Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

terça-feira, outubro 14, 2014

Marcelo Chamusca, treinador do Fortaleza

Profissional fala sobre trabalho na temporada e aproveitamento ótimo na Série C

Marcelo-Chamusca-7

Foto: Nodge Nogueira

Bruno Camarão / Universidade do Futebol

Entre 20 times, o melhor aproveitamento. A conquista de quase 65% dos pontos disputados passa por um trabalho iniciado no ano passado. O comando técnico é de um ex-jogador chamado “Marcelo”. Não, não estamos falando do Cruzeiro.

Na Série C do Campeonato Brasileiro, a grande sensação da temporada é o Fortaleza, treinado por Marcelo Chamusca. Irmão de Péricles, começou a carreira como auxiliar em diversos clubes. Passou por categorias de base, área administrativa, até em 2012 assumir a primeira equipe principal – o Vitória da Conquista, para em seguida trabalhar no Salgueiro.

No fim do ano passado, Chamusca foi contratado pelo Fortaleza, clube atual. Em novembro, completa um ano à frente dos cearenses, e até agora soma apenas três derrotas ao longo de todo o ano.

Chamusca

Além disso, com o fim da primeira fase da terceira divisão nacional, o “Leão do Pici” tem a melhor campanha (64,08%) entre todos os competidores. E, comparando com clubes das séries A e B, o desempenho só não é melhor do que o Cruzeiro, de outro Marcelo – Oliveira, ex-atacante do Atlético-MG.

“É um grupo muito bom em termos de preparação. Tenho uma forma de liderar que costumo compartilhar todas as tomadas de decisão no planejamento da semana de treinos. A ideia é fazer treinos diferentes a cada dia, estimulando a parte cognitiva dos atletas. E o departamento de futbol, como um todo, tem toda a liberdade pra me dar um feedback”, explica Chamusca.

Vice-campeão cearense, ele foi eleito o melhor treinador treinador do Estadual, mesmo com a perda do título para o rival Ceará. Algo que orgulha Marcelo, que trabalhou no Al Jaish e no Al-Arabi Sports Club, do Qatar, e no Oita Trinita, do Japão.

“O futebol é um espaço importante pra trabalhar a inclusão social. Por todos os lugares que passo, procuro bater muito na tecla da administração da carreira dos jogadores. Temos de ter esta preocupação, especialmente na base. Além de nos atentarmos à qualidade do jogo e aos resultados”, indica.

Nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol, uma semana antes do duelo contra o Macaé, pelas quartas de final da Série C, Chamusca fala ainda sobre a preocupação dele em relação ao futuro do futebol brasileiro.

“No Brasil, a captação de talentos até é feita com certa qualidade. Precisamos melhorar a formação dos treinadores de base. Deve haver um currículo mais homogêneo. Passei pelo Qatar e pelo Japão e a realidade é um pouco diferente. Na Europa, existe uma linha de qualificação já consolidada. Há um ponto falho por aqui”, finaliza.

Ouça a íntegra ali: Files/PodCastEntrevista/UDOF EN MCHAMUSCA 1010.mp3


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sexta-feira, outubro 03, 2014

Entrevista] Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva

Amir Somoggi

A Copa do Mundo passou e os velhos problemas do futebol brasileiro permaneceram. Ou melhor, continuaram. O calendário, o adiantamento das cotas de televisão, clubes sem patrocínio master, a falta de ativação, são alguns dos pontos mais alarmantes.

Para nos dar um contexto muito mais amplo deste atual momento que atravessa a modalidade, conversamos com o consultor esportivo Amir Somoggi, um dos nomes mais respeitados do marketing esportivo do Brasil.

Nesta entrevista, Amir destacou o motivo pelo qual o dinheiro investido pela Globo e Caixa Econômica – que detém o maior número de clubes patrocinados, não foi suficiente para amenizar os problemas enfrentados pelas equipes. Ao mesmo tempo, o consultor apresentou algumas soluções para que, enfim, o nosso cenário vislumbre mudanças.

 

MKT ESPORTIVO: Amir, passado apenas dois meses da Copa do Mundo e toda a expectativa criada em torno dela,  ainda assim, os assuntos do momento são racismo e crise na arbitragem. Tomando como base este cenário, que analise você faz do atual momento do futebol brasileiro.

Amir Somoggi: Os episódios de racismo e crise na arbitragem são casos isolados, mas frutos de um problema maior, que é o de gestão do futebol brasileiro. A Copa do Mundo foi um sucesso dentro de campo, mas passou como um raio; foi um oásis num ambiente de má administração do futebol nacional. A verdade é que, ao contrário do que algumas pessoas mais otimistas chegaram a imaginar, a Copa não solucionou os graves problemas estruturais do nosso futebol. Houve, sim, um momento fantástico em âmbito desportivo. Mas, ao final do torneio, tudo voltou a ser como era antes.

 

Seu estudo sobre o cenário do futebol brasileiro publicado em maio deste ano mostra um crescimento muitíssimo baixo de receitas dos clubes entre as temporadas 2012 e 2013 (3.089 bi contra 3.096 bi, crescimento de 0,2%). Ainda de acordo com o estudo, a quota relativa à Publicidade e Propaganda cresceu apenas 1% no período. Você acha que há um entendimento total dos clubes a respeito do que é fazer marketing esportivo, valorizar a imagem institucional e focar no torcedor, que é o seu consumidor e principal fonte de receita?

Essa é a grande questão. O estudo mostrou que as receitas não estão mais crescendo de forma significativa nos últimos anos. Em 2012 houve um incremento em função da renegociação das cotas de tevê pela Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão, com os clubes; no ano passado, houve um aporte da Caixa Econômica Federal, que se tornou patrocinadora master de diversas agremiações. Mas nem o dinheiro da Globo, nem o aporte da Caixa foi suficiente para mudar o cenário da Publicidade e da Propaganda no futebol brasileiro. Historicamente, os clubes sempre viveram com exposição de suas marcas na mídia, e só. No entanto, há várias outras ações que poderiam ser desenvolvidas por eles, junto às empresas e aos torcedores. Na verdade, hoje os clubes são reféns desse modelo. Com isso, os patrocinadores do setor privado não veem os clubes como plataformas de negócios, mas sim plataformas de mídia, apenas. Ainda que ser um plataforma de mídia seja importante para o clube e para a empresa, este não é o único canal para se fazer comunicação com o mercado consumidor. Infelizmente, ainda engatinhamos nesse aspecto.

No próximo mês de novembro você é um dos nomes presentes no MKT no Futebol – Master em Marketing Esportivo com ênfase em Futebol e debaterá justamente o tema da pergunta anterior, “Branding e a crise no mercado brasileiro de patrocínio no pré e pós-Copa”. Não abrindo todo o conteúdo que você abordará no dia do curso, mas alimentando a curiosidade dos que estarão presente, nos diga o por quê desta crise?

São vários os fatores responsáveis por esta crise de gestão pela qual passa o futebol brasileiro. Mas, em minha aula, vou abordar um deles, em especial. Tentarei mostrar à turma que, antes de buscar o faturamento, o clube deve investir na sua própria marca; precisa fazer um bom trabalho de branding para chamar a atenção do mercado. Quando está tudo bem, o clube não precisa se esforçar tanto nessa frente – ainda que, particularmente, eu não concorde com isso. Mas, com o mercado em retração, o clube precisa ser mais criativo. Na minha opinião, vivemos dois problemas: um de criatividade dos profissionais de Marketing esportivo e outro macro, econômico. O Produto Interno Bruto (PIB) do esporte brasileiro movimenta mais de R$ 70 bilhões. Entretanto, o mercado publicitário, as agências e os próprios anunciantes não conseguem perceber o retorno de um eventual investimento feito no esporte. E isso, muito em função da falta de ação – e de criatividade – por parte dos clubes.

 

Recentemente, o Lance divulgou uma pesquisa a respeito da lembrança do torcedor sobre o patrocinador de sua equipe. O destaque fica para a relação Atlético/MG – BMG, líder do ranking com 38% de share of mind. O banco mineiro, por sua vez, utiliza o futebol como mera plataforma de mídia, mas consegue ter o maior índice de lembrança. A que se deve este fato?

Mais uma vez, não acho que seja apenas um único fator que tenha levado a esse resultado. No caso do Atlético Mineiro, a lembrança do Banco BGM pode ter se dado porque a instituição também é uma marca do próprio estado de Minas Gerais, ou mesmo porque leva a sigla do estado no nome. Há, ainda, o componente de fanatismo da torcida do Atlético, uma das suas marcas registradas. Mas essa pesquisa, na verdade, acendeu um sinal amarelo no mercado. Os resultados são preocupantes, visto que os torcedores, que nada mais são do que consumidores, não se lembraram de marcas associadas ao seu clube do coração. E há muito clube que recebe mais dinheiro de seus patrocinadores que o Atlético Mineiro, mas nem assim houve retenção de marca desses investidores pela torcida. Por quê? Porque falta ativação de patrocínio. Sem ativação, é muito dinheiro investido e pouco retorno efetivo obtido.

 

Hoje, o foco está na Major League Soccer, que apesar de muito nova, está crescendo a passos largos nos EUA. Enquanto novas equipes entrarão na liga em 2015, e com elas a presença de Kaka, Lampard e Villa, os gigantes da Europa também utilizam o país para pré-temporadas e relacionamento com o fã norte-americano. De fato, é um mercado-chave para os patrocinadores. Comente sobre este atual momento do soccer e em qual aspecto o Brasil poderia se espelhar.

A MLS é uma liga muito bem administrada, cujo sucesso independe do volume de dinheiro que movimenta. Fato é que o boom do soccer nos Estados Unidos após a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, foi sucedido de um crescimento exponencial pela pela modalidade por parte dos americanos, sobretudo agora, após a Copa do Mundo do Brasil. E isso abriu um mercado fantástico para todos os que queiram explorar o mercado norte-americano. Importante salientar que a MLS foi criada após a Copa de 94, realizada lá mesmo nos Estados Unidos. E, de lá para cá, e principalmente nesta década, é evidente que os principais patrocinadores e investidores do futebol mundial voltaram suas atenções para o país. Isso também vale para os clubes, especialmente os europeus. Todos estão focados nos Estados Unidos. Nesse sentido, os clubes brasileiros certamente terão dificuldades em se estabelecer por lá. E, diante dessas dificuldades, resta-nos ter a humildade de tentar aprender alguma coisa com eles. Por exemplo, no que diz respeito ao rígido controle para fortalecimento comum de todas as equipes, ao contrário do que ocorre, por exemplo, com a Liga Espanhola de Futebol, onde raramente o título nacional não é vencido por Barcelona ou Real Madrid. Para os americanos, o modelo é antagônico ao da “espanholização” do futebol: quanto mais competitividade tiver a MLS, mais dinheiro será injetado no negócio em longo prazo. Com mais dinheiro, todos ganham. Esta é, sem dúvida, uma importante lição para o futebol brasileiro.

O ex-jogador Leonardo esteve no “Bola da Vez” da ESPN Brasil e comentou a respeito das fortes marcas que se tornaram as ligas da Europa. Premier League e Bundesliga, por exemplo, rapidamente são associadas a ligas com solidez financeira e competitivas desportivamente. Quando o assunto é o Brasileirão, segundo ele, os europeus não relacionam com a liga brasileira e futebol. Como mudar este cenário tão negativo? A venda de direitos de transmissão internacional seria parte do processo?

A venda dos direitos de transmissão internacional do Campeonato Brasileiro é apenas uma etapa para que essa mudança comece a acontecer. Falta-nos, hoje, que os clubes de fato tenham uma abordagem internacional de suas marcas e do futebol brasileiro como um todo, com um projeto mais amplo do qual façam parte a Confederação Brasileira de Futebol e a Rede Globo, como detentora da propriedade. Infelizmente, não temos Liga, tampouco união dos clubes no Brasil. Só isso já torna tudo mais difícil. E é por isso que estamos perdendo espaço para ligas como a própria MLS, que tem apoio da ESPN e transmite seus jogos para o mundo inteiro. Sem essa abordagem internacional, no contexto de um projeto bem montado, que envolve, também, temas como calendário, os times brasileiros continuarão sendo insignificantes no exterior. Conhecidos lá fora, só mesmo a Seleção Brasileira e nossos bons jogadores.

 

Você é um dos profissionais mais solicitados para entrevistas relacionadas ao universo do marketing esportivo e suas pesquisas embasam milhares de publicações. Sendo uma referência aos que se interessam pelo tema, que conselho você dá aos novos profissionais e aqueles que ainda desejam um espaço neste tão concorrido mercado?

O primeiro conselho é o de mudança de foco: muito profissional jovem pensa que Marketing Esportivo é trabalhar no clube do coração e fazer alguma coisa por ele, mas isso é um grande erro. Na verdade, isso é um sonho, e de difícil realização. Os grandes clubes são muito difíceis de se trabalhar. Por outro lado, clubes menores  com boas estruturas, tendem a ser receptivos a bons projetos. O mesmo acontece com outras modalidades esportivas. O mercado corporativo também precisa, e muito, de gente qualificada. Agências, consultorias, novas arenas e empresas de gestão esportiva devem estar no radar do profissional de Marketing Esportivo, e não apenas os clubes de futebol. Até arrisco dizer que os clubes talvez sejam os locais menos indicados para fazer carreira na área, visto que neles ainda predominam os interesses políticos. E também há vida no Marketing Esportivo para quem trabalha em empresas que não investem no esporte. Por que não tentar desenvolver um projeto do zero para pegar experiência e aprimorá-lo conforme os interesses desta empresa? Pode dar certo e despertar novas possibilidades comerciais para a corporação. Esta é outra dica que deixo.

domingo, setembro 28, 2014

O gesto de Sheik e os negócios do esporte

Citação UF - GC 01Foto-composição: Benê Lima

Geraldo Campestrini / Universidade do Futebol

A frase de Emerson “Sheik” (https://www.youtube.com/watch?v=sjpB0-MVC1c) do Botafogo, após ter sido expulso do jogo contra o Bahia, em partida válida pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro, tem gerado inúmeros debates. Ao que parece, agora a moda é ser insurgente ao poder. No futebol tupiniquim o “bacana” é vociferar contra a CBF. Está na moda.

Por vezes, ao ler/ouvir a imprensa ou mesmo em conversas informais, tem-se a clara certeza de que o prédio da CBF é formado por um grupo de pessoas que fica pensando em tudo, como se os jogos do Campeonato Brasileiro fossem totalmente manipulados, como máquinas, que respeitam o bel prazer da entidade máxima do futebol brasileiro. Às vezes, pela opinião pública em geral, deveria tender a acreditar que as pessoas ligadas a CBF têm 100% de aproveitamento na Loteria Esportiva, já que “fazem de tudo” para que o Clube A vença o Clube B e assim por diante, com resultados de competições totalmente fechadas.

Não que eu queira beatificar as pessoas ligadas a esta instituição. Longe disso. Bem longe!!! Mas o fato é que compreendemos muito mal o papel de cada entidade dentro do sistema. E isso inclui os atletas que o praticam. As lutas contra um poder são, mais das vezes, iniciadas de maneira positiva (pela causa) mas conduzidas posteriormente de forma equivocada, o que apenas reforça o poder institucionalizado.

Por seu turno, há uma cultura generalizada no Brasil de derrubada constante daqueles que supostamente dominam um sistema. Trata-se, a bem da verdade, de uma cultura autodestrutiva, em que os que estão na parte de baixo do sistema não analisam o mérito da causa ou enxergam a sua efetiva importância para iniciar um processo construtivo de mudança, que depende de todos.

Dentro deste imbróglio, fica claro que não compreendemos o sistema ao qual estamos inseridos. Ao falar que a “CBF É UMA VERGONHA”, estamos, na verdade, dizendo que todos os que fazem parte do Campeonato Brasileiro são uma vergonha. Sim, atletas, sem vocês não haveria campeonato. Ou apenas a entidade que governa o futebol que é uma vergonha? Tudo que está abaixo dela é o hors concours da idoneidade e eficiência?

Francamente. Enquanto não entendermos o negócio do futebol como um todo, sabendo o papel de cada indivíduo e de cada organismo pertencente ao sistema, vociferar palavras de ordem não resultam em nada. É como falar mal da própria empresa que trabalha: se não é possível modificá-la, vá para a concorrente.

O debate para a mudança deve ser construtivo e no foro qualificado para tal. Precisamos e podemos ser bem mais inteligentes do que mandar “recadinhos” no meio de jogos após uma expulsão...

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sábado, setembro 20, 2014

Fifa] As frases da semana

As frases da semana

© Getty Images

 

A segunda convocação de Dunga, a conferência de técnicos FIFA/UEFA e a primeira rodada da UEFA Champions League com três clubes portugueses em ação, são os grandes destaques da semana. Confira as melhores frases.

"Estamos no início do trabalho, fizemos apenas dois jogos. Precisamos manter a base do trabalho. Não se pode mudar num instante. Precisa dar confiança aos jogadores para se sentirem à vontade na Seleção. Tem que ter essa continuidade. Chamamos dois jogadores jovens que estão tendo destaque no futebol mundial e já passaram pelas categorias de base da Seleção Brasileira", Dunga, técnico da Seleção, em sua segunda convocação, agora para amistosos contra Argentina e Japão, em outubro.

"O Mário Fernandes teve esse episódio um tempo atrás, mas é jovem. Todos nós merecemos uma segunda oportunidade. Não podemos crucificar ninguém. Imagine se fôssemos crucificar todos erros do passado. Pelas minhas informações, o Mário Fernandes é tímido, retraído, muito diferente do que as pessoas pensam", Dunga, sobre uma das novidades em sua lista: o lateral Mário Fernandes, do CSKA, que em 2012 chegou a pedir dispensa da Seleção.

“Uma engrenagem precisa se encaixar na outra, todas as peças precisam harmonizar para que se tenha um conjunto no final. E a principal tarefa de um técnico é fazer a escolha certa dos jogadores”, Joachim Löw, técnico campeão do Mundo pela Alemanha, durante o Congresso FIFA/UEFA em São Petersburgo.

“Nada é mais importante para um jogador ou técnico do que participar de uma Copa do Mundo”, Didier Deschamps, técnico da França, também no Congresso FIFA/UEFA.

"Espero que este seja o meu ano. Hoje estou muito contente por entrar e ajudar a equipe a ganhar. Com o Messi, eu melhoro. Estamos funcionando bem na frente, começando a temporada muito melhor do que a última. Estamos mais perto em campo e nos conectamos melhor", Neymar, atacante do Barcelona, após marcar os dois gol da equipe em vitória sobre o Athletic Bilbao, pelo Campeonato Espanhol, com duas assistências do argentino.

“Estou muito contente. É a primeira vez que marco três golos num jogo. Não sei se foi a melhor exibição da minha carreira, mas foi muito importante porque foi meu primeiro jogo na fase de grupos da Liga dos Campeões”,

Yacine Brahimi, extremo do FC Porto, após o hat-trick marcado ao BATE Borisov.

“É um resultado positivo, que dá confiança, mas não podemos tirar conclusões precipitadas. Estamos moderadamente satisfeitos”, Julen Lopetegui, técnico do FC Porto após a goleada (6 a 0) frente ao BATE.

“É a minha sexta época no clube e nunca vi nada assim. A perdermos por 2 a 0, perceberam a dificuldade que tivemos por estarmos com menos um jogador em campo e que demos tudo por tudo. Agradecemos aos adeptos do fundo do coração”, Jorge Jesus, técnico do Benfica, após a derrota em casa com o Zenit, na estreia da UEFA Champions League.

“Não podemos cometer os erros que cometemos. Temos de animar os jogadores, pois não é fácil, depois do jogo que fizeram, não levar os três pontos para casa”, Marco Silva, técnico do Sporting, após os Leões permitirem o empate do Maribor no último minuto dos descontos do jogo da Champions.

“Mostrámos que somos uma equipa inexperiente e isso faz mossa. Um lance pode fazer a diferença e foi isso que aconteceu”, Nani, atacante do Sporting, que marcou o único golo dos Leões no empate com o Maribor.

“Não podia intimidar a minha equipe e criar nela um temor que não era compreensível. Pelo contrário, procurei dar não só confiança aos nossos jogadores, mas também otimismo e motivação. E, felizmente, fomos assim, até o final”, Jorge Luís Pinto, técnico que levou a Costa Rica às quartas de final da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, em entrevista ao FIFA.com.

“Com o Ronaldo, a relação vem de muitos anos. Conhecemo-nos quando ele chegou ao Sporting, onde eu jogava. Somos unidos por uma forte amizade e nos desafiamos muito durante uma partida. Nos 90 minutos somos rivais, umas uma rivalidade saudável. Eu quero que ele jogue bem e ele quer que eu jogue bem”, Beto, guarda-redes português do Sevilla, em entrevista ao FIFA.com.

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domingo, setembro 14, 2014

6 mitos sobre liderança nos quais você precisa parar de acreditar

Não importa se você tem uma grande ou pequena empresa, o essencial é saber identificar as lideranças para que o trabalho delas possa beneficiar seu negócio

Diego Contezini, Administradores.com

O líder é uma figura essencial dentro de qualquer negócio. Constantemente inquieto e naturalmente ávido por resultados, ele é responsável por conduzir a empresa para um processo de desenvolvimento contínuo. É a liderança quem age para criar na equipe o clima de confiança e satisfação necessário para que todos busquem objetivos comuns.

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Tão grande quanto sua importância é a polêmica instalada em torno da figura do líder. Não importa se você tem uma grande ou pequena empresa, o essencial é saber identificar as lideranças para que o trabalho delas possa beneficiar seu negócio. E isso não é fácil. Há muitos mitos envolvendo essa habilidade, fazendo com que muitas vezes a identificação do talento seja comprometida. Desmistifique o assunto para que a tarefa de encontrar bons líderes na sua empresa se torne mais fácil.

Liderança é um dom

Líderes não nascem prontos, como se fossem possuidores de um dom. Por mais que uma pessoa possa ter predisposição à esta característica, terá de aprender as habilidades essenciais de um líder. Se quiser liderar com sucesso, o profissional terá de desenvolver qualidades como autoconhecimento e disciplina, além de dominar técnicas de relacionamento, comunicação e gestão empresarial, aplicando-as sistematicamente no trabalho de condução da equipe.

Todo gestor é um líder

O gestor de uma empresa deve necessariamente saber administrar e monitorar, direcionando o trabalho dos funcionários. Mas liderar vai além disso. Um líder deve conseguir encorajar a equipe na busca de resultados cada vez melhores. Liderança envolve transformação. Muitas vezes, o líder da empresa não é o dono ou o gerente, mas um funcionário de menor porte. Cabe ao dono identificá-lo e reconhecê-lo.

Líderes sabem mandar

O perfil do chefe autoritário e centralizador ficou no passado. Os poucos profissionais que ainda sobrevivem no mercado com essas características são como dinossauros, com os dias contados. O líder de verdade compreende que seu trabalho deve ser realizado em conjunto com a equipe. Ele confia nos funcionários, sabe delegar tarefas e monitora os resultados com inteligência para que consiga alcançar os melhores índices de desempenho.

Líderes sempre possuem as respostas certas

O líder sabe que não é o senhor da verdade, que não terá as melhores soluções sempre. Ele entende que processos evoluem e que não há conceitos absolutos. O que era bom há um ano pode estar obsoleto hoje. Portanto, valorize a busca por novas informações e o aperfeiçoamento técnico. Em vez de respostas, o líder deve buscar sempre novas perguntas, instigando a curiosidade e a inovação entre a equipe.

Líderes são cercados de servidores e mordomias

A essência da liderança é o serviço. O líder deve servir à sua equipe e à empresa. Profissionais cercados de mordomias e funcionários bajuladores deixam de ser líderes para render-se à ambição e ao deslumbramento do cargo que ocupam e das conquistas do passado. Esses profissionais estão fadados à estagnação. O líder de verdade jamais deixará de trabalhar com presteza.

Líderes são formados a partir de fórmulas preestabelecidas

Líderes são formados a partir de um longo processo de aprendizado e aprimoramento pessoal. Não existem fórmulas mágicas! Muitas pessoas são seduzidas a participar de cursos rápidos de liderança, que prometem mudar a forma como se relacionam com o trabalho e o restante do mundo. Infelizmente, esse tipo de milagre não existe. Se você quer se tornar um líder, tenha em mente que vai desenvolver um trabalho a longo prazo. Saiba que não há escola para isso, você estará sozinho nesse processo. E, sim, será difícil, mas muito compensador.

Diego Contezini é COO do Assas.com, ferramenta que permite que autônomos e pequenos empreendedores emitam cobranças com boletos sem que precisem falar com seus bancos, gerentes ou quaisquer outros fornecedores.


   Refunda seus conceitos sobre liderança.

Ela pode ser em parte inata, em parte adquirida.

O mais que disserem é coisa do passado.” Benê Lima


sexta-feira, setembro 12, 2014

Paulo Ghiraldelli escreve “Compreender Pelé”

Paulo Ghiraldelli*

Edson Arantes do Nascimento, o Pelé

Pelé disse que se ele fosse ligar para as vezes que o chamaram disso ou daquilo em campo, ele não jogava futebol, e que a reação do jogador Aranha diante da gremista, que o chamou de macaco lá do alto da torcida, pode ter sido exagerada. Falando isso, Pelé despertou mais uma vez a ira do movimento negro.

Mais recentemente a casa da gremista foi incendiada. Tudo leva a crer que algum bobo de uma KKK invertida ou então algum idiota de uma KKK autêntica, querendo ver as coisas piorar, fez isso. Não descarta nenhuma hipótese em um país onde o ódio é enrustido. Em qualquer dos casos, o fato autoriza Pelé a pensar “tá vendo, não falei que era exagero, olha aí o resultado: violência”. Alguns diriam: violência verbal gerou agora violência material, quase que no mesmo sentido do que poderia dizer Pelé.

Mas não é por essa via que os problemas de minoria podem andar. Não é Pelé, nessa sua frase, que está realmente em jogo, ainda que seja sim o caso. O problema é o homem da geração de Pelé.

Pelé ama o futebol mais que tudo. Tudo é secundário diante do futebol. Não é para menos. Muitos atletas, músicos, atores, escritores são assim. Amam o que os fizeram gente mais que pai, mãe, classe, nação, justiça, filhos etc. Parar um jogo, para Pelé, é como parar um missa para um padre.  Mais que muita gente, Pelé sabe o que ele seria ou, melhor, o que ele não seria, sem o futebol. Isso não é pouca coisa.

Pelé não vai entender nunca o movimento negro. Mas é uma pena que o movimento negro não possa compreender Pelé. Ora, por que o segundo tem de entender o primeiro sem a recíproca? Por uma razão simples: um movimento social nem sempre é só um movimento reivindicativo, ele é também uma espécie de consciência de grupo. Uma consciência de grupo deve necessariamente ser superior a uma psicologia individual.

Assim, a “consciência negra” tem de saber como Pelé, negro, nunca se sentiu ultrajado – mesmo que tenha sido. Mas Pelé, negro, mesmo tendo sido ministro, não precisa entender que enquanto ele não se sentia ultrajado, outros se sentiam e outros que não sentiam eram objetivamente ultrajados. Seria ótimo que entendesse. Mas Pelé não se torna moralmente reprovável por não entender. Agora, o movimento negro, ao condená-lo publicamente, sem cuidados, mostra ficar aquém de uma “consciência negra”.

Em outras palavras: a “consciência negra” como qualquer “consciência de grupo” é sempre uma consciência filosófica, digamos assim, e por isso mesmo deve possuir um grau de amplitude de pensamento maior e mais sofisticado que a consciência individual psicológica. Se o movimento negro não entende Pelé como quem não foi capaz de perceber o preconceito racial contra ele mesmo e outros (ele não nega que outros tenham sofrido), acaba por condenar muitos avós e pais negros, que, não raro, desconfiavam que houvesse mesmo algo de errado na relação branco-negro no Brasil, mas não achavam que isso era alguma coisa muito ruim.

Goleiro Aranha, vítima de racismo

A passividade dos negros do passado era sem dúvida maior que a de hoje diante de preconceito racial. Não foi da noite para o dia que a libertação dos escravos aconteceu. Aliás, vendo o quanto ainda há negros que são contra a política de cotas, dá para notar como que a libertação, em um nível psicossocial, ainda está longe de ocorrer. O liberalismo simples que nega a necessidade da política de cotas não serve ao negro, o movimento negro diz corretamente isso, mas há negros individuais, hoje, que não conseguem entender que esse tipo de liberalismo é carcomido para eles mesmos. Ora, se é assim, faz-se necessário entender Pelé. Ele não tem 30 anos. Ele é de 1940. Eu sou de 1957. Eu tive uma irmã de criação negra. Eu sei muito bem em que mundo Pelé viveu e obteve sucesso. Eu aprendi a não julgar os negros que não reagiam, principalmente quando era visível que o que hoje é ofensivo não era ofensivo de modo algum para eles. Era para nós, os brancos com vergonha de não terem podido fazer mais justiça do que se tinha!

Pessoas como eu aprenderam a ter vergonha alheia quando algum branco da família falava uma frase racista. E mais vergonha ainda quando via que um negro escutava a ofensa e não a tomava como ofensa. Uma pessoa como eu tinha abertura para conversar isso com negros, e saber subjetivamente que a ofensa nem sempre é reconhecida como ofensa em uma situação onde o status quo vigente parece vir posto pelos deuses, como algo eterno, imutável.

Não estou pedindo que integrantes do movimento negro perdoem Pelé. Estou ponderando sobre o quando o movimento negro, o coletivo, o que fala como “consciência negra”, ganharia se soubesse compreender o mundo de Pelé. Caso essa compreensão não venha, o próprio movimento negro vai estar aquém do “conhece-te a ti mesmo” socrático, e não poderá funcionar filosoficamente da maneira que todos esperamos que um movimento desse tipo, de minorias, possa funcionar. Para termos uma democracia liberal avançada, capaz de proteger e promover minorias, só reivindicações não é o bastante. É preciso saber pensar a história. Principalmente a própria história.

Muitas vezes um movimento de minoria se preocupa demais em policiar membros que ele acredita que deveriam estar ao seu serviço. No entanto, não se empenham muito em ajudar alguém que, estando ao seu serviço, foi caluniado. Já vi negros do movimento negro abandonarem brancos amigos que sempre estiveram do lado do movimento negro, exatamente para não ficarem mal com suas bases. E já vi isso ocorrer também com negros caluniados. Já presenciei muitos negros (e brancos ditos democratas) tirarem o corpo fora na hora de proteger um amigo caluniado como racista, seja este amigo de qualquer etnia.

Já vi muita coisa!

Em termos de democracia e política de minorias já passei por muita coisa a ponto de saber que os mocinhos não são tão mocinhos quanto dizem que são, ao se diferenciar do que dizem ser os bandidos.

*Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo.

O que Pelé disse: “O Aranha se precipitou em querer brigar com a torcida. Se eu fosse querer parar o jogo cada vez que me chamassem de macaco ou crioulo, todos os jogos iriam parar. O torcedor grita mesmo. Temos que coibir o racismo. Mas não é num lugar publico que você vai coibir. O Santos tinha Dorval, Coutinho, Pelé… todos negros. Éramos xingados de tudo quanto é nome. Não houve brigas porque não dávamos atenção. Quanto mais se falar, mais vai ter racismo.” 10/09/2014.

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