Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, janeiro 21, 2015

Maiores clubes do Brasil devem mais de R$ 1,5 bilhão para União

RAFAEL REIS
DE SÃO PAULO

Os 12 maiores clubes do futebol brasileiro acumulam dívidas de R$ 1,59 bilhão com a União.

O valor, que não inclui dívidas bancárias, com fornecedores e nem impostos municipais e estaduais, está em um relatório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ao qual a Folha teve acesso

Esse débito teria sido renegociado pelo governo federal caso a presidente Dilma Rousseff não tivesse vetado, na noite de segunda-feira (19), um artigo da Medida Provisória 656.

Segundo estimativa do próprio governo, as dívidas dos clubes brasileiros com o governo federal estão na casa de R$ 3,7 bilhões. Ou seja, só os 12 maiores times do país são responsáveis por mais de 40% do total dos débitos.

A maior parte das dívidas (R$ 1,1 bilhão) dos grandes do futebol brasileiro está relacionada a impostos atrasados.

O Atlético-MG é o clube brasileiro que mais deve ao governo federal: mais de R$ 282 milhões. O clube, porém, assinou em outubro um acordo com a União terá desconto de R$ 70 milhões se pagar em dia as 180 parcelas da quitação.

"O Atlético tem problemas tributários desde a década de 90", afirmou o diretor de planejamento Rodolfo Gropen.

Outros times, como o Corinthians e o Cruzeiro, também aderiram ao Refis e terão suas dívidas reduzidas se mantiverem os pagamentos nas datas combinadas.

Além desse programa de refinanciamento voluntário, o governo federal ainda promete discutir uma nova proposta para renegociação da dívida dos clubes.

A ideia é lançar uma nova Medida Provisória sobre o assunto em até 30 dias.

O artigo 141, vetado por Dilma, previa que os clubes poderiam refinancias suas dívidas com a União em 240 vezes, com descontos de 70% em multas e 50% em juros, sem precisar cumprir medidas de responsabilidade financeira.

O Bom Senso defendia o veto. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol), os clubes e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais defendiam a aprovação. Para o presidente eleito da CBF, Marco Polo Del Nero, é importante que os clubes comecem do zero.

A CBF incluiu em seu novo Regulamento Geral das Competições normas que visam punir clubes que não gerirem bem seu dinheiro, com perda de pontos e até rebaixamento em casos mais graves.

O Bom Senso acha pouco e pede regras mais rígidas para o Fair Play financeiro, inclusive com responsabilização dos dirigentes. 

Editoria de arte/Folhapress

segunda-feira, janeiro 19, 2015

Especialista comenta a respeito de Vasco da Gama e Estratégia Empresarial

LUIS FILIPE CHATEAUBRIAND é Membro do Bom Senso Futebol Clube e Professor de Estratégia Empresarial

Michael Porter, notório professor da Universidade de Harvard e grande autoridade em Estratégia Empresarial, preconiza que há três tipos de estratégias genéricas que uma organização pode escolher: liderança nos custos, diferenciação e enfoque.

A estratégia enfoque significa ter foco em um determinado grupo de clientes, em um segmento de produtos ou em um mercado geográfico. A premissa é que se estará mais preparado para atender um nicho de mercado, estreito, do que se pretendesse atender ao mercado total, de forma ampla.

Uma estratégia de enfoque pode reduzir custos em relação aos concorrentes, pois, se se trabalha com um foco, tem-se custos menores, pois a área de atuação pode ser menor. E também se pode satisfazer melhor a clientela, pois é mais fácil atender bem a um grupo de clientes, do que atender bem a uma clientela mais ampla (até cobrando mais dos clientes, em virtude da maior satisfação).

O que o Vasco da Gama tem a ver com isso? Existe um grande “foco” entre os milhões de torcedores do Heroico Português: a comunidade lusitana, composta de torcedores portugueses e descendentes de portugueses, não apenas no Rio de Janeiro, mas em todo Brasil. Não que inexistam vascaínos que não tenham descendência portuguesa, mas o grupo de portugueses e descendentes é, na torcida cruzmaltina, bastante representativo.


 

Posse de Eurico Miranda, o comandadante de um clube ligado a uma 'nação' lusitana (Foto: Wagner Meyer/Agelance)

 

Portanto, a estratégia enfoque, especificamente enfoque por grupo de clientes, e especificamente para a colônia portuguesa e descendentes, parece apropriada para o Gigante da Colina. É uma questão de identidade.

A estratégia genérica que um clube opte por seguir deve implicar ações compatíveis. Destarte, o Vasco da Gama, ao optar por uma estratégia de enfoque, deve adotar ações como:

 

Jogar em estádio próprio (o histórico São Januário reformado) cheio de referências às tradições portuguesas, em que compras de ingressos de maior monta dão acesso a brindes associados às tradições lusas (exemplos: “compre ingressos para cinco jogos do Vasco da Gama na temporada, e ganhe de brinde um almoço no Adegão Português” – excelente restaurante especializado em comida portuguesa, próximo à sede do clube; “compre os ingressos para todos os jogos de mando de campo do Vasco da Gama no Campeonato Brasileiro e ganhe uma cesta de bacalhau português, vinho do Porto e castanhas portuguesas”; “compre os ingressos de todos os jogos de mando de campo do Vasco da Gama na temporada e ganhe o direito de concorrer a passagem aérea, com acompanhante, Rio – Lisboa – Rio”);Licenciamento de produtos ligados tanto ao clube como às tradições portuguesas;Escolha de um patrocinador ligado às coisas de Portugal, ou propriamente português, ou com influência portuguesa.

 

O raciocínio aqui colocado vale também, por exemplo, para o Palmeiras, clube com perfil de torcedores bastante parecido com o do Vasco da Gama – sai a colônia portuguesa, entra a colônia italiana.

Os clubes de futebol devem escolher a estratégia mais adequada de acordo com as necessidades de seus torcedores, e agirem de forma coerente com a estratégia, ao invés de procurarem mesclar estratégias. No caso de clubes com muitos adeptos entre representativos nichos de mercados, a estratégia enfoque parece a mais propícia.

domingo, janeiro 11, 2015

O termômetro do futebol brasileiro

Eduardo Barros / Universidade do Futebol


Na sua opinião, em qual nível começamos a temporada?

A temporada de 2015 começou! 

Algumas contratações, muitas dificuldades econômicas, a manutenção no cargo de muitos treinadores na elite do futebol nacional e as dúvidas constantes sobre quais problemas limitam o retorno ao protagonismo individual e coletivo, do jogador e do jogo brasileiro, no cenário mundial.

Nas mesas redondas e reportagens que se discutem tais problemas, tem sido comum apontarem: o trabalho desenvolvido nas categorias de base, a pressão constante por resultados que afeta a qualidade do jogo, o desaparecimento gradativo dos campos de várzea (e, consequentemente, dos craques), a gestão predominantemente não profissional da maioria dos clubes brasileiros e até a baixa qualificação profissional dos nossos treinadores.

Opiniões com visão mais ampliada inter-relacionam os fatos e diagnosticam que um conjunto de elementos de todas as áreas que envolvem a modalidade, seja política, técnica ou administrativa, estão desajustados. Isto reflete negativamente nos 90 minutos.

Afinal, como atividade-fim, os 90 minutos (e somente eles) importam. É por esta preciosa hora e meia que todos os processos de um clube, dos administrativos aos técnicos são planejados e executados.

Sucesso terão os clubes que aliada às buscas por vitórias nos 90 minutos privilegiarem a sustentabilidade e o lucro como prática organizacional. 

Sabemos, no entanto, que a obsessão pela vitória a qualquer custo desconsidera a fórmula básica de uma gestão empresarial.

Retomando o foco do texto para os 90 minutos e, mais especificamente, para o produto tático que muitas equipes do nosso futebol têm apresentado, na sequência da coluna serão divulgadas duas imagens (transferidas ao software Tactical Pad) extraídas de um jogo da Série A do Campeonato Brasileiro. 

O objetivo da exposição destas imagens é instigá-lo e questioná-lo sobre como terminamos a temporada anterior e cronologicamente iniciamos a temporada atual, sem tempo hábil para profundas transformações em nosso jogo.

Abaixo, a primeira imagem:


 

A equipe do lado esquerdo da imagem tem a posse de bola com o jogador destacado. O adversário, em organização defensiva, mostra-se estruturado em 1-4-2-3-1, com a linha de defesa identificada em vermelho, de volantes em laranja e de meias em amarelo.

Nesta jogada, a equipe com posse realizou uma circulação da bola, alterou o corredor de ataque e realizou as seguintes movimentações durante a referida circulação:


Na sequência, a resposta coletiva da equipe sem bola na tentativa de neutralizar o ataque oponente:


Não “cobrir” a bola (pressionando a região do oponente portador da bola), expor o eixo central e acompanhar individualmente as trocas de posição gerando espaços vazios perigosos são alguns comportamentos de jogo que podemos observar nesta imagem.

Incomoda afirmar que as respostas desta equipe, bem diferentes do que as principais equipes do futebol mundial executariam num lance semelhante, também é a resposta de muitas outras espalhadas pelo país.

No final das contas, o que vale são os 90 minutos. No futebol brasileiro atual temos apresentado problemas durante boa parte deste tempo. 

Gostaria de saber a sua opinião!

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sábado, janeiro 10, 2015

Andreu Plaza, coordenador do futsal do Barcelona

Treinador revela que jogadores do futebol de campo do clube catalão não passaram pelo salão

Bruno Camarão / Universidade do Futebol

A seleção brasileira de futsal já conquistou diversos títulos, como a Copa do Mundo, a Copa América, o Grand Prix e o Mundialito. A ideia de protagonismo e referência sempre esteve impregnada no ambiente desta modalidade que tem princípios operacionais muito parecidos com o futebol de campo. Mas é fato que outros países se desenvolveram.

Diante de uma preocupação em não ficar estagnado, André Stern, fundador da Unisport Brasil, empresa especializada em cursos de alto nível na área de esportes, realizou no último mês de dezembro, em São Paulo, o primeiro Encontro Internacional de Futsal com abordagem acadêmica e prática.

O evento chamou a atenção pela presença do treinador e coordenador técnico do time de base do Barcelona, Andreu Plaza. Ele trouxe toda sua expertise de quase 20 anos para mostrar os diferenciais do futsal estrangeiro quando comparado ao brasileiro.

Durante o curso, a metodologia de treinamento integrado e o próprio treinamento prático integrado foram apresentados e discutidos por Plaza, que concedeu uma entrevista exclusiva àUniversidade do Futebol.

“O jogador de futsal daqui tem uma característica própria. Uma qualidade técnica alta, um talento para jogar diversos esportes. E isso talvez falte na Espanha. As equipes espanholas têm uma noção tática talvez mais aprimorada”, comparou o espanhol. “Não à toa o Barcelona tem em seu elenco sete jogadores deste país sul-americano”.

Plaza revelou ainda algo que talvez possa soar estranho aos olhos e ouvidos brasileiros, amantes do jogo aplicado pela equipe de campo do Barcelona: nenhum dos espanhóis formados em “La Masia”, que compõem o elenco principal comandado por Luis Enrique, passou pelo “futebol de sala”.


Universidade do Futebol – 
Gostaria que o senhor fizesse uma avaliação do nível de formação dos atletas do Brasil e da Espanha na modalidade futsal.

Andreu Plaza – Iniciamos um projeto no Barcelona inovador em relação à metodologia de trabalho e quando vim ao Brasil, há alguns anos, para entender o funcionamento do futsal, achamos interessante a realização de um curso. 

Mantivemos contatos com treinadores brasileiros, compartilhamos experiências e o saldo foi muito positivo.

O jogador de futsal daqui tem uma característica própria. Uma qualidade técnica alta, um talento para jogar diversos esportes. E isso talvez falte na Espanha. As equipes espanholas têm uma noção tática talvez mais aprimorada. Jogam coletivamente bem, mas os brasileiros são os melhores, tanto em nível de seleção nacional, quanto em nível de clubes.

A qualidade técnica do brasileiro é muito superior. Não à toa o Barcelona tem em seu elenco sete jogadores deste país sul-americano.

Universidade do Futebol – A seleção brasileira de futsal conquistou diversos títulos nos últimos anos, mas é visível o desenvolvimento de outros países no jogar desta modalidade. Há um equilíbrio cada vez maior?

Andreu Plaza – Creio que em nível de seleções nacionais, países como Colômbia, argentina e Costa Rica cresceram demais. Pelos lados da Europa, Rússia, Portugal, República Tcheca evoluíram demais. Mas bato na mesma tecla anterior. Os jogadores sul-americanos seguem sendo mais técnicos, e os europeus jogam mais para a equipe.

Há sete ou oito seleções que poderiam disputar uma semifinal de Mundial, mas o Brasil está um pouco acima dos demais. E este pais avançou, bastante, no quesito tático do jogo.

Universidade do Futebol – Durante o trabalho nas categorias de base do futebol de campo, há a utilização de alguns aspectos da modalidade futsal no processo de ensino-aprendizagem, ou esta integração não é consolidada?

Andreu Plaza – Não, não há nenhuma conexão entre o futebol de campo do Barcelona com o nosso futsal. Entendemos que haja algumas similitudes, isso é claro, mas não transportamos os aspectos de uma modalidade a outra.

Universidade do Futebol – E há uma integração entre as equipes de base e o departamento de futsal principal no Barcelona?

Andreu Plaza – O “futebol de sala” do Barcelona, até cinco anos atrás, não tinha um departamento pronto. Estamos desenvolvendo este projeto. Há um processo para formar jogadores em nossas equipes de base e fazê-los com que ingressem o elenco principal. Hoje, temos aproximadamente 80 jogadores em todos os níveis, e nosso foco não é exatamente a primeira equipe.

Jogadores que acabam a etapa juvenil, passam a ser emprestados a outras equipes por uma, duas temporadas, para completarem o processo de amadurecimento. Aí, sim, podem voltar, um dia, ao Barcelona.


Universidade do Futebol – Em se pensando o futebol no aspecto humano e social, você acredita que a influência da cultura condiciona um determinado tipo de comportamento? É possível se falar em escolas regionais de futsal?

Andreu Plaza – Estou totalmente de acordo. O comportamento cultural influencia decisivamente na maneira de se relacionar com o esporte e com o jogo, propriamente dito. 

Tentamos, por todos os meios, que nossos jogadores menores estudem, não abandonem de maneira alguma a escola, e protagonizamos uma parte de nosso trabalho valorizando isso. Creio que é fundamental para a estrutura social de um pais. E algo não só no futsal, mas em todos os esportes.

Universidade do Futebol – Algum jogador do elenco principal do futebol de campo do Barcelona, incluindo os que passaram por “La Masia”, teve contato em algum momento do processo de formação com o futsal do clube?

Andreu Plaza – Atualmente, nenhum jogador espanhol da primeira equipe do Barcelona teve influência do futsal. Os únicos jogadores que tiveram contato com esta modalidade na base são Neymar, Daniel Alves, Adriano, assim como os demais brasileiros, e Lionel Messi.

Universidade do Futebol – O que o senhor poderia falar sobre Falcão, um dos maiores jogadores da história do futsal brasileiro, que tentou a sorte no futebol de campo, e recentemente defendendo o Sorocaba faturou a Liga Futsal?

Andreu Plaza – Creio que Falcão é um dos jogadores mais importantes da história desta modalidade. É uma referência para as crianças espanholas, também.

Com as facilidades da internet, elas buscam sempre vídeos de jogadas deste brasileiro. Certamente se trata de um grande. 

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Extra futebol] Que país é este?

Por: Benê Lima

venina_02

Foto: Divulgação

Antes de qualquer coisa, vale esclarecer que não caberia neste texto uma imagem de Venina Velosa que não fosse consternada pelo que a ela ocorre.

Afinal, ela não é nenhuma top model nem se apresenta como sex symbol.

E espero que nos próximos meses não receba proposta para posar nua.

Indo ao que interessa.

A questão do Brasil é mais de valores que de valores.

Se eu adaptar a grafia e assim disser:

“A questão do Brasil é mais de valores que de valore$”.

E aí, dá para entender?

Pois é.

Cansa-nos ler e falarmos sobre o ‘esquemão’ da Petrobrás e de outros mais.

É desgastante para quem fala, e mais ainda (creio) para quem lê.

Até porque é excessivo.

Ao ver a reação da presidente Dilma aos escândalos, o sentimento de que sou tomado é o de compaixão.

Decididamente, a instituição presidencial em nosso país encontra-se desprestigiada, enfraquecida, enfim em frangalhos.

Só isso justifica a atitude mais que pusilânime da nossa Presidente.

Manter Graça Foster à frente da Petrobrás, diante das acusações da ex-gerente da empresa, Venina Velosa, é no mínimo estranho.

Outra situação igualmente esquisita é o Ministério da Justiça negar proteção a Venina.

O medo que resulta dessa negativa não é só da ex-gerente, mas também do povo brasileiro.

Afinal, que país é esse que sequer oferece garantias a quem parece querer vê-lo melhor?

Neste momento, vemos no Brasil maiores garantias para criminosos que para os demais cidadãos.

Isso representa uma verdadeira proteção ao crime. E o que é pior: ao crime organizado.

A briga de Venina, até prova em contrário, é muito maior que a luta épica de David contra Golias.

Afinal, é o aparelho estatal que Venina enfrenta. É a poderosíssima máquina que altera resultados eleitorais, que de tanto crescer também transforma o mal em bem.

Se não for o fim dos tempos, estamos diante de mais um episódio da mais abrupta queda dos valores humanos.

A presidente Dilma entende que o Brasil não vive uma crise de corrupção.

Eu também não. Na realidade, o Brasil é a (própria) corrupção.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Senado aprova MP 656 que prevê anistia aos clubes

Mas senador Jucá avisou que Palácio do Planalto pretende vetar o artigo que beneficia os times de futebol

POR CRISTIANE JUNGBLUT

O Senado aprovou, na noite desta quarta-feira a Medida Provisória 656, que prevê uma anistia aos clubes de futebol e vários benefícios fiscais. Mais cedo, a Câmara já tinha aprovado a MP. A proposta vai agora à sanção da presidente Dilma Rousseff. E o Palácio do Planalto, segundo o relator Romero Jucá (PMDB-RR), avisou que Dilma vai vetar o artigo que concede a anistia aos times de futebol.

O texo original do governo foi totalmente modificado no Congresso, com a inclusão dos chamados "jabutis". A votação da MP no Senado foi simbólica.

— O governo já informou que não tinha compromisso com essa proposta e que pretende vetar esse trecho sobre os clubes de futebol e discutir esse assunto — disse o senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator da MP na comissão especial que analisou o assunto.

Jucá fez esse anúncio depois de ser cobrado pelo líder do PSOL, senador Randolfe Rodrigues (AP), sobre a proposta que beneficia os clubes.

— Somos contra esse jabuti — disse Randolfe Rodrigues.

O texto final da MP 656 virou uma verdadeira "colcha de retalhos", com 43 temas que não estavam na proposta original enviada pelo governo ao Congresso. As mudanças foram incluídas pelo relator da MP na Comissão Especial, senador Romero Jucá (PMDB-RR).

A MP 656, prevê a renegociação das dívidas dos clubes de futebol sem qualquer contrapartida de melhoria de gestão e transparência. O texto, que não constava na versão original da medida provisória editada pela presidente Dilma Rousseff, parcela em até 240 meses (20 anos) as dívidas dos clubes com a Receita Federal, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e o Banco Central. O novo texto que anistia os clubes também concede descontos de 70% nas multas isoladas e de 30% dos juros. Segundo parlamentares, a dívida dos times com o Fisco é estimada em R$ 3,7 bilhões.

O líder do PSOL, Randolfe Rodrigues (AP), disse que recebeu compromisso do líder do governo no Congresso, José Pimentel (PT-CE), de que a anistia será vetada.

O Ministério do Esporte já anunciou que é contra a renegociação de dívidas sem a exigência de melhorias na administração dos times.

A MP 656 trata de assuntos variados e concede uma série de incentivos fiscais, como a redução de alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins.

Fonte: O Globo

sábado, dezembro 13, 2014

Os 10 Maiores Clássicos do Futebol Brasileiro

futebolbrasileiro

Por JOSÉ RENATO SATIRO SANTIAGO

Fundamentado na longa pesquisa que resultou no livro: Clássicos do Futebol Brasileiro, que lancei este ano, com o amigo Marcelo Unti (e que pode ser adquirido através do e-mail jrssjr@uol.com.br), tenho desenvolvido novos trabalhos e projetos relacionados com os clássicos brasileiros.

Ao longo de alguns anos pesquisei mais de 300 clássicos de todo o Brasil.

Curiosidades, Estatísticas, Histórias, Estórias, Declarações de Torcedores e tudo o que foi possível ser registrado serviram de base para a construção desta base de conhecimento.

Somado a isso, a leitura de reportagem publicada na mais recente edição da revista Four Four Two, de dezembro de 2014 sobre os Dez Maiores Clássicos do Futebol Mundial, resolvi fazer análise similar considerando os oito critérios que fundamentaram o estudo da publicação inglesa.

Em vez dos 10 maiores clássicos do futebol mundial, considerei os 10 maiores clássicos do futebol brasileiro a partir dos seguintes critérios:

  1. História: tradição que envolve as equipes;
  2. Estrelas: jogadores que atuaram;
  3. Atmosfera: rivalidade e clima que envolve a partida;
  4. Técnicos: técnicos que participaram;
  5. Drama: dramaticidade nas partidas realizadas;
  6. Torcedores: comportamento e fanatismo dos torcedores;
  7. Competitividade: relevância dos clássicos na história do futebol;
  8. Apelo Nacional: interesse nacional em acompanhar a partida (diferentemente da revista que considerou como critério o Apelo Global)

Para cada um dos critérios, foi atribuído um valor de 1 a 10. O valor máximo (somatória total) a ser obtido era de 80.

Outra premissa adotada diz respeito ao fato de ter sido considerado apenas um único clássico por estado.

Sendo assim, há clássicos que não fizeram parte da lista final, por não terem sido avaliados como os maiores de seu estado, dentre eles o mais antigo do Brasil, Fluminense x Botafogo, sequer aquele que envolve as duas equipes que mais vezes venceram a Taça Libertadores da América, Santos e São Paulo.

Por fim cabe ressaltar que as avaliações apresentadas não se concentram em um determinado período da história tão pouco ao entendimento em certa região do país. Sendo assim não é um retrato atual da situação do clássico em nosso país, tão pouco o ponto de vista de um determinado estado, mas um entendimento sistêmico, federativo e de mais de 100 anos.

Seguem os resultados:

classicosbrasileiros0812

Trata-se de uma análise empírica, sem estreito fundamento técnico, mesmo porque o futebol é assim.

Certamente cada pessoa envolvida, ou não, com futebol tem sua própria lista com suas preferências e critérios próprios.

Caso tenha interesse em ter mais detalhes sobre os critérios e valores atribuídos, fico a disposição por este e-mail.

jrssjr@uol.com.br

Dentro das próximas semanas, serão apresentados outros estudos sobre este tema.

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quarta-feira, dezembro 10, 2014

Com novos estádios, Brasileirão tem R$ 40 mi a mais em bilheteria

Apesar disso, menos de 50% das novas arenas foram ocupadas no torneio

Com novos estádios, Brasileirão obtém R$ 40 milhões a mais com bilheteria

A cada Campeonato Brasileiro, os torcedores ficam mais acostumados às novas arenas. Neste ano, Corinthians, Inter, Atlético Paranaense e Palmeiras estrearam novas estruturas. Assim, público e renda subiram em 2014.

No ano passado, foram gerados R$ 176 milhões em bilheteria. Agora, o número chegou a R$ 216 milhões. Por jogo, isso representou R$ 100 mil a mais em arrecadação, em média. Além da bilheteria, a média de público também apresentou alta, passando de 15.746 para 16.956.

O maior símbolo do quanto as finanças sobem com as novas arenas é o Corinthians. Em 2013, sem novo estádio, o time arrecadou R$ 15 milhões. Neste ano, com 15 jogos na Arena, a arrecadação foi o dobro: R$ 31 milhões.

O Palmeiras é outro a mostrar a diferença da casa nova. Em dois jogos no Allianz Parque, arrecadou R$ 7,8 milhões. Nas outras 17 partidas, foram R$ 8,7 milhões.

Leia mais:
Análise: É preciso de tempo para acabar com velhos hábitos nos estádios

Apesar disso, há espaço para crescer. Mesmo os estádios novos têm menos de 50% de sua capacidade ocupada, explicitando um potencial ainda inexplorado no futebol brasileiro pós-Copa do Mundo. O Maracanã ficou com 25 mil pessoas de média, deixando 40 mil lugares abertos. Em seu segundo ano, a Arena do Grêmio conseguiu avanços nesse sentido, com 22,3 mil pessoas em média contra 20,3 mil de 2013.

Campeão mesmo foi o Cruzeiro. Além do título em campo, o time ficou com 29,6 mil pessoas de média. O clube passou o Corinthians na última rodada e ficou com a melhor média de público do Brasileiro. Graças ao bom desempenho, arrecadou ao todo R$ 27,5 milhões.

Veja abaixo alguns números relativos à competição.

Por: Máquina do Esporte
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quinta-feira, novembro 20, 2014

74,6% dos brasileiros enxergam benefícios e aprendizados deixados pela Copa, segundo Nielsen

Copa do Mundo deixa legado humano e aprendizados para os jogos Olímpicos Rio 2016

São Paulo, Brasil (novembro de 2014) – A Nielsen Sports apresenta estudo consolidado sobre resultados pós-copa. A pesquisa apresentada esse mês revela que apesar de um início complicado e sem apoio de muitos brasileiros, a Copa do Mundo conquistou torcedores de todos os países e foi classificada como ‘A Copa das Copas’.

Segundo a pesquisa realizada pela Nielsen Sports, o clima em relação ao evento apresentou uma grande melhora, tanto que 76,4% dos brasileiros indicam que o evento deixou algum tipo de legado, sendo a interação humana o principal deles, com 38% das citações. Na sequência aparecem legados como esportivo (27%), urbano (24%), econômico (9%) e ambiental (2%). “O Mundial ficou marcado, principalmente, pela interação humana, que foi o ponto alto do evento. A união entre os torcedores brasileiros e de outras nacionalidades despertou a atenção. Além disso, a receptividade dos brasileiros, a participação dos voluntários e as estruturas das arenas também agradaram, favorecendo a melhora do clima”, comenta o diretor de Nielsen Sports, Thiago Maia.

Para 14,8% dos entrevistados, que tiveram a oportunidade de ver ao menos um jogo nas arenas, a experiência foi marcante. A segurança e a presença de pessoas treinadas para auxiliar foram os quesitos melhor avaliados, enquanto o valor dos artigos vendidos no local e a alimentação oferecida deixaram a desejar.  O quesito transporte dividiu opiniões, sendo que no Sudeste ele foi destaque como ponto positivo, enquanto no Nordeste negativo. 

Apesar da derrota do Brasil em campo, a imagem dos atletas continuou em alta, confirmando o bom potencial de marketing para marcas patrocinadoras. O N-Score, estudo da Nielsen Sports consolidado nos EUA que avalia a imagem de personalidades do mundo inteiro, mostrou que Neymar, David Luiz e Thiago Silva estão no grupo de atletas mais lembrados e admirados pelos brasileiros, ocupando três das cinco primeiras posições do ranking, e superando outros 45 nomes de atletas atuantes no cenário esportivo brasileiro.

O evento refletiu também de forma positiva no consumo, principalmente, nas cidades do Nordeste e do Sudeste do país. 84,7% dos entrevistados assistiram aos jogos em casa com a família ou com os amigos – o que contribuiu diretamente para o crescimento de 6% da Cesta Copa do Mundo*, composta por produtos que os torcedores declararam consumir durante o evento. Cerveja foi uma das categorias que mais contribuiu para esse crescimento, variando 9,4% no período, assim como industrializados de carne (embutidos como linguiça e salsicha), com 16,3%.

Além de destaques em cidades-sede como Fortaleza e Salvador, onde se notou um elevado consumo fora do lar, o interior de SP também impulsionou a Cesta Copa do Mundo, sendo a região que mais contribuiu para o seu crescimento, com uma alta movimentação dentro do lar, esperado pelo fato de a área não ter recebido os jogos.     

Esse aumento de consumo no país foi sentido, sobretudo, em lares com maioria fã de futebol, que representam 18% do total e são predominantemente de nível socioeconômico alto, com três ou mais pessoas e sem crianças. Neles, a cesta da Copa representou 45% dos gastos no período.

“Apesar do cenário incerto até o começo do evento, a Copa do Mundo impactou de forma positiva as pessoas, as marcas e o consumo. O evento deixou o país mais preparado para receber os Jogos Olímpicos”, conclui Thiago Maia.

Sobre a Nielsen Sports

Essa frente de atuação da companhia tem como objetivo entender e mapear as relações entre consumidores, eventos, marcas e esportes para gerar insights e recomendações para o mercado, além de criar uma base histórica e acumulativa de dados relativos à indústria do esporte.

Sobre a Nielsen

Nielsen Holding N.V. (NYSE: NLSN) é uma empresa global de informação e pesquisa com posições de liderança nos mercados de marketing e informação do consumidor, televisão e mensuração do outros meios, inteligência online, pesquisa de celulares, feiras e propriedades relacionadas. A Nielsen está presente em aproximadamente 100 países, com sedes em Nova Iorque, EUA, e Diemen, Holanda. Para mais informações, por favor visite www.nielsen.com

Dia histórico: aprovada Lei Estadual de Incentivo ao Esporte

Lei permitirá que pessoas físicas e jurídicas destinem recursos para projetos esportivos

 

A manhã desta quinta-feira (20/11), entra para a história do esporte cearense como o dia em que foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (ALCE) a Lei Estadual de Incentivo ao Esporte.

 

A votação que foi acompanhada de perto pelo Secretário do Esporte do Estado do Ceará, pelo Conselho do Desporto e por dirigentes de diversas federações esportivas, cria a Lei Nº 97/14 que dispõe sobre a concessão de incentivo fiscal para fomentar projetos de caráter desportivo e paradesportivo, mediante patrocínio ou doação de contribuintes do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS).

 

Desta forma, a Lei Estadual de Incentivo ao Esporte deve fortalecer as atividades de caráter desportivo ao permitir que pessoas físicas e jurídicas destinem parte dos tributos para projetos esportivos, em especial, as modalidades já trabalhadas pela Sesporte como, por exemplo, o esporte educacional, de rendimento e de participação.

 

Sérgio na ALCE

 

A aprovação da lei foi saudada pelos deputados presentes na Casa, dentre eles os deputados estaduais Gony Arruda (PSDB), Lula Moraes (PCdoB) e Deputado Estadual Mauro Filho (PROS) que, em fala, ressaltaram o papel da iniciativa de democratização para a promoção do esporte como ferramenta de inclusão.

 

Para o Secretário do Esporte, Gilvan Paiva, o esporte cearense ganha um importante instrumento legal de fortalecimento da política pública, democratizando os investimentos  para atletas, possibilitando assim o fortalecimento do deporto através da formação de toda uma nova geração de esportistas.

 

 

 

Saiba mais

 

A Secretaria do Esporte do Estado do Ceará (Sesporte) e o Conselho do Desporto realizaram uma série de atividades para discutir a Lei Estadual e a Lei Nacional de Incentivo ao Esporte com o intuito de demonstrar a importância deste instrumento legal para os atletas cearenses.

 

Conheça a lei

 

Informações à imprensa:

Marina Valente

Assessoria de Comunicação da Secretaria do Esporte do Estado do Ceará

terça-feira, novembro 04, 2014

As lições do indiano que quer mudar a vida de bilhões de pessoas

Sartaj Anand acredita no poder social das empresas ao mesmo tempo que aconselha os empreendedores a cuidarem mais de si

Sartaj Anand, fundador do Billion Strong (Foto: Divulgação)

Sartaj Anand, fundador do Billion Strong (Foto: Divulgação)

Sartaj Anand é um empreendedor que trocou as empresas que buscavam apenas lucro para se dedicar ao empreendedorismo social. Para esse indiano, pensar no impacto social de qualquer negócio deve ser algo natural e negligenciar esta está tendência pode até mesmo acabar com uma empresa.

Fundador da Egomonk, uma consultoria de gestão que ajuda negócios a lembrarem dos seus reais propósitos, Anand entrou em uma nova jornada: a de mudar as vidas de bilhões de pessoas com a ONG Billion Strong.

Em entrevista para Pequenas Empresas & Grandes Negócios, o empreendedor - que participa do Social Good Brasil 2014, evento realizado em Florianópolis (SC) - falou sobre esse novo projeto e as lições e conselhos que aprendeu trabalhando com empreendedorismo social.

Por que você decidiu focar seu trabalho no Empreendedorismo social?
Eu trabalhei para empresas com fins lucrativos no passado e notei dois pontos importantes. Primeiro, o dinheiro parecia ser o único critério de sucesso para esses empreendimentos e isso me parecia superficial e insatisfatório. Segundo, todos os dias esses negócios eram confrontados com escolhas que afetam a rentabilidade, pessoas e nosso planeta. Por isso decidi me concentrar no empreendedorismo social, porque eu sentia que todo negócio tinha uma obrigação de servir a sociedade e criar valores sociais e econômicos para todos os stakeholders. Na verdade, isso é a ordem natural de qualquer organização, e se ela escolhe ignorar o aspecto social do comércio ela irá comprometer sua estrutura.

Você poderia explicar um pouco sobre a Billion Strong?
Ela é uma empresa sem fins lucrativos que estou estabelecendo e tem o propósito de se concentrar em problemas e soluções que afetariam bilhões de vidas. Nesse contexto, identificamos arte, cultura, nutrição, mobilidade, tecnologia e religião como os seis pilares de nossas atividades. Além disso, nosso primeiro projeto, chamado The Space, tentará reutilizar espaços religiosos como espaços comunitários e criar uma rede global  similar ao Airbnb para lugares como esses. O primeiro piloto acontecerá no Oriente Médio e no norte da África.

Como essa ideia surgiu?
Eu a tive porque senti um espaço no mercado para uma organização massiva, como Coca-Cola ou Procter & Gamble, que trabalhasse com os maiores desafios da humanidade na perspectiva da caridade e não do comércio. Isso também refletia minha escolha de construir um legado usando todas as habilidades pessoais e profissionais que eu acumulei ao longo dos anos trabalhando com gigantes comerciais.

Você acha que toda empresa deveria pensar na parte social do negócio?
Como eu disse anteriormente, toda organização tem uma parte social inerente e seria sábio dos empreendedores e dos stakeholders dela reconhecer e se comprometer com esse aspecto social. Empresas deveriam lidar com suas escolhas de forma a enxergar esse componente como uma oportunidade para eles explorarem, ganhando, assim, visibilidade, viralidade, lealdade de marca, maior faturamento ou qualquer outro objetivo que eles imaginarem.

Qual foi a maior lição que você aprendeu como empreendedor?
Eu aprendi duas importantes lições. Primeira, você só deve fazer uma venda uma única vez. Se você precisa convencer alguém a comprar novamente, você provavelmente está fazendo algo errado. Segunda, cuide mais de você. Empreendedores colocam muito deles mesmos nos seus negócios e muitas vezes sacrificam suas saúdes e relacionamentos.  Eu já estive nessa posição, e me desgastei completamente e agora tomei uma decisão consciente de cuidar de mim.

Que conselhos você daria para uma pessoa que está querendo abrir um negócio com algum impacto social?
Eu interpreto uma pessoa que quer abrir um negócio, especialmente um empreendimento social, como uma pessoa com ambição, desejo e responsabilidade de não apenas crescer, mas ajudar aqueles em volta a crescer também. Meu conselho para essas pessoas é se apegar e sempre se lembrar do propósito pelo qual abriram suas empresas nos tempos difíceis. Sempre haverá dias escuros em que você precisará se lembrar disso.

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