Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quinta-feira, julho 20, 2017

Impacto da violência para os negócios dos clubes

POR  

A violência após a partida entre Vasco e Flamengo em São Januário, é apenas mais um capítulo dessa história de mortes que assolam o futebol brasileiro.
O homicídio de mais um torcedor por conta de uma partida de futebol, infelizmente já virou rotina no Brasil e engorda a longa lista de assassinatos ligados ao esporte mais popular do país.
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Segundo levantamento do Lance! já são mais de 300 mortes no futebol brasileiro desde 1988. Um escárnio!
Uma vergonha que em qualquer país civilizado já teria causado uma revolução, com penas duríssimas e cobranças pesadas aos envolvidos.
No Brasil, país que sobra impunidade e falta punições, infelizmente essas mortes viraram apenas estatísticas.
Esse problema complexo, requer medidas complexas. CBF, federações, clubes e setor público (governos, justiça, segurança pública, etc) deveriam se envolver e pensar conjuntamente em uma saída definitiva para o problema.
Entretanto meu artigo de hoje não tem como objetivo buscar essas soluções, mas sim mostrar os impactos negativos de toda essa violência para os negócios dos clubes.
Sem dúvida são os times brasileiros os maiores prejudicados economicamente com essa violência que assombra o nosso futebol. Quase sempre causada pelas torcidas organizadas.
Alguns fatores:
Baixo público nos jogos
O fator mais direto da violência das torcidas organizadas. O clima de violência afasta o torcedor, que com medo simplesmente não vai aos jogos e muito menos leva seus familiares.
Literalmente são gerações de torcedores que por conta da violência não frequentam jogos de futebol.
O impacto é gigantesco e estádios vazios representam perdas milionárias.
Baixa venda de camisas dos times
O clima de violência do futebol brasileiro afetou outros setores, além das partidas.
O medo que contaminou nossa sociedade fez com que os pais prefiram que seus filhos usem camisas de times europeus do que de times brasileiros.
O risco de apanhar ou ser assassinado fez com que o mercado de vendas de camisas fosse drasticamente reduzido no Brasil.
Sem falar no medo de ir a uma partida com a camisa do seu time. O que é normal em qualquer parte do mundo, aqui infelizmente assombra os torcedores.
Depredação de espaços públicos e estádios
A violência causa um prejuízo enorme para os times que são obrigados a pagar para consertar atos de vandalismo de seus torcedores violentos.
Seja no seu estádio, em estádios de rivais e até em espaços públicos.
Infelizmente os clubes pagam um preço alto por arruaças e depredações.
Perdas de mandos e portões fechados
As punições por conta da violência afetam e muito as finanças dos clubes.
Não poder jogar em seu próprio estádio além das perdas financeiras, também acarretam perdas esportivas, já que o time pode sofrer perdas de pontos por derrotas fora de casa.
Já ter que jogar com estádios vazios impacta e muito na venda de ingressos e redução das receitas com o sócio torcedor.
Afastamento de patrocinadores
Toda essa violência afeta as marcas dos times na busca de patrocinadores, já que as notícias negativas afugentam potenciais marcas, desgastam sua imagem e afetam todo o negócio.
Infelizmente nenhuma empresa quer se associar a experiências violentas e nenhum patrocinador vai expor executivos, clientes e fornecedores a esse risco.
Uso indevido das marcas
As torcidas organizadas não apenas afetam negativamente as marcas dos times com essa imagem de violência e impacto em toda a cadeia produtiva, como também pelo uso indevido da marca dos times.
Os torcedores organizados lucram com vendas de produtos alusivos aos clubes e não repassam um único centavo.
Não há dúvidas dos milhões de reais que são perdidos todos os anos pelos clubes por conta da violência!

segunda-feira, julho 10, 2017

A dupla Gre-Nal e a dura missão de criar espaços no jogo atual

Painel Tático

Os times de Porto Alegre não estão indo bem em seus últimos jogos. O Grêmio chegou à 3º derrota consecutiva no Brasileirão com uma atuação histórica do goleiro Douglas, do Avaí, e o Inter segue a sina da Série B após suar um empate com o Criciúma em pleno Beira-Rio. Além dos resultados, o desempenho dos arqui-rivais é bem semelhante: times de posse, ofensivos e que sofrem contra os pequenos. 

Nunca na história do jogo foi tão difícil propor, ter o controle e empilhar gols a partir da posse de bola. É um traço característico da evolução do futebol. Não parece, mas aquele Barcelona que fez 4x0 no Santos irá completar 6 anos. E, no mundo globalizado e na era da informação, 6 anos equivalem a 60. Analistas, técnicos e jornalistas viram e reviram partidas, e o controle da bola já não é mais o objetivo do jogo. Cruyff, se estivesse vivo, não iria gostar. Mas nunca foi tão complicado ser um time holandês ou catalão.

A questão não é mais ficar atrás e especular contra-ataques. É conseguir fazer com que essa organização defensiva tire a velocidade do jogo e dos passes do rival, o grande responsável por criar espaços. O Grêmio é um bom exemplo: no 4-2-3-1 de Renato, Barrios funciona como o pivô que sustenta e contrói de costas, escorando para as diagonais dos pontas ou o jogo de Luan. Quando não há opções à sua frente - como na imagem - e Luan fica na frente dos volantes, o Grêmio trava. Precisa finalizar de longa distância, já que as tabelas não conseguem ter a velocidade para superar e deixar adversários de costas.O Criciúma também fez isso após conseguir um gol de bate-rebate na área. Aliás, o peso da bola parada vem sendo cada vez mais importante nos resultados finais de jogos - lembre-se que o Palmeiras findou um jejum de 22 anos com quase 50% dos gols feitos assim. Não basta mais ter uma linha de defesa bem posicionada. Quando essa linha está virada para a bola, pronta para interceptar, e o meio-campo está pressionando o portador - como na imagem - torna-se muito difícil escapar dessa maracutaia defensiva.Não se pode mais resumir a complexidade dessas ideias no simples conceito de “retranca”. O jogo defensivo nunca teve tantas nuances - linha de 3, linha de 4 ou de 5, alas por dentro ou espetados, bola longa ou jogo pelo chão, contra-ataque rápido ou “Cucabol”. Basicamente, já não é mais necessário ter jogadores talentosos ou habilidosos para formar uma equipe que jogue dessa maneira.

Controlar os espaços é um modelo acessível e, se a ideia é comprada de cara, fácil de implementar até na loucura de demissões do Brasil.

Por isso a dupla gre-nal vem sofrendo. Não apenas ela, mas o Santos teve um acréscimo de resultados e um decréscimo de organização com Levir Culpi quando passou a adotar um jogo reativo - e por reativo, entenda de reação ao adversário, de recuperar e sair rápido. Fluminense e Cruzeiro fizeram bons jogos assim, e o Botafogo assombra qualquer grande parecendo o Atlético de Madrid. O Grêmio foi o "melhor futebol do Brasil" quando teve a velocidade certa para desorganizar o adversário. Mais estudado, já não consegue reprisar os bons desempenhos.

Não é preciso gostar. Mas o Brasileirão e o caminho do futebol é o jogo reativo. O jogo de linha compacta e fora da área. Ou melhor, se você realmente gostar do termo, é a era da retranca. A missão de criar espaços nunca foi tão árdua - e complexa.

Indicação de filme: A Procura da Felicidade

quinta-feira, julho 06, 2017

Sucesso do futebol alemão começou fora de campo

Amir Somoggi
O título conquistado no último domingo na Copa das Confederações pela seleção da Alemanha, não chamaria tanto a atenção não fosse pelo fato do time ser composto por jogadores novatos. Literalmente os alemães foram para a competição com um time B.
Vários atletas inclusive são desconhecidos do grande público, o que comprova o poder de renovação de um pais que no início dos anos 2000 tinha parado no tempo.
Atualmente não apenas a seleção principal da Alemanha está se renovando, como a cada ano seleções menores também. É sempre bom lembrar que o vice-campeonato Olímpico no Rio de Janeiro mostrou uma seleção com jovens jogadores de altíssimo nível e que por muito pouco não venceram a medalha de ouro.
Essa profunda evolução do futebol alemão não surgiu ao acaso e nem foi fruto da sorte ou pelo nascimento de craques, do nada, como regularmente acontece no Brasil.
O sucesso dentro de campo do futebol germânico, sempre tido como uma potência futebolística, mas com características técnicas ligadas ao futebol força nasceu em um processo de planejamento estratégico. Sim, foi um processo de gestão fora de campo, que produziu efeitos positivos na qualidade do jogo.
Embora o futebol brasileiro tenha muita dificuldade de entender isso, o esporte precisa de boa gestão para evoluir. Não é à toa que estamos no fundo do poço dentro de campo, com times jogando mal, jogadores malformados e técnicos antiquados.
É bom lembrar que nenhum treinador brasileiro é respeitado no exterior.
Para a Alemanha, o momento da virada foi a eliminação precoce da Eurocopa em 2000. Foi o ponto de partida para um grande plano de longo prazo para mudar o futebol do país.
Este plano foi elaborado em conjunto pela Federação Alemã, Bundesliga e seus times. Foi feito um estudo e definido um projeto sistêmico de investimento pesado nas categorias de base e uso de metodologias modernas.
O trabalho foi alavancado pelo fortalecimento corporativo dos times, com uma gestão mais eficiente. O resultado foi a valorização da competição nacional, melhorando a qualidade do jogador alemão. E isso refletiu positivamente na seleção.
Os times mais fortes, produziram um efeito muito positivo na qualidade da seleção. O objetivo era mudar o futebol da base para o topo. Literalmente eles reinventaram o futebol do país.
Desde 2001 foram investidos mais de 1 bilhão de euros em projetos de base como novos campos espalhados pelo país, capacitação de treinadores e novas tecnologias. Sem falar no investimento dos times em suas categorias de base. mas de 900 milhões de euros.
Base Bundesliga
O efeito foi avassalador.
Em pouco mais de uma década o futebol alemão passou de uma seleção envelhecida eliminada precocemente de uma Eurocopa para ser uma referência na formação de jovens talentos.
Hoje o futebol alemão colhe frutos de ter times altamente competitivos em diversas competições de categorias menores.
Construíram com planejamento um projeto que mudou o futebol do país para sempre.
CBF poderia ter feito nossa revolução
O futebol brasileiro poderia ter vivido situação similar ao ocorrido na Alemanha. Somente não tivemos nada parecido pois temos uma CBF cuidando de seus interesses e não do futebol nacional.
Segundo os balanços da entidade máxima do nosso futebol, entre 2003 e 2016 foram gastos inacreditáveis R$ 1,6 bilhão em despesas administrativas e pessoal.
CBF ADM
Nesse período a despesa total da CBF superou R$ 3,6 bilhões.
Recursos que poderiam ser empregados em um projeto sério de mudança no nosso futebol, com investimento  em infraestrutura, capacitação e fortalecimento do futebol de base.
Mas o que esperar de uma entidade afundada em denúncias de corrupção? Isso aí: gastos absurdos e sucateamento do nosso principal esporte.

quarta-feira, julho 05, 2017

Olhares sobre a formação dos treinadores brasileiros

A discussão sobre a formação dos treinadores brasileiros
Benê Lima 
Resultado de imagem para CBF, UEFA, Treinadores

Considero importante a visão de fora, o olhar diferenciado, amplo, e não condicionado ao aspecto político, do professor Jorge Castelo. Só que essa discussão deve ser feita levando-se em conta as condições brasileiras.  
Temos proposto a mudança da cultura da gestão esportiva em nosso país. CBF não é UEFA e nem há nela (CBF) vocação para isso.   

Resultado de imagem para CBF, UEFA, Treinadores 

Quando da instauração do Comitê de Reformas da CBF me enchi de esperança pela participação da comunidade esportiva, imprensa e a sociedade em geral, a fim de que pudéssemos contribuir para a mudança da cultura a que fiz alusão, através do poderoso instrumento que é o Estatuto daquela entidade de administração. Infelizmente, o nível da participação foi decepcionante. O resultado foi que coube quase que exclusivamente à CBF reformular seu Estatuto.  
Hoje, assisto a essa mesma CBF adotar algumas das medidas que preconizávamos, como uma inserção na vida sócio-desportiva e a busca por uma aproximação, para cooperação, com o governo federal, além de estados e municípios. Ou seja, a montanha está vindo a Maomé - verdadeira inversão da ordem natural das coisas. 
Voltando ao tema inicial, as nossas Escolas de Ensino Superior era que deveriam oferecer a formação de técnicos e de treinadores na área esportiva com maior rigor, zelo e aperfeiçoamento. No entanto, reconheçamos, a CBF tem estado empenhada nisso também. Ela criou, entre outros, o CBF Academy, que tem cursos para treinadores com Licenças D, C, B. A e Pro, além de cursos nas áreas de gestão do futebol e na do direito esportivo.  
É insuficiente? Sem dúvida que é, mas isso já representa um avanço.  
A possibilidade do conhecimento se dá também através do CBF Social e dos workshops ali ministrados.  
E agora temos a CBF como fomentadora das parcerias de pequenos projetos sócio-desportivos, entre a iniciativa privada e os poderes públicos.  
Que tal pensarmos em fazer um pouco , ou a nossa parte. 
(...)
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terça-feira, junho 27, 2017

O dia em que um homem humilhou a Globo em rede nacional

Indiscutivelmente, este vídeo é uma recordação inestimável de um marco extraordinário na história da comunicação no Brasil.
Um verdadeiro testemunho de autoflagelação, com a Rede Globo de Televisão açoitando a si própria.
Parabéns à memória de Leonel Brizola.

(Benê Lima, Cronista Esportivo, Rosacruz e Humanista)

Jornal Nacional - Nota de Leonel Brizola

Indicação de filme: "A Prova de Fogo"




Sinopse: O filme A Prova de Fogo (Fireproof) é uma belíssima história sobre fidelidade, amor e companheirismo. Mais um filme dos irmãos Kendrick, criadores do famoso filme Desafiando os Gigantes.
O filme conta a história de um bombeiro, Caleb Holt (Kirk Cameron). Caleb é um profissional exemplar, porém em seu casamento as coisas não andam nada bem. Depois de aceitar um desafio proposto por seu pai (Através do livro diário O Desafio do Amor), a fim de salvar o seu casamento, Caleb faz um propósito e decide transformar o relacionamento com sua esposa. A partir daí, sua vida começar a mudar e Caleb consegue reacender a chama do amor em seu casamento.
O filme é uma grande lição a respeito do verdadeiro significado do AMOR.
Um casal que não se olha, não se percebe mais, repleto de mágoas e interesses próprios, beirando o caos, decide se separar. O pai de Caleb, instrumento de Deus lhe mostra uma oportunidade de reconquistar o amor de sua esposa.
Caleb se vê perdido, sem valores bem definidos e principalmente, não sabia o significado do verdadeiro amor.
Com a tarefa proposta pelo pai, Caleb percebe a importância que é ter Deus em seu coração e em sua vida e também como é importante demonstrar o amor à sua esposa, já que não conseguia devido ao seu egoísmo, sua individualidade e vaidade.
Através de seu pai, Caleb pôde mudar a situação caótica do casamento, depois de muito sofrimento e dedicação à reconquista da esposa.
No final do filme, percebemos como a falta de Deus no coração nos cega. A esposa acredita durante 2 semanas que outra pessoa e não seu marido, ajudou seus pais. É possível observar o seu desespero e ao mesmo tempo, alegria quando percebe que estava enganada dando o mérito à pessoa errada e continuava atacando  seu marido.
O filme mostra que não importa os seus compromissos e interesses individuais , sempre devemos lembrar de que o amor deve ser cuidado e alimentado o tempo todo.
Todo dia é uma reconquista, é o verdadeiro Desafio do Amor e tudo isso se torna natural se tivermos Deus em nossa mente e em nosso coração, a todo tempo, nutrindo os nossos relacionamentos.
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Por Flávia Vasconcelos
Psicóloga Organizacional

Indicação de bom filme: "O Presente"

O Presente -Filme- Dublado HD - "O maior de todos os presentes".


Mensagem do Grande Mestre da AMORC-GLP: Meditação pela Paz

quinta-feira, junho 01, 2017

A transformação da UEFA Champions League

AMIR SOMOGGI
No mundo dos negócios, assim como no esporte, os grandes cases não surgem por acaso. São pensados e planejados.
A Champions League é um grande exemplo disso.
Organização, meritocracia, marketing de alto nível são alguns dos elementos fundamentais para seu sucesso.
Explico isso nesse artigo.
*   *   *
No próximo sábado teremos mais uma final da UEFA Champions League. Um evento que a cada ano torna-se mais grandioso. A final deste ano será realizada em Cardiff, no País de Gales. entre Juventus e Real Madrid.
O que nem todos sabem é que esse sucesso esportivo, financeiro e mercadológico não surgiu ao acaso.
Na verdade, foi resultado de um eficiente trabalho da UEFA, que conseguiu transformá-la em uma das maiores competições do esporte mundial. A movimentação financeira atual da Champions supera o que a FIFA arrecada com a Copa do Mundo, por exemplo.
A grande mudança ocorreu em 1992 quando a UEFA, como consequência do processo de reestruturação que vinha passando o futebol europeu, reformulou sua principal competição a antiga Copa da Europa e a transformou na atual UEFA Champions League.
Em 1993 a Champions movimentava € 45 milhões, valor que saltou para € 518 milhões em 2000. Atualmente o faturamento da competição supera € 2 bilhões.
Os clubes participantes ficam com cerca de € 1,34 bilhão. Desde sua reformulação o crescimento foi de impressionantes 4.478%!
O campeão do ano passado Real Madrid recebeu € 80 milhões e o vice-campeão Atlético de Madrid ficou com € 70 milhões.
Champions
A reformulação se fundamentou em um amplo trabalho de marketing e identidade de marca.
O trabalho implementado pela UEFA teve como ponto central o fortalecimento mercadológico da competição e o controle por parte da entidade dos contratos de transmissão e patrocínios.
Um ponto fundamental foi a visão que a entidade máxima do futebol europeu teve de que grande parte dos recursos gerados fossem diretamente destinados ao pagamento aos clubes.
Esse pagamento tinha como base a meritocracia, fazendo com que a remuneração estivesse intimamente ligada ao desempenho na competição e a importância de cada mercado europeu na geração de receitas de TV.
Assim, quanto mais representativo fosse um mercado na atração dos recursos de mídia para a UEFA Champions League, mas os clubes deste país receberiam em termos de remuneração.
Por exemplo, na temporada 2015-16 o Manchester City foi o time que mais recebeu recursos, € 84 milhões, mesmo tendo chegado apenas à semifinal. A Inglaterra é mais representativa para a competição que a Espanha, que tinha os dois finalistas.
Além disso, a competição atraiu o interesse de grandes patrocinadores, que enxergaram na UEFA um porto seguro para seus projetos mercadológicos.
A Champions ofereceu a possibilidade de ativar ações de marketing e comunicação, criando um círculo virtuoso para os patrocinadores e para a competição, o famoso ganha-ganha.
As marcas patrocinadoras perceberam que a seriedade da administração da UEFA, somado ao seu caráter de evento global e midiático, foram fundamentais para a promoção e comercialização das marcas no mundo todo.
Os patrocinadores utilizaram o investimento como plataforma global para o desenvolvimento de estratégias mercadológicas. As marcas pagam pela cota e ainda gastam fortunas promovendo a competição.
Um exemplo para todas as competições esportivas do planeta.
Qual o segredo do sucesso?
 Entre os mais variados aspectos do sucesso da UEFA Champions League, vale destacar:

  1. Profissionalização da gestão da competição e sua comercialização;

  1. Fortalecimento de sua marca, por meio de uma identidade forte e única;

  1. Criação de ícones de marketing como sua música tema, a bola, as ações de marketing e a grande final;

  1. Centralização dos contratos de transmissão e negociação com patrocinadores;

  1. Repasse substancial dos valores arrecadados para os clubes participantes;

  1. Transparência total na prestação de contas;

  1. Atração de patrocinadores globais, dispostos a ativar a relação de suas marcas com a competição.

quinta-feira, maio 25, 2017

Discrepância dos direitos de TV no Brasil, um erro da Globo

AMIR SOMOGGI

Recentemente foram divulgados os valores pagos pelos direitos de TV da Premier Legaue para a temporada 2016-17. Analisando os dados, fica claro como o modelo empregado no Brasil está completamente equivocado.
Na Inglaterra, a cada novo contrato as diferenças entre os times ficaram menores. O contrato global da liga cresceu muito e o nível da competição também.
A lógica é clara, quanto mais equilíbrio nos valores divididos nos direitos de transmissão, maior a chance de haver um equilíbrio esportivo.
Esse modelo praticado nas ligas americanas foi adequado ao futebol inglês. No caso dos EUA é ainda mais rigoroso, com uma divisão igual para todos os times, além da divisão de recursos de patrocínios das ligas para os times e vendas de produtos.
A Inglaterra mostrou ser possível criar um modelo que pudesse ser a cada ano mais equilibrado, pelo menos no que tange aos direitos de transmissão. Digo isso, porque assim como nos EUA, os grandes times continuam faturando mais que os pequenos.
Mas não por conta da TV e sim pelos altos valores gerados com estádios, acordos comerciais individuais e no caso dos europeus exploração global das vendas de produtos.
O atual contrato do campeonato inglês divide £ 2,5 bilhões entre os times, mais de R$ 10 bilhões por ano. Nessa última temporada todos os times receberam £ 84,4 milhões fixos.
O campeão Chelsea ficou com um total de £ 153,3 milhões. Além do valor fixo garantindo, recebeu outros £ 30,4 milhões pelos jogos transmitidos e mais £ 38,4 milhões por seu desempenho.
O último colocado Sunderland recebeu £ 99,9 milhões, além do valor fixo igual para todos, outros £ 13,6 milhões pelos jogos transmitidos e £ 1,9 milhão pelo desempenho.
Isso significa que a diferença entre o primeiro colocado em valores recebidos e o vigésimo colocado foi de apenas 1,5 vezes.
E essa diferença era de mais de 2 vezes em contratos mais antigos. Isso significa que quanto mais os valores cresceram, menor ficou a distância entre os times.
TV PL
Enquanto para os times que mais recebem da TV os valores representam cerca de 35% de seu orçamento, para os pequenos esse valor pode chegar a 90%.
A liga não consegue equilibrar os times como um todo, mas pelos menos garante um mínimo necessário para melhorar a qualidade de todos os times, e não apenas de alguns.
No Brasil a diferença só aumenta
O mundo do futebol já percebeu que é fundamental que os valores de televisionamento sejam divididos de forma mais equilibrada.
Infelizmente no Brasil, pela falta de uma liga e pela presença de uma única emissora até agora ditando as regras, caminhamos no sentido oposto.
A entrada do Esporte Interativo apenas obrigou a Globo a gastar mais, mas nem por isso mudou esse formato de privilegiar os grandes em detrimento dos pequenos.
Segundo meu estudo publicado sobre as finanças dos clubes em 2016, as emissoras de TV entre direitos de TV e luvas pelos novos contratos pagaram R$ 2,5 bilhões aos 20 maiores clubes em receitas do Brasil.
Flamengo foi o que mais recebeu e ficou com R$ 297,2 milhões. Chapecoense foi o vigésimo time do ranking, com apenas R$ 30,6 milhões recebidos da TV.
TV
Isso significa que a diferença entre o que mais recebe e o que menos recebe, disputando a mesma competição é atualmente de inacreditáveis 9,7 vezes!
Sem dúvida um desserviço ao futebol brasileiro e uma fata de visão da principal detentora de direitos de TV, já que essa discrepância somente piora o nível técnico da competição e a deixa cada dia mais previsível.
Previsibilidade no esporte gera menores índices de audiência e distanciamento de empresas anunciantes nas transmissões no longo prazo.
Um erro que somente uma liga evitaria.
Um verdadeiro tiro no pé da própria Globo.
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