Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

segunda-feira, agosto 24, 2015

Brasileirão é o mais equilibrado do mundo

POR JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO, GUILHERME DUARTE E RODRIGO BURGARELLI, de “O Estado de S.Paulo”
Que o Campeonato Brasileiro é equilibrado, todo torcedor intui. Afinal, foram seis campeões diferentes em dez anos. Mas que o Brasileirão é o mais equilibrado entre os principais campeonatos de pontos corridos do mundo, só a estatística poderia confirmar. E confirmou.
Em estudo inédito, o Estadão Dados comparou 65 disputas: as últimas cinco edições de 13 torneios nacionais distintos. Nenhum outro campeonato tem uma simetria tão grande no desempenho dos times quanto o do Brasil. O equilíbrio é evidente no gráfico que ilustra esta reportagem. A curva que simboliza as últimas cinco edições do Brasileirão é a mais simétrica. Lembra um morro cujas encostas têm a mesma inclinação em ambos os lados, culminando em um ponto médio bem centralizado.
Significa não só que a distribuição dos times na tabela de classificação é equilibrada, mas que a distância entre os primeiros colocados e a média – assim como entre primeiros e últimos – é menor do que em outros torneios por pontos corridos.
A curva dos campeonatos nos quais poucos times se distanciam dos demais, como o espanhol, têm o lado dos líderes mais longo e com uma inclinação muito mais suave do que o lado dos lanternas. Isso acontece porque Barcelona e Real Madrid vencem muito mais vezes do que os demais, alcançado taxas de aproveitamento (pontos conquistados em relação ao total de pontos possíveis) mais próximas de 100% do que, por exemplo, o campeão brasileiro. Na última década, Barça ou Real levaram a taça nove vezes.
Para além da comparação visual, há uma medida estatística do equilíbrio – ou desequilíbrio – entre os times de cada campeonato: a assimetria (“skewness”, em inglês). Quanto mais próximo de zero é o valor, mais simétrico é o campeonato.
A assimetria média do Brasileirão é 0,15, enquanto em La Liga (Espanha) ela chega a recordes 1,07. Pode-se dizer que o torneio espanhol é sete vezes mais desequilibrado do que o brasileiro. Na prática, um campeonato equilibrado significa que mais equipes têm chance de disputar as primeiras colocações e levarem o título.
A tendência dos torneios mais simétricos é que a definição do campeão e dos primeiros colocados ocorra mais tardiamente na disputa. Do mesmo modo, a briga entre os lanternas para não ser rebaixado vai até as últimas rodadas.

Foto: Infográfico Estadão/ Fonte: Estadão Dados
SEGUNDO LUGAR
Dos 13 campeonatos nacionais por pontos corridos analisados, o Russo ficou em segundo lugar entre os mais equilibrados, com valor 0,24. Mesmo assim, tem um desequilíbrio 58% maior do que o Brasileirão. Em terceiro lugar ficou o Holandês, com 0,33. Os campeonatos Italiano e Francês ficaram em 6º e 7º lugares, respectivamente, com uma assimetria parecida entre si, mas três vezes maior do que a do Brasileirão.
Os campeonatos Inglês (9º) e Alemão (10º) se equivalem em desequilíbrio entre as equipes que os disputam, com medidas de assimetria de 0,62 e 0,63, respectivamente. O da Alemanha é assimétrico por causa do predomínio do Bayern de Munique, que levou o título cinco vezes na última década. Entre os ingleses, porque apenas três times se alternaram como campeões nos últimos dez anos: Chelsea, Manchester United e Manchester City.
FORA DA CURVA
Entre os torneios europeus, só um se compara em desequilíbrio ao Espanhol. O Campeonato Portuguêstem assimetria de 0,92 – só 14% menor que a dos vizinhos. Como na Espanha, dois times monopolizam o campeonato: só Benfica (três vezes) e Futebol Clube do Porto (sete vezes) foram campeões na última década.
Entraram na conta os principais campeonatos por pontos corridos do mundo: Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha, França, Holanda, Portugal, Rússia, Turquia – além de torneios fora da Europa, como os do Japão, África do Sul e China.
Foram excluídos torneios que misturam pontos corridos a outros sistemas de competição, como mata-mata (caso do Campeonato Mexicano), ou que têm dois turnos com campeões distintos (abertura e clausura), como os da Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Colômbia, pois as estratégias de competição mudam.

Foto: Infográfico Estadão/ Fonte: Estadão Dados

Em 2009, o torneio mais acirrado
Desde o início da disputa do Brasileirão por pontos corridos, em 2003, nenhuma edição do campeonato foi tão equilibrada quanto a de 2009. A disputa nesse ano foi tão acirrada que o campeão (o Flamengo, no caso) conseguiu apenas 15 pontos a mais do que a média dos times do campeonato. Esse recorde não é apenas brasileiro, mas também internacional: não houve campeonato nacional mais disputado que esse em nenhuma das 65 edições analisadas pelo Estadão Dados.
Naquele ano, tanto o campeão como os classificados para a Copa Libertadores só foram decididos na última rodada. Três times chegaram ao último jogo com chances de ser campeão, o que foi inédito na história do Brasileirão: Flamengo, Internacional e São Paulo. Todos os três jogaram em casa e ganharam seus respectivos jogos, mas foi o time carioca que se consagrou campeão por já estar dois pontos na frente dos seus adversários.
Outra curiosidade desse campeonato é que ele foi o único na era dos pontos corridos em que o campeão só chegou ao topo da tabela na penúltima rodada. Antes do Flamengo, cinco outros times lideraram a tabela. Quem esteve lá por mais tempo foi o Palmeiras, que liderou por 17 rodadas, mas acabou o campeonato fora até da zona de classificação da Libertadores, com péssimo desempenho na reta final.
DRAMA ATÉ O FIM
O Campeonato Brasileiro de 2009 foi o mais dramático da história dos pontos corridos, mas está longe de ser uma exceção. O equilíbrio entre os times tem sido a regra. Desde 2006, quando o campeonato passou a ter 20 equipes, a diferença de pontos entre o campeão e a média de todos os times do torneio é de apenas 23 pontos. Por comparação, no campeonato espanhol a distância média que separa o ganhador do título da média do campeonato é de 43 pontos. Ou seja, a distância é quase o dobro em comparação ao campeonato brasileiro.
MENOR DIFERENÇA
Quando são analisados os dados dos 13 maiores campeonatos nacionais de pontos corridos do mundo nos últimos cinco anos, o Brasil é o segundo país com a menor diferença média entre o aproveitamento do líder e a média dos outros times.
O campeão brasileiro ganhou apenas 21% mais pontos do que a média do campeonato. A diferença só não é menor do que no Japão, onde é de 20%.
Metodologia contempla taxa de aproveitamento dos clubes
O equilíbrio nos campeonatos nacionais de pontos corridos para cada país foi calculado pelo Estadão Dados a partir de um estudo preliminar do economista do Banco Mundial Branko Milonovic. Para isso, foi utilizado o conceito de “taxa de aproveitamento”, que corresponde ao número de pontos conquistados por um time dividido pelo total de pontos possíveis.
No Campeonato Brasileiro, a pontuação máxima que um time pode atingir é de 114 pontos, caso ganhe e conquiste os três pontos em cada uma das 38 partidas disputadas. Um exemplo é o Cruzeiro na vitoriosa campanha de 2014, que registrou o aproveitamento recorde dos últimos cinco anos de 70% ao marcar 80 pontos no campeonato nacional.
Nos gráficos que ilustram essa página, a taxa de aproveitamento dos clubes está representada no eixo horizontal. Quanto mais à direita, maior o aproveitamento das equipes. Já o eixo vertical se refere à concentração de times naquela faixa de aproveitamento. Assim, o ponto em que a curva é mais alta revela qual é a pontuação mais comum atingida pelos times naquele campeonato.
Os cálculos foram feitos usando os dados dos últimos cinco campeonatos finalizados.

segunda-feira, agosto 03, 2015

As contradições entre a exportação e a manutenção de jogadores no Brasil


            
Saída de jogadores para o exterior é recorde em 2105 
No primeiro semestre de 2015, de 1º de janeiro a 16 de julho, a saída de jogadores do futebol brasileiro para o exterior teve uma movimentação de 355 profissionais, o maior número desde 2011. Já os valores chegam a US$ 98,8 milhões de dólares, cerca de R$ 306 milhões de reais. Os números da Diretoria de Registro e Transferência da CBF mostram o cenário da janela semestral dos últimos cinco anos, com o detalhamento por tipo de negociação, com vários fatores influenciando os rumos desse mercado:
  • Proibição da FIFA quanto à participação de terceiros nos diretos econômicos de jogadores; 
  • Regras para cadastro de intermediários, com exigências de vários documentos para habilitação; 
  • Fair Play Financeiro, incluído no Regulamento Geral do Campeonato Brasileiro, que prevê a possibilidade de punição a quem atrasar o pagamento; 
  • Teto salarial em diversos clubes, que precisam pagar dívidas e reduzir o valor investido no futebol; Alta do dólar. 

Em junho de 2011, um dólar valia  R$ 1,60. Em junho deste ano, estava valendo R$ 3,10. O mercado de saída do primeiro semestre de 2011 movimentou 146,7 milhões de dólares, algo em torno de R$ 234 milhões. Em 2015, o valor registrado foi de US$ 98,8 milhões de dólares. Pode parecer menos, mas, considerando a cotação atual do dólar, são R$ 306 milhões.
A saída de jogadores do Brasil para o exterior (1º de janeiro a 16 de julho) gerou US$ 98,8 milhões de dólares, equivalentes a 355 transferências, sendo 188 jogadores livres – negociados após fim do contrato com clube brasileiro -, 96 por empréstimo. 32 vendidos e 39 com prorrogação de empréstimos. 
Fonte: Tribuna da Bahia

sábado, agosto 01, 2015

Fatores metabólicos na fadiga do jogador

Mark Hargreaves, da Universidade de Melbourne 
A produção aumentada de ATP por meio das vias metabólicas oxidativa e não-oxidativa no músculos esquelético é essencial para manutenção da força e energia durante o exercício
 
INTRODUÇÃO 
A adenosina trifosfato (ATP) é a fonte imediata de energia química para a contração muscular. Como os depósitos intramusculares de ATP são pequenos, a regeneração contínua de ATP é fundamental para a manutenção da produção de força muscular durante o desempenho sustentável no exercício. Em condições de produção de muita energia (como aquelas observadas durante o exercício de sprint de alta intensidade), isso é obtido por meio da produção não oxidativa de ATP (anaeróbica) seguido de uma quebra de creatinafosfato (PCr) ou da degradação do glicogênio muscular em lactato. 
Quando há uma baixa produção de energia para desempenho prolongado de endurance, o metabolismo oxidativo ou aeróbico dos carboidratos (glicogênio muscular e glicose presente no sangue) e de lipídios (ácidos graxos derivados de depósitos de triglicérides, nos músculos ou no tecido adiposo) oferece praticamente todo ATP necessário para processos celulares que dependem de energia dentro do músculo esquelético. Esses processos metabólicos e sua importância durante o exercício já foram bem descritos (Covle, 2000; Sahlin et al., 1998). 
Atenção considerável foi dada aos mecanismos potenciais de fadiga responsáveis pelo declínio da força e/ou da produção de energia pelo músculo esquelético durante o exercício e o papel que os fatores metabólicos desempenham nessas alterações. Esses fatores metabólicos podem ser categorizados de forma abrangente como a depleção de substratos de energia (ATP e outros compostos bioquímicos utilizados na produção de ATP) e acúmulo de derivados metabólicos (Tabela 1).
Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui.
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quinta-feira, julho 30, 2015

Série B vai à Globo por dinheiro da Série A e limite a Flamengo e Corinthians

Camila Mattoso, de São Paulo (SP), do ESPN.com.br

Um grupo de representantes da Série B vai se reunir com a Globo na quinta-feira da próxima semana para pedir mudanças ao futebol brasileiro. Presidentes do América-MG, do Náutico, do Paysandu e do Atlético-GO estarão presentes no encontro. A pauta envolve uma série de assuntos, mas o principal será sobre as cotas de televisão.
ESPN.com.br teve acesso ao estudo feito pelos dirigentes sobre o tema, apresentado nesta terça-feira na CBF, que mostra todo o cenário da divisão do dinheiro da TV no Brasil e no mundo. O documento destaca o abismo que existe entre a primeira e a segunda divisão e propõe alterações: além de pedir uma redistribuição para a Série B, a proposta atinge também a Série A.
De acordo com a pesquisa feita por esses clubes, há três grupos no futebol atualmente: 
- Grupo I: clubes com contrato de longo prazo com a TV, que inclui a maioria dos times da Série A e tem um valor total de R$ 930 milhões, estimado.
- Grupo II: clubes que disputam a Série A em 2015, com contrato de um ano com a TV e tem um valor total estimado em R$ 100 milhões.
- Grupo III: clubes que disputam a Série B em 2015, com valor total de R$ 51 milhões (cada um ganha R$ 3 milhões).
Clubes da Série B fizeram um estudo sobre o tema das cotas de televisão© ESPN.com.br Clubes da Série B fizeram um estudo sobre o tema das cotas de televisãoDiante deste cenário, o grupo propõe algumas sugestões, que vão diretamente contra a situação que hoje tem Flamengo e Corinthians, os que mais recebem da Globo.
A partir de 2016, os dois passarão a ganhar R$ 170 milhões ao ano, cada um. Juntos, portanto, R$ 340 milhões. O valor que a dupla tem direito representa 26% do total que a TV paga aos 18 times que faziam parte do Clube dos 13.
a) Limitar o percentual do time que mais recebe em relação ao total em no máximo 10%;
b) Limitar a razão do time que mais recebe em relação ao time que menos recebe em 4 vezes;
c) Limitar o percentual da soma dos cinco times que mais recebem em no máximo 40%;
d) Limitar o percentual da soma dos dez times que mais recebem em no máximo 65%.
Além desses itens, a proposta dos clubes da Série B é para que a negociação com a TV volte a ser feita em conjunto, após o contrato vigente, e não mais separadamente, como acontece hoje em dia. 
Enquanto os atuais acordos não acabam, o grupo formado pelos times da segunda divisão pedem mudanças imediatas para conseguirem se ajeitar. 
a) Manter o valor de R$ 3 milhões para cada clube;
b) Acrescentar um valor de R$ 100 mil para cada posição no ranking dos 17 clubes, ou seja, o último do ranking recebe R$ 100 mil, o penúltimo R$ 200 mil, assim sucessivamente até o primeiro, que receberá R$ 1,7 milhão, para a temporada 2015.
c) Acrescentar da mesma forma acima um valor de R$ 100 mil de acordo com cada posição do último campeonato da Série B, para a temporada de 2015.
"Nós apresentamos hoje um estudo. O grupo foi criado há um tempo e essa foi a primeira vez que encontramos todos os clubes da B desde então. Foi a formalização da existência desse grupo", afirmou Glauber Vasconcelos, presidente do Náutico, em contato com a reportagem.
"Há muitos assuntos para serem tratados. A questão dos estádios, a questão dos horários de jogos e uma série de outras coisas. Claro que o tema das cotas de TV é muito importante e vamos já chegar com uma sugestão para eles. Fizemos um estudo grande sobre o assunto e estamos bem embasados", acrescentou Mauricio Sampaio, presidente do Atlético-GO.

sexta-feira, julho 10, 2015

Gol da Alemanha: Com US$ 60 milhões repassados pela Fifa, CBF entregou apenas um dos 16 centros de treinamento previstos



 Bruno Marinho e Leo Burlá
Como herança por ter sido sede da Copa de 2014, a Fifa anunciou que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) teria U$ 100 milhões de dólares (cerca de R$ 321,5 milhões) para investir no legado do futebol nacional. Em outubro, a entidade comunicou que destinaria 60% destes recursos para a construção de 16 centros de treinamento. Mas, passados oito meses, pouco aconteceu e a Alemanha ampliou a goleada. No país que humilhou o Brasil na semifinal da Copa, são 366 centros de desenvolvimentos de jovens que trabalham para manter a hegemonia germânica no futebol. 
Por aqui, a entidade só finalizou a compra de um terreno em Rondônia, e busca locais em outros cinco estados que não receberam o Mundial. Nas outras nove cidades que receberão os centros, nada avançou. Pronto mesmo só o de Belém, que foi inaugurado à época da Copa de 2014. O acordo com a Fifa é que todos estejam funcionando até o final de 2018. 
Na ótica da CBF, estes equipamentos terão um caráter social, ainda que as federações possam usar os espaços como forma de fomento ao futebol de cada um dos estados contemplados. 
- A CBF criou um projeto e haverá uma metodologia que será implementada junto com alguns projetos da Fifa já existentes para categoria de base, e outros que serão criados e adaptados - explicou Dino Gentille, diretor de Legado da CBF. 
Embora disponha de uma soma considerável - que é repassada gradativamente pela Fifa - os impostos são grandes vilões. Na transferência de recursos para a infraestrutura, há uma cobrança de 42% de tarifas. Está sob responsabilidade da CBF comprar o terreno, licitar, contratar e executar a obra. 
- A CBF contratou uma empresa de gerenciamento que encaminha os projetos para as construturas que participam de uma licitação aprovada pela Fifa. Nenhum projeto chegou a esta etapa ainda - disse Gentille. 
A previsão é que 4,8 mil crianças e jovens usufruam do investimento e, quem sabe, sirvam grandes clubes e a seleção brasileira no futuro. 
Por ora, as futuras fábricas de talentos seguem com os seus motores desligados.

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domingo, junho 28, 2015

Reinaldo Carneiro Bastos promete dividir melhor as cotas do Estadual

ENTREVISTA

REINALDO CARNEIRO BASTOS

Presidente da FPF 
 
Na ampla sala de espera do elegante prédio da Federação Paulista de Futebol (FPF), na Barra Funda, em São Paulo, enquanto aguardava o presidente Reinaldo Carneiro Bastos, um homem grisalho, no sofá do outro lado, viu o bloco de notas do Estadão e perguntou. “Você tá fazendo reportagem sobre o quê?”. Explico que é um especial sobre as dificuldades que os times do interior de São Paulo vêm passando. Ele estava ali pelo Batatais Futebol Clube. “A Federação tem de fazer algo, se não a gente vai desaparecer”, disse. A conversa é interrompida pelo assessor de imprensa da FPF. O presidente está pronto para atender a reportagem.
No fundo do grande aposento revestido em piso de mármore, num pequeno planalto, espera Reinaldo Carneiro Bastos, ao lado de sua ordenada mesa de trabalho. Aos 62 anos, foi o vice que esperou mais tempo para se sentar na cadeira passada em 5 de maio deste ano por Marco Polo Del Nero, hoje presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Entre um compromisso e outro, foram 20 minutos de conversa com o ex-dirigente e conselheiro vitalício do Esporte Clube Taubaté. A maioria, senão todos, dos dirigentes dos clubes de interior procurados pela reportagem depositaram esperanças no novo mandatário da FPF. Eles acreditam que, por sua origem taubateana, Carneiro estenderá a mão para tirar os clubes do buraco.
“O futebol vai mudar”, sentenciou o cartola. Ele fala pausadamente, com modos contidos e uma voz baixa. Não tira em momento algum os olhos do interlocutor. Mede cada uma de suas palavras, como se as estivesse pronunciando em um discurso previamente escrito. “A Federação e os clubes têm de sair da zona de conforto, têm de se reinventar. As leis estão aí. Não fomos nós que as fizemos. Tem de recolher seus impostos em dia, pagar salário em dia, resolver seu passado trabalhista, seus problemas fiscais. Eles existem.” E fez um alerta: “Não tem mais como passar a mão por cima. Em conjunto, a Federação e os clubes têm de se reinventar.”
Muitos presidentes de clubes com os quais conversei depositam esperanças na sua gestão pelo fato de o senhor ter presidido o Esporte Clube Taubaté. Por onde começar?
Conheço razoavelmente bem a condição dos times do Interior, mas não se iluda achando que essa situação é só lá. O País vive um momento difícil. É um momento difícil do futebol paulista, do futebol brasileiro. Não é time da capital e time do interior; é em geral. A Federação vai agir e trabalhar onde for necessário para capacitar os clubes, na gestão e na transparência, porque isso vai trazer fontes diferentes de recursos. E para quem não está investindo no futebol porque não acredita, a gente tem de mostrar sinais claros de que nós estamos trabalhando nisso.
Quais são esses sinais?
Já estamos trabalhando para as competições de 2016. Vamos criar formas para que os clubes consigam se autossustentar. E nós vamos lá cobrar. Nós vamos estar juntos dos clubes organizados, primeiramente. E vamos ajudar a organizar os demais. Quem não tiver essa consciência vai ter de esperar, se organizar para participar de competições. Foi uma amostra esse ano. A segunda divisão encolheu: tínhamos 52 pretendentes e 30 estavam capacitados para disputar. Foi o primeiro passo, um passo pequeno, porque só se ateve aos regulamentos, aos estatutos e à legislação vigentes. Quem atendeu o que existe está jogando. Quem não atendeu, não está jogando. Sem nenhuma exceção. Nós não trabalhamos na gestão neste ano. Nós não temos nenhuma expectativa na Federação de que vamos resolver todos os problemas imediatamente. Depende muito dos clubes.
O senhor mencionou formas de melhorar a gestão dos clubes. Quais são esses procedimentos e ferramentas?
Nós podemos montar uma diretoria que ajude os clubes na sua gestão, desde a confecção do seu balanço, orientar o clube a ter um planejamento do que vai fazer no ano que vem, ter um orçamento, como tem de pagar seus funcionários, seus impostos. Vai acontecer já em 2016 tudo isso certinho? Não. Nós vamos dar passos na velocidade em que a gente não precise recuar. E vamos trabalhar para que a gente aumente a receita dos clubes, e que eles saibam como usar essa receita.
Os dirigentes e torcedores dos 11 clubes do interior com quem conversei disseram que as cotas pagas pela Federação não ajudam muito.
A distorção da Série A1 para a Série A2 é muito grande. Não há planejamento que resista a você cair de uma cota para quase sem cota. A cota do A2 corresponde a 6% da cota da A1. Se eu tiver uma promessa, um jogador, não posso fazer um contrato de três anos com ele, porque se eu cair, não pago. Então a gente precisa encostar, diminuir essa diferença para pelo menos 30%. Óbvio que quando você cai da A1 para a A2 seu recurso diminui, mas tem de haver pelo menos o mínimo para se organizar. Isso vai de divisão por divisão. A gente não tem uma expectativa de que será feito tudo para todos de uma hora para outra. O foco principal é diminuir o abismo da A1 para a A2.
E em seguida?
A partir da organização dos clubes - e organizar não significa que vai sobrar dinheiro - é mostrar a forma mais adequada de gastar.
Até porque já há uma dívida grande acumulada…
Exato. Já tem um passado, muitos já têm um passado (devedor). Isso passa muito, na parte fiscal, pelo financiamento na lei dos clubes que está sendo discutida em Brasília. Muitas dessas atitudes estão em compasso de espera, porque os clubes precisam saber como vão se comportar diante da dívida fiscal. Tem muito clube que, pela lei que está lá hoje, não adianta aderir, porque não cumpre. Há assuntos que não têm como a Federação agir, porque dependem dessa parte fiscal. Os clubes vão ter de melhorar a gestão, e a Federação vai ajudar para que isso ocorra.
A partir de sua experiência como dirigente de um clube do interior, o que o senhor pensa que pode ser aproveitado enquanto gestão de um time como o Taubaté, por exemplo?
Passa muito por premiar o critério técnico. Nós estamos estudando uma forma de redividir as receitas e dar uma parte disso para a premiação. Normalmente, você dividia entre os quatro grandes e os outros 16. Neste ano, de uma forma ainda tímida, nós premiamos do primeiro ao 16º. A ideia é aumentar o porcentual de divisão do dinheiro pela competência do time. Porque o clube vai jogar o campeonato inteiro pensando que quanto mais à frente ele estiver, maior será a receita dele. Nós estamos trabalhando muito para que haja mais transmissões de TV na Série A2.
Com relação ao calendário de competições, conversei com vários presidentes de times e eles questionaram o fato de ter apenas três meses de campeonato e 12 meses de contas para pagar…
A solução aí é um trabalho que já está sendo feito com a CBF de se conseguir mais vagas da Série D, e a Copa Paulista, no segundo semestre, dar uma vaga na Série D. O clube só joga, só arruma patrocínio e só gera receita se disputar competição que valha alguma coisa. A vaga da Copa do Brasil, que já tem na Copa Paulista, não é uma competição que seja um atrativo. O atrativo é ele ter - também no segundo semestre - uma opção de começar a sua história nos campeonatos nacionais.
Muita gente tem medo de que daqui a algum tempo não haja mais Campeonato Paulista, pois os times do interior estão desaparecendo.
Os clubes do interior não estão desaparecendo, estão trocando. Então, saem antigos, clubes tradicionais, e entram novos. Qual é a diferença de um clube tradicional e de um novo? O novo não tem passado - dívida trabalhista, dívida fiscal. A Ferroviária fez uma campanha brilhante. O que aconteceu? Seu estádio foi a leilão, a Prefeitura desapropriou, fez uma arena, o clube joga lá e quitou seu passado. O que aconteceu? Não tem dívida. Ali não vai se enganar mais, não. A Federação vai fazer muito mais pelos clubes, mas vai cobrar. E não é cobrar para atrapalhar, mas para ajudar.
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sexta-feira, junho 26, 2015

[#rememoring] Como é difícil fazer rádio nesta plaga

"Caminho pela estrada seletiva da interdisciplinaridade, mas busco a senda transcendente da transdisciplinaridade." (Benê Lima)


(Trecho da Coluna “Com Pé e Cabeça” de 2009, mas que se mantém atual, sendo republicada por Edilson Aguiar)
 
 

Do ano de 2003 até aqui, entendo que já é tempo suficiente, para quem tem boa percepção das coisas, perceber o quanto é embaraçoso fazer rádio em nosso Estado.

Primeiro, não são muitas as pessoas dispostas a fazer rádio esportivo com seriedade, com dignidade e com qualidade. Antes disto, o que se pretende é apenas privilegiar o aspecto comercial, em detrimento dos demais componentes.

Também sei que a coragem de declarar meu repúdio pelo tipo de rádio que produzimos como regra, me fará angariar a antipatia de muitos. Isso, para ficar no mínimo. No entanto, estou disposto a pagar o preço, até porque não tenho mais idade para ilusões.

Porém, o preço que não aceito pagar é o do silêncio, da subjugação. Contudo, isso não significa dizer que eu não possua espírito gregário, que não saiba trabalhar em equipe, nem que eu seja inteiramente refratário às ideias dominantes e completamente inapto para lidar com as concessões.

Fico a me perguntar, que tipo de contribuição podemos dar ao nosso futebol, rezando por uma cartilha que só enxerga a vantagem e o utilitarismo oportunista? Ou, onde nos levará essa filosofia falsamente pragmática, de conteúdo anacrônico e anticientífico? Sinceramente, não dá para ser otimista, diante de um quadro tão desolador.

Sem o devido preparo, sem que reconheçamos e introjetemos a necessidade de realizarmos em nós as mudanças e os reparos indispensáveis, não há como ingressarmos na nova era do futebol. Uma era que requer descoberta exterior e interior, interação entre as disciplinas, ações centrípetas e não centrífugas, e, sobretudo, uma era que requer o rompimento com o preconceito e ideias preconcebidas, além de uma visão holística e transcendente.

Quem se habilita?
 
(...)

sábado, junho 13, 2015

Um ano depois da Copa, oito dos 12 estádios têm prejuízo

BERNARDO ITRI / DO PAINEL FC 
O Maracanã foi o estádio com maior déficit

Passado exatamente um ano da abertura da Copa do Mundo no Brasil, os estádios, anunciados como o principal legado esportivo para o país, se tornaram uma dor de cabeça para clubes, governos e concessionárias. 
Oito dos 12 estádios construídos ou reformados para o Mundial são deficitários. Acumularam em 2014 prejuízo superior a R$ 126 milhões.
Levantamento realizado pela reportagem da Folha aponta que Arena da Baixada (PR), Arena Pernambuco, Arena Pantanal (MT) e Maracanã fecharam o ano de 2014 no vermelho. 
Também ficaram no prejuízo Fonte Nova (BA), Mané Garrincha (DF), Arena da Amazônia e Castelão (CE). 
E os oito estádios seguem com dificuldades para se viabilizar financeiramente.
Só Itaquerão, Mineirão, Beira-Rio e Arena das Dunas tiveram lucro. A arena corintiana, porém, ainda não começou a ser paga. 
O estádio com a situação mais crítica é o Maracanã, que registrou R$ 77,2 milhões de prejuízo em 2014 –no ano anterior, primeira temporada após a reforma, o rombo foi de R$ 48,3 milhões. 
Segundo especialistas, uma equação envolvendo a baixa qualidade dos jogos, os horários das partidas (muitas vezes, às 22h) e o alto custo de operação dos equipamentos modernos do estádios explica esse deficit. 
Editoria de arte/Folhapress
No Estadual do Rio de 2014, o prejuízo do Maracanã foi de R$ 6 milhões. 
"A viabilidade das arenas depende da qualidade do espetáculo que queremos no Brasil", afirma Denio Cidreira, diretor da Odebrecht Properties, empresa que participa da gestão do Maracanã e também da Fonte Nova e da Arena Pernambuco, outros dois estádios deficitários da Copa: tiveram prejuízo de R$ 15,6 milhões e R$ 24,4 milhões respectivamente. 
Nessas circunstâncias, a administração do Maracanã busca recursos por meio de ações não diretamente relacionadas ao futebol. 
Além de fechar setores do Maracanã em jogos com menor expectativa de público, são realizados eventos infantis, confraternizações etc (veja texto abaixo). 
Se o problema do Maracanã é a qualidade das partidas, em outros estádios o cenário é ainda pior. Arenas de Cuiabá, Brasília e Manaus tentam sobreviver sem uma agenda de jogos garantidos. 
O Mané Garrincha, cuja custo da construção passou de R$ 1 bilhão, tem custo mensal de R$ 600 mil, bancados pelo governo do Distrito Federal, e prejuízo anual de R$ 3,6 milhões. 
As principais rendas desse estádio vêm especialmente de jogos de clubes do Rio e São Paulo, quando esses times aceitam transferir as partidas para lá. 
"O elefante está na sala, agora precisamos pintá-lo", diz o secretário de Turismo do Distrito Federal, Jaime Recena, sobre o Mané Garrincha. 
O Castelão, em Fortaleza, consome mensalmente R$ 1,1 milhão com a operação, manutenção e administração. A Luarenas, gestora do estádio, admite que fechou 2014 com prejuízo, mas não divulga o valor –daí ser possível dizer que o prejuízo total desses oito estádios vai além dos R$ 126 milhões. 
O número de estádios com prejuízo poderia chegar a nove não fosse o fato de a Arena das Dunas ter incluído no seu balanço R$ 105 milhões destinados ao pagamento do financiamento para a construção do estádio, segundo a OAS, gestora do estádio. 
Este dinheiro não veio de receitas da arena, mas serviu para fazer com que o balanço apontasse um resultado positivo de R$ 20 milhões. 
ITAQUERÃO
Dos estádios que registraram lucro em 2014, o Itaquerão deve ser visto como um caso à parte. 
Muito por conta das boas bilheterias que obteve, a Arena Corinthians terminou 2014 com R$ 11 milhões de saldo positivo. No entanto, ainda não entrou nesta conta o pagamento do estádio. 
A partir de julho deste ano, o clube paulistano terá de pagar R$ 5 milhões por mês. A quitação poderá ser feita em até 12 anos. 

sexta-feira, junho 12, 2015

Assembleia Geral aprova mudanças profundas no Estatuto da CBF

 
A CBF realizou, nesta quinta-feira, a Assembleia Geral Extraordinária com os presidentes de todas as 27 federações de futebol do Brasil. O principal objetivo do evento foi a votação de alterações no Estatuto da CBF.
O presidente da Federação Tocantinense de Futebol (FTF), Leomar Quintanilha, foi escolhido pelos colegas para presidir a Assembleia Geral, e liderou os trabalhos. Por isso, ocupou a cadeira principal da Sala das Federações, no 4º andar da sede da CBF. A reunião contou com a participação de 47 pessoas, entre dirigentes estaduais, vice-presidentes e diretores da CBF.
Todas as mudanças estatutárias propostas pelo presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, foram aprovadas pelos membros da Assembleia, em três horas de diálogo e debate:
Art. 5º, VIII- representar o futsal e o futebol de areia (Beach Soccer) do Brasil, diretamente, ou, por meio de entidade dirigente das citadas modalidades em quaisquer competições internacionais, ficando a promoção, no país, de eventos internacionais de futsal e de Beach Soccer quando e se a CBF não quiser organizá-los, subordinada à sua prévia autorização, podendo esta representação ou autorização ser cancelada ou suspensa, total ou parcialmente, a qualquer momento, a exclusivo critério da CBF;
Art. 5º, XXVII- participar das competições organizadas pelas entidades internacionais competentes;
Art. 5º, XXVIII- pagar as cotas e demais obrigações financeiras devidas às entidades internacionais competentes;
Art. 20, Parágrafo único - São órgãos auxiliares e de cooperação o Conselho Consultivo, o Conselho Técnico, a Comissão de Arbitragem, a Comissão de Controle de Doping, o Comitê de Resolução de Litígios, a Ouvidoria do Futebol, a Comissão Nacional de Clubes, a Comissão de Ética e o Comitê de Governança Corporativa e Conformidade, ficando facultada a criação de comissões ou comitês por ato da Presidência, sempre que necessário.
Art. 33 - O mandato do Presidente e dos Vice-Presidentes é de 4 (quatro) anos, permitida uma única reeleição, e terá início ao final da Assembleia Geral que ocorrer subsequentemente à realização das eleições, com o objetivo de apreciar e julgar as contas referentes ao exercício financeiro anterior.
Art. 41 – Ao Presidente, além das demais atribuições estabelecidas neste Estatuto e na legislação desportiva, compete:
VIII - nomear e dispensar os membros de quaisquer comissões e comitês criados por ato da Presidência, bem como nomear os integrantes do Conselho Consultivo indicados na forma do art. 51 deste Estatuto;
XX– assinar, em conjunto com o Diretor Financeiro ou, na ausência deste, com o Tesoureiro, ou outorgar poderes para a assinatura conjunta com o Diretor Financeiro ou, na ausência deste, com o Tesoureiro, de títulos, cheques, recibos ou quaisquer outros documentos que constituam direitos ou obrigações financeiras, bem como todos os atos que impliquem responsabilidade para a CBF, obedecidas as disposições deste Estatuto.
XXI- celebrar, em conjunto com o Diretor da respectiva área, convênios e acordos que importem em compromissos para a CBF;
XXXI- assinar, em conjunto com o Diretor Financeiro, o Tesoureiro ou o Diretor da respectiva área, qualquer contrato que crie obrigação ou direito para a entidade;
Art. 45 - A CBF terá uma Diretoria nomeada pelo Presidente e composta de, no máximo, 15 (quinze) membros, designados Diretores, com a função de assistir a Presidência.
Art. 49 – A Diretoria reunir-se-á pelo menos uma vez por mês e sempre que se fizer necessário, sendo convocada pelo Presidente e suas decisões serão adotadas, em qualquer caso, pelo voto da maioria de seus membros presentes à reunião.
Art. 52 - O Conselho Consultivo compõe-se de 5 (cinco) Presidentes de entidades estaduais de administração (Federações) que representem as 5 (cinco) regiões geográficas do País, conceito que será igualmente utilizado para efeitos de participação das entidades de prática desportiva (Clubes) nas competições.
Art. 54 - O Conselho Técnico será composto pelas entidades de prática de futebol (clubes), integrantes e disputantes de cada competição coordenada pela CBF, obedecido o número de participantes fixado pela CBF.
Art. 56 - O Conselho Técnico terá a incumbência de deliberar e aprovar as matérias referentes à forma e sistema de disputa da competição, assim como acerca da fixação do preço dos ingressos e do regulamento especifico da competição, visando, prioritariamente, à melhoria da qualidade técnica da competição, respeitadas as disposições legais e o calendário anual do futebol brasileiro estabelecido pela CBF.
Art. 60 - Após sua aprovação, o Regulamento de cada competição será disponibilizado no sítio próprio da CBF na internet, juntamente com a respectiva tabela de jogos, podendo referido Regulamento ser alterado por decisão unânime dos seus integrantes, nos termos da legislação em vigor.
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Seção XII
Da Comissão Nacional de Clubes
Art. 68-A - A CBF terá, em caráter permanente, uma Comissão Nacional de Clubes incumbida de fazer sugestões visando a assegurar o equilíbrio competitivo, a modernização organizacional e a integridade das competições nacionais de futebol.
Parágrafo único - A Comissão Nacional de Clubes será integrada a cada temporada por nove (9) membros, escolhidos por seus pares, a saber:
I - cinco (5) representantes dos clubes da Primeira Divisão (Série A);
II – dois (2) representante dos clubes da Segunda Divisão (Série B);
III - um (1) representante dos clubes da Terceira Divisão (Série C);
IV - um (1) representante dos clubes da Quarta Divisão (Série D).
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Seção XIII
Da Comissão de Ética
Art. 68-B - A Comissão de Ética da CBF será composta por três membros autônomos e independentes da Diretoria, de ilibada reputação e notório conhecimento, a serem indicados por ato da Presidência.
Parágrafo único. A Comissão de Ética da CBF poderá sancionar dirigentes, atletas, árbitros, integrantes de comissões técnicas, intermediários e organizadores de partidas de futebol, aplicando quaisquer das penalidades que estejam previstas neste Estatuto, exigindo um mínimo de três membros para adoção de qualquer decisão, ressalvada a competência da Justiça Desportiva.
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Seção XIV
Do Comitê de Governança Corporativa e Conformidade
Art. 68-C – O Comitê de Governança Corporativa e Conformidade da CBF será composto por três membros autônomos e independentes da Diretoria, de ilibada reputação e notória especialização, a serem indicados por ato da Presidência, os quais deverão buscar a excelência em Governança Corporativa e Conformidade, com vistas a fortalecer e criar as melhores condições para o desenvolvimento do futebol brasileiro, apoiando-se em quatro princípios básicos:
I - Transparência/Disclosure - processo de comunicação rápida e espontânea com os públicos interno e externo, contemplando os fatores que norteiam a ação administrativa da CBF visando a sedimentação de valores de integridade e credibilidade;
II - Equidade/Fairness - tratamento justo e igualitário de todas as partes interessadas, tais como jogadores, dirigentes, técnicos, árbitros, torcedores, clientes, fornecedores, órgãos governamentais, colaboradores, credores, etc;
III - Prestação de Contas/Accountability - prestação de contas dos administradores a todos os entes filiados à CBF e responsabilidade pelos atos que praticam no exercício de seus mandatos;
IV - Responsabilidade Corporativa/Compliance - zelo pela sustentabilidade e perenidade do futebol brasileiro, prevenindo os riscos e distorções em setores, atividades, processos e pessoas mais vulneráveis na organização, à par da observância da legislação vigente.
Art. 80, Parágrafo único – as demonstrações financeiras deverão ser elaboradas e publicadas na forma da lei.
Art. 99 - As entidades de prática do futebol (clubes), participantes de quaisquer competições coordenadas pela CBF, serão automaticamente substituídas, ao final de cada competição, em razão da aplicação dos critérios técnicos fixados nos respectivos Regulamentos, respeitadas as disposições do RGC da CBF.
EXCLUIR: Art. 102 - Caso o Brasil seja o país escolhido pela FIFA para sediar a Copa do Mundo de 2014, o mandato do Presidente, dos 5 (cinco) Vice-Presidentes e dos membros do Conselho Fiscal que forem eleitos para suceder aos dirigentes cujos mandatos se encerrem em 16 de janeiro de 2008, terá, excepcionalmente, duração até a data da realização da Assembléia Geral que julgar as contas do exercício de 2014.
EXCLUIR: Parágrafo Único - A exceção de que trata o caput deste artigo não terá aplicabilidade nem eficácia se o Brasil não vier a ser escolhido e ratificado pela FIFA para sediar referida Copa do Mundo, hipótese em que o mandato dos membros eleitos obedecerá à regra geral prevista no artigo 33 deste Estatuto.
EXCLUIR: Art. 103 - No prazo de 180 (cento e oitenta) dias, a contar da data da averbação deste Estatuto no Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas, as entidades estaduais de administração (Federações) como filiadas diretas promoverão, obrigatoriamente, a adaptação de seus estatutos às normas neste contidas.
Art. 104 - A presente alteração estatutária entrará em vigor e terá eficácia plena, na sua totalidade, a partir do dia 11 de junho de 2015, data da realização da Assembleia Geral Extraordinária da CBF, que a aprovou.
INCLUIR NAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS:
Art. xx – Recomenda-se às entidades estaduais de administração (Federações), a adoção da limitação de mandatos para seus respectivos Presidentes, nos termos estabelecidos no art. 33 deste Estatuto.
Art. xx – A CBF criará normas para regulamentar o sistema de licenciamento de clubes, visando a estabelecer novos padrões de governança e administração responsável nos clubes profissionais de futebol, que conterão critérios e requisitos mínimos (i) desportivos, (ii) administrativos e de pessoal, (iii) de infraestrutura, (iv) financeiros e (v) jurídicos, que os clubes terão de cumprir para serem admitidos em competições coordenadas pela CBF, mediante a outorga de licença anual.