, na Lagoa Redonda. Aliás, parece não ter visto ou simplesmente não se interessou por tudo que foi feito naquele empreendimento para recuperá-lo. E foi só por isso que tivemos a referida partida autorizada para o local pela CBF, com a recomendação da FCF. A ideia partiu da direção do Caucaia Esporte Clube, mandante do jogo e em conformidade com o Art. 7º do RGC, é a quem compete providenciar todas as medidas locais de ordem técnicas e administrativas necessárias e indispensáveis à logística e à segurança das partidas, entre outras providências.

 

Como Coordenador do Futebol Feminino da FCF, também na condição de assistente da Ouvidoria do Torcedor Cearense (FCF), como Presidente da Liga Cearense de Futebol Feminino (LCFF), e também na condição de cronista esportivo em plena atividade, prefiro render homenagens a tudo que vi e assisti, sobretudo porque conhecemos a realidade das competições não profissionais, entre as quais a modalidade feminina se insere.

 

Não tenho dúvidas de que as imagens e vídeos por nós realizados se sobrepõem a quaisquer tentativas de solapamento do que tem sido feito para não só manter a modalidade em atividade, bem como para fomentar seu desenvolvimento.

 

CdoBr - Caucaia 0 x 0 Náutico 094

 

Na verdade, senti-me aliviado em ver o bom estado do local do confronto entre as cearenses e pernambucanas, a presença sem atropelos dos componentes da Polícia Militar, a presença dos gandulas devidamente uniformizados e treinados, maca no padrão Fifa, quarteto de arbitragem com reconhecida competência, e todas as providências de praxe tomadas pelos promotores e pelo mandante do evento, o Caucaia Esporte Clube. A propósito, com a vênia da direção do clube mandante, até o que não consta do RGC foi providenciado para que tudo corresse de acordo com as exigências regulamentares. Refiro-me a gorjeta paga a funcionário do empreendimento para que nada faltasse.

 

Ressalte-se que o árbitro central teve o bom senso de chamar para a si a responsabilidade de introduzir duas paradas técnicas para descanso e hidratação das atletas, uma em cada tempo, situação que não deve de modo algum merecer crítica. Primeiro pela autonomia de que o árbitro dispõe em casos como o observado. Outra porque o árbitro cedeu a uma necessidade pontual observada por ele próprio.

 

Destaque-se ainda que o local do jogo registra temperaturas menos elevadas que no PV, local anteriormente marcado para o confronto, e ali há uma brisa constante que atenua os efeitos das altas temperaturas. Portanto, tal mudança não resultou em prejuízo algum para as atletas, muito ao contrário. Ademais, por volta das 16 horas já se verifica sombra em quase metade do campo. A partir das 17 horas, já quase todo o campo encontra-se a sombra, o que melhora ainda mais as condições térmicas.

 

CdoBr - Caucaia 0 x 0 Náutico 120

 

Em se tratando de futebol feminino e não profissional, poucas vezes vimos tamanha organização e providências. O que talvez surpreenda a algumas pessoas é o desconhecimento do funcionamento dessas situações, além da propensão que mantém de raciocinarem por analogia. Desse ponto de vista, eles devem aprender que o alto rendimento profissional do outro gênero (o masculino) é uma coisa; os não profissionais é outra coisa. Portanto, conhecer uma e outra realidade convém a qualquer bom profissional.

 

As imagens por nós produzidas encontram à disposição através do link a seguir:

BRASILEIRO FEMININO

São Paulo fecha parceria milionária para equipar Morumbi com wifi

Clube terá três parceiros para concluir projeto de R$ 6 milhões e ter internet gratuita no estádio

Equipe Universidade do Futebol*

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O São Paulo está próximo de anunciar uma parceria para ceder internet gratuitamente aos seus torcedores. O clube já acertou o modelo de negócio que será seguido e está com conversas avançadas com três empresas que irão gerir o projeto em conjunto. Uma delas é a HP; as outras duas ainda não foram reveladas.

No modelo adotado pelo São Paulo, as empresas ficarão inteiramente responsáveis pela instalação de toda a estrutura no estádio. O investimento gira em torno de R$ 6 milhões e garantirá conexão a todos os torcedores, mesmo quando o Morumbi estiver lotado.

Em troca, as empresas poderão ganhar com publicidade dentro da rede criada. Cada torcedor teria que fazer um cadastro e, nesse momento, há a divulgação de marcas diretamente. O valor recebido seria dividido entre as empresas e o São Paulo.

O contrato não foi assinado ainda porque há duas questões pendentes: a porcentagem de cada parte e o tempo do acordo. Esses são os fatores que determinarão o quanto as empresas envolvidas lucrariam.

Além das três marcas, o São Paulo cogita incluir uma parceria com uma empresa de telecomunicação. Apesar de ter um contrato vigente com a TIM, o clube pode fechar com uma concorrente, já que o acordo com a companhia italiana não inclui essa propriedade.

O acordo deve ser fechado nos próximos dias, e a instalação deve estar completa em novembro. Para 2015, o São Paulo espera lançar um aplicativo específico para ser usado durante os jogos no Morumbi, abastecido com o wifi do estádio.

Fonte: Máquina do Esporte

domingo, setembro 07, 2014

'Não podemos tolerar o racismo', afirma presidente do STJD

Caio Rocha quer discrição dos auditores e rigor nas decisões após a repercussão internacional sobre a exclusão do Grêmio

Marcio Dolzan / Ronald Lincoln Jr. e Silvio Barsetti / ESPORTES / ESTADÃO

Uma decisão de cinco auditores pôs mais uma vez em evidência o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Na quarta-feira, uma das comissões do órgão excluiu o Grêmio da Copa do Brasil em razão de atitudes racistas de alguns de seus torcedores. A medida tomou conta do noticiário esportivo, com repercussão internacional, e ainda deve render bastante, já que o resultado definitivo só será conhecido quando o Pleno do tribunal se reunir, provavelmente no dia 19.

Essa exposição desagrada a Caio Cesar Vieira Rocha, que desde o fim de junho é presidente do STJD. “Toda vez que a notícia de um procedimento do tribunal chega aos jornais traz uma mancha para o esporte, porque significa que uma infração se tornou mais importante do que um gol ou um drible”, disse, na sexta-feira, em entrevista exclusiva.
Durante uma hora, Caio Rocha falou ao Estado sobre violência nos estádios, aumento de ações na Justiça comum e sobre a pena aplicada ao clube gaúcho. “Não podemos tolerar, ser omissos com o racismo ou outros atos discriminatórios.”

Wilton Junior/Estadão
Caio Cesar espera mudança breve no futebol brasileiro

A exclusão do Grêmio da Copa do Brasil é inédita na história do STJD. Por que a decisão?
O ineditismo se justifica pela peculiaridade de ser uma competição de mata-mata. No artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), em regra geral, a pena é de multa de até R$ 100 mil. Em caso de elevada gravidade, o tribunal pode punir, além da multa, com perda de mando de campo ou da quantidade de pontos equivalente a uma vitória - salvo quando a fórmula do campeonato não é pela disputa de pontos. Aí sim se aplicaria a eliminação. Se tivesse acontecido no Brasileiro, haveria a punição da perda de pontos.

Como é calculada a pena?
Varia muito da circunstância do caso, e a análise é feita pelos auditores. Esse mesmo artigo prevê punição para atletas e membros da comissão técnica. É um artigo que abrange toda a espécie de ato discriminatório, não apenas racial - homofóbico, em relação à religião, gênero. Há previsão de punição para os atletas, para os clubes e ao torcedor objetivamente identificado. É um dos únicos artigos do CBJD em que há previsão de o torcedor ser banido dos estádios pelo prazo mínimo de 720 dias (pena aplicada no julgamento de quarta-feira aos torcedores já identificados ou que venham a ser identificados no caso Aranha).

O que leva a crer que decisões unânimes das Comissões Disciplinares possam ser revertidas no Pleno?
O recurso traz ao Pleno a devolução de toda a matéria. O próprio Poder Judiciário prevê sempre o duplo grau de jurisdição. Não diria que é regra, mas muitas vezes acontece de o Pleno proceder de forma mais analítica do que emocional, porque é na comissão que se produzem as provas, que se colhe o depoimento das partes. Não vou dizer que as decisões do Pleno são sempre as mais acertadas, mas abrangem uma responsabilidade um pouco maior porque a partir daí não vai haver uma revisão do âmbito da justiça desportiva.

Imagens polêmicas no perfil do auditor Ricardo Graiche numa rede social resultaram no pedido de licença dele do cargo. Isso mancha a decisão de quarta? (Graiche votou pela punição ao Grêmio)
Toda notícia que sai a respeito do STJD expõe uma imagem que não é a nossa intenção. Se constatada a veracidade do que se apresenta - temos que garantir a ele o benefício da dúvida e o devido processo legal -, haveria uma pequena mancha na credibilidade do tribunal como um todo. Não vai trazer uma mácula em relação ao julgamento de quarta, porque acredito que isso não tenha interferido. Foi por unanimidade, 5 a 0, e ele foi o penúltimo a votar. A situação já estava até decidida.

O novo código de ética do STJD prevê a suspensão do auditor que eventualmente tiver conduta duvidosa?
A conduta do auditor deve ser pautada pela manutenção do decoro, a seriedade na condução do julgamento, certas regras de manifestação em relação à imprensa e redes sociais. Há, sim, um dispositivo de afastamento provisório ou mesmo definitivo.

Como avalia a incidência de violência nos estádios?
É um problema mais sociológico do que esportivo; há violência nas ruas e nos estádios. O STJD tem tomado medidas rigorosas, mas o que chega aqui é um problema já ocorrido. O único meio que nós temos de resolver o problema é aplicando as sanções para servir de alerta a clubes e torcedores.

O senhor defende a extinção das torcidas organizadas?
O problema não é necessariamente as torcidas organizadas, mas a conduta de cada um. Não tenho conhecimento para dizer se é bom ou ruim, nem dados para isso. Talvez os dirigentes dos clubes saibam.

Recentemente o STJD criou a Escola Nacional de Direito Desportivo. Qual o intuito? Há uma lacuna no ensino do direito desportivo no País?
Ela foi criada por alguns fatores. Primeiro, tornar internamente a Justiça Desportiva mais eficiente, ministrando cursos e palestras para promover uma melhora de forma geral. Nada é bom demais que não possa ser melhorado. Não havia uma lacuna, mas uma falta de comunicação principalmente entre o STJD e os tribunais das federações. O segundo ponto é abrir um canal com a sociedade e ministrar cursos para fora (dos tribunais) e profissionais de imprensa.

É um direito do clube acionar a Justiça comum após esgotadas as esferas na justiça desportiva?
É um direito, mas existe um limite sobre a postulação. A Lei Pelé estabelece que a parte condenada na Justiça Desportiva, ao recorrer ao judiciário, não pode discutir os efeitos desportivos da decisão. Por exemplo, um atleta punido com cinco partidas de suspensão. Ele pode entrar na Justiça comum e dizer que o STJD errou. O juiz pode analisar o processo e considerar que o STJD aplicou decisão errada, mas não se pode reverter os efeitos desportivos da punição. Ou seja, as cinco partidas terão de ser cumpridas. Qual o efeito? Ele vai converter em perdas e danos e fazer um cálculo para receber uma indenização da CBF.

Tem havido muitos casos?
Eu fiz um levantamento que me impressionou. Peguei todos os casos, desde a década de 1980, de processos judiciais discutindo a decisão da Justiça Desportiva. Foram mais de 35 - me refiro a um processo da Justiça Desportiva que deu origem a um na Justiça comum; só no caso da Portuguesa foram 200 processos, mas você conta como um. Apurei que na década de 80 houve um caso; na década de 90, dois; de 2000 a 2010, outros dois; e de 2010 para cá mais de 30 casos, sendo 15 no ano passado e 17 só no primeiro semestre deste ano.

A pena para os clubes que entram na Justiça comum com o intuito de reverter decisão do STJD é rigorosa?
Sim, temos dois casos de clubes que foram excluídos do Brasileiro (Icasa-CE e Botafogo-PB).

Não são parecidos ao da Portuguesa?
Sim, são parecidos.

E por que essa punição não foi aplicada à Portuguesa?
Porque a procuradoria não entrou com uma denúncia ainda. Não sei se ela aguarda os julgamentos desses casos. Eu sei que a CBF entrou com uma medida contra a Portuguesa no tribunal de disciplina da Conmebol. O STJD age provocado por uma denúncia da procuradoria; não havendo uma denúncia, não há como agir.

Como o senhor analisa as recentes falhas no sistema de cadastro de atletas da CBF?
Tem atrapalhado um pouco. Todos os casos estão sendo analisados, e havendo infração a procuradoria instaura o inquérito.