Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quinta-feira, julho 30, 2015

Série B vai à Globo por dinheiro da Série A e limite a Flamengo e Corinthians

Camila Mattoso, de São Paulo (SP), do ESPN.com.br

Um grupo de representantes da Série B vai se reunir com a Globo na quinta-feira da próxima semana para pedir mudanças ao futebol brasileiro. Presidentes do América-MG, do Náutico, do Paysandu e do Atlético-GO estarão presentes no encontro. A pauta envolve uma série de assuntos, mas o principal será sobre as cotas de televisão.
ESPN.com.br teve acesso ao estudo feito pelos dirigentes sobre o tema, apresentado nesta terça-feira na CBF, que mostra todo o cenário da divisão do dinheiro da TV no Brasil e no mundo. O documento destaca o abismo que existe entre a primeira e a segunda divisão e propõe alterações: além de pedir uma redistribuição para a Série B, a proposta atinge também a Série A.
De acordo com a pesquisa feita por esses clubes, há três grupos no futebol atualmente: 
- Grupo I: clubes com contrato de longo prazo com a TV, que inclui a maioria dos times da Série A e tem um valor total de R$ 930 milhões, estimado.
- Grupo II: clubes que disputam a Série A em 2015, com contrato de um ano com a TV e tem um valor total estimado em R$ 100 milhões.
- Grupo III: clubes que disputam a Série B em 2015, com valor total de R$ 51 milhões (cada um ganha R$ 3 milhões).
Clubes da Série B fizeram um estudo sobre o tema das cotas de televisão© ESPN.com.br Clubes da Série B fizeram um estudo sobre o tema das cotas de televisãoDiante deste cenário, o grupo propõe algumas sugestões, que vão diretamente contra a situação que hoje tem Flamengo e Corinthians, os que mais recebem da Globo.
A partir de 2016, os dois passarão a ganhar R$ 170 milhões ao ano, cada um. Juntos, portanto, R$ 340 milhões. O valor que a dupla tem direito representa 26% do total que a TV paga aos 18 times que faziam parte do Clube dos 13.
a) Limitar o percentual do time que mais recebe em relação ao total em no máximo 10%;
b) Limitar a razão do time que mais recebe em relação ao time que menos recebe em 4 vezes;
c) Limitar o percentual da soma dos cinco times que mais recebem em no máximo 40%;
d) Limitar o percentual da soma dos dez times que mais recebem em no máximo 65%.
Além desses itens, a proposta dos clubes da Série B é para que a negociação com a TV volte a ser feita em conjunto, após o contrato vigente, e não mais separadamente, como acontece hoje em dia. 
Enquanto os atuais acordos não acabam, o grupo formado pelos times da segunda divisão pedem mudanças imediatas para conseguirem se ajeitar. 
a) Manter o valor de R$ 3 milhões para cada clube;
b) Acrescentar um valor de R$ 100 mil para cada posição no ranking dos 17 clubes, ou seja, o último do ranking recebe R$ 100 mil, o penúltimo R$ 200 mil, assim sucessivamente até o primeiro, que receberá R$ 1,7 milhão, para a temporada 2015.
c) Acrescentar da mesma forma acima um valor de R$ 100 mil de acordo com cada posição do último campeonato da Série B, para a temporada de 2015.
"Nós apresentamos hoje um estudo. O grupo foi criado há um tempo e essa foi a primeira vez que encontramos todos os clubes da B desde então. Foi a formalização da existência desse grupo", afirmou Glauber Vasconcelos, presidente do Náutico, em contato com a reportagem.
"Há muitos assuntos para serem tratados. A questão dos estádios, a questão dos horários de jogos e uma série de outras coisas. Claro que o tema das cotas de TV é muito importante e vamos já chegar com uma sugestão para eles. Fizemos um estudo grande sobre o assunto e estamos bem embasados", acrescentou Mauricio Sampaio, presidente do Atlético-GO.

sexta-feira, julho 10, 2015

Gol da Alemanha: Com US$ 60 milhões repassados pela Fifa, CBF entregou apenas um dos 16 centros de treinamento previstos



 Bruno Marinho e Leo Burlá
Como herança por ter sido sede da Copa de 2014, a Fifa anunciou que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) teria U$ 100 milhões de dólares (cerca de R$ 321,5 milhões) para investir no legado do futebol nacional. Em outubro, a entidade comunicou que destinaria 60% destes recursos para a construção de 16 centros de treinamento. Mas, passados oito meses, pouco aconteceu e a Alemanha ampliou a goleada. No país que humilhou o Brasil na semifinal da Copa, são 366 centros de desenvolvimentos de jovens que trabalham para manter a hegemonia germânica no futebol. 
Por aqui, a entidade só finalizou a compra de um terreno em Rondônia, e busca locais em outros cinco estados que não receberam o Mundial. Nas outras nove cidades que receberão os centros, nada avançou. Pronto mesmo só o de Belém, que foi inaugurado à época da Copa de 2014. O acordo com a Fifa é que todos estejam funcionando até o final de 2018. 
Na ótica da CBF, estes equipamentos terão um caráter social, ainda que as federações possam usar os espaços como forma de fomento ao futebol de cada um dos estados contemplados. 
- A CBF criou um projeto e haverá uma metodologia que será implementada junto com alguns projetos da Fifa já existentes para categoria de base, e outros que serão criados e adaptados - explicou Dino Gentille, diretor de Legado da CBF. 
Embora disponha de uma soma considerável - que é repassada gradativamente pela Fifa - os impostos são grandes vilões. Na transferência de recursos para a infraestrutura, há uma cobrança de 42% de tarifas. Está sob responsabilidade da CBF comprar o terreno, licitar, contratar e executar a obra. 
- A CBF contratou uma empresa de gerenciamento que encaminha os projetos para as construturas que participam de uma licitação aprovada pela Fifa. Nenhum projeto chegou a esta etapa ainda - disse Gentille. 
A previsão é que 4,8 mil crianças e jovens usufruam do investimento e, quem sabe, sirvam grandes clubes e a seleção brasileira no futuro. 
Por ora, as futuras fábricas de talentos seguem com os seus motores desligados.

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domingo, junho 28, 2015

Reinaldo Carneiro Bastos promete dividir melhor as cotas do Estadual

ENTREVISTA

REINALDO CARNEIRO BASTOS

Presidente da FPF 
 
Na ampla sala de espera do elegante prédio da Federação Paulista de Futebol (FPF), na Barra Funda, em São Paulo, enquanto aguardava o presidente Reinaldo Carneiro Bastos, um homem grisalho, no sofá do outro lado, viu o bloco de notas do Estadão e perguntou. “Você tá fazendo reportagem sobre o quê?”. Explico que é um especial sobre as dificuldades que os times do interior de São Paulo vêm passando. Ele estava ali pelo Batatais Futebol Clube. “A Federação tem de fazer algo, se não a gente vai desaparecer”, disse. A conversa é interrompida pelo assessor de imprensa da FPF. O presidente está pronto para atender a reportagem.
No fundo do grande aposento revestido em piso de mármore, num pequeno planalto, espera Reinaldo Carneiro Bastos, ao lado de sua ordenada mesa de trabalho. Aos 62 anos, foi o vice que esperou mais tempo para se sentar na cadeira passada em 5 de maio deste ano por Marco Polo Del Nero, hoje presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Entre um compromisso e outro, foram 20 minutos de conversa com o ex-dirigente e conselheiro vitalício do Esporte Clube Taubaté. A maioria, senão todos, dos dirigentes dos clubes de interior procurados pela reportagem depositaram esperanças no novo mandatário da FPF. Eles acreditam que, por sua origem taubateana, Carneiro estenderá a mão para tirar os clubes do buraco.
“O futebol vai mudar”, sentenciou o cartola. Ele fala pausadamente, com modos contidos e uma voz baixa. Não tira em momento algum os olhos do interlocutor. Mede cada uma de suas palavras, como se as estivesse pronunciando em um discurso previamente escrito. “A Federação e os clubes têm de sair da zona de conforto, têm de se reinventar. As leis estão aí. Não fomos nós que as fizemos. Tem de recolher seus impostos em dia, pagar salário em dia, resolver seu passado trabalhista, seus problemas fiscais. Eles existem.” E fez um alerta: “Não tem mais como passar a mão por cima. Em conjunto, a Federação e os clubes têm de se reinventar.”
Muitos presidentes de clubes com os quais conversei depositam esperanças na sua gestão pelo fato de o senhor ter presidido o Esporte Clube Taubaté. Por onde começar?
Conheço razoavelmente bem a condição dos times do Interior, mas não se iluda achando que essa situação é só lá. O País vive um momento difícil. É um momento difícil do futebol paulista, do futebol brasileiro. Não é time da capital e time do interior; é em geral. A Federação vai agir e trabalhar onde for necessário para capacitar os clubes, na gestão e na transparência, porque isso vai trazer fontes diferentes de recursos. E para quem não está investindo no futebol porque não acredita, a gente tem de mostrar sinais claros de que nós estamos trabalhando nisso.
Quais são esses sinais?
Já estamos trabalhando para as competições de 2016. Vamos criar formas para que os clubes consigam se autossustentar. E nós vamos lá cobrar. Nós vamos estar juntos dos clubes organizados, primeiramente. E vamos ajudar a organizar os demais. Quem não tiver essa consciência vai ter de esperar, se organizar para participar de competições. Foi uma amostra esse ano. A segunda divisão encolheu: tínhamos 52 pretendentes e 30 estavam capacitados para disputar. Foi o primeiro passo, um passo pequeno, porque só se ateve aos regulamentos, aos estatutos e à legislação vigentes. Quem atendeu o que existe está jogando. Quem não atendeu, não está jogando. Sem nenhuma exceção. Nós não trabalhamos na gestão neste ano. Nós não temos nenhuma expectativa na Federação de que vamos resolver todos os problemas imediatamente. Depende muito dos clubes.
O senhor mencionou formas de melhorar a gestão dos clubes. Quais são esses procedimentos e ferramentas?
Nós podemos montar uma diretoria que ajude os clubes na sua gestão, desde a confecção do seu balanço, orientar o clube a ter um planejamento do que vai fazer no ano que vem, ter um orçamento, como tem de pagar seus funcionários, seus impostos. Vai acontecer já em 2016 tudo isso certinho? Não. Nós vamos dar passos na velocidade em que a gente não precise recuar. E vamos trabalhar para que a gente aumente a receita dos clubes, e que eles saibam como usar essa receita.
Os dirigentes e torcedores dos 11 clubes do interior com quem conversei disseram que as cotas pagas pela Federação não ajudam muito.
A distorção da Série A1 para a Série A2 é muito grande. Não há planejamento que resista a você cair de uma cota para quase sem cota. A cota do A2 corresponde a 6% da cota da A1. Se eu tiver uma promessa, um jogador, não posso fazer um contrato de três anos com ele, porque se eu cair, não pago. Então a gente precisa encostar, diminuir essa diferença para pelo menos 30%. Óbvio que quando você cai da A1 para a A2 seu recurso diminui, mas tem de haver pelo menos o mínimo para se organizar. Isso vai de divisão por divisão. A gente não tem uma expectativa de que será feito tudo para todos de uma hora para outra. O foco principal é diminuir o abismo da A1 para a A2.
E em seguida?
A partir da organização dos clubes - e organizar não significa que vai sobrar dinheiro - é mostrar a forma mais adequada de gastar.
Até porque já há uma dívida grande acumulada…
Exato. Já tem um passado, muitos já têm um passado (devedor). Isso passa muito, na parte fiscal, pelo financiamento na lei dos clubes que está sendo discutida em Brasília. Muitas dessas atitudes estão em compasso de espera, porque os clubes precisam saber como vão se comportar diante da dívida fiscal. Tem muito clube que, pela lei que está lá hoje, não adianta aderir, porque não cumpre. Há assuntos que não têm como a Federação agir, porque dependem dessa parte fiscal. Os clubes vão ter de melhorar a gestão, e a Federação vai ajudar para que isso ocorra.
A partir de sua experiência como dirigente de um clube do interior, o que o senhor pensa que pode ser aproveitado enquanto gestão de um time como o Taubaté, por exemplo?
Passa muito por premiar o critério técnico. Nós estamos estudando uma forma de redividir as receitas e dar uma parte disso para a premiação. Normalmente, você dividia entre os quatro grandes e os outros 16. Neste ano, de uma forma ainda tímida, nós premiamos do primeiro ao 16º. A ideia é aumentar o porcentual de divisão do dinheiro pela competência do time. Porque o clube vai jogar o campeonato inteiro pensando que quanto mais à frente ele estiver, maior será a receita dele. Nós estamos trabalhando muito para que haja mais transmissões de TV na Série A2.
Com relação ao calendário de competições, conversei com vários presidentes de times e eles questionaram o fato de ter apenas três meses de campeonato e 12 meses de contas para pagar…
A solução aí é um trabalho que já está sendo feito com a CBF de se conseguir mais vagas da Série D, e a Copa Paulista, no segundo semestre, dar uma vaga na Série D. O clube só joga, só arruma patrocínio e só gera receita se disputar competição que valha alguma coisa. A vaga da Copa do Brasil, que já tem na Copa Paulista, não é uma competição que seja um atrativo. O atrativo é ele ter - também no segundo semestre - uma opção de começar a sua história nos campeonatos nacionais.
Muita gente tem medo de que daqui a algum tempo não haja mais Campeonato Paulista, pois os times do interior estão desaparecendo.
Os clubes do interior não estão desaparecendo, estão trocando. Então, saem antigos, clubes tradicionais, e entram novos. Qual é a diferença de um clube tradicional e de um novo? O novo não tem passado - dívida trabalhista, dívida fiscal. A Ferroviária fez uma campanha brilhante. O que aconteceu? Seu estádio foi a leilão, a Prefeitura desapropriou, fez uma arena, o clube joga lá e quitou seu passado. O que aconteceu? Não tem dívida. Ali não vai se enganar mais, não. A Federação vai fazer muito mais pelos clubes, mas vai cobrar. E não é cobrar para atrapalhar, mas para ajudar.
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sexta-feira, junho 26, 2015

[#rememoring] Como é difícil fazer rádio nesta plaga

"Caminho pela estrada seletiva da interdisciplinaridade, mas busco a senda transcendente da transdisciplinaridade." (Benê Lima)


(Trecho da Coluna “Com Pé e Cabeça” de 2009, mas que se mantém atual, sendo republicada por Edilson Aguiar)
 
 

Do ano de 2003 até aqui, entendo que já é tempo suficiente, para quem tem boa percepção das coisas, perceber o quanto é embaraçoso fazer rádio em nosso Estado.

Primeiro, não são muitas as pessoas dispostas a fazer rádio esportivo com seriedade, com dignidade e com qualidade. Antes disto, o que se pretende é apenas privilegiar o aspecto comercial, em detrimento dos demais componentes.

Também sei que a coragem de declarar meu repúdio pelo tipo de rádio que produzimos como regra, me fará angariar a antipatia de muitos. Isso, para ficar no mínimo. No entanto, estou disposto a pagar o preço, até porque não tenho mais idade para ilusões.

Porém, o preço que não aceito pagar é o do silêncio, da subjugação. Contudo, isso não significa dizer que eu não possua espírito gregário, que não saiba trabalhar em equipe, nem que eu seja inteiramente refratário às ideias dominantes e completamente inapto para lidar com as concessões.

Fico a me perguntar, que tipo de contribuição podemos dar ao nosso futebol, rezando por uma cartilha que só enxerga a vantagem e o utilitarismo oportunista? Ou, onde nos levará essa filosofia falsamente pragmática, de conteúdo anacrônico e anticientífico? Sinceramente, não dá para ser otimista, diante de um quadro tão desolador.

Sem o devido preparo, sem que reconheçamos e introjetemos a necessidade de realizarmos em nós as mudanças e os reparos indispensáveis, não há como ingressarmos na nova era do futebol. Uma era que requer descoberta exterior e interior, interação entre as disciplinas, ações centrípetas e não centrífugas, e, sobretudo, uma era que requer o rompimento com o preconceito e ideias preconcebidas, além de uma visão holística e transcendente.

Quem se habilita?
 
(...)

sábado, junho 13, 2015

Um ano depois da Copa, oito dos 12 estádios têm prejuízo

BERNARDO ITRI / DO PAINEL FC 
O Maracanã foi o estádio com maior déficit

Passado exatamente um ano da abertura da Copa do Mundo no Brasil, os estádios, anunciados como o principal legado esportivo para o país, se tornaram uma dor de cabeça para clubes, governos e concessionárias. 
Oito dos 12 estádios construídos ou reformados para o Mundial são deficitários. Acumularam em 2014 prejuízo superior a R$ 126 milhões.
Levantamento realizado pela reportagem da Folha aponta que Arena da Baixada (PR), Arena Pernambuco, Arena Pantanal (MT) e Maracanã fecharam o ano de 2014 no vermelho. 
Também ficaram no prejuízo Fonte Nova (BA), Mané Garrincha (DF), Arena da Amazônia e Castelão (CE). 
E os oito estádios seguem com dificuldades para se viabilizar financeiramente.
Só Itaquerão, Mineirão, Beira-Rio e Arena das Dunas tiveram lucro. A arena corintiana, porém, ainda não começou a ser paga. 
O estádio com a situação mais crítica é o Maracanã, que registrou R$ 77,2 milhões de prejuízo em 2014 –no ano anterior, primeira temporada após a reforma, o rombo foi de R$ 48,3 milhões. 
Segundo especialistas, uma equação envolvendo a baixa qualidade dos jogos, os horários das partidas (muitas vezes, às 22h) e o alto custo de operação dos equipamentos modernos do estádios explica esse deficit. 
Editoria de arte/Folhapress
No Estadual do Rio de 2014, o prejuízo do Maracanã foi de R$ 6 milhões. 
"A viabilidade das arenas depende da qualidade do espetáculo que queremos no Brasil", afirma Denio Cidreira, diretor da Odebrecht Properties, empresa que participa da gestão do Maracanã e também da Fonte Nova e da Arena Pernambuco, outros dois estádios deficitários da Copa: tiveram prejuízo de R$ 15,6 milhões e R$ 24,4 milhões respectivamente. 
Nessas circunstâncias, a administração do Maracanã busca recursos por meio de ações não diretamente relacionadas ao futebol. 
Além de fechar setores do Maracanã em jogos com menor expectativa de público, são realizados eventos infantis, confraternizações etc (veja texto abaixo). 
Se o problema do Maracanã é a qualidade das partidas, em outros estádios o cenário é ainda pior. Arenas de Cuiabá, Brasília e Manaus tentam sobreviver sem uma agenda de jogos garantidos. 
O Mané Garrincha, cuja custo da construção passou de R$ 1 bilhão, tem custo mensal de R$ 600 mil, bancados pelo governo do Distrito Federal, e prejuízo anual de R$ 3,6 milhões. 
As principais rendas desse estádio vêm especialmente de jogos de clubes do Rio e São Paulo, quando esses times aceitam transferir as partidas para lá. 
"O elefante está na sala, agora precisamos pintá-lo", diz o secretário de Turismo do Distrito Federal, Jaime Recena, sobre o Mané Garrincha. 
O Castelão, em Fortaleza, consome mensalmente R$ 1,1 milhão com a operação, manutenção e administração. A Luarenas, gestora do estádio, admite que fechou 2014 com prejuízo, mas não divulga o valor –daí ser possível dizer que o prejuízo total desses oito estádios vai além dos R$ 126 milhões. 
O número de estádios com prejuízo poderia chegar a nove não fosse o fato de a Arena das Dunas ter incluído no seu balanço R$ 105 milhões destinados ao pagamento do financiamento para a construção do estádio, segundo a OAS, gestora do estádio. 
Este dinheiro não veio de receitas da arena, mas serviu para fazer com que o balanço apontasse um resultado positivo de R$ 20 milhões. 
ITAQUERÃO
Dos estádios que registraram lucro em 2014, o Itaquerão deve ser visto como um caso à parte. 
Muito por conta das boas bilheterias que obteve, a Arena Corinthians terminou 2014 com R$ 11 milhões de saldo positivo. No entanto, ainda não entrou nesta conta o pagamento do estádio. 
A partir de julho deste ano, o clube paulistano terá de pagar R$ 5 milhões por mês. A quitação poderá ser feita em até 12 anos. 

sexta-feira, junho 12, 2015

Assembleia Geral aprova mudanças profundas no Estatuto da CBF

 
A CBF realizou, nesta quinta-feira, a Assembleia Geral Extraordinária com os presidentes de todas as 27 federações de futebol do Brasil. O principal objetivo do evento foi a votação de alterações no Estatuto da CBF.
O presidente da Federação Tocantinense de Futebol (FTF), Leomar Quintanilha, foi escolhido pelos colegas para presidir a Assembleia Geral, e liderou os trabalhos. Por isso, ocupou a cadeira principal da Sala das Federações, no 4º andar da sede da CBF. A reunião contou com a participação de 47 pessoas, entre dirigentes estaduais, vice-presidentes e diretores da CBF.
Todas as mudanças estatutárias propostas pelo presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, foram aprovadas pelos membros da Assembleia, em três horas de diálogo e debate:
Art. 5º, VIII- representar o futsal e o futebol de areia (Beach Soccer) do Brasil, diretamente, ou, por meio de entidade dirigente das citadas modalidades em quaisquer competições internacionais, ficando a promoção, no país, de eventos internacionais de futsal e de Beach Soccer quando e se a CBF não quiser organizá-los, subordinada à sua prévia autorização, podendo esta representação ou autorização ser cancelada ou suspensa, total ou parcialmente, a qualquer momento, a exclusivo critério da CBF;
Art. 5º, XXVII- participar das competições organizadas pelas entidades internacionais competentes;
Art. 5º, XXVIII- pagar as cotas e demais obrigações financeiras devidas às entidades internacionais competentes;
Art. 20, Parágrafo único - São órgãos auxiliares e de cooperação o Conselho Consultivo, o Conselho Técnico, a Comissão de Arbitragem, a Comissão de Controle de Doping, o Comitê de Resolução de Litígios, a Ouvidoria do Futebol, a Comissão Nacional de Clubes, a Comissão de Ética e o Comitê de Governança Corporativa e Conformidade, ficando facultada a criação de comissões ou comitês por ato da Presidência, sempre que necessário.
Art. 33 - O mandato do Presidente e dos Vice-Presidentes é de 4 (quatro) anos, permitida uma única reeleição, e terá início ao final da Assembleia Geral que ocorrer subsequentemente à realização das eleições, com o objetivo de apreciar e julgar as contas referentes ao exercício financeiro anterior.
Art. 41 – Ao Presidente, além das demais atribuições estabelecidas neste Estatuto e na legislação desportiva, compete:
VIII - nomear e dispensar os membros de quaisquer comissões e comitês criados por ato da Presidência, bem como nomear os integrantes do Conselho Consultivo indicados na forma do art. 51 deste Estatuto;
XX– assinar, em conjunto com o Diretor Financeiro ou, na ausência deste, com o Tesoureiro, ou outorgar poderes para a assinatura conjunta com o Diretor Financeiro ou, na ausência deste, com o Tesoureiro, de títulos, cheques, recibos ou quaisquer outros documentos que constituam direitos ou obrigações financeiras, bem como todos os atos que impliquem responsabilidade para a CBF, obedecidas as disposições deste Estatuto.
XXI- celebrar, em conjunto com o Diretor da respectiva área, convênios e acordos que importem em compromissos para a CBF;
XXXI- assinar, em conjunto com o Diretor Financeiro, o Tesoureiro ou o Diretor da respectiva área, qualquer contrato que crie obrigação ou direito para a entidade;
Art. 45 - A CBF terá uma Diretoria nomeada pelo Presidente e composta de, no máximo, 15 (quinze) membros, designados Diretores, com a função de assistir a Presidência.
Art. 49 – A Diretoria reunir-se-á pelo menos uma vez por mês e sempre que se fizer necessário, sendo convocada pelo Presidente e suas decisões serão adotadas, em qualquer caso, pelo voto da maioria de seus membros presentes à reunião.
Art. 52 - O Conselho Consultivo compõe-se de 5 (cinco) Presidentes de entidades estaduais de administração (Federações) que representem as 5 (cinco) regiões geográficas do País, conceito que será igualmente utilizado para efeitos de participação das entidades de prática desportiva (Clubes) nas competições.
Art. 54 - O Conselho Técnico será composto pelas entidades de prática de futebol (clubes), integrantes e disputantes de cada competição coordenada pela CBF, obedecido o número de participantes fixado pela CBF.
Art. 56 - O Conselho Técnico terá a incumbência de deliberar e aprovar as matérias referentes à forma e sistema de disputa da competição, assim como acerca da fixação do preço dos ingressos e do regulamento especifico da competição, visando, prioritariamente, à melhoria da qualidade técnica da competição, respeitadas as disposições legais e o calendário anual do futebol brasileiro estabelecido pela CBF.
Art. 60 - Após sua aprovação, o Regulamento de cada competição será disponibilizado no sítio próprio da CBF na internet, juntamente com a respectiva tabela de jogos, podendo referido Regulamento ser alterado por decisão unânime dos seus integrantes, nos termos da legislação em vigor.
INCLUIR
Seção XII
Da Comissão Nacional de Clubes
Art. 68-A - A CBF terá, em caráter permanente, uma Comissão Nacional de Clubes incumbida de fazer sugestões visando a assegurar o equilíbrio competitivo, a modernização organizacional e a integridade das competições nacionais de futebol.
Parágrafo único - A Comissão Nacional de Clubes será integrada a cada temporada por nove (9) membros, escolhidos por seus pares, a saber:
I - cinco (5) representantes dos clubes da Primeira Divisão (Série A);
II – dois (2) representante dos clubes da Segunda Divisão (Série B);
III - um (1) representante dos clubes da Terceira Divisão (Série C);
IV - um (1) representante dos clubes da Quarta Divisão (Série D).
INCLUIR
Seção XIII
Da Comissão de Ética
Art. 68-B - A Comissão de Ética da CBF será composta por três membros autônomos e independentes da Diretoria, de ilibada reputação e notório conhecimento, a serem indicados por ato da Presidência.
Parágrafo único. A Comissão de Ética da CBF poderá sancionar dirigentes, atletas, árbitros, integrantes de comissões técnicas, intermediários e organizadores de partidas de futebol, aplicando quaisquer das penalidades que estejam previstas neste Estatuto, exigindo um mínimo de três membros para adoção de qualquer decisão, ressalvada a competência da Justiça Desportiva.
INCLUIR
Seção XIV
Do Comitê de Governança Corporativa e Conformidade
Art. 68-C – O Comitê de Governança Corporativa e Conformidade da CBF será composto por três membros autônomos e independentes da Diretoria, de ilibada reputação e notória especialização, a serem indicados por ato da Presidência, os quais deverão buscar a excelência em Governança Corporativa e Conformidade, com vistas a fortalecer e criar as melhores condições para o desenvolvimento do futebol brasileiro, apoiando-se em quatro princípios básicos:
I - Transparência/Disclosure - processo de comunicação rápida e espontânea com os públicos interno e externo, contemplando os fatores que norteiam a ação administrativa da CBF visando a sedimentação de valores de integridade e credibilidade;
II - Equidade/Fairness - tratamento justo e igualitário de todas as partes interessadas, tais como jogadores, dirigentes, técnicos, árbitros, torcedores, clientes, fornecedores, órgãos governamentais, colaboradores, credores, etc;
III - Prestação de Contas/Accountability - prestação de contas dos administradores a todos os entes filiados à CBF e responsabilidade pelos atos que praticam no exercício de seus mandatos;
IV - Responsabilidade Corporativa/Compliance - zelo pela sustentabilidade e perenidade do futebol brasileiro, prevenindo os riscos e distorções em setores, atividades, processos e pessoas mais vulneráveis na organização, à par da observância da legislação vigente.
Art. 80, Parágrafo único – as demonstrações financeiras deverão ser elaboradas e publicadas na forma da lei.
Art. 99 - As entidades de prática do futebol (clubes), participantes de quaisquer competições coordenadas pela CBF, serão automaticamente substituídas, ao final de cada competição, em razão da aplicação dos critérios técnicos fixados nos respectivos Regulamentos, respeitadas as disposições do RGC da CBF.
EXCLUIR: Art. 102 - Caso o Brasil seja o país escolhido pela FIFA para sediar a Copa do Mundo de 2014, o mandato do Presidente, dos 5 (cinco) Vice-Presidentes e dos membros do Conselho Fiscal que forem eleitos para suceder aos dirigentes cujos mandatos se encerrem em 16 de janeiro de 2008, terá, excepcionalmente, duração até a data da realização da Assembléia Geral que julgar as contas do exercício de 2014.
EXCLUIR: Parágrafo Único - A exceção de que trata o caput deste artigo não terá aplicabilidade nem eficácia se o Brasil não vier a ser escolhido e ratificado pela FIFA para sediar referida Copa do Mundo, hipótese em que o mandato dos membros eleitos obedecerá à regra geral prevista no artigo 33 deste Estatuto.
EXCLUIR: Art. 103 - No prazo de 180 (cento e oitenta) dias, a contar da data da averbação deste Estatuto no Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas, as entidades estaduais de administração (Federações) como filiadas diretas promoverão, obrigatoriamente, a adaptação de seus estatutos às normas neste contidas.
Art. 104 - A presente alteração estatutária entrará em vigor e terá eficácia plena, na sua totalidade, a partir do dia 11 de junho de 2015, data da realização da Assembleia Geral Extraordinária da CBF, que a aprovou.
INCLUIR NAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS:
Art. xx – Recomenda-se às entidades estaduais de administração (Federações), a adoção da limitação de mandatos para seus respectivos Presidentes, nos termos estabelecidos no art. 33 deste Estatuto.
Art. xx – A CBF criará normas para regulamentar o sistema de licenciamento de clubes, visando a estabelecer novos padrões de governança e administração responsável nos clubes profissionais de futebol, que conterão critérios e requisitos mínimos (i) desportivos, (ii) administrativos e de pessoal, (iii) de infraestrutura, (iv) financeiros e (v) jurídicos, que os clubes terão de cumprir para serem admitidos em competições coordenadas pela CBF, mediante a outorga de licença anual.

quinta-feira, junho 11, 2015

Futebol feminino reescreve sua história no Ceará

Reunião do Conselho Técnico em novo espaço na FCF 
A tarde da segunda, 9, deu lugar a uma reunião do Conselho Técnico do ‪Campeonato Cearense de Futebol Feminino 2015, em que um clima diferente de tudo quanto já foi visto na curta história da modalidade pode ser testemunhado por quem tem vivido as agruras desse esporte.  
Até mesmo o local da reunião teve um ar renovado, uma vez ter ela acontecido na sede da Federação Cearense de Futebol, porém, em renovado ambiente.
 Uma nova sala de reuniões deu abrigo a um novo projeto para a modalidade, condição gestada no âmbito da coordenação do futebol feminino daquela casa, mas contando com o irrestrito apoio dos que a fazem, e de modo especial de seu comandante, o presidente Mauro Carmélio. 
NOVIDADE: COMPETIÇÃO ABERTA
No total, 13 equipes requereram pré-inscrição para a competição, sendo seis delas na condição de filiadas e outras sete na condição de não filiadas à FCF. Tivemos ainda a desistência de uma delas, permanecendo outras doze equipes, que terão assento na próxima reunião do Conselho Técnico, marcada para o dia 2 de julho próximo. A competição teve seu início agendado para o 16 de agosto, um domingo.
LEGADO
O presidente da FCF, Mauro Carmélio, abriu a reunião destacando o momento positivo pelo qual passa o futebol feminino, ressaltando ainda que o legado da Copa do Mundo de 2014 realizada em nosso país foi o que levou a CBF a pensar os meios para fomentar a modalidade no Brasil.
Presidente da FCF, Mauro Carmélio, abre a reunião
 
CRIAÇÃO DA LIGA FEMININA
Carmélio falou da importância do Seminário Desenvolvimento do Futebol Feminino realizado pela CBF, bem como a criação da Liga Feminina Brasileira de Futebol (LFBF), cuja vice-presidência deverá ter o cearense Eudes Lima, atual presidente do Caucaia Esporte Clube.
Vale esclarecer um ponto tratado de maneira equivocada na reunião, o que concerne a taxa de inscrição, que deverá ser recolhida à tesouraria da FCF por todas as equipes participantes, independente de serem filiadas ou não filiadas. A referida taxa dá direito às equipes de inscreverem quantas atletas quiserem sem nenhum ônus. Além disso, todas as despesas com arbitragem, delegados, bolas, aluguel de estádios e marcação dos campos correrão por conta da FCF. 
TRANSMISSÃO VIA INTERNET
A competição da FCF terá a Liga Cearense de Futebol Feminino (LCFF) como parceira e as partidas terão transmissão da FCFTV, o que dará maior visibilidade para nossas jogadoras, que terão sobre si o olhar da CBF que busca promover a renovação da seleção brasileira da modalidade.
Outra novidade na fala do presidente Mauro Carmélio foi o compromisso de reformular o estatuto da FCF, a fim de permitir a filiação de equipes femininas, o que reduziria substancialmente os custos deste procedimento, desse modo incentivando as novas filiações, para ampliar o número de oportunidades para novas atletas e novas equipes. 
ESTÍMULO ÁS MULHERES
É ideia da coordenação do futebol feminino da FCF, também promover a formação de novos profissionais para integrarem as comissões técnicas, pensando-se preferencialmente no estímulo a que as mulheres possam buscar ocupar esses postos de trabalho.
 Vejam as equipes pré-inscritas.
Filiadas:
CAUCAIA Esporte Clube¹
Centro Esportivo JUVENTUS¹
Liga Desportiva Caucaiense - LDC/VITÓRIA¹
PARACURU Atlético Clube¹
Sport Club MAGUARY²
Não filiadas:
AQUIRAZ Esporte Clube¹
Centro Esportivo São Gonçalo do Amarante - SÃO GONÇALO¹
Granja Atlético Esporte Clube - GAEC¹
MAGUARY Futebol Clube¹ - (Sobral)
ONG Miguel Vicente Neto - MVN/Maranguape¹
Projeto Meninas da Pa
Unifor-Nacional Gás²
¹
Confirmaram pré-inscrição
² Ainda não confirmaram pré-inscrição
 
(Texto e fotos Benê Lima)

domingo, maio 31, 2015

'Queremos um novo momento para o futebol brasileiro'

George Hilton faz críticas fortes à CBF, mas diz estar aberto ao diálogo
George Hilton faz críticas fortes à CBF, mas diz estar aberto ao diálogo 

O governo federal quer aproveitar a crise provocada pelas investigações de corrupção envolvendo a Fifa e a CBF para esvaziar a Confederação Brasileira de Futebol. Em entrevista ao Estado, o ministro do Esporte, George Hilton (PRB), defendeu a criação de uma Liga para administrar o Campeonato Brasileiro, deixando a CBF apenas com as competições da seleção brasileira.
Hilton também quer aproveitar o momento delicado no futebol para conseguir a adesão ao programa de refinanciamento de dívidas previsto na chamada MP (Medida Provisória) do Futebol, que impõe contrapartidas criticadas pela CBF e por clubes. "Temos que dar uma resposta ao povo brasileiro de que queremos um novo momento para o futebol", afirmou o ministro, na entrevista em que critica a reeleição do presidente da Fifa, Joseph Blatter, e a governança da CBF.
Qual a sua ideia para o Campeonato Brasileiro? Penso que este talvez seja o grande momento de a gente discutir a organização dos clubes de futebol no Brasil como acontece no restante do mundo. Você tem a Liga que administra os campeonatos nacionais, você tem o órgão, que é a confederação, cuidando só da seleção daquele país. Ou seja, você teria o Campeonato Brasileiro sendo organizado por uma Liga e a CBF ficaria exclusivamente com a seleção brasileira.
Já conversou isso com a CBF? Tenho defendido isso nas minhas idas aí pelo País. Claro que a CBF resiste a isso, mas, se você pegar os países aí, na Europa, você vai ver que quem organiza os campeonatos nacionais é a Liga.
Quais as vantagens? Você vai ter muito mais capilaridade no campeonato nacional porque os clubes passarão a ter muito mais protagonismo na realização do campeonato e a CBF, por sua vez, vai ter toda uma dedicação não só à Copa do Mundo, à Copa América, Copa das Confederações. A maioria dos clubes defende este modelo que é o que tem dado certo no resto do mundo.
Esta descentralização diminui as chances de corrupção? Não, porque você vê que os clubes têm hoje todo o ônus, todo o planejamento do campeonato recai sobre eles. É a eles que é definido o repasse dos direitos de imagem, eles que tem que administrar a questão que envolve os estádios, as arenas. A CBF apenas se coloca como a dona do processo, mas quem trabalha o tempo todo na efetivação já são os clubes mesmo. A Liga vai ter um papel fundamental porque ela vai ser um conselho formado por todos eles, o que vai dar naturalmente muito mais capilaridade à organização do evento.
A MP do Futebol tem sido criticada por dirigentes de clubes, que a consideram intervencionista. Como o governo lida com essa crítica? É possível fazer alguma mudança? Os clubes já começam a sinalizar da real necessidade de aderirem ao financiamento e nós vemos na MP do Futebol o grande momento de depurar o futebol no Brasil em vista de todos esses fatos que estão aparecendo aí no mundo e o Brasil dá um passo fundamental na modernização e na recuperação do futebol como um grande patrimônio da humanidade.
As prisões e denúncias envolvendo dirigentes da Fifa e da CBF facilitam a aprovação da MP? Demonstram que realmente estamos no caminho certo. Acertamos com a MP do futebol. Esse clima todo que constrange o mundo e de certa forma nos envergonha porque amamos o futebol, somos um País pentacampeão mundial, é uma demonstração clara de que o Congresso Nacional, que tem agora grande responsabilidade de aprovação deste texto, deve dar uma resposta à sociedade. Temos que dar uma resposta ao povo brasileiro de que queremos um novo momento para o futebol.
A bancada da bola é muito forte no Congresso, principalmente na Câmara. O governo acredita que conseguirá levar a medida adiante? Como estão as negociações? Se fizermos uma reflexão do texto da MP, veremos que ela tem muito a contribuir principalmente levando em conta que esta bancada que defende os interesses do futebol sabe que o momento exige mudanças claras e muito bem definidas.
A resistência de clubes e CBF à MP os coloca sob suspeita? Levando em conta que a situação dos clubes no Brasil é muito ruim, difícil financeiramente, penso eu que essas possíveis resistências que alguns declaram serão suprimidas. Entendemos a situação dos clubes, mas o objetivo nosso é que não haja mais um refinanciamento, que os clubes, a partir daí, com a economia que será gerada por imposição dessas contrapartidas, consigam colocar suas contas em dia e o futebol consiga então sobreviver.
O senhor acredita que regularização das contas dos clubes se dará em quanto tempo? O prazo que nós estabelecemos. A gente está dando um prazo de 20 anos. Acreditamos que é possível, em até muito menos da metade disso, a gente conseguir que os clubes estejam saneados.
O Senado deve instalar na semana que vem uma CPI para investigar corrupção no futebol nacional. Até que o ponto o senhor entende que o negócio do futebol é criminoso no país? O futebol não é algo criminoso, mas a gestão que vem acompanhada de práticas ilícitas tem que estar sob atuação da Justiça. Quanto ao Poder Legislativo, é prerrogativa deles instalar essas comissões de inquérito. A gente respeita.
O governo identifica indícios de compra de votos para a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014 ou de algum outro tipo de ato de corrupção? Não. O ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo) anunciou (na semana passada) que a Polícia Federal vai fazer as investigações. Portanto, vamos aguardar do desenrolar dessas investigações.
Mas até agora não há qualquer indício? (Acena negativamente com a cabeça)
A postura do governo em relação à CBF mudou consideravelmente entre o governo Lula e o governo Dilma. O que levou a essa mudança de comportamento, a este distanciamento entre governo e CBF? Não há distanciamento. Existe o respeito entre as partes. A CBF, hoje, o órgão maior do futebol no Brasil, nós respeitamos as instituições. Porém, as instituições não estão acima da lei. Elas precisam estar dentro do ordenamento jurídico e, neste aspecto, o governo, não só da CBF, ele quer de todas as entidades, que elas estejam dentro do que a legislação nacional exige.
O senhor confia na CBF? Eu respeito as instituições, mas entendo que todas elas, inclusive as públicas, elas têm que ser modelo de gestão, de transparência, de ética e do bom uso dos recursos que ali são auferidos.
Falta uma política de boa governança à CBF? Diria que a CBF hoje tem uma grande oportunidade de demonstrar para todos nós que não.
O senhor já conversou com Marco Polo Del Nero desde que o escândalo estourou ou pretende conversar? Não. Vamos, naturalmente, acompanhar passo a passo os fatos. Mas, como sempre, as portas do ministério estão abertas não só para a CBF, mas para todas as entidades ligadas ao esporte. Esta casa é a casa do esporte.
O governo brasileiro pedirá a extradição de José Maria Marin? Não sei. Tem que ser uma postura do Ministério da Justiça. Essa conversa eu não tive.
Como o senhor vê a recondução do Joseph Blatter à presidência da Fifa? Acho que o momento político dele não é bom. Penso que ele tem que fazer uma reflexão e entender que não só ele, mas a Fifa deve explicações ao mundo do futebol. Para o bom desempenho do futebol seria interessante que houvesse uma alternância de poder na Fifa.
Após as prisões na Suíça, o senhor disse querer "aguardar os fatos". O esquema de corrupção da Fifa só foi desbaratado por causa de uma ação do governo dos Estados Unidos. O governo brasileiro não deveria adotar uma posição menos passiva? A legislação americana permite este tipo de ação das autoridades sobre instituições privadas. Temos um ordenamento jurídico aqui que não nos permite isso. A parte dos indícios que comprovarem a atuação de empresas, sonegação e outros crimes tributários, claro que a Justiça brasileira atuará e já está fazendo isso com o anúncio da Polícia Federal de que vai fazer as investigações.
Neste contexto de corrupção, o que esperar dos jogos olímpicos no Brasil? A relação entre o Comitê Olímpico Internacional (COI), Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e o governo brasileiro tem se dado de forma muito transparente. Os eventos que acontecerão no próximo ano no Brasil estarão dentro da normalidade e serão um sucesso.
O que o governo está fazendo para se prevenir? O governo tem os órgãos de controle que atuam em consonância com os ministérios, com o Estado do Rio de Janeiro, com a prefeitura (do Rio), com a Autoridade Olímpica, que sempre nos atualiza sobre a gestão destes recursos.
O Brasil mal se recuperou, se é que se recuperou, do 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo, agora vê a CBF nesta situação. No início do ano, o senhor resistia em dizer que o futebol brasileiro estava em crise. Qual sua opinião agora?Diria que revertemos este quadro. Hoje há uma percepção clara de que o futebol continua sendo forte, continuamos pentacampeões do mundo e vamos aplicar, de agora em diante, uma gestão que fará do futebol brasileiro um campeão dentro e fora dos campos.
Sua pasta sofreu um corte de R$ 901 milhões, queda de 27,6%. Que programas serão prejudicados? Teremos, naturalmente, uma redução. Estávamos indo num ritmo e vamos desacelerar um pouco em todos eles (programas). Claro que as obras olímpicas e paraolímpicas continuam porque temos um cronograma para ser entregue, inclusive com eventos testes em julho e agosto.
Quais foram as principais descobertas do "Relatório do Esporte" que será divulgado nos próximos dias? Que a gente precisa praticar esporte. O Brasil precisa urgentemente massificar a prática esportiva, sobretudo na região Sudeste, que é muito sedentário em todas as faixas etárias. Uma das razões é o ritmo de trabalho da região.
O senhor havia assumido compromissos para combater o vandalismo nas torcidas organizadas. Como está este assunto? Existe hoje um planejamento para que a gente adote já nos próximos meses algumas ações. Entre elas, um cadastro nacional de todas essas torcidas. Vamos adotar, com as polícias, nos estádios, o sistema de monitoramento dessas pessoas e a ideia é o recrudescimento da legislação para que essas pessoas sejam banidas dos estádios. Não podemos permitir que esses elementos que se travestem de torcedores para cometer crimes absurdos continuem a frequentar os estádios do Brasil.
(Fonte: O Estadão)