Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

terça-feira, julho 19, 2016

Iniciação do futebol é debatida em encontro na CBF

DIOGO NETTO, GERENTE DA CBF SOCIAL / Créditos: Kin Saito / CBF
Nesta terça-feira (19), quando é comemorado o Dia Nacional do Futebol, a CBF Social promoveu um encontro com professores de comunidades do Rio de Janeiro para discutirem sobre a iniciação do futebol e o bem social que o esporte promove às crianças e adolescentes. A CBF trabalha para expandir este projeto por outras cidades brasileiras.
Presente no auditório da entidade para a abertura do workshop, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, falou sobre a importância de conversar, trocar sugestões e estudar possibilidades de colocar estas ideias em prática, uma vez que o futebol tem o papel de complementar a educação dos jovens.
– Esta reunião não é para nós apenas um encontro entre amigos, pessoas que têm experiência para contar. Nós queremos nos banhar da experiência de vocês e trazer isso para a gente transformar, quem sabe, num projeto de educação para o Brasil.
O evento contou também com uma mesa redonda com o gerente da CBF Social, Diogo Netto, e os ex-jogadores Ricardo Rocha, Jairzinho Furacão e Marisa para falarem quais as dificuldades encontradas na época em que jogavam e como o futebol é tratado nos dias de hoje, principalmente nas categorias de base.
O pentacampeão Ricardo Rocha explicou a importância da promoção deste tipo de evento, uma vez que a maioria dos jogadores vem de comunidades carentes e precisam de condições para se tornarem profissionais qualificados.
– É muito importante a CBF trazer estas comunidades aqui para dentro, para conhecer também os problemas que elas têm no dia a dia. Todos os professores adoraram a CBF abrindo este espaço. Isso é muito bom. A maioria dos jogadores de futebol vem de comunidades. A gente qualificando estes professores, eles vão qualificar muito melhor estes garotos – exaltou o ex-jogador.
Quando fala-se em incentivo na qualificação do futebol, hoje em dia o futebol feminino também entra muito forte nos debates. A ex-jogadora Marisa, apontou que o salário recebido atualmente pelas jogadoras da Seleção mostra como as mulheres estão aos poucos conquistando este espaço.
– As meninas hoje que estão entrando para a Seleção, estão de parabéns. Estão recebendo salário que se fosse há uns 10, 20 anos, estavam pagando para treinar, como nós fizemos. A gente só precisa dar um apoio. A CBF, a Secretaria de Esporte, agora estão fazendo um trabalho muito brilhante com a nossa comunidade – comemorou Marisa.
Além da mesa redonda com debates de alto nível, promovidos por pessoas qualificadas, outros assuntos foram debatidos durante o evento. O professor Luiz Roberto Rigolin falou sobre “Analfabetismo Motor e o ensino do futebol”. Depois, Julimar Pereira debateu sobre “Aspectos físicos e motores dos jogos reduzidos para crianças e adolescentes”. Fabrício Vasconcellos palestrou sobre “Futebol como promoção de saúde para crianças e adolescentes”. Monica Alkmim falou sobre “Direitos da Criança e do Adolescente”, e o professor Luciano Alonso encerrou o workshop falando sobre “Dicas para planejar uma aula de futebol respeitando o crescimento e desenvolvimento da criança e do adolescente”.

quinta-feira, julho 14, 2016

A DEMAGOGIA POLÍTICA NO FUTEBOL FEMININO ÀS VÉSPERAS DE MAIS UMA BATALHA OLÍMPICA

Seleção em treinamento (Divulgação) 
O Brasil já conhece o seu grupo de jogadoras para mais uma missão em busca da tão sonhada medalha de ouro. Seleção convocada, nos irmanamos a todos os brasileiros que em verde e amarelo, estarão torcendo pelas nossas meninas. 
A discordância quanto aos critérios de convocação, programação de amistosos e modelo de gestão ficam em segundo plano, quando a nossa equipe entra nos gramados. Mas num ponto sensível, não podemos nos abster. Utilizar a DEMAGOGIA política para reescrever a história e ludibriar quem não acompanha o cotidiano da modalidade, não pode passar em branco.  
Quando a Seleção permanente foi criada, foram inúmeras as matérias destacando o objetivo de manter as nossas principais estrelas no Brasil, com boas condições de trabalho e salários de nove mil reais mensais. As nossas principais equipes foram desfalcadas, e lá partiram as atletas para o Rio de Janeiro. Com o passar dos meses, as atletas foram, sem muito alarde, se transferindo para o exterior, e jovens jogadoras eram integradas a tal equipe permanente. 
Na reta final de preparação, o Brasil descobriu que o grupo que vai as Olimpíadas atua em sua imensa maioria no exterior. Das 18 convocadas, 13 jogam espalhadas por Estados Unidos, Europa e Ásia. Apenas cinco atletas, estavam integradas com a equipe permanente financiada pela CBF. Ou seja, após milhões de reais gastos, a nossa Seleção chegará ao Rio na mesma condição de adversários que não possuíram uma equipe que se pretendeu e divulgou permanente. A craque Marta, como exemplo, não foi liberada pelo seu clube e ainda não treina com a nossa Seleção, enquanto a Austrália já está completa em Fortaleza, se preparando para os jogos no Rio. 
Para justificar o caso, bradaram no anúncio da lista que antes da Seleção permanente as atletas brasileiras não tinha mercado no exterior, e que esta seria uma conquista atual. 
Nas Olimpíadas de 2008, por exemplo, 8 das atletas convocadas estavam atuando no exterior, e sete das 10 remanescentes já tinham tido experiências ou convites de fora do País. E com garra e talento, repetindo os Jogos de Atlanta, conquistamos uma brilhante medalha de prata. Hora então de encarar a realidade, de que mais uma vez vamos aos Jogos com uma preparação inferior a de alguns dos nossos adversários, e de que será o talento, garra e comprometimento das nossas mulheres que buscará aparar as mazelas dentro dos gramados, em busca da tão sonhada medalha. 
Temos que destacar que nunca antes a CBF proporcionou tantos recursos para a nossa Seleção Feminina, e que cabe aos gestores do departamento a responsabilidade pela forma da aplicação destes investimento, que certamente poderemos discutir entre aplausos, caso as nossas meninas se superem, ou em fortes e embasadas cobranças, após as Olimpíadas.  
Dia 23, finalmente veremos em Fortaleza a nossa equipe completa, e o torcedor Cearense poderá com seu calor e entusiasmo repetir o que os pernambucanos fizeram pela Seleção masculina de 94, e carregar de amor e entusiasmo as baterias da nossa Seleção, rumo a tão sonhada medalha. 
Parabéns ao Presidente Mauro Carmelio Junior, ao Benê Lima, e a todos os desportistas que estão empenhados em lotar o Estádio Presidente Vargas. 
Encerro com uma dica para quem hoje se diz gestor da modalidade, de que o mesmo respeito dedicado à geração de prata que consolidou o Voleibol Masculino do Brasil, é devido às nossas guerreiras de Atenas e Pequim. Que a Juliana Cabral, ao lado de outras pioneiras como a Leda Elataf TreinamentoTania Maranhao Silva RibeiroRoseli de Belo e a Marisa Pires continuem opinando, cobrando e lutando pelas novas gerações, e que a demagogia política retorne em breve para aqueles que apreciam a arte dos legisladores, nas Câmaras de Vereadores ou Assembleias do País.
------------------------  
Romeu Castro, por 
Vice-Presidente na empresa Federacao de Futebol de Mato Grosso do Sul, trabalhou como Diretor de Futebol Profissional na empresa Ministério do Esporte, trabalhou como Presidente na empresa MS SAAD Esporte Clube, trabalhou como Diretor de relações internacionais na empresa Sport Promotion Marketing Esportivo, estudou Ciências aplicadas na instituição de ensino National American University, Rapid City, SD, estudou Jornalismo na instituição de ensino Pontifícia Universidade Católica de Campinas, estudou Educação física na instituição de ensino Pontifícia Universidade Católica de Campinas  

.

Diretor do Bom Senso nega que movimento tenha acabado

Diretor-executivo do Bom Senso FC - Época/Divulgação
 
O diretor-executivo do Bom Senso, Ricardo Borges, negou em nota que o movimento tenha acabado,conforme publicou o Painel FC no último sábado (9). 
Borges diz que o grupo "segue seu trabalho pela modernização, transparência e democratização". 
A nota oficial, assinada por Borges, ainda afirma que o Bom Senso assume atualmente uma função de "um centro de mobilização, produção e incidência em temas estratégicos para o futebol melhor para todos". 
Na terça (12), o principal líder da mobilização que começou há três anos, o zagueiro Paulo André, se pronunciou em suas redes sociais e disse que o "novo Bom Senso" não tem razão de prosseguir. 
"Aquele histórico Bom Senso de 2013, sentado no gramado, de braços cruzados, já não existe mais. Um outro, mais organizado, com pautas definidas e equipe de trabalho, funciona desde 2014, com menos holofotes e mais resultados práticos, como o Profut em 2015. Mas o segundo, sem a participação dos principais atletas do país, não faz nenhum sentido, não tem razão de prosseguir", afirmou o jogador do Atlético-PR. 
SEM ATLETAS 
Como mostrou o Painel, nenhum atleta falará mais em nome do movimento, que não mais fará críticas à CBF e aos cartolas. Tampouco cruzará os braços no início dos jogos, como chegou a fazer em novembro de 2013. 
Conforme apurou a reportagem, o principal motivo para que Borges resista a fechar as portas e dar outro nome para esse novo momento é o fato de ter um cargo na APFUT (Autoridade Pública de Governança do Futebol). 
O órgão foi criado ainda no governo da presidente Dilma Rousseff, hoje afastada, e serve para julgar e avaliar denúncias em relação a irregularidades cometidas por entidades que aderiram ao refinanciamento das dívidas, o Profut. 
Ricardo Borges foi o indicado na época. O governo de Michel Temer prometeu manter as indicações. Apenas o presidente da APFUT tem cargo remunerado. 
"A continuidade e reformulação do Bom Senso FC se deve ao desejo de muitos em colaborar por mudanças no futebol brasileiro. A manutenção de um movimento de tamanha legitimidade jamais se daria pelo apego indevido de uma pessoa a um cargo não-remunerado em um órgão ainda nem inaugurado", afirmou o diretor-executivo. 

A luta pelo Bom Senso - por Juca Kfouri

BOM SENSO FC está mudando de rota. Não quer manter uma cara de movimento sindical, caminho meio inevitável quando surgiu devido ao peleguismo das entidades representativas dos atletas. 
Quer atuar institucionalmente, ser um polo de formulação e ações objetivas para transformar o futebol brasileiro, mesmo que, em certas circunstâncias, possa ter posições contrárias às dos jogadores, algo improvável, mas possível. 
O BSFC não nasceu para ser corporativo ou cabide de empregos como, por exemplo, o sindicato paulista. 
Quer, por ser coerente, rotatividade no poder para não virar, de novo como o sindicato, móvel e utensílio de aposentados. 
Paulo André, o zagueiro que virou o maior, embora não o único, símbolo do movimento, está em vias de encerrar a carreira no Paraná e apela que novos profissionais carreguem a bandeira do BSFC. 
A vida é dura como se sabe e é curioso, e deplorável, como é difícil no Brasil fazer dar certo movimentos em defesa de princípios óbvios. 
Além do BSFC, outros dois que acompanho de perto sofrem para sobreviver, embora um lute contra a corrupção e outro, a favor da liberdade de imprensa e dos direitos humanos — a Transparência Brasil e o Instituto Vladimir Herzog. 
Basta ver a operação Lava Jato para perceber por quê. É mais difícil achar uma grande empresa que não esteja envolvida nos malfeitos do que o contrário, assim como políticos e assessores de políticos em geral.
Até colunistas de jornais têm e, de tão cínicos e hipócritas, nem sequer se manifestam em seus espaços, como se as acusações quase diárias não fossem com eles, não é assim? 
O BSFC busca inaugurar uma nova etapa, mais, digamos, pragmática, no bom sentido. 
"Havia um vácuo de oposição propositiva nos debates com as entidades que administram o futebol, assim como sobre legislação e políticas públicas do esporte e o Bom Senso ocupou esse espaço, não pode fugir dessa responsabilidade. 
Porém, a partir de agora o movimento deixa seu lado mais combativo e passa a ser um centro de pesquisa, de projetos e de articulação (think and do tank) entre os entes do esporte, mantendo seu representante na APFut e seguindo seu trabalho nas comissões de futebol da Câmara e do Senado em Brasília por meio de sua equipe de trabalho. Sua vocação ainda é mobilizar jogadores e criar um ambiente propício para mudanças", escreveu Paulo André em rede social. 
Além de cobrar seus companheiros: "Para continuar existindo, é preciso renovar suas lideranças, é preciso que surjam novos sonhadores, assim como nos movimentos estudantis que tão bem fazem ao país. 
Por diversas vezes já lamentamos a falta de engajamento dos atletas de destaque do futebol nacional e a falta de interesse dos 'nossos' atuais ídolos, tão preocupados com suas redes sociais". 
Por coincidência, ou não, Paulo André botou o dedo na ferida das atuais estrelinhas de nosso futebol ao mesmo tempo em que Casagrande fez o mesmo no "Resenha", da ESPN Brasil, ele que, ao lado de Sócrates e Wladimir, deu a cara a bater em período muito pior, na ditadura, pela Democracia Corinthiana. 
Sem mobilização, não há solução. 

quarta-feira, julho 13, 2016

Unifut realiza posse da diretoria na sede da FCF

Na tarde da última terça-feira (12), a Federação Cearense de Futebol sediou a posse da Diretoria do Instituto Unidos pelo Futebol (Unifut).

O Instituto é presidido por Joaquim Alves e nomeu o mandatário da FCF, Mauro Carmélio, como Presidente de Honra. O grupo conta com 17 vice-presidências e realizará reuniões com a FCF no intuito de sugerir melhorias e avanços no futebol cearense.


O Diretor de Patrimônio e Administração de Estádio, Josimar de Carvalho, foi nomeado pela Presidência da FCF como representante da Entidade junto ao Unifut.

Assessoria de Comunicação da Federação Cearense de Futebol
imprensa@futebolcearense.com.br   
Membros da Diretoria Executiva do UNIFUT
O Presidente Kim Alves (à esquerda) e o Vice-Presidente Jurídico, Dennis Luiz
.

Time de meninas passa por grandes de São Paulo e é campeão de torneio masculino


Edson Pirata/Divulgação Copa Moleque Travesso
Um dos principais celeiros de jogadoras de futebol feminino no País, o Centro Olímpico de São Paulo resolveu arriscar. Sem torneios de base para jogar, pediu autorização para disputar a tradicional Copa Moleque Travesso, disputada no Juventus da Mooca. O que ninguém esperava é que a equipe fosse deixar para trás times de camisa como São Paulo, Corinthians, Portuguesa e Flamengo para faturar o título no sub-13.
“Como a diferença física é bem grande, a gente propôs entrar com um time um ano mais velho e eles aceitaram, só uma equipe se opôs. A maioria dos times super apoiou a ideia, disse que tinha que permitir a integração das meninas”, conta Lucas Piccinato, técnico que comandou a equipe na final do torneio, domingo, contra o São Paulo Piloto, a primeira unidade da escolinha tricolor. Tiago Viana, treinador do time, tinha viagem de férias marcada.
Do elenco de 18 jogadoras do Centro Olímpico, sete eram nascidas em 2002, enquanto as demais 11 são da geração 2003. Têm, portanto, a mesma idade máxima dos jogadores dos times masculinos. “Dentro da competição, contra algumas equipes da primeira fase a diferença física prevaleceu. Mas, a partir da semifinal, os meninos eram fortes, alguns até maiores que elas. Nas finais, a parte física não fez muita diferença”, garante Piccinato.
Para o treinador, o título foi consequência do talento das meninas do Centro Olímpico. Se na fase de grupos elas sofreram duas derrotas e só venceram três dos sete jogos, no mata-mata as meninas venceram os dois times dos quais haviam perdido. Fizeram 3 a 1 no Olímpia, escolinha que tem quatro unidades na cidade de São Paulo, e meteram 3 a 0 no São Paulo Piloto na decisão.
Marcella foi eleita a melhor goleira, enquanto Lauren Leal foi apontada como a melhor jogadora da decisão. Tiago, como não poderia ser diferente, ganhou como melhor técnico. Não houve eleição da craque do torneio, ainda que Piccinato garanta que o título também ficaria com o Centro Olímpico.
“Falta competição femininas no Brasil. A gente tem dificuldades de achar torneios em todas as idades, ainda mais no sub-11, sub-13 e sub-15. Sempre acharam que entrar em torneios masculinos era uma desvantagem. Agora, a gente mostrou que não é. Tomara que no ano que vem nos permitam jogar de novo.”

segunda-feira, julho 11, 2016

Organização da Copa São Paulo divulga diretrizes e critérios para disputa do torneio

A competição de base tem início no dia 02 de janeiro e se encerra no dia 25 do mesmo mês
 
FPF / Divulgação 
Foi divulgada na última quinta-feira (7) a resolução da presidência a respeito da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2017. A 48ª edição da competição tem inicio no dia 02 de janeiro, uma segunda-feira, e se encerra no tradicional dia 25 do mesmo mês, aniversário da cidade de São Paulo.

Poderão participar do campeonato os atletas nascidos nos anos de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001 (16 a 20 anos) e que tenham seus registros publicados no BID (Boletim Informativo Diário) da CBF até o dia 20 de setembro de 2016. Para os filiados da FPF, as inscrições dos jogadores devem ser protocoladas até uma semana antes, no dia 13 de setembro.

Os atletas que forem cedidos a outros clubes por empréstimo terão condição de jogo, desde que retornem ao time de origem até o dia 28 de novembro de 2016. Esta é a data limite também para cada clube relacionar através do site da FPF http://extranetclube.fpf.org.br, no máximo 30 jogadores, que não poderão ser substituídos. Já até o dia 02 de janeiro a equipe deve definir os 25 que participarão, bem como suas numerações fixas.

Assim como em edições anteriores, a partir da segunda fase acontecem as mudanças das sedes e a indicação de locais dos jogos, de acordo com critérios de segurança ou técnicos, sendo de competência exclusiva do Departamento de Competições da FPF. 

Ex-capitã da seleção brasileira chefiará novo departamento feminino da FPF

Foto: Rodrigo Corsi/FPF
 
A Federação Paulista de Futebol anuncia a criação de seu Departamento de Futebol Feminino. Para comandar a área, foi contratada a ex-capitã da seleção brasileira Aline Pellegrino. 
“É um dever da FPF olhar com atenção para o futebol feminino, assim como já fazemos com o masculino. A chegada da Aline Pellegrino colocará o esporte em outro patamar. Nossa intenção é contribuir para o fomento da modalidade e ampliar o diálogo com os clubes sobre as necessidades do futebol feminino. Queremos dar uma nova cara ao esporte, e nada melhor que uma profissional que já atuou como jogadora, técnica e dirigente para dar diretrizes a esse desafio”, afirma o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos. 
Aline integrou a seleção brasileira que conquistou a medalha de prata na Olimpíada de Atenas, em 2004. Também foi campeã do Pan-Americano de 2007, no Rio. Aline atuou como treinadora em 2013, logo após se aposentar dos gramados. Em 2016, assumiu a supervisão do futebol feminino do Corinthians/Audax. 
“Para mim é uma honra ter a chance de contribuir para a melhoria do futebol feminino em São Paulo. Quero, aqui na FPF, entender a realidade de cada clube e suas necessidades para podermos tornar o esporte sustentável, dando calendário para times e atletas. Minha primeira missão é reunir com clubes, atletas e comissões técnicas para estruturar um plano de fomento do futebol feminino”, diz Aline Pellegrino. 
Na FPF, a ex-capitã da seleção brasileira estará ao lado do também ex-capitão da amarelinha, Mauro Silva, vice-presidente de Integração com Atletas da entidade, que já vem realizando visitas aos clubes desde julho de 2015. 
“O futebol feminino precisa de uma atenção especial, e é isso que vamos dar aqui na FPF”, completa Aline.

Times das Séries A e B se reúnem em São Paulo e não descartam assumir Brasileiro

 Marcus Alves, de São Paulo (SP), para o ESPN.com.br  
CBF/DIVULGAÇÃO   
Com convites encaminhados aos 40 membros das Séries A e B, será realizada no início da tarde desta segunda-feira, em São Paulo, uma reunião que pode sacramentar a criação da associação brasileira de clubes. Não está  descartada nem mesmo que ela assuma, inclusive, a organização do Brasileirão e deixa a CBF a cargo apenas das seleções nacionais. 
A princípio, somente três times não confirmaram presença: Vasco, Oeste-SP e Bragantino-SP. 
"Não é cedo (para assumirmos a competição). A lei do Profut mudou a Lei Pelé e exige que os clubes participem de toda a assembleia da CBF. Se está na lei, a CBF tem de cumprir", afirmou o presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares.  
A iniciativa surgiu a partir das conversas para a Liga Sul-Americana de clubes, que teve confirmada a entrada de 12 representantes do Brasil. 
Seria, então, lógico que houvesse um órgão representando no futebol local.
Eles não refutam a tese de que seria uma espécie de novo Clube dos 13.  
"À tarde, resolvemos aproveitar o dia e fazer uma reunião dos clubes das Séries A e B para a gente pensar em associação brasileira de clubes. Já estão criando a associação sul-americana, irão instalar a sede no Uruguai, é uma coisa que precisa para o futebol sul-americano desenvolver mais a participação dos clubes junto das grandes associações nacionais", explicou Gilvan.  
"Aqui, no Brasil, também será importante, tenho certeza disso porque a gente pode participar de assuntos importantes dentro do futebol porque não pode deixar só por conta da CBF resolver os problemas. Nós somos os principais interessados em todos que existem no futebol brasileiro, e são muitos. Pensamos que através de uma associação podemos dar um passo nesse sentido de ajudar a CBF também", concluiu. 
Antes do encontro entre os clubes, acontece a assembleia geral da Primeira Liga para definir o seu calendário para 2017. 
 

sexta-feira, julho 08, 2016

Universidade do Futebol] Dois anos depois do 7×1 deles

Arthur Sales 


“Gol da Alemanha”, “virou passeio”, “7 x 1”… Expressões que se incorporaram à fala do brasileiro após o dia 8 de julho de 2014. A derrota histórica imposta pelos alemães em pleno Mineirão escancarou o que muitos já haviam diagnosticado: o futebol brasileiro parou no tempo.
Nessa sexta-feira completam-se 2 anos do maior vexame esportivo do futebol brasileiro. Passado o baque, assentada a poeira, o que vem sendo feito para colocar o futebol brasileiro no caminho certo?
Os algozes do Brasil também tiveram seu 7 x 1. Na Eurocopa de 2000 os alemães foram eliminados na primeira fase com apenas um empate e na última colocação do seu grupo. Antes disso 3 a 0 contra a Croácia e eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo da França em 98 e a vergonhosa goleada sofrida por 5 x 1 em Munique contra a Inglaterra nas eliminatórias para o Mundial de 2002. Insucessos talvez não tão traumatizantes quanto a goleada no Mineirão, mas suficientes para convencê-los de que algo por lá estava errado.
Começava o plano para a transformação do futebol alemão.
CATEGORIAS DE BASE
Em 28 de fevereiro de 2001, oito meses depois da eliminação alemã na Euro, a assembleia geral da Deutsche Fussball Liga – DFL, associação de clubes que organiza a Bundesliga, decidiu que a implementação de academias para desenvolver jovens talentos seriam obrigatórias para todos os clubes que disputassem a Liga. Na temporada seguinte, a exigência passaria a ser obrigatória também aos times da segunda divisão.
A realização da Copa de 2006 no país facilitou a adequação dos clubes que aproveitaram o momento propício para viabilizar suas instalações às novas exigências com o aumento do interesse público e privado em projetos ligados ao futebol.
Após 15 anos do início do plano, o investimento no desenvolvimento de jovens talentos, que permitiu melhorar a qualidade do jogo alemão, ultrapassou 1 bilhão de euros.
Atualmente a DFB é a maior associação esportiva nacional do mundo. São em torno de 6,8 milhões de futebolistas registrados em quase 26 mil clubes. Entre as temporadas de 02/03 e 15/16 a Bundesliga viu a média de idade de seus jogadores cair de 27,1 para 24,5 anos sendo que na primeira temporada analisada 50%   deles eram alemães e na última temporada o número subiu para 66%, ou seja, são mais alemães e mais jovens disputando as partidas do campeonato alemão. Realidade que ajuda a diminuir os custos com transferências e salários.
Bundesliga - Participação de Alemães Bundesliga - Média de Idade
FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS
A DFB – Federação Alemã de Futebol – teve e tem papel importante no processo de reestruturação do esporte no país. Uma das medidas implementadas desde 2001 é ministrar cursos para professores de educação física com o intuito de capacitá-los na identificação de talentos, mais de 20 mil foram qualificados entre 2001 e 2011.
Depois da péssima campanha de 2000, com apenas um empate contra a Romênia e derrotas para a Inglaterra e Portugal, a prioridade era mudar o jeito alemão de jogar. Para isso era necessário formar técnicos com uma nova visão moderna do jogo e do treinamento, intercâmbios com países e culturas considerados referências no desenvolvimento do futebol e do esporte.
DIREITOS DE TV
Em 2001 os direitos de televisão passaram a ser negociados pela DFL. O mais recente acordo negociado pela liga trará aos cofres dos clubes 4,64 bilhões de euros pelos direitos de transmissão das temporadas 17/18 até 20/21, um incremento de 85% ao acordo anterior.
A BUNDESLIGA
Bundesliga - Presença de Público
Bundesliga - Ranking de Ligas UEFA (1)
NO BRASIL
Achar que a grama do vizinho é sempre mais reluzente que a do próprio jardim, e dizer que não tivemos quaisquer impactos é fechar os olhos para o que se é feito no país.
Para João Paulo Medina, criador da Universidade do Futebol, a principal lição tirada do 7 x 1 foi justamente de que é preciso pensar o futebol: “Não entendo que foram 2 anos perdidos. Serviu para um movimento de conscientização, de maior clareza da sociedade sobre as necessidades que nós temos. Pelo menos hoje já não se fala mais que não temos que aprender nada com ninguém” e pontua alguns itens que precisam de mudanças mais contundentes do que as que ocorreram de 2014 para cá. “OArcabouço jurídico dos clubes e federações, que é antiquado e antidemocrático. A Segurança e presença de público nos estádios, oportunidade e obrigatoriedade de formação profissional, um calendário produtivo e mais racional, que hoje só atende aos interesses de poucos. E, por fim, mas não menos importante, a qualidade do jogo em relação a outros países que se desenvolveram mais do que nós nas últimas décadas”, analisa.
Para Eduardo Conde Tega, CEO da Universidade do Futebol, é preciso modificar a estrutura do futebol em todas as suas dimensões: “Não adianta fazer um comitê de reforma da CBF pra não mudar o essencial e priorizar só o topo da pirâmide. [o 7 x 1] É uma oportunidade para atacarmos vários problemas críticos que impedem o nosso desenvolvimento”, destaca.
Tudo o que foi feito na Alemanha não pode ser simplesmente copiado, muito menos em um país continental e multicultural como o Brasil. Alguns dos indicadores destacados acima, como a redução da idade dos jogadores da Bundesliga ou o aumento da média de público da competição mostram que a caminhada é lenta e gradual, os resultados começam a aparecer depois de alguns anos, não existe fórmula, nem pensamento mágico.
Medina destaca uma conversa que teve com um grande executivo da DFB no ano passado, ao questioná-lo em quem a Alemanha havia se inspirado para criar o plano para o seu futebol.
Após confessar que ninguém havia feito essa pergunta antes, o executivo respondeu da seguinte forma:
“Na organização de eventos e mídia, os EUA. Eles são imbatíveis nisso.
Na atenção aos detalhes, nos japoneses. Nós alemães damos focos às coisas, mas os japoneses conseguem ser ainda mais detalhistas.
Em tecnologia e controles metodológicos: a Bélgica. São uma grande referência neste assunto.
Nas infraestruturas de treinamento para os jovens talentos, a França.
E no Brasil, para a alegria e descontração de jogar futebol.”
Uma aula de humildade que ensina muitas lições. Principalmente que podemos nos inspirar em toda escola que tenha contribuições ao nosso jogo, dentro e fora de campo.
Para transformar o futebol brasileiro será preciso planejamento, competência, integração, qualificação e, principalmente, vontade política para trabalhar os interesses do futebol brasileiro.

Chefe da seleção conta bastidores pré 7x1: "Neymar na UTI de avião chocou"




Napoleão de Almeida
Especial para o UOL, em Curitiba

  • Comissão técnica dá entrevista depois do 7 a 1. Andrade está ao lado de FelipãoEduardo Knapp-9.jul.2014/Folhapress
    Comissão técnica dá entrevista depois do 7 a 1. Andrade está ao lado de Felipão
Há dois anos, um homem descia as escadas dos camarotes do Mineirão para os vestiários com a missão de botar os atônitos 23 jogadores e a comissão técnica nos eixos. Eram pouco mais de 19h e a Alemanha acabara de aplicar a maior derrota da história do esporte contra a seleção brasileira.
Ex-presidente do Coritiba, o advogado Vilson Ribeiro de Andrade era o chefe da delegação brasileira na Copa 2014. Aos 67 anos, tendo enfrentado um câncer, confessou: "Foi o caminho mais longo da minha vida."
Longe do futebol desde que deixou a presidência do Coxa ao final de 2014, Andrade recebeu a reportagem em seu luxuoso escritório no coração de Curitiba para uma conversa de mais de uma hora sobre o 7 a 1. E falou sobre a famosa carta de Dona Lúcia: "Foi um erro do Professor [Parreira]."
O Neymar veio numa espécie de UTI móvel dentro do avião. Ele tinha muitas dores... Aquilo abalou muito o grupo."

Imagem: Reprodução: Clique acima para ver imagens e textos
Dois anos depois, por que o Brasil levou 7 a 1?
O 7 a 1 começou bem antes. Quando estivemos na Copa das Confederações, vencemos um torneio mais simplificado e nós acreditamos naquela seleção. Felipão confiou muito naquela equipe e fomos para a Copa com uma esperança muito grande. Mas durante a Copa nós tivemos jogadores com muitas dificuldades. Não estavam no mesmo nível de antes. E o jogo contra a Alemanha foi inexplicável. Você pode assistir o jogo quantas vezes quiser, sob qualquer ponto de vista, ninguém entende.
A noite (pós o 7 a 1) foi muito difícil. Eu não dormi, o meu quarto era ao lado do Felipão. Eu ouvi soluços do Felipão"
Quando você diz que "jogadores não estavam no mesmo nível", você diz tecnicamente?
Sim, os jogadores que vinham bem nos campeonatos europeus chegaram a seleção e tiveram dificuldade de entrar no nível que a competição exigia.
E o 7 a 1?
É difícil... nós tivemos um início difícil na Copa e entendíamos que iriamos crescer na competição. Todos os clubes são assim. O Brasil de 70, que foi a que começou num nível bom e terminou excelente. Todas as demais seleções do penta começaram meio mal e foram crescendo. Em 2014 nós entendemos que depois da primeira fase a equipe cresceria. Mas aconteceu o inverso. Tivemos aquela partida fatídica em que o Neymar se machucou [nas quartas de final, contra a Colômbia], foi uma contusão seríssima... e depois um cartão bobo para o Thiago Silva... e prejudicou o nosso grupo. A entrada do Dante era normal, porque ele era o reserva imediato. Mas tem determinadas coisas que a torcida talvez não saiba.
Quais?
Antes do jogo contra a Alemanha, uns dois dias antes, nós tivemos um jantar, eu e o Carlos Alberto Parreira. Ficamos um tempo conversando. Com a contusão do Neymar, eu perguntei pra ele: "Parreira, o que você acha que o Felipão vai fazer contra a Alemanha?" Aí ele disse, "Olha, não sei, cabeça é dele... mas acho que ele vai povoar o meio. Talvez ele entre com o Ramires, talvez ele fortaleça o meio." Na preleção, o Felipão foi alertado pelos assessores de que 80% dos gols da Alemanha saiam de bolas aéreas. E eles tinham uma saída pela lateral, o lateral [Phillip Lahm] deles apoiava muito, saía muito. Nós mostramos os gols da Alemanha. Repetimos oito vezes o vídeo de uma jogada em que eles faziam uma espécie de uma barreira na área e jogavam a bola no segundo pau, para alguém fechar e finalizar sem marcação. Oito vezes. E nós levamos o primeiro gol da mesma forma. Então... o treinador alerta! Mas se o jogador não cumpre, é complicado.
Felipão levou jogadores que já não estavam tão bem e deixou outros que mereciam ir."
E a escalação?
Ah, no dia seguinte o Felipão se fechou com o grupo, nós não entrávamos. No ônibus eu sentei ao lado do Murtosa e perguntei quem ia entrar no lugar do Neymar. 'Vai entrar o Bernard', ele me disse. Aí eu falei, 'Pombas, o Felipão tá convicto disso?', no que ele me disse, 'Sim. Primeiro porque a gente tem que ganhar. Segundo porque o lateral deles sobe muito, o Bernard é veloz e vai jogar nas costas dele.' Confesso que ali eu não falei nada. Mas fiquei preocupado. O forte da Alemanha era o padrão de jogo, uma operação tática consistente com um meio-campo muito forte. E eu achei que a gente estaria vulnerável no meio. Lamentavelmente, levamos aquele primeiro gol da forma que foi, com tudo que foi dito, explicado, repetido... e aí foi um desastre em cinco minutos. Levamos mais quatro.
Já tinha visto algo assim em futebol profissional?
Olha... nem nas minhas peladas. E eu estava com o chefe da delegação alemã, porque antes do jogo nós íamos até o camarote e fazíamos a parte diplomática. A partir do segundo gol ele começou a ficar constrangido, olhando pra mim. Um olhar... bem, no primeiro gol ele vibrou, no segundo também. Mas no terceiro já não vibrou mais. Ele só olhava pra mim e dizia, 'Sorry, sorry', um sentimento de tristeza por que achava que era uma humilhação. E era mesmo. Dentro do conceito europeu, menos passional, mas equilibrado, não como nós latinos, ele pedia desculpas pra mim. No segundo tempo ele saiu de perto de mim, deixou um assessor. Ao final, veio e apenas me abraçou [N.R.: Vilson Andrade mareia os olhos ao contar], e eu com os olhos com lágrimas. E aí eu desci para o vestiário e foi o caminho mais longo da minha vida. Muito triste.
Uma das pessoas que eu senti que estava muito abalado, mas abalado mesmo, foi o Júlio César"
Você falou em passionalidade. Foi uma Copa com muita pressão em cima dos jogadores. O que faltou para controlar isso?
Primeiro eu acho que a nossa seleção era muito jovem. Embora alguns tivessem experiência na Europa, era jovem. Depois a contusão do Neymar e a viagem dele com a gente para a Granja Comary. Foi uma decisão de toda a comissão técnica e da diretoria da CBF naquele momento, mas foi equivocada.
Por quê?
Porque ele... claro, ali eu concordei também, mas ele veio numa espécie de UTI móvel dentro do avião. Ele tinha muitas dores. E aquele aspecto, como os jogadores não podiam vir todos pela limitação de espaço, e vinham dois a cada vez ver ele, aquilo abalou muito o grupo. O nível de pressão, de exigência... a obrigação de ganhar uma Copa do Mundo em casa, e um problema do jogador que era símbolo para todos, com uma contusão gravíssima, em que ele correu risco de ficar tetraplégico, aquilo tudo abalou. Agora... eu nunca vi, num jogo de futebol, você ter assim todos os jogadores muito mal. Foram cinco minutos nos quais todos os jogadores se perderam. É impossível. Às vezes você tem um erro individual, o goleiro ou um zagueiro falham. Mas o time inteiro falhar e ficar amortecido, é inexplicável. Depois do jogo eu entrei no vestiário e o sentimento dos jogadores era de revolta com eles mesmos. Não era apenas tristeza, era um sentimento de revolta, de raiva deles mesmos. De um estar tomando banho aos prantos e berrando de ódio, outro revoltado consigo mesmo.
Eddie Keogh-8.jul.2014/Reuters
David Luiz chora após o 7 a 1
Quem te chamou mais a atenção nessas reações no vestiário?
Uma das pessoas que eu senti que estava muito abalado, mas abalado mesmo, foi o Júlio César. Ele estava desolado. Embora tenha sido o cara com a cabeça mais bem feita pra falar com o grupo. O David Luiz então, esse estava inconsolável. Todos, todos, todos... é difícil dizer se alguém estava mais tranquilo. A ida para o ônibus, a viagem pra Granja... um martírio. A noite foi muito difícil. Eu não dormi, o meu quarto era ao lado do Felipão. Eu ouvi soluços do Felipão. Levantamos para tomar café, ele estava arrasado.
Ele botou o prestígio em jogo...
É... e aí tomamos uma decisão de irmos todos fazer a coletiva. Toda a comissão técnica. E isso vai ficar marcado para o resto da vida. Foi uma vergonha. Os jogadores se superam, uma vitória depois da outra, vai superando... Mas para o Felipão e Parreira, pessoas que tinham algo a perder, foi muito difícil.
Eu acho que faltou um pouquinho mais de malandragem (na semifinal)"
Voltando ao Neymar, como foram os momentos seguintes da contusão dele?
Eu tive uma reunião com o doutor [José Luiz] Runco, que tinha ido a uma clínica especializada para montar a UTI no avião. E ele me chamou e disse, 'ele tá fora'. Falamos com o pai dele, mostramos as radiografias e ele se convenceu que não tinha condições. Ele estava com muitas dores. Dormiu na Granja e no outro dia apareceu na cadeira de rodas para tomar café com o grupo...
Leo Correa-5.jul.2014/AP
Neymar deixa a Granja Comary de helicóptero
Na cadeira de rodas? Isso não chocou o grupo?
Chocou. Chocou sim. Você sabe, eles são jovens e vivem do corpo. Não tem uma estrutura de chegar, olhar e dizer, "amanhã ele já está andando". Eles são muito preocupados com essas coisas. Eu tive um caso no Coritiba com o Triguinho. O jogador fraturou a perna pouco antes do fim do contrato. Renovamos o contrato dele no hospital, por que era a única forma de tranquilizar o atleta e a família. Ele depois foi embora, mas deixou um clima muito pesado para todo mundo.
Você mantém contato com a comissão técnica?
O Felipão é um amigo muito querido. Essa coisa de Felipão bravo, não existe. É um cara exigente, mas muito amigo e leal. E talvez tenha pagado o preço por essa lealdade, levou jogadores que já não estavam tão bem e deixou outros que mereciam ir.
Nossos técnicos não são estudiosos, são ex-jogadores que evoluíram para esse cargo na carreira. Uma exceção é o Tite."
Quem por exemplo?
Acho que embora o Henrique [zagueiro, hoje no Fluminense] fosse homem de confiança dele, o Miranda estava muito melhor. E aí não teríamos jogado com posições trocadas quando o Dante entrou. O Miranda casaria melhor com o David Luiz, que saiu da posição dele.
O David Luiz acabou marcado como um dos símbolos dessa derrota. Havia descompromisso dos jogadores?
Não, descompromisso não, de forma alguma. Eles eram meninos, né? Meninos alegres, com uma visão... não infantil, mas de pessoas felizes, de estarem ali defendendo o país, com o carinho da torcida... para eles era uma alegria.
Faltou um "bandido" naquela seleção?
Eu acho que faltou um pouquinho mais de malandragem. Por exemplo, quando saiu o segundo gol, o Júlio César poderia ter simulado uma contusão, esfriado o jogo. Ele tinha ali dois minutos para colocar as coisas no lugar, para o Felipão ter oportunidade de fazer alguma coisa. Mas não. Tanto é que o segundo tempo foi diferente. 'Ah, mas estava 5 a 0', mas não importa: foi 2 a 1, mas o Brasil criou, pressionou mais. Eles deram três chutes a gol. Faltou essa malandragem de esfriar o jogo. Nós levamos 2 a 0 e corremos para o meio para sair para o jogo. Aí o Fernandinho errou, saiu o terceiro. Corremos de novo, erramos de novo, saiu o quarto. Quer dizer, não é assim que se faz futebol. É inteligência, tem que respirar.
FRANCOIS XAVIER MARIT-8.jul.2014/AFP
Julio Cesar durante a semifinal contra a Alemanha
O Felipão subestimou a Alemanha?
O futebol brasileiro sempre foi criativo, alegre, técnico. Mas enfrentou uma Alemanha que se preparou 12 anos para esse título. E nós nos preparamos seis meses, nem isso. Então esse foi o maior erro. Se você pegar individualmente os brasileiros, duvido que qualquer seleção seja melhor que a do Brasil. Temos jogadores excepcionais. O que nos falta é padrão técnico, com raras exceções. Nossos técnicos não são estudiosos, são ex-jogadores que evoluíram para esse cargo na carreira. Uma exceção é o Tite.
É o melhor nome para a seleção?
Eu acho que sim. Ele se preparou para isso. Quando foi escolhido o Dunga, já foi um equívoco da CBF. O Tite viajou, estudou. Técnico da seleção não pode ficar só no local, tem que estar em sintonia com o mundo. Acho que, com o Tite, vamos ter essa oportunidade. A safra é boa. Veja aí Gabriel Jesus, Lucas Lima, Gabriel... estamos revelando, mas precisamos jogar como equipe. A Alemanha só foi campeã do mundo por que tinha padrão tático.
Na final você torceu por quem?
Pra Alemanha, claro. Não dá para torcer pela Argentina (risos). Até por que se a Argentina ganha ia ganhar uma seleção que mostrou um futebol feio. A Alemanha merecia.
A gente falou de como o futebol alemão se desenvolveu e como o Brasil perdeu essa oportunidade pós 7 a 1. Você foi dirigente de clube. Hoje nós temos um presidente da CBF indiciado pelo FBI e nada parece mudar. Por que a CBF não sentiu os 7 a 1?
Eu acho que sentiu, sim. O problema mesmo é a estrutura do futebol brasileiro. Eu fui presidente de clube por paixão. Não conhecia o sistema do futebol. E a lei tá equivocada. Hoje temos dois problemas graves. O primeiro deles é a forma de eleger os presidentes das federações. Não tem voto de qualidade. Um clube amador ter o mesmo poder de voto do Coritiba, do Atlético, é um absurdo. Os amadores elegem os presidentes das Federações, que elegem o da CBF. Foi uma briga muito grande pra melhorar isso, agora com os 40 clubes das séries A e B votando com as 27 federações.
Mas na primeira eleição, mantiveram Del Nero.
Porque havia ainda uma dependência muito grande de alguns setores do futebol. Por exemplo, ninguém sobrevive sem a verba da televisão. Eles investiam até 2014, quando saí do futebol, 1,8 bilhão de reais. Essa dependência cria um sistema de que, como o presidente tem mandatos de 3, 4 anos por conta da Lei Pelé, ele quer é ser campeão e ir embora. Isso é um erro. Os clubes precisam ter independência. E a Lei Pelé tirou o passe, com o qual ninguém concordava, ninguém quer aquela escravidão, mas tirou e deu para o empresário.
O jogador jogou para o empresário.
Mas jogou por que ele não tem proteção nenhuma. Se você analisar, o jogador vem jovem, você tem apenas 20 clubes privilegiados. Tem jogador que não ganha salário mínimo. A média nacional de salário não dá nem mil reais. Da Série B em diante é só prejuízo.
Esse é um discurso afinado com o que o movimento Bom Senso prega. Você trabalhou com Alex, um dos líderes desse movimento. Por que o Bom Senso não vingou?
Porque eles defendiam alguns interesses de uma determinada classe. O calendário, por exemplo. Há reivindicações justas, mas eles queriam que os clubes jogassem X jogos, e não que os jogadores individualmente fizessem X partidas. Os clubes precisam jogar para faturar. Os clubes admitiriam que o jogador tivesse limites de jogos, mas os clubes não. Afinal os clubes precisam dos eventos para faturar. Eles queriam acabar com os estaduais. Você precisa reformular, deixá-los com times até 23 anos, sem os clubes da elite, para manter revelação. O Coritiba teve prejuízo de 2 milhões num dos estaduais comigo. Aí o Estadual passa a ser cabide de emprego para veteranos e não revela mais. Isso é ruim para o futebol brasileiro.
E como isso reflete nos 7 a 1?
Você não tem a proteção aos clubes formadores. É o maior pecado da Lei Pelé. Você investe muito no jovem e ele vai embora quando começa a despontar.
Você vendeu o lateral direito Abner, que era da seleção, antes dele jogar pelo profissional do Coritiba.
Por que os clubes precisam de receita. A melhor é a venda de jogadores. A bilheteria é um desastre, os clubes não mantêm, tentam com os sócios de todas as formas. Você tem produtos, patrocínios na camisa e, principalmente, a TV. Então a venda é buscar alternativas. Nós tínhamos 40% do passe dele, fizeram uma oferta irrecusável e ele está tentando se recuperar de uma contusão no Real Madrid B. Ele é talentoso, mas vai terminar a formação na Europa.
Pra gente encerrar: e a carta da Dona Lúcia?
[Silêncio]...Ah, eu nunca vi, se existiu ou não, eu não sei. O Parreira chegou com aquilo na coletiva... foi um erro do Professor, um erro (risos).